Por que evitar o sedentarismo infantil?

Agosto 30, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do site http://educarparacrescer.abril.com.br de 3 de julho de 2014.

max demian

Metade da população brasileira é inativa; veja por que seu filho deve fazer atividade física

Texto Stephanie Kim Abe

Que as crianças não brincam mais na rua não é nenhuma novidade. Mas que por causa dessa infância inativa elas podem ter menor expectativa de vida é um fato que poucas pessoas relacionam – e que está acontecendo cada vez mais.

O sedentarismo é a segunda causa de morte no planeta, matando cerca de 5,4 milhões de pessoas por ano. Para motivos de comparação, mata mais que o diabetes, custa duas vezes mais que a obesidade e três vezes mais que o tabagismo – tanto que é mais comum as pessoas terem familiares sedentários que fumantes.

A falta de liberdade para brincar na rua é apenas um dos fatores que indicam por que estamos mais inativos. No caso das crianças, enquanto a violência faz com que elas fiquem presas dentro de casa, os videogames, a televisão e os tablets ajudam a mantê-las ainda mais quietas e sedentárias. “O que mais explica esse fenômeno é sem dúvida a internet. Primeiro porque há um fascínio dos pais com a habilidade do filho de dois, três, quatro anos de idade de mexer com a tecnologia. Segundo porque tem a acomodação em deixar a criança na frente do computador, porque é mais seguro”, explica o médico Victor Matsudo, especialista em medicina esportiva e coordenador científico do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (CELAFISCS).

O desenvolvimento da tecnologia também impactou as máquinas e veículos que utilizamos no nosso dia a dia e, principalmente, no local de trabalho, diminuindo o esforço preciso para fazer determinadas tarefas. Só nos sobra um momento para compensar essa movimentação que nos era exigida nas atividades domésticas, no trabalho e no deslocamento: a hora do lazer.

Qual a necessidade de mudar esse cenário? De acordo com a iniciativa “Desenhado para o Movimento”, iniciada pela Nike em 2010 em parceria com diversas organizações, hoje é estimado que a expectativa de vida das crianças com 10 anos de idade seja menor que a de seus pais. Isso porque uma vida inativa afeta não só a saúde, mas também a economia, o desenvolvimento motor e até o desempenho escolar.

Entenda melhor por que é importante que o seu filho seja uma criança ativa:

1. Garante uma vida mais saudável e duradoura

O sedentarismo é um importante fator de risco de enfermidades como doença cardiovascular, pressão alta, câncer de cólon e de mama, AVC, diabetes, colesterol ruim (LDL) e depressão. As pessoas que são inativas possuem o dobro de chances de serem obesas.

Além de diminuir o risco de morbidade, ser ativo reduz as chances de a criança consumir drogas ou fumar. Uma infância ativa também se reflete no futuro. “A criança ativa que faz atividade física estruturada tem mais chance de se tornar um adulto ativo”, explica o especialista em medicina esportiva Victor Matsudo. Veja como evitar a obesidade infantil

2. Melhora o desempenho nos estudos

Uma pesquisa publicada em 2009, liderada pelo professor de cinesiologia (ciência que estudo os movimentos do corpo humano) da Universidade de Illinois Charles Hillman, demonstrou que a atividade física aumenta a capacidade de concentração dos alunos e melhora seu desempenho em testes acadêmicos, como compreensão de leitura. “Um cérebro exercitado é diferente de um cérebro sedentário. E o cérebro exercitado foi melhor em pesquisas”, explica o especialista em medicina esportiva Victor Matsudo. Outro estudo, também da Universidade de Illinois publicado em abril de 2008, revelou que adolescentes que praticam atividade física regularmente possuem 15% mais chance de obter maior escolaridade. Além disso, os comportamentos de uma criança ativa levam a uma melhor postura e comprometimento na sala de aula. “Por exemplo, a criança fica menos doente, e quando ela fica doente, fica menos dias doente. Assim, ela vai mais à escola e vai com vontade de ir à escola, não por obrigação”, defende o doutor. Mais do que pelas mudanças comportamentais e pela presença mais frequente e estimulada na sala de aula, o aumento no desempenho acadêmico pode estar ligado ao desenvolvimento neurológico. A questão ainda não está totalmente comprovada, mas estudos mostram que as atividades físicas estimulam a produção de neurônios na região do cérebro associada ao aprendizado e à memória.

3. Assegura o desenvolvimento pleno das atividades motoras

Toda criança passa por fases de desenvolvimento motor: na primeira infância a atividade lúdica ajuda no desenvolvimento psicomotor; depois é preciso trabalhar o equilíbrio, a coordenação motora, força, agilidade. É através da brincadeira, da movimentação, do estímulo ao movimento que as crianças conseguem desenvolver essas capacidades. Mais do que em relação às habilidades motoras, o sedentarismo infantil afeta a criança no sentido sócio afetivo também. “Ele limita as possibilidades de interação e integração aos esportes, jogos, recreação, ginástica, dança, luta, que são fundamentais para o sentimento de pertencimento ao grupo, a autoestima e autoconceito”, explica o professor de Educação Física Marcos Santos Mourão, do Centro de Formação da Escola da Vila.

4. Estimula uma cidadania ativa

Quem pratica atividade física tem uma relação mais aberta com a cidade e com sua própria cidadania – e passa a desejar uma cidade mais ativa. Isso significa ciclovias, parques, espaços abertos para circulação e caminhada, intervalos escolares mais ativos etc. Também aprende, com os esportes, a valorizar o trabalho colaborativo, o respeito ao outro e às diferenças e o autocontrole – habilidades que se refletem em um relacionamento mais sadio com os outros. Para o especialista em medicina esportiva Victor Matsudo, a grande contribuição da atividade física para a cidadania ativa é a percepção da consequência e o estabelecimento de metas, de forma a melhorar as suas relações: “‘eu treinei, eu emagreci. Eu treinei, fiquei mais ágil. Eu treinei, fiquei com mais fôlego’. Quando a criança percebe isso, começa a estabelecer metas e se planejar, porque vê que ‘o que eu faço eu consigo’”.

 

 

 

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