Dicionário feito por crianças revela a adultos um mundo que já esqueceram

Agosto 14, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://www.pragmatismopolitico.com.br de 21 de maio de 2013.

Dicionário feito por crianças revela a adultos um mundo que já esqueceram

Um professor colombiano passou dez anos coletando definições de seus alunos e, como resultado, obteve um dicionário com verbetes ao mesmo tempo puros, lógicos e reais

São definições cheia de poesia e sabedoria, apesar da pouca idade de seus autores. Ou talvez por isso mesmo. Vão desde A de adulto (“Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro de si“, segundo Andrés Felipe Bedoya, de 8 anos), até V de violência (“A parte ruim da paz“, na definição de Sara Martínez, de 7 anos).

O dicionário está no livro “Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças”, uma obra que surpreendeu ao se tornar o maior sucesso da Feira Internacional do Livro de Bogotá, no final do mês de abril. A surpresa aconteceu especialmente porque o livro foi publicado pela primeira vez na Colômbia em 1999 e reeditado no início desse ano.

“Isso me faz pensar que o livro continua revelando, continua falando sobre as pequenas coisas”, disse à BBC Mundo Javier Naranjo, que compilou as definições feitas por crianças colombianas.

“Eles têm uma lógica diferente, outra maneira de entender o mundo, outra maneira de habitar a realidade e de nos revelar muitas coisas que esquecemos”, diz.

reprodução

É assim que, no peculiar dicionário, a água é uma “transparência que se pode tomar”, um camponês “não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos” e a Colômbia é “uma partida de futebol”.

Além disso, uma das definições de Deus passa a ser “o amor com cabelo grande e poderes”, a escuridão “é como o frescor da noite” e a solidão é a “tristeza que a pessoa tem às vezes”.

‘Outra visão do mundo’

As definições – quase 500, para um total de 133 palavras diferentes – foram compiladas durante um período “entre oito e dez anos”, enquanto Naranjo trabalhava como professor em diversas escolas rurais do Estado de Antioquía, no leste do país.

“Na criação literária fazíamos jogos de palavras, inventávamos histórias. E a gênese do livro é um dos exercícios que fazíamos”, conta ele, que agora é diretor da biblioteca e centro comunitário rural Laboratório do Espírito.

Ele diz que teve a ideia de pedir aos alunos uma definição do que era uma criança, em uma comemoração do dia das crianças.

“Me lembro de uma definição que era: ‘uma criança é um amigo que tem o cabelo curtinho, não toma rum e vai dormir mais cedo’. Eu adorei, me pareceu perfeita.”

“As crianças escolheram algumas palavras e eu também: palavras que me interessavam, sobre as quais eu me perguntava. Mas não fugi de nenhum”, afirma Naranjo.

No dicionário aparecem temas do cotidiano da Colômbia, como guerra e “desplazado”, pessoa que se desloca pelo país, geralmente fugindo de conflitos. Um dos alunos definiu a palavra criança como “um prejudicado pela violência”.

Aprender a escutar

Para a publicação, Naranjo corrigiu a pontuação e a ortografia das definições escolhidas, mas afirma não ter tirado nenhuma das palavras por “questões ideológicas”.

Por isso, o livro mantém a voz das crianças, com suas formas de explicar as coisas e construções gramaticais particulares. Bianca Yuli Henao, de 10 anos, define tranquilidade como “por exemplo quando seu pai diz que vai te bater e depois diz que não vai”.

O ex-professor diz que o respeito à voz das crianças também é parte do sucesso do livro, que foi reeditado em 2005 e 2009 e inspirou obras semelhantes no México e na Venezuela.

As vendas do livro ajudaram a financiar as atividades da biblioteca atualmente dirigida por Naranjo, que continua convidando as crianças a deixar a imaginação voar com outras dinâmicas.

“Nós adultos somos condescendentes quando falamos com as crianças e deve ser o contrário. Mais que nos abaixarmos temos que ficar na altura deles. Estar à altura deles é nos inclinarmos para olhar as crianças nos olhos e falar com elas cara a cara. Escutar suas dúvidas, seus medos e seus desejos”, diz.

Confira abaixo algumas definições

Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos)

Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo (Maryluz Arbeláez, 9 anos)

Água: Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)

Branco: O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos)

Camponês: um camponês não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos (Luis Alberto Ortiz, 8 anos)

Céu: De onde sai o dia (Duván Arnulfo Arango, 8 anos)

Colômbia: É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos)

Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos (Ana María Noreña, 12 anos)

Deus: É o amor com cabelo grande e poderes (Ana Milena Hurtado, 5 anos)

Escuridão: É como o frescor da noite (Ana Cristina Henao, 8 anos)

Guerra: Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz (Juan Carlos Mejía, 11 anos)

Inveja: Atirar pedras nos amigos (Alejandro Tobón, 7 anos)

Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus (Natalia Bueno, 7 anos)

Lua: É o que nos dá a noite (Leidy Johanna García, 8 anos)

Mãe: Mãe entende e depois vai dormir (Juan Alzate, 6 anos)

Paz: Quando a pessoa se perdoa (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)

Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra (Luisa Pates, 8 anos)

Solidão: Tristeza que dá na pessoa às vezes (Iván Darío López, 10 anos)

Tempo: Coisa que passa para lembrar (Jorge Armando, 8 anos)

Universo: Casa das estrelas (Carlos Gómez, 12 anos)

Violência: Parte ruim da paz (Sara Martínez, 7 anos)

Fonte: livro Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças, de Javier Naranjo

com BBC Mundo e Catraca Livre

 

 

 

Arqueólogo por um dia – Museu Municipal de Alvaiázere – Crianças dos 6 aos 12 anos de idade

Agosto 14, 2014 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

236 650 710

915698791

https://www.facebook.com/museumunicipalalvaiazere?fref=photo

e-mail: museu.municipal@cm-alvaiazere.PT

 

Blog: http://museualvaiazere.blogspot.com/

 

Museu Municipal de Alvaiázere

Rua Professor José Augusto Martins Rangel

Alvaiázere 3250-114 Alvaiázere

 

 

Aceitam o meu filho autista no campo de férias?

Agosto 14, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Life & Style do Público de 1 de agosto de 2013.

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Por Patrícia Pinto da Silva

Os pais queixam-se de não terem respostas para os seus filhos quando estes têm necessidades educativas especiais.

Esta é uma questão que “num plano de direitos humanos e do ponto de vista social e cultural já não é aceitável”, diz Sara Martins, membro da direcção da Dar Resposta e mãe do Guilherme, um jovem de 13 anos com autismo. Embora a oferta para os tempos livres dos mais novos cresça, as férias das crianças com necessidades educativas especiais (NEE) continuam a ser uma realidade à parte. E o problema é “essencialmente cultural”, reforça a mãe.

“Há pessoas que acham que entre as necessidades especiais não constam os campos de férias”, diz o psicólogo e docente do IPSA- Instituto Universitário José Morgado, já com experiência de 40 anos em educação inclusiva. Ponto com o qual Sara Martins concorda relembrando que actualmente se assiste “a uma falta de consciencialização de que estas crianças e jovens têm o mesmo direito que os outros a aceder a este tipo de pedidos”, para além do facto de que problemas logísticos nas férias todos os pais têm.

Então, por que têm de perguntar os pais destas crianças se aceitam os seus filhos quando nenhum outro pai o tem de fazer? “A dificuldade da inclusão numa actividade de Verão é proporcionalmente directa à dificuldade que nós, pais, vivemos no reivindicar e fazer valer a inclusão dos nossos filhos noutros contextos”, como por exemplo, na escola, explica Sara Martins.

Armazéns sem inclusão

Além das Unidades de Ensino Estruturado introduzidas nas escolas, os campos de férias que incluam apenas pessoas com NEE funcionam como “guetos” que, para Sara Martins são “perfeitos armazéns onde não há inclusão” e onde as crianças são “segregadas do resto dos jovens da sua idade”. Actividades só para meninos com multideficiências, autismo ou trissomia 21 são um retrocesso na caminhada para a plena inclusão, alerta a mãe. A inclusão é todas as crianças poderem brincar com todos e os benefícios estão mais do que provados, reforça.

Ainda assim, David Rodrigues, docente na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa e presidente da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, relembra que a organização de actividades por parte de associações que lidem com a deficiência é a “comprovação da dificuldade que os pais têm em colocar os filhos em contextos inclusivos”. E esta oferta é a solução que estas entidades encontram para aliviar os pais, acabando por ser, muitas vezes, as únicas hipóteses que têm.

Contudo, chegadas as férias, as famílias continuam a perguntar às organizações das actividades e campos de férias se aceitam os seus filhos e a resposta continua a ser um redondo “não”. Grande parte desta não-aceitação deve-se ao facto de as entidades pensarem tanto numa readaptação do seu plano de actividades como na inclusão de exercícios terapêuticos. E, no exacto momento em que estas mudanças são feitas, a actividade deixa de ser inclusiva.

Poderá ser necessária uma mudança de pensamento, que actualmente já é visível em algumas iniciativas. O jovem Guilherme já esteve num campo de férias onde fez canoagem, slide, rappel e outras actividades. “Se calhar não fez a quantidade de vezes que os outros fizeram, mas houve o cuidado de criar o ambiente propício para que experimentasse. A adequação muitas vezes passa por isto, não passa por ter actividades diferentes”, conta a mãe Sara Martins, dizendo ainda que não se pode esperar que as crianças, com ou sem necessidades especiais, experienciem as actividades da mesma forma.

Vera Fernandes, membro da administração da sede da UPAJE- União para a Acção Cultural e Juvenil Educativa, menciona que nos campos de férias por eles organizados, sempre que possível, estas crianças fazem as mesmas actividades que todas as outras. “Claro que com um maior número de adultos a apoiar as crianças”, acrescenta.

Este é um apoio adicional que requer sensibilidade e que também se verifica nas actividades desenvolvidas pela cooperativa de solidariedade social TorreGuia, em Cascais. Segundo Ana Cristina Bernardo, directora desta cooperativa, uma das alternativas encontradas para que crianças com deficiência fossem incluídas nas actividades conjuntas foi a de terem “duas crianças com necessidades especiais integradas num grupo de dez”. Explica que este rácio permite “ter os recursos humanos adequados” não sendo “necessário o financiamento adicional nem por parte da autarquia nem dos pais”, já que vêm estabelecendo parcerias com a câmara de Cascais mas também com os agrupamentos de escolas do concelho.

Crianças com rótulos

Mesmo existindo boas práticas, a sociedade continua a colar o rótulo nestas crianças, os pais continuam a lutar para que este se descole e as promotoras de actividades de tempos livres, regra geral, continuam a dizer “não”. Justificações? Infra-estruturas inadequadas, recursos humanos pouco qualificados e pouca verba para assegurar o bem-estar destas crianças.

“A falta de recursos não é desculpa” na medida em que muitos pais se disponibilizam para pagar custos adicionais chegando a apresentar também algumas soluções, avança José Morgado. As instituições têm as suas limitações mas em casos em que, por exemplo, os terapeutas das crianças disponibilizem os seus serviços, as entidades poderiam incluí-los, sugere Sara Martins.

Na pausa lectiva deste ano, o Guilherme está a frequentar a Escola Salesiana de Évora e Sara Martins colocou ambas as questões – custos adicionais e recursos humanos. As respostas foram uma surpresa: “Não vamos cobrar mais dinheiro porque o Guilherme tem deficiência”, aceitando ainda uma primeira visita às instalações com a presença da terapeuta do jovem que explicou a todos como deveriam lidar com o autismo.

Nos casos em que as crianças são aceites, tanto José Morgado como Sara Martins relembram um outro problema: como é feito esse acolhimento. O investigador afirma que “muitas vezes, as crianças estão entregues, mas não estão incluídas”. Sara Martins diz que esta é uma situação idêntica à da escola quando “acha que basta tê-los lá dentro que já é inclusiva”, proferindo depois o discurso de “nós somos inclusivos mas ele não se mistura com os outros, o que é que nós podemos fazer?”. A mãe responde: “Criar estratégias para a inclusão acontecer”.

Férias mas não em guetos

A aceitação das propostas das famílias pode ser um primeiro passo. Sara Martins diz ser necessário regulamentar a inclusão destas crianças nas actividades de tempos livres porque, “assim como a escola não se pode recusar a ter um aluno com deficiência, os campos de férias para funcionarem tinham que ter previstas situações em que acolhiam” estas crianças.

Para David Rodrigues, salvaguardar nos regulamentos esta inclusão seria um avanço claro. Mas as barreiras que se erguem nestes processos são muitas e, na sua opinião, deveria pelo menos estar assegurada a necessidade de uma explicação para anão-aceitação.

Quanto à lei, esta contempla um apoio aos portadores de deficiência nos tempos livres mas essas respostas não são inclusivas acabando por criar os tais “guetos” que Sara Martins critica. “É possível criar-se um quadro de incentivos, de apoios ou de compromissos por parte do Estado português”, parcerias entre autarquias, Instituto Nacional de Reabilitação (INR), ministérios da Segurança Social e da Saúde para que existam “todas as condições de acessibilidade, qualquer que seja a deficiência”, sugere.

O presidente da Pró-Inclusão dá ainda outra sugestão: “podiam ser incentivadas parcerias tanto entre as escolas e instituições de educação especial como com as instituições de tempos livres”, onde se fizesse “um planeamento de modo a que se percebesse quantas crianças são e como seria feita a integração delas”.

Esta preparação (muitas vezes tardia) deveria ser feita com algum tempo para que se “pudesse pensar de uma maneira mais harmoniosa” nas férias destes miúdos.

Texto editado por Luís J. Santos

 

 

Performance de rua (Anti)Corpos: Contra o Tráfico de Seres Humanos em Braga hoje dia 14 de agosto

Agosto 14, 2014 às 12:10 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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De 14/8 às 15:00 até 15/8 às 18:30

O projecto (Anti)Corpos: Contra o Tráfico de Seres Humanos (TSH), promovido pela Delegação de Braga da Cruz Vermelha Portuguesa, volta a sair à rua e a recorrer às artes urbanas para alertar e mobilizar a sociedade civil na luta contra este flagelo.
 A performance foi concebida e será executada pela Krizo – Educação, Arte e Cidadania e terá lugar em três pontos do centro da cidade de Braga: Largo da República (junto ao café A Brasileira), Arco da Porta Nova e junto ao jardim de Santa Bárbara.

https://www.facebook.com/anticorposcvpb

 

Escolas sobrelotadas e professores a menos fazem aumentar o ‘bullying’

Agosto 14, 2014 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 11 de agosto de 2014.

clicar na imagem

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Concurso internacional de fotografia | Movimento Contra o Discurso do Ódio

Agosto 14, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Data: 30-06-2014 a 01-09-2014

Promotor: IPDJ, I.P.

Descrição

Gostas de fotografia e estás interessado em temas sociais como o ódio e a discriminização?

Estás convidado a participar, enviando a tua fotografia, ilustrando a questão da diversidade religiosa e da tolerância. O vencedor receberá um vale presente de 300 € e será convidado a participar numa das actividades do Conselho da Europa.

Se tens entre 13 e 30 anos de idade, podes enviar a tua foto entre 30 de junho e 1 de setembro 2014 (o concurso encerra à meia-noite).

| Tema do Concurso |

A religião sempre constituiu parte inseparável da história humana. Por mais que una as pessoas, infelizmente, também pode ser um instrumento de ódio e discriminação.

O principal objectivo deste concurso é mostrar a importância da tolerância religiosa, bem como consideração e respeito pela diversidade das religiões. Estás convidado a abordar este tema e expressar os teus pontos de vista sobre ele através das tuas ideias criativas na forma de uma fotografia.

| Quem pode concorrer e como concorrer |

Todos os que estejam numa das duas categorias / faixas etárias: dos 13 aos 17 anos e dos 18 aos 30 anos de idade e que tenham uma ideia criativa de uma foto para o nosso concurso! Tem em atenção que cada concorrente só pode submeter uma única foto.

Ajudará se escreveres um parágrafo (máximo de 420 caracteres (3 Tweets!)) sobre a tua imagem explicando a ideia que pretendes transmitir e as tuas opiniões pessoais sobre o assunto (por exemplo, podes querer explicar o significado e o contexto da foto ou podes sentir que tens algo a dizer sobre a imagem).

De preferência em Inglês ou Francês, mas se quiseres usar a tua língua materna também pode ser.

mais informações aqui

 


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