Tipo de coisas que não deves colocar no Facebook

Julho 31, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

texto do site http://kids.pplware.sapo.pt de 17 de julho de 2014.

kids pplware

 

 Criado por Marisa Pinto

… ou outras redes sociais

As redes sociais vieram facilitar-nos a vida em diversas tarefas e dar-nos oportunidades que, doutra forma, não conseguíamos, tais como conhecer pessoas, estar mais perto dos nossos amigos, estarmos sempre atualizados, etc.

Mas, por muito segura que tenhamos a nossa conta, há várias coisas que não devemos fazer/colocar nas redes sociais como o Facebook!

Navegar na Internet e nas redes sociais é uma atividade que gostamos muito, mas devemos ser responsáveis por essa utilização.

 

Coisas que não deves colocar no Facebook

 

Partilhar Nome completo/Morada/Contactos

Não deves partilhar informações demasiado pessoais pois isso depois pode ser usado, por alguns utilizadores, de uma forma menos correta. Informações como nome completo (nosso e doutras pessoas), morada e contatos telefónicos e email, são informações que não devem ser partilhadas em nenhum local da Internet onde outros possam ter fácil acesso

Colocar fotografias íntimas

Vejo muitos jovens a partilhar fotografias menos corretas nas redes sociais. Fotografias com menos roupa, ou que causem uma impressão menos boa. Essas fotografias não devem ser partilhadas (seria ideal que nem fossem sequer tiradas pois estando no telemóvel são igualmente um perigo). O que colocamos na Internet, fica na Internet e, pode trazer-nos consequências menos boas pois não se esqueçam que, mesmo numa conta bem segura, os conteúdos rapidamente se espalham.

Colocar desabafos

O Facebook é um local que, por ser tão fácil partilhar coisas, temos a tentação de colocar informações menos adequadas como, por exemplo, partilharmos o nosso estado mais depressivo, amuos, desabafos, queixas, etc… mais uma vez, não se esqueçam que podem ser lidos por milhares de pessoas!

Usar linguagem inapropriada

Asneiras, insultos, ameaças, etc, devem ser postos de parte nas vossas publicações do facebook. Até porque, muitos de vocês têm familiares, professores e até pessoas mais velhas adicionadas nos amigos e isso, definitivamente, não vos dá uma boa imagem. Seria também importante não a usarem no vosso dia a dia em frente de toda a gente, sem qualquer problema.

 Clicar em tudo até em… virús

Pois é, grande parte dos conteúdos que vemos no Facebook são virus/hoax. Ou seja, sabem aqueles vídeos que dizem ‘Não acreditas no que aconteceu a seguir’, a maioria são virus e, quando clicas para ver, o virus vai-se espalhar na tua conta, vai partilhar na tua cronologia esses mesmo vídeo para outros clicarem. Alguns virus abrem mesmo o chat com os teus contactos e enviam ficheiros infetados.

 Pedir likes

Tenho visto que os jovens escrevem coisas do género ‘quem colocar like eu falo no chat’ ou vão diretamente ao chat pedir likes nas suas fotografias. São conteúdos que devem ter cuidado pois estão a dar liberdade para que, qualquer pessoa entre em contato convosco e, como devem saber, existem vários tipos de pessoas nas redes sociais e, muitas delas, não têm boas intenções!

Existem muitas mais coisas que deves evitar colocar online e estas são alguns dos exemplos mais importantes.

Navega mas sempre com responsabilidade!

 

Centros educativos já não têm vagas para acolher mais jovens condenados

Julho 31, 2014 às 6:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Notícia do Público de 31 de julho de 2014.

nuno ferreira santos

Pedro Sales Dias

Sistema só irá aceitar casos urgentes de jovens que fiquem sob medida cautelar de internamento até julgamento. Fecho do centro de Vila do Conde eliminou 48 vagas. Jovens começaram a ser transferidos para Lisboa.

Não entram nos centros educativos mais menores que venham a ser condenados nos próximos meses por envolvimento em crimes. Não há vagas. Qualquer jovem que seja condenado terá de aguardar em casa. Esta é a ordem interna que impera, por ora, no sistema que acolhe jovens entre os 13 e os 21 anos, apurou o PÚBLICO junto de fontes próximas do serviço tutelar educativo. Os centros estão a rebentar pelas costuras e no imediato não existem medidas para solucionar a situação.

Apenas os casos urgentes de jovens que venham a ser detidos e colocados sob medidas cautelares educativas (o equivalente à prisão preventiva no caso dos adultos) até ao início do julgamento serão excepção. O Ministério da Justiça (MJ) declarou na quarta-feira ao PÚBLICO que, actualmente, existem 235 menores internados para 241 vagas. O relatório de Junho da Direcção-Geral da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais e Reinserção Social (DGRSP), contudo, indicava existirem 251 jovens internados para uma lotação de 233. Além disso, o centro encerrado, o Santa Clara, em Vila do Conde, representava 48 dessas vagas.

O ministério não esclareceu, atempadamente, esta aparente contradição. Antes já tinha afirmado que a sobrelotação é “uma questão que não se coloca”. Além de não ter subtraído as vagas do Santa Clara, em Vila do Conde, que acaba de fechar, não teve em conta mais dez jovens que estão fugidos. Esses jovens foram autorizados a sair por alguns dias, mas nunca mais voltaram. Embora o seu paradeiro seja incerto, o seu lugar não ficou vago. As estatísticas reais são, por isso, mais demonstrativas do estrangulamento.

Não é só a sobrelotação. O défice de técnicos profissionais de reinserção social também contribui para a incapacidade de acolher mais jovens. Faltam 28. O Ministério das Finanças já autorizou o lançamento do concurso, mas ainda não se iniciaram os procedimentos para a sua abertura.

A União de Meridianos Portugal (UMP), que era responsável pela gestão do centro educativo de Vila do Conde, a quem o Estado deve dinheiro, comunicou recentemente ao MJ que iria suspender a sua actividade. O MJ diz que pagou entretanto 960 mil euros liquidando uma dívida de 2013, mas a UMP está a trabalhar desde Janeiro sem receber mensalidades do serviço. O ajuste directo para 2014 era cerca de um milhão de euros, mas o Tribunal de Contas chumbou o contrato. O arrastar do processo no tribunal, com recurso, não tem permitido o pagamento. A União de Meridianos não prestou esclarecimentos.

O MJ estará a ponderar a abertura de um concurso público de adjudicação da concessão daquele centro, mas o procedimento, a ser aprovado, irá também prolongar-se por vários meses. Até lá, o equipamento permanecerá fechado e os seus responsáveis já começaram a transferir os menores que estavam a seu cargo.

Treze raparigas foram ontem transferidas para o Centro Educativo da Bela Vista, em Lisboa. Aquele centro, antes apenas para rapazes, tem três unidades residenciais. Foi alvo de obras recentes que permitiram a abertura de mais vagas. Os menores que estavam em três unidades foram concentrados em duas para que na outra fossem colocadas as raparigas de Vila do Conde.

As menores souberam ontem que iriam ser transferidas. No centro, as raparigas ficaram irritadas com a decisão. Duas delas, grávidas, envolveram-se em agressões, garantiram fontes do centro e da polícia. Durante longos minutos, os técnicos tentaram acalmar as menores que seguiram para Lisboa num autocarro da DGRSP escoltado por agentes da PSP. Os 20 rapazes que ainda ficaram serão transferidos hoje.

O MJ sublinhou, contudo, que “as transferências, efectuadas num período de paragem das actividades formativas e em que muitos jovens também beneficiam de férias com as suas famílias, permitirão o desenvolvimento de adaptação progressiva aos centros educativos em que irão cumprir o remanescente das medidas”. A decisão, que acautela, diz o MJ, “os superiores interesses dos jovens”, permitirá que  fiquem mais perto da zona de “onde são oriundos”.

A situação afecta ainda os 36 funcionários do centro de Vila do Conde. O despedimento colectivo foi comunicado na semana passada. Na carta de despedimentos, a UMP justifica-se com o incumprimento contratual da “administração pública”. A entidade, que face a isso decidiu suspender os serviços a partir de 2 de Agosto, diz que a dívida do Estado resultou na “impossibilidade de manter a gestão do centro educativo”.

Em média morrem por ano 38 crianças norte-americanas esquecidas nos carros

Julho 31, 2014 às 4:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia do Público de 26 de julho de 2014.

Público arquivo

AFP

Esquecer uma criança adormecida, no interior do carro, ao sol, é o pesadelo de muitos pais. Mas é um facto que acontece com alguma frequência, pelo menos nos EUA. Entre 1998 e 2013 morreram, em média naquele país, 38 crianças de ataque cardíaco, trancadas dentro de automóveis. A maioria era menor de cinco anos.

Só estes ano, 17 crianças morreram nestas circunstâncias, o que levou as autoridades a lançar uma campanha nacional pedindo aos pais e outros familiares a nunca deixar as crianças sozinhas num carro. “Todos os Verões revivemos o mesmo pesadelo”, lamenta o responsável norte-americano dos Transportes, Anthony Foxx, pai de duas crianças, durante o lançamento da campanha “Onde está o bebé? Olhe antes de fechar o carro”.

Um carro fechado é perigoso e para o ilustrar, foi colocado um termómetro no interior de um veículo estacionado nas ruas de Washington. No interior do automóvel estavam 35º, enquanto na rua, com o céu enublado estavam 25º. Além disso, a temperatura do corpo das crianças pode subir cinco vezes mais rápido do que a de um adulto, explica a pediatra Leticia Manning Ryan, do Hospital Johns Hopkins, em Baltimore. “Quando a temperatura interna de uma criança chega aos 40º, os principais órgãos começam a colpapsar, e se a temperatura chegar a 41,7º, a criança pode morrer”, acrescenta.

As autoridades sublinham que 29% das crianças que morreu de ataque cardíaco trancadas num carro entrou no veículo sozinha; mas a maioria dos casos (52%) foram simplesmente esquecidas por adultos. Na maioria das vezes, as crianças são esquecidas porque os seus pais ou outros cuidadores estão stressados e têm lapsos de memória, justifica Anthony Foxx. “Nos registros que temos, muitas vezes é a fadiga que leva a esse tipo de tragédia”, sublinha.

Num inquérito feito online, 11% dos pais norte-americanos, dois terços de homens admitiram ter esquecido, pelo menos uma vez, uma criança num carro – isso representa mais de 1,5 milhões de pais.

Há dois anos, a agência norte-americana para a segurança rodoviária (NHTSA) estudou três sistemas que poderiam detectar a presença de crianças em veículos fechados. Contudo, o seu desempenho não foi satisfatório. Mais de 5800 pessoas já assinaram uma petição online para pedir ao presidente Obama mais financiamento para a investigação sobre este tema. “Infelizmente, ainda não existe tecnologia”, admite o administrador da NHTSA, David Friedman.

Enquanto isso, aos adultos mais distraídos é aconselhado que deixem na parte detrás do carro, ao lado dos filhos, algo para que olhem automaticamente mal cheguem ao seu destino. Por exemplo, o telemóvel, o portátil ou uma mala. Aos transeuntes que vejam uma crianças dentro de um automóvel é aconselhado que avisem as autoridades ou partam uma janela.

mais informações:

http://www.nhtsa.gov/About+NHTSA/Press+Releases/2014/Foxx-urges-parents-public-to-help-prevent-child-heatstroke-deaths

 

 

 

 

Dormir com os pais – crónica de Daniel Sampaio

Julho 31, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Crónica de Daniel Sampaio publicado no Público de 27 de julho de 2014.

Existe hoje alguma controvérsia sobre se os filhos devem dormir na cama dos pais, pelo menos durante os primeiros meses de vida. Podemos afirmar que existem vários tipos de “parentalidade nocturna”: alguns progenitores são rigorosos em proibir uma noite inteira na sua cama, outros transformam-na numa verdadeira “cama familiar”, em que uma ou duas crianças se acomodam, às vezes com manifesta falta de espaço, no leito conjugal.

Os meus pais eram muito coerentes na sua educação. À hora de deitar, eu ia dormir sozinho, sem grandes protestos. Embora não me recorde, como é óbvio, dos meus tempos de bebé, as estórias que me contavam eram de uma ida precoce para a minha cama; e se acordava de noite, a minha mãe ou a minha avó iam lá sossegar-me os medos, sem que tivessem de perturbar o seu descanso por muito tempo.

Hoje nem todos pensam como os meus familiares. Os pais trabalham muito, reivindicam para si mesmos uma noite sem interrupções ou preferem não ter de se confrontar com choros e birras das crianças. Defendem o seu direito ao descanso, por vezes numa posição de algum narcisismo. A solução passa então por aceitar que os filhos os acompanhem durante longos períodos ou mesmo toda a noite, de modo a que não haja qualquer período de insónia.

Alguns pediatras e psicólogos vieram em sua defesa. Alegam que a proximidade entre pais e filhos facilita a intimidade recíproca, acalma as crianças e permite uma tranquilidade que favorece o desenvolvimento físico e mental. Defendem que dormir junto aos pais é a melhor forma de evitar a “síndrome da morte súbita”, a primeira causa de mortalidade no primeiro ano de vida, e que corresponde à morte repentina e sem explicação no primeiro ano do bebé. Segundo os defensores do co-sleeping (dormir em conjunto) e da family-bed (cama familiar), os pais que estão mesmo ali ao lado podem logo intervir e salvar o filho. A investigação provou, no entanto, o contrário: a síndrome da morte súbita ocorre muitas vezes em bebés que estão na cama dos pais, sobretudo quando os progenitores abusam de álcool e drogas ou tomam medicamentos para dormir.

Os meus argumentos contra o co-sleeping são outros. Considero que o desígnio fundamental da educação é o da autonomia, esse percurso singular que leva cada um a ser capaz de gerir a sua própria norma, ou seja, ter uma existência independente e confiante. Uma criança pequena não pode viver sozinha, mas pode construir o seu caminho para ser capaz de o fazer mais tarde. Assim, dormir sozinho faz parte desse percurso a percorrer. Até aos seis meses, a criança deve dormir num berço junto à cama dos pais, depois (no máximo com um ano) deverá ter o seu quarto e a sua cama, sempre que as condições da casa o permitam.

A investigação abre caminho a outras compreensões deste problema do co-sleeping. Diversos estudos demonstram que as crianças que permanecem muito tempo na cama dos pais exacerbam comportamentos sexuais precoces e exibem curiosidade excessiva sobre a intimidade dos progenitores. Por outro lado, muitos pais tornam-se demasiado permissivos (em muitos contextos), porque não são capazes de confrontar os filhos com um “não” durante a noite, ou então acabam por mostrar sentimentos de culpa, por darem demasiada importância às suas próprias necessidades de repouso e bem-estar.

A regra deverá ser: afecto antes de dormir, sossego depois, em camas separadas.

 

Bombas em vez de brinquedos: crianças têm infância perdida em Gaza e Síria

Julho 31, 2014 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Reportagem da http://www.bbc.co.uk de 28 de julho de 2014.

reuters

Lyse Doucet

Correspondente internacional-chefe da BBC News

“Quando você vê na TV, não é como é na vida real.”

Syed, de 12 anos, se inclina e olha atentamente uma estreita parede de concreto cinza, como se seus olhos fossem capazes de abrir um buraco capaz de ajudá-lo a escapar de sua vida. Morador de Gaza, ele assistiu à morte de seu irmão mais novo.

“Quando sentamos na ambulância juntos, pensei que ele fosse sobreviver, então me senti um pouco melhor”, diz. Mas quando chegaram ao hospital, Mohammad já estava morto.

Três de seus primos também morreram naquele 16 de julho. Eles brincavam em uma praia perto do porto de Gaza quando Israel atingiu a área duas vezes.

Os conflitos modernos são travados em ruas e escolas, deixando pouco de pé. Cada vez mais crianças morrem, e o próprio conceito de infância está sendo destruído.

Israel alega que não atinge civis intencionalmente, mas Gaza é um pedaço de terra estreito, densamente povoado e, agora, perigoso, onde crianças não têm onde se proteger.

O Hamas e outros grupos armados palestinos negam o uso de civis como escudos humanos, mas a BBC presenciou foguetes sendo disparados de dentro de prédios e em áreas abertas

Antes amigos, agora inimigos

A Organização das Nações Unidas destacou, na semana passada, que uma criança morre por hora em Gaza.

Mas antes de Gaza dominar as manchetes, eram as crianças da Síria que despertavam a consciência do mundo.

bbc

Na violenta guerra síria, já em seu quarto ano, mesmo os mais jovens estão sob o alvo de atiradores. Até crianças têm sido torturadas. Milhões delas vivem com fome e medo, e muitas sofrem em áreas cercadas.

Nos últimos seis meses, a BBC acompanhou as vidas de seis crianças sírias. As histórias delas esboçam o mapa político e social desse país e dão uma perspectiva turbulenta do que pode ser o futuro sírio.

“Eu sou uma criança apenas na idade e na aparência”, diz Ezadine, de 9 anos, com naturalidade. “Mas em termos humanos, eu não sou. No passado, alguém de 12 anos era considerado jovem, mas não agora. Agora, aos 12 anos, você deve se juntar à jihad.”

Ezadine se parece com qualquer criança da idade dele. Mas ele é um refugiado em um campo no sul da Turquia, local com forte presença do Exército de Libertação da Síria, e seu irmão adolescente que já se juntou aos combates do outro lado da fronteira.

A centenas de quilômetros de distância, em Damasco, o mundo de Jalal, de 14 anos, está enraizado no apoio ao presidente Bashar al-Assad, incluindo o pai e tios que lutam em uma unidade de defesa de bairro.

Jalal lamenta o quanto “a crise mudou a gente. Agora as crianças entendem e falam sobre política. Estamos todos prontos para morrer pelo nosso país”.

Jalal e Ezadine veem antigos amigos, agora do outro lado, como alvos de uma “lavagem cerebral”.

E as crianças veem suas próprias situações com uma clareza surpreendente.

bbc2

“Eu não vejo por que eu tinha que perder a minha perna só porque Bashar al-Assad queria permanecer no poder”, diz Mariam, de 9 anos.

Ela se lembra de todos os detalhes do dia no qual um avião de combate sírio veio em direção a sua casa, em um vilarejo na região de Homs. “Nós tínhamos uma grande janela. Eu olhei por ela e vi (o avião) vindo em nossa direção. Ele jogou o barril (com explosivos) e foi embora”.

Até hoje, ela não consegue sentar em uma sala. E não consegue brincar com outras crianças em um parquinho no sul da Turquia.

‘Eu odeio o futuro’

Baraa, de 8 anos, cuja família deixou o bairro antigo de Homs, sitiado, fala com vergonha sobre a mudança que o conflito provocou em sua vida. “Em vez de aprender a ler e escrever, eu aprendi sobre todos os tipos de armas. Agora, eu sei o nome de balas”.

A menina diz que nem ela nem suas irmãs conseguem ouvir direito por causa das explosões. A guerra, afirma, foi “muito dura”.

bbc3

“Na nossa casa tinha cerca de 40 ratos, então tínhamos uma gata. Ela comia todos os ratos, até que um dia resolveram comer ela. Não nos disseram o que era no início, mas no dia seguinte disseram que era carne de gato”, contou.

No subúrbio de Damasco, Kifah, de 13 anos, vive no campo de refugiados palestinos em Yarmouk. Ele diz que sua vida é “normal”.

Mas a determinação do jovem de manter seriedade desaba quando perguntado sobre o que ele estava comendo. “Não tem pão”, diz, imerso em lágrimas.

Há uma nova e preocupante “normalidade” para crianças que vivem sob a guerra.

Amer Oda chefia uma grande família que vive no bairro de Zeitoun, em Gaza. Crianças de todas as idades se amontoam nas escadas atrás dele ou sentam-se de pernas cruzadas sobre um chão de concreto.

Há o som regular de artilharia israelense ou fogo de tanques na mesma rua. Há, também, o barulho alto de foguetes sendo disparados contra Israel.

bbc4

Amer Oda ignorou as advertências israelenses para levar sua família de 45 membros para fora desta área, perguntando, como toda Gaza faz, “Para onde posso ir?”

“Isto se tornou vida normal para elas (crianças)”, diz, enquanto puxa a pequena Dima, de 4 anos. “Isso é tudo o que elas conhecem”.

Dima já viveu duas guerras de Gaza. Todo cidadão local, com idades entre seis e mais, já presenciou três ou mais.

Em Gaza, três crianças de uma mesma família foram mortas por um ataque de advertência de Israel conhecido como “toque no telhado”. Eles estavam brincando com pombos no telhado.

“Eu odeio o futuro tanto”, disse Daad, de 11 anos, da Síria, que se veste de rosa e tem pesadelos. “Podemos viver, ou podemos morrer.”

 

 

O empreendedorismo também tem causas sociais e o João Vítor é uma delas

Julho 31, 2014 às 10:00 am | Publicado em Campanhas em Defesa dos Direitos da Criança, Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Reportagem do Público de 21 de julho de 2014.

Sandra Ribeiro

Sara Ruas

São jovens, ainda na casa dos 20. Estudaram empreendedorismo mas, em vez de um negócio, criaram um projecto de solidariedade. Os seus “clientes” são os miúdos. Crianças a quem a saúde trocou as voltas mas que não poupam em alegria de viver.

João Vítor faz tudo o que as outras crianças de seis anos fazem: ri-se muito, joga à bola, canta, dança e põe a mãe maluca com tanto movimento. A diferença é que este menino da Nazaré sofre de Artrogripose Múltipla Congénita, o que o impede de andar, sentar-se, comer ou ser independente para fazer as tarefas mais básicas, como usar a casa de banho. A sua família, por uma escassa margem de alguns euros, está excluída dos apoios do Estado. O que os condena a não conseguir dar ao filho o que ele necessita. Mas há um grupo de jovens que não quis desviar o olhar e mobilizou-se para ajudar o João e outros como ele. Só pedem que os levem a sério. Porque acreditam que Portugal pode ser mais e melhor.

“A nossa maior preocupação, por enquanto, é a integração dele na escola, se está adaptada às sua necessidades e se têm capacidades para o ajudar”, diz a mãe de João Vítor, Claudina Baptista. “Não temos medo da interacção dele com outras crianças porque ele é muito sociável, dá-se bem com toda a gente, mas precisamos que ele tenha o mínimo de condições, alguém a acompanhá-lo, porque ele não consegue ser autónomo”.

Pode não conseguir andar, mas isso não impede João Vítor de se deslocar: rebolando, vai a todo o lado e até futebol joga com as mãos. “Eu e o Simão somos os melhores jogadores do mundo”, grita triunfante, depois de marcar mais um golo. Simão é o irmão mais novo, de apenas quatro anos. Olha calmamente para o irmão enquanto vai retirando carrinhos do chão por onde o irmão passa, para que ele não se magoe. “Toma, mais um! Estou a ganhar!”, grita outra vez, ainda mais alto, com alegria na voz. Como ainda tem fôlego para tanto não se sabe.

“Os meus filhos ajudam-me muito, a minha família tem-me apoiado incondicionalmente, se não fossem eles, mal conseguíamos sobreviver”, afirma Claudina. João Vítor e Simão têm ainda outros irmãos mais velhos, de 23 e 15 anos, que não vivem em casa com a família.

João Vítor não tem direito a apoios sociais, apesar dos vários apelos dos pais aos serviços sociais. Durante um breve tempo, teve direito a apoios, que foram depois retirados. Agora a família deve mais de 800 euros à Segurança Social, que são incapazes de pagar.

Por 16 vezes foi-lhes negado apoio financeiro. João Vítor não se qualifica por a família ter “rendimentos ilíquidos mensais superiores a 40% do valor do indexante dos apoios sociais”, cujo valor máximo é de 419,22 Euros.

“Eu sou bate-chapas, pinto carros e faço uns biscates, a mãe dele tem de ficar com o João em casa, não pode ir trabalhar, tem de o acompanhar sempre. Se soubéssemos que a escola tinha condições para o receber ainda ela podia arranjar qualquer coisa durante o horário da escola, e sempre era mais esse dinheiro”, desabafa António Silva, o pai.

A mãe tem de o conduzir à fisioterapia em Leiria pois as unidades de saúde local sofreram cortes que manietaram a sua capacidade de resposta e a família não pode pagar os 200 euros mensais que custa a ambulância dos bombeiros. Devido à incapacidade física do João Vítor (91% segundo o atestado médico), não é possível usar os transportes públicos. Mas não é possível abdicar da fisioterapia. “Se ele falta a uma só sessão fica pior, com mais dificuldade em se mexer”, refere a mãe.

Os pais têm também de pagar as aulas de natação, que eram até há pouco tempo pagas por terceiros. João Vítor adora a água e já andou de barco a motor e praticou vela. É um rapaz cheio de energia e felicidade.

Levem-nos a sério

Guilherme Maia, de 19 anos é o fundador da associação “Portugal: Mais e Melhor”, que está neste momento a angariar fundos para ajudar o João Vítor e outras duas raparigas – Mara Marquitos e Lara Bento.

“Foi um projecto que comecei com um amigo meu italiano”, conta o estudante de Empreendedorismo da Menlo College, nos Estados Unidos. “Foi para uma aula, fiz o site e o Facebook do projecto e quando voltei para Portugal começámos a acção de campanha.”

Com a namorada, Marta Serrano, e os amigos João Baptista, Ângelo Tomás e Inês Bernardes, formam o núcleo fundador da “Portugal: Mais e Melhor”. Contam também com a ajuda de outros amigos em acções de promoção e divulgação.

“O nosso objectivo é ajudar as crianças que não consigam pagar tratamentos médicos ou materiais de recuperação sem a ajuda de terceiros”, diz o fundador da associação que trabalha em conjunto com os pais das crianças para angariar fundos. “Organizamos eventos, torneios desportivos, temos 28 voluntários que nos ajudam a recolher dinheiro para as crianças, colocámos mealheiros para cada um em vários estabelecimentos comerciais e por enquanto estamos satisfeitos com os resultados, mas achamos que podemos sempre fazer mais”, sublinha.

Para além destas acções directas, a organização aceita também doações por PayPal, transferência bancária e faz campanhas na página do Facebook da “Portugal: Mais e Melhor”.

Para João Vítor, a “Portugal: Mais e Melhor” já angariou cerca de 600 euros. A estes juntam-se outros 800 doados por outra associação, um total de 1500 euros distante ainda dos 9600 necessários para a cadeira especial que ele necessita para se deslocar. João Vítor precisa também de um computador especial para conseguir acompanhar os outros alunos na escola e a casa onde vive tem de ser adaptada às suas necessidades à medida que cresce, sem contar com as operações e consultas médicas, algumas das quais não pode ir, como ao pediatra, onde a sua última consulta foi aos três anos de idade.

A organização criada pelos jovens empreendedores só funciona, por enquanto, com estes três casos e na região de Alcobaça, onde está sediada, mas os seus fundadores pretendem expandir o raio de acção, tanto a nível nacional como internacionalmente, a começar pelo amigo italiano de Guilherme, que está para fundar uma organização semelhante na sua terra natal. “Não há limites para a expansão deste projecto”, afirma o seu criador.

“É difícil sermos levados a sério por sermos tão novos”, desabafa Marta Serrano, 24 anos, estudante de Arquitectura. “As pessoas não nos prestam atenção ou pensam que as estamos a enganar, são muito desconfiadas”. Mas referem que têm tido também muito apoio positivo, especialmente da sua faixa etária e de instituições locais.

“No nosso site temos disponível toda a informação sobre as crianças: documentos, atestados, certificados – queremos ter uma transparência total e que as pessoas saibam o que estão a ajudar e quem estão a ajudar, que a ajuda foi recebida” afirma Ângelo Tomás.

Mara Marquitos tem um tumor cerebral inoperável que lhe causou a perda de visão quase total (tem somente 3% de visão no olho esquerdo) e necessita de equipamento especializado para voltar a estudar. Lara Bento sofre de escoliose idiopática infantil e precisa de fazer tratamentos em Barcelona para sobreviver até aos dez anos, altura em que poderá ter cirurgia em Portugal. Em conjunto com João Vítor, são crianças extraordinárias que sempre dependeram da família. A associação pretende ajudá-las a tornarem-se independentes de terceiros para que possam viver como cidadãos autónomos e a crescerem com dignidade num Portugal que dá mais e que também é melhor.

Texto editado por Ana Fernandes

 

 

El entrenamiento musical mejora la inteligencia de los niños?

Julho 31, 2014 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

Texto do site  http://www.psyciencia.com de 12 de dezembro de 2013.

psyciencia

Por David Aparicio

El beneficio más citado relacionado con el entrenamiento musical es que “estudiar música en la infancia mejora la inteligencia”. Esta creencia se ha propagado incluso dentro de la comunidad científica pero, en realidad, existe muy poca evidencia que apoye la idea de que recibir clases de música durante la infancia puede mejorar el desarrollo cognitivo.

Este fue el hallazgo de un estudio aleatorio controlado realizado por investigadores de Harvard y publicado ayer en la revista PLOS ONE (Puedes bajar el PDF completo).

El candidato doctoral en dicha universidad y codirector de la investigación, Samuel Mehr, explicó que esta creencia puede ser rastreada a un solo estudio publicado en la revista Nature. En ella los investigadores denominaron “Efecto Mozart” al resultado que se encontró en los participantes que se desempeñaron mejor en las tareas espaciales luego de haber escuchado música.

Sólo uno mostró un efecto claramente positivo

Unos años más tarde este estudio fue desmentido, pero la noción de que simplemente escuchar música puede hacer a alguien más inteligente se propagó y se adhirió rápidamente a la creencia popular. Esto según Mahr, estimuló una serie de estudios de seguimiento que se concentraron en los beneficios de las clases musicales.

Pero, cuando Mahr y sus colegas revisaron la literatura científica, encontraron que sólo cinco estudios utilizaron ensayos aleatorios controlados (el mejor estándar para determinar los efectos causales). Y de los cinco estudios, sólo uno mostró un efecto claramente positivo, sin embargo, era tan pequeño (solo 2.7 puntos de incremento en el CI) luego de un año de entrenamiento musical que fue apenas estadísticamente significativo.

Para evaluar la relación entre el entrenamiento musical y la cognición, Mehr y su equipo reclutaron a 29 padres y sus hijos de 4 años de edad. Se les aplicó una prueba inicial de vocabulario y a los padres se les presentó una prueba de aptitud musical. Después de esto, cada participante fue asignado por medio del azar a una de las dos clases: una de entrenamiento musical y otra que se abocaría en las artes visuales.

No se encontró evidencia de beneficios cognitivos a causa del entrenamiento musical

A diferencia de los primeros estudios, Mehr y sus colaboradores controlaron el efecto que podrían tener diferentes maestros y utilizaron escalas especialmente diseñadas para evaluar cuatros áreas específicas de conocimiento, vocabulario, matemáticas y dos áreas espaciales, ya que estas escalas son más sensitivas que las pruebas tradicionales de CI.

Al analizar los resultados, no se encontró evidencia de beneficios cognitivos a causa del entrenamiento musical.

Mientras que los dos grupos se desempeñaron parecido en vocabulario y en la tareas de estimación de números, las evaluaciones mostraron que los niños que recibieron entrenamiento musical  se desempeñaron levemente mejor en una tarea espacial, mientras que aquellos que recibieron entrenamiento de artes visuales se desempeñaron mejor que los otros.

Sin embargo, la investigación tenía una importante limitación, sólo contaron con 15 niños en el grupo musical y 14 en el grupo de la artes visuales. Esto provocó que los efectos fueran tan pequeños y que su significación fuera marginal.

Ninguno fue lo suficientemente grande como para ser estadísticamente significativo

Para replicar el estudio, Mehr y su equipo diseñaron un segundo estudio, donde reclutaron a 45 padres e hijos. La mitad de ellos recibió entrenamiento musical y la otra mitad no recibió entrenamiento.

¿Que se encontró? Al igual que el primer estudio, no se halló evidencia de que el entrenamiento musical ofrezca algún beneficio. Más aún, no se encontraron diferencias significativas entre los grupos, incluso cuando los resultados se agruparon para permitir una comparación entre el efecto del entrenamiento musical, el entrenamiento en las artes visuales y el no entrenamiento.

“Hubo pequeñas diferencias entre el rendimiento de los grupos, pero ninguno fue lo suficientemente grande como para ser estadísticamente significativo. Incluso cuando utilizamos los análisis estadísticos más precisos disponibles”, agregó Mehr.

(Artículo relacionado: Beneficios de la formación musical)

Estos datos nos permiten pensar que el “Efecto Mozart” es un mito. Sin embargo, esto no quiere decir que no le debamos enseñar música a nuestros hijos. La música tiene un valor en sí misma, es una expresión exclusivamente humana que permite expresar nuestras emociones, nuestra creatividad e incluso puede enseñar a nuestros hijos disciplina y concentración.

Fuente:News Harvard Imagen: flickrized (Flickr)

 

 

 


Entries e comentários feeds.