12 dicas para tirar o seu filho do sofá

Julho 30, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do site http://educarparacrescer.abril.com.br de 3 de julho de 2014.

Max Demian

 

Meu filho é sedentário e agora?

Pela primeira vez na história, é esperado que crianças com 10 anos de idade tenham uma expectativa de vida menor que a de seus pais. O sedentarismo afeta não só a saúde, mas a economia, o desenvolvimento motor e até o desempenho escolar

Texto Stephanie Kim Abe

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera uma pessoa inativa aquela que faz menos de 150 minutos de atividade física por semana. Já uma criança na faixa etária de 6 a 17 anos precisa fazer no mínimo 300 minutos de atividade física por semana para não ser considerada sedentária. Isso significa 60 minutos de movimentação, cinco vezes por semana – que não precisam ser contínuos e podem ser feitos em blocos de 10 minutos, por exemplo. E aqui valem todas as formas de movimento físico: correr, caminhar, pular, girar, alongar, jogar, pegar etc. A melhor maneira de garantir que o seu filho faça parte desse grupo saudável é fazendo da prática da atividade física um hábito familiar. Afinal, que melhor modelo que não pais dispostos e/ou atletas na hora de convencer o filho a deixar de ser preguiçoso e sedentário? Além disso, é preciso incentivar uma vida ativa com atos concretos, não apenas pelas palavras. “Conhecimento por si só não muda comportamento. É preciso mexer em fatores da vida social. Práticas esportivas devem ser parte da nossa cultura”, defende Victor Matsudo, especialista em medicina esportiva e coordenador científico do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (CELAFISCS). Confira as dicas dos especialistas de como incentivar uma vida ativa para o seu filho:

1. Seja o exemplo

“O maior incentivo que os pais podem dar aos filhos é fazer atividade física”, diz o professor de Educação Física Marcos Santos Mourão, do Centro de Formação da Escola da Vila. Pais fisicamente inativos transmitem estes mesmos padrões para os filhos – e o contrário também acontece. “Quando as crianças observam os pais ativos, a atividade física torna-se um hábito, não uma obrigação”, diz. Mais do que senso comum, a importância do modelo dos pais é também comprovada cientificamente. Uma pesquisa publicada em 1991 no conceituado Journal of Pediatrics revelou que uma mãe ativa dobra as chances de seu filho também ser ativo, enquanto a influência de um pai ativo chega a aumentar em 3,5 vezes a chance de o filho ser ativo. Se os dois forem pessoas ativas, o filho tem 5,8 vezes mais chance de ser ativo comparado a uma criança que não tem esse exemplo de comportamento dos pais. “É extraordinário o efeito que se tem quando o pai vai fazer atividade física no sábado ou domingo com a criança. Porque ela pensa: “o meu pai vive sentado, chega morto do trabalho, não faz nada. Mas chega o domingo ele vai jogar bola comigo’. Isso para a criança é o céu!”, explica o especialista em medicina esportiva Victor Matsudo

2. Apele para o imaginário

O diálogo também faz parte do processo de construção da agenda ativa e pode ser usado tanto para falar do passado quanto do presente. Ao conversar com os filhos sobre algumas brincadeiras tradicionais da sua infância, os pais resgatam as diversões do passado e as trazem para o cotidiano de seus filhos. Ao mesmo tempo, é importante trabalhar a imagem da criança de hoje em dia, para que os filhos se identifiquem de imediato. O especialista em medicina esportiva Victor Matsudo recomenda que os pais pratiquem o seguinte diálogo: “- Filho, a criança moderna deve ficar doente ou sadia? – Ficar sadia – a criança vai responder. – Muito bom. Então a criança que é sedentária fica mais doente ou mais saudável do que a que faz atividade? – Ah, fica mais doente. – Então a criança moderna deve ser mais ativa, concorda?” Para ele, “o imaginário da criança é muito forte. Daí a importância de não falar de você, mas da criança ‘moderna’”.

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3. Faça passeios a espaços abertos

Ainda que andar no shopping seja um exercício, esse passeio vai incentivar mais o lado consumista de seu filho do que a vontade de se movimentar. E a prática de estar fora de casa não pode ser imposta pelos pais, mas deve ser querida pelo filho. “Sempre que possível, leve-o para brincar fora. A criança tem que ter prazer em sair de casa”, defende o especialista em medicina esportiva Victor Matsudo. Os programas em família devem incluir locais que ofereçam oportunidades (ou seja, espaço, tempo e pessoas) para brincar – como praias, clubes, sítios. “É importante levar a criança a locais que ofereçam desafios motores relacionados ao equilíbrio, força, deslocamento, como parquinhos infantis e trilhas de caminhada”, diz o professor Marcos Santos Mourão. E mesmo que os pais ou o filho não sejam o atleta dentro da quadra, ir ao estádio de futebol ou assistir a uma partida de vôlei ou basquete e fazer parte da torcida estimula o gosto e a paixão pelo esporte.

4. Certifique-se de que ela está se divertindo

“Antes de contar como minutos, a atividade física tem que oferecer prazer”, alerta o especialista em medicina esportiva Victor Matsudo. A atividade física precisa, antes de tudo, ser prazerosa e divertida para a criança, pois para que ela de fato assuma uma vida ativa, ela precisa gostar de movimentar-se. O esporte como forma de ascensão social ou alternativa para carreira profissional deve ser uma consequência do desempenho e envolvimento do filho e não algo imposto pelos pais. “A criança precisa brincar com o esporte”.

5. Fique de olho na escola

Engana-se quem pensa que só a escola já garante um futuro ativo na criança, já que oferece aulas de Educação Física. Primeiro porque apenas 31% das escolas do Brasil possuem quadra de esportes (Censo Escolar 2013), o que já mostra que muitas instituições não tem uma infraestrutura adequada para a prática esportiva. E, segundo, porque os alunos não passam 100% da aula em movimento. “Em geral, em uma aula de Educação Física de 50 minutos, o aluno tende a ter de 7 a 12 minutos de atividade física”, explica o especialista em medicina esportiva Victor Matsudo. O mais importante é que a escola incentive a criança a ser ativa fora dela e extrapole os conhecimentos para além das habilidades motoras. “Cabe à escola, e não apenas à Educação Física, planejar ações pedagógicas no sentido de propor atividades físicas que, além de possibilitarem a oportunidade de desenvolver habilidades motoras, também ofereçam condições para que os alunos desenvolvam conceitos e exerçam uma sociabilidade cooperativa, livre de discriminações e regulada pelo respeito por si e pelo outro”, diz o professor de Educação Física Marcos Santos Mourão.

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6. Estipule horários para a televisão e os jogos eletrônicos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que crianças não fiquem mais que uma ou duas horas em frente à TV e ao videogame diariamente. Ao deixar as crianças na frente da televisão, dois fatores contribuem para que elas tenham uma vida inativa: elas não só não estão se movimentando, como permanecem sentadas. “Em um estudo feito com 175 mil pessoas, a cada 2 horas a mais de TV que eu introduzo na minha vida, aumenta em 13% as chances de eu morrer por qualquer causa”, revela o especialista em medicina esportiva Victor Matsudo. Além disso, ficar sentado só contribui para uma vida sedentária. “De todos os comportamentos, estar sentado à frente do computador é o mais sedentário de todos. A criança fica fixa, não mexe a não ser os dedos. O gasto energético dela é tão baixo que ela nem pisca”, explica o doutor. Ele recomenda que para cada cinco minutos sentadas, as crianças fiquem um minuto em pé: “só o fato de eu estar em pé já triplica o meu gasto energético, pois aumento o meu metabolismo”.

7. Reserve um espaço para a movimentação em casa

Se hoje em dia não temos mais a rua como uma extensão da casa para brincar devido à falta de segurança, é preciso compensar esse espaço dentro do próprio lar. E não precisa ser um quintal – o importante é ter um canto em que ela possa brincar livremente e praticar atividades corporais, como dança, jogos, corda. Os pais também devem oferecer materiais, como corda, bola, pião, bolinha de gude, para elas experimentarem e se divertirem. “Montar cabanas e túneis com tecidos pode ser interessante para as crianças pequenas e, quando possível, criar nos espaços domésticos pequenos circuitos e pedir a colaboração das crianças também”, acrescenta o professor de Educação Física Marcos Santos Mourão.

8. Incentive as brincadeiras com crianças mais velhas

Ao brincar com primos, amigos e irmãos mais velhos, a criança é estimulada a se esforçar ainda mais, pois precisa jogar no mesmo nível que eles, que estão um ponto acima na escala neuromotora. “Esse primo dois anos mais velho estará estimulando ‘motoramente’ o seu filho de uma forma que nenhum professor no mundo vai conseguir. O seu filho vai querer ‘se matar’ para pegá-lo, pois não vai querer ficar para trás”, explica o especialista em medicina esportiva Victor Matsudo. Os pais também podem exercer esse papel, brincando de apostar corrida, marcando o tempo que a criança leva para percorrer determinadas distâncias e estimulando que o filho se esforce na brincadeira.

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9. Estimule desde pequeno

Os pais devem propor atividades desde cedo. Mesmo que ainda não consigam sentar, os bebês podem ser deixados de barriga para cima, livres para mexer braços e pernas, experimentando os seus movimentos. “É interessante deixar objetos ao alcance visual, para que queiram se movimentar. À medida que ganham mais habilidade, esses objetos devem ser mais afastados”, recomenda o professor de Educação Física Marcos Santos Mourão. Quando o bebê já começar a se deslocar, vale oferecer bolas, brinquedos, chocalhos, cadeiras e apoiadores que ajudam na manipulação e no equilíbrio. Outra boa opção é usar os animais de brinquedos para estimular o movimento corporal do filho baseado nesses bichos – como arrastar-se como uma cobra ou pular como sapo.

10. Leve em consideração a vontade da criança e a viabilidade da prática esportiva

“Afinal, qual é o esporte ideal para o meu filho?”. Para o especialista em medicina esportiva Victor Matsudo, a resposta para essa pergunta comum entre os pais tem dois componentes: “o que ele gosta e o que for viável”. A questão, portanto, não é tanto se existe um esporte correto e que melhor desenvolve e garanta o desempenho da criança, mas sim o prazer que aquela atividade proporciona para ela. Também deve-se considerar o espaço e os recursos que a criança tem a seu alcance para realizar o esporte que deseja. Assim, se ela deseja fazer ginástica olímpica, mas não tem acesso a um clube, espaço de treinamento ou equipamentos necessários, os pais devem conversar com ela e procurar encontrar, juntos, outro esporte que seja mais viável à família.

11. Encoraje a prática de esportes coletivos e individuais

Crianças ao redor de 7 a 10 anos de idade estão na fase do pico de desenvolvimento da agilidade. É, portanto, nesse período que praticar os mais variados esportes definirá o quanto a criança desenvolverá essa habilidade. O especialista em medicina esportiva Victor Matsuda recomenda que sejam escolhidas duas atividades esportivas, pensadas em desenvolver membros superiores e inferiores, tanto por esportes coletivos quanto individuais. “No esporte coletivo, a criança aprende cooperação e trabalho em equipe, que são valores fundamentais para a cidadania. Mas também é importante que ela não se esconda atrás dos outros – daí entra um esporte individual. Assim ela aprende que quando for mal na natação, não é porque o outro não passou a bola para ela, mas porque ela não está nadando bem mesmo e precisa melhorar”, explica.

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12. Proponha um transporte ativo até a escola

Para as famílias que moram perto da escola, deixar o carro na garagem e levar os filhos a pé para a aula pode ser um incentivo diário para uma vida ativa. “Todos os trabalhos mostram que as crianças conseguem andar 500 metros até a escola – e isso pega de 60 a 70% da população que estuda no colégio”, explica o especialista em medicina esportiva Victor Matsudo. O legal desse transporte ativo é aliar a movimentação a segurança e trabalho colaborativo entre os pais dos colegas do filho. Assim, pode haver um rodízio combinado com grupos de cinco pais: a cada dia da semana um é responsável por levar ao colégio e trazer para casa os pequenos. “É algo extremamente fácil e prático que se pode fazer se tivermos vontade!”, defende o doutor.

 

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