As 12 coisas mais auto-destrutivas que pode fazer no Facebook

Julho 15, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Artigo da Visão de 13 de julho de 2014.

visão

Só porque são virtuais, os comportamentos auto-destrutivos não deixam de ser reais. E igualmente prejudiciais, claro.

1. Ver fotos e mensagens antigas que envolvam o seu/a sua “ex”

Dar de caras com as provas dos seus antigos relacionamentos, através dos álbuns ou das mensagens, são uma forma segura de se sentir em baixo e nostálgico. Obrigue-se a não vasculhar o seu passado ou opte por apagar fotos e mensagens antigas.

2. Espreitar quem é o novo companheiro da sua ex

Um estudo de uma investigadora britânica mostra que vigiar o Facebook de um ex-namorado depois de uma separação pode atrasar a recuperação emocional e o crescimento pessoal

3. Contar a quantidade de mensagens de aniversário que recebeu

Numa altura em que o facebook é inundado com notificações, muitas pessoas tendem a associar o número de mensagens de aniversário recebidas com o seu nível de popularidade. Se faz isto, pare: Não pode avaliar a sua vida e o seu papel social tendo por base o Facebook, ou outras redes sociais.

4. Ler os seus antigos status

Não leia as suas publicações mais antigas. A constatação de ter feito “figura de parvo” não ajuda o ego de ninguém…

5. Pesquisar fotos antigas onde está identificado

Está a navegar no Facebook e encontra uma foto sua antiga onde não se encontra no seu melhor. Não ceda à tentação de procurar todas as imagens em que está identificado para se auto-criticar

6. Ver fotos de amigos que saíram sem si

Está a ver o seu feed de notícias e percebe que os seus amigos sairam juntos sem lhe dizer nada. O melhor é excluir essas informações do seu feed

7. Fazer posts durante momentos importantes quando nem sequer deveria estar no Facebook

Se estiver constantemente a atualizar o seu Facebook com tudo o que está a fazer, não só estará a expor-se demasiado, como também, se poderá tornar irritante para aqueles que o “seguem”. Não precisa de partilhar que está a casar, a comer, no médico, a passear…

8. Pedir, acidentalmente, amizade a pessoas que mal conhece

Se estiver a vasculhar o Facebook de outra pessoa, não seja demasiado óbvio. Adicionar acidentalmente uma pessoa e depois desculpar-se cancelando o pedido de amizade já vai ser tarde demais, pois ela poderá receber a notificação do seu pedido e perceberá que andou a ver a sua página.

9. Colocar uma foto má de um amigo

Também não iria gostar que publicassem uma foto em que não estivesse bem.

10. Publicar status tristes como forma de chamar a atenção

O mais provável é não ter ‘gostos’ e comentários, na sua publicação, o que fará com que se sinta pior e mais inseguro.

11. Identificar, acidentalmente, alguém com quem não fala há anos

Caso isto lhe aconteça, clique em ‘editar’ e elimine o nome da pessoa que deseja desmarcar. E… tente não ficar demasiado envergonhado.

12. Publicar um estado num momento de frustração e depois arrepender-se 

Momentos de maior exaltação e frustração não são a melhor altura para atualizar o Facebook. As frases irónicas, agressivas, ofensivas ou com “indiretas” de nada servem, a não ser para fazer o próprio sentir-se mal.

 

 

 

Portugal na rota de traficantes de menores nigerianas

Julho 15, 2014 às 3:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 15 de julho de 2014.

AFP PHOTO JOSE CENDON

AFP PHOTO JOSE CENDON

Ana Cristina Pereira

Utilizam figura do asilo como estratégia para fazer entrar em Portugal raparigas que são forçadas a prostituir-se pela Europa fora. Serviço de Estrangeiros e Fronteiras tem registo de pelo menos 23 raparigas menores

Saíam da Nigéria. Apanhavam um voo da TAP na Guiné-Bissau com destino a Portugal. Desembarcavam com documentos falsos ou nenhuns – destruíam-nos durante a viagem. No Aeroporto Internacional de Lisboa, identificavam-se como menores de idade em busca de asilo. Aguardavam pelo estatuto. Um dia, eram levadas por redes de tráfico para exploração sexual pela Europa fora.

São diversas as rotas de tráfico de seres humanos da Nigéria para a Europa. Aquela estava a funcionar pelo menos desde 2012 e tinha como alternativa o voo proveniente do Senegal. “Estamos a falar em mais de 20 raparigas”, diz o director Nacional Adjunto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), José van der Kellen. “Pelos nossos registos, foram quatro em 2012, 18 em 2013 e uma em 2014. Com as adultas, o número atinge 30 e tal a 40 casos.”

Esta segunda-feira, no âmbito de um inquérito que corre há mais de um ano, sob a orientação do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, o SEF fez sete buscas domiciliárias, uma busca em escritório de advogado, seis buscas em viaturas. Deteve sete pessoas e apreendeu diversos documentos – alguns comprovam avultadas transferências internacionais de dinheiro.

O voo Bissau-Lisboa está suspenso desde Dezembro do ano passado, altura em que a tripulação da TAP foi forçada a embarcar 74 pessoas com documentos falsos – o novo primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira, disse sexta-feira que já estão em contacto com “as autoridades portuguesas para identificar quais as dificuldades, quais os obstáculos de parte a parte”, e que, em breve, encontrarão uma fórmula capaz de satisfazer as exigências de segurança.

Era aquela a grande rota. No Aeroporto Internacional de Lisboa, às menores desacompanhadas ninguém pode negar entrada em Portugal. “Estão naquela fase em que não se sabe se têm 15, 16, ou 18 ou 19 anos”, salienta o inspector. “A anatomia é semelhante. Algumas vêm indocumentadas.”

O SEF tratava da tramitação provisória do pedido de asilo. As raparigas iam para o Centro de Acolhimento para Crianças Refugiadas, do Conselho Português para os Refugiados, onde tinham cama, comida e roupa lavada. “Tinham a lição estudada. Sabiam bem como se deviam comportar”, diz.

As adultas seguiam estratégia igual. Só se pode ficar até 60 dias no Centro de Instalação Temporária do Aeroporto de Lisboa. Aparecia sempre um advogado que fazia as diligências necessárias à formalização do pedido de asilo. Recorria para alargar o prazo, findo o qual elas tinham de sair do aeroporto, o que quer dizer que entravam em Portugal. Podiam aguardar no Centro de Acolhimento para Refugiados.

A organização aprendeu a usar o sistema de protecção montado no país. “Revertia o lucro da prostituição por inteiro para as células que estão aqui a garantir o trânsito de Portugal para outro sítio”, sublinha José van der Kellen. Uma vez regularizada a situação, as raparigas eram levadas. Algumas vão sendo detectadas a trabalhar nas ruas ou em bordéis em França, Holanda, Itália…

São avultadas as dívidas que contraem junto dos traficantes. Podem ascender aos 60 mil euros. Têm de as pagar até ao último cêntimo com trabalho sexual. No país de destino ficam nas mãos de mulheres mais velhas que já passaram pelo mesmo que elas e que foram “promovidas” a “madames” ou “mamas”.

“Querem muito vir para a Europa”, resume o inspector. “Não têm forma de o conseguir pelas vias legais.” Algumas viajam de carro e a pé para o Norte de África. Atravessam o Mediterrâneo de barco. Outras servem-se de aeroportos com fragilidades e ligações directas à Europa. Parecem-lhe todas “claramente vítimas de tráfico de seres humanos, e não requerentes de asilo”.

Diz-lhe a experiência que, “se puderem ser ajudadas, será como vítimas de tráfico, mas rejeitam toda a ajuda que as instituições lhes possam dar”. Não por acaso. Os traficantes servem-se do vudu para as subjugar. “A dependência delas é tão forte que elas não encontram alternativa ao pagamento da dívida”, enfatiza.

Algumas chegam a ser exploradas em Portugal, enquanto aguardam ordem para partir ou numa fase mais adiantada do processo. Tendo estatuto de refugiadas, é a Portugal e não à Nigéria que são devolvidos de cada vez que são detectadas noutro estado-membro da União Europeia. É para isso que o estatuto de refugiado lhes serve. “É uma garantia de que não saem de Europa”, explica José van der Kellen. “São poucos os casos de exploração aqui. O que pretendiam era pô-las a circular pela Europa.”

No comunicado emitido nesta segunda-feira, o SEF informa que a investigação “permitiu reunir importante informação, complementada por via da cooperação policial europeia”. Os membros da organização “pautavam-se por um comportamento discreto, de modo a não chamarem a atenção das autoridades” – alguns eram requerentes de asilo, outros residentes no território nacional.

Na operação participaram 52 elementos do SEF, “que cumpriram mandados em Lisboa, Odivelas e Laranjeiro”. A eles aliaram-se “dois analistas de informação da Europol, que estiveram na base do SEF, a ajudar a cruzar informação, já que este é “um crime de repercussões em vários países europeus, nalguns dos quais estão igualmente em curso investigações sobre o mesmo fenómeno”.

Operação pan-europeia identificou mais de cem vítimas

Houve uma operação pan-europeia na noite de 10 para 12 de Junho. Onze países, entre os quais Portugal, puseram-se no encalço de responsáveis por tráfico de seres humanos oriundos da África Ocidental. As autoridades identificaram 111 eventuais vítimas, a maior parte mulheres da Nigéria, e pistas para seguir.

A operação foi liderada pela Bundeskriminalamt, a Polícia Federal da Alemanha, e coordenada pela Europol e pelos oficiais de ligação que este organismo supranacional tem nos diversos países que a integram, tentando agir como se estivessem todos juntos na grande sala de operações de Haia, na Holanda.

Na Áustria, Bélgica, na Dinamarca, na Alemanha, no Luxemburgo, na Holanda, em Portugal, em Espanha, na Suécia, na Irlanda, na República Checa, na Noruega e na Suíça zonas de prostituição foram passadas a pente fino. Ao mesmo tempo, o controlo de passageiros foi apertado nos grandes aeroportos internacionais no Reino Unido, na Irlanda, na Finlândia, na Suécia, na Suíça, na Holanda, na Noruega e em Portugal. Na Irlanda também os portos foram sujeitos a controlo.

Segundo o comunicado emitido pela Europol, 673 pessoas foram inquiridas. No fim, 111 foram identificadas como potenciais vítimas de tráfico humano e mais de 30 como suspeitas de estarem envolvidas nesse tipo de crime.

A Europol tratou então de analisar os resultados da megaoperação “para ajudar a identificar figuras-chave das redes internacionais de tráfico de seres humanos que actuam na Europa”, “estabelecer padrões”, chegar às estruturas. E isso levou a novas investigações ou ao reforço de investigações em vários países.

Já em Outubro de 2012 houvera uma operação desta natureza. Na altura, Jörg Ziercke, da BKA, declarou que as operações transnacionais, que permitiam recolher informação em simultâneo de uma forma coordenada em tantos países, são vitais para detectar as organizações criminosas e lutar contra elas.

Temem perder o sentido da vida

Lidar com vítimas de tráfico humano presas a rituais de vudu é um grande desafio para as polícias da União Europeia. O desconhecimento e a amplitude das diferenças culturais não ajudam os agentes a saberem como podem aproximar-se das vítimas, resgatá-las e protegê-las dos traficantes.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados editou em Outubro do ano passado um documento intitulado “Vudu, feitiçaria e tráfico humano na Europa”. Num dos capítulos, a espanhola Ana Dols García, a autora, debruça-se sobre o uso dos rituais para escravizar mulheres na indústria do sexo.

O vudu é uma religião tradicional da costa ocidental africana – muito comum na Nigéria, no Benin, no Togo e no Gana. Dentro das suas práticas cabem os rituais de juramentos, uma espécie de selo que se coloca sobre um acordo. Através dele, as duas partes ficam ligadas uma à outra. É um pacto desses que as mulheres que querem avançar para a Europa celebram com os traficantes. Eles comprometem-se a organizar a viagem, a custeá-la e a protegê-las e elas a pagar-lhes, a obedecer-lhes, a respeitá-los e a jamais denunciá-los, sob pena de sobrenatural retaliação.

Cintando a Agência Nacional para a Proibição do Tráfico de Pessoas (NAPTIP) da Nigéria, o documento refere que 90% das raparigas traficadas para a Europa são levados até santuários para prestar o chamado “juramento de sigilo”. Tal ritual passa por usar partes do corpo delas e de familiares próximos, como a mãe ou uma irmã. Pode ser unhas, dentes, pêlos púbicos ou sangue.

O sacerdote que preside à cerimónia prepara um “pequeno pacote com partes do corpo, roupas íntimas e outros elementos simbólicos, como peças da divindade Ogun ou sabão”. Esse pacote converte-se numa “expressão concreta do acordo”, que fica na posse do sacerdote ou do traficante até a dívida ser saldada. Desrespeitar o acordo provocará a “ira dos deuses”. As raparigas acreditam que algo terrível poderá então acontecer-lhes ou aos seus familiares. Dita a praga que viverão “sem o sentido da vida, como uma cobra que se arrasta”. Poderão adoecer, enlouquecer ou morrer.

Resultado: “O medo de quebrar o pacto é tão forte que geralmente os traficantes nem têm de seguir as mulheres de perto. Alguns operacionais confirmam que, em contraste com outras vítimas de tráfico sexual, elas desfrutam de uma aparente liberdade e não estão tão expostas à violência e ao abuso”. Mesmo assim, há ameaça, violência, apreensão de documentos, falta de liberdade.

Amiúde, estas mulheres não encaram os rituais de juramento como intimidadores por si só. Vêem neles uma forma de estreitar as relações. E é precisamente nessas relações que reside a força das redes de tráfico. A coerção começa mais tarde – quando a exploração sexual entra no quotidiano.

Há traficantes a alegar que as mulheres fizeram um acordo porque quiseram. Só que fazer o ritual de juramento por vontade própria não quer dizer entrar na indústria do sexo por vontade própria, muito menos aceitar ser explorada. “As vítimas concordam em participar nos rituais sem entender as dificuldades que terão de enfrentar para cumprir do pacto”, lê-se no documento, acessível na Internet.

De acordo com o Protocolo de Palermo – a forma abreviada que se usa para falar no Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas –, o facto de as vítimas terem dado consentimento é irrelevante.

Diversas estratégias têm sido usadas pelas autoridades para se aproximarem destas mulheres. Fazê-las falar não é fácil. Além de terem de vencer o pavor de quebrar o juramento, elas temem ter de lidar com polícias que não conhecem a sua cultura, que não compreendem as suas crenças.

A Holanda, por exemplo, criou uma task force especial para lidar com este tipo de casos. A colaboração de um sacerdote nigeriano revelou-se eficaz na tarefa de pôr vítimas a denunciar traficantes. A experiência alemã mostra que acreditar que a polícia já tem abundante informação sobre o assunto também ajuda.

 

 

Número de sinalizações de crianças vítimas de tráfico disparou em três anos

Julho 15, 2014 às 2:26 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 14 de julho de 2014.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Relatório Anual sobre Tráfico de Seres Humanos 2013

 

David Clifford

David Clifford

 

Ana Cristina Pereira

Relatório do Observatório do Tráfico de Seres Humanos apontava para a possível existência de 49 casos em 2013. Portugal está a ser utilizado como plataforma de tráfico de seres humanos.

Algo pode estar a mudar. Ao Observatório do Tráfico de Seres Humanos chegou no ano passado notícia de 49 eventuais vítimas menores de idade. Três anos antes, as polícias não tinham ido além de sete. Nem todas as suspeitas se confirmaram. No fim do ano, 27 casos continuavam em investigação.

São raros os processos como o que agora envolve Daniel, o bebé de 18 meses que a mãe terá tentado vender na Madeira no início desde ano (ver texto). De acordo com o relatório anual, a Polícia Judiciária abriu três inquéritos relacionados com tráfico de crianças portuguesas para adopção.

A maior parte do tráfico de crianças por cá terá por objectivo a exploração sexual ou a mendicidade forçada. Em 2013, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) contava 17 casos de tráfico para exploração sexual de raparigas, entre os 13 e os 17 anos, oriundas da Nigéria, da Guiné-Bissau, do Senegal e de outros países africanos. E sete de tráfico para mendicidade de crianças, entre os nove e os 16 anos, oriundas dos Balcãs. Seriam de nacionalidade portuguesa as outras crianças sinalizadas por organizações não governamentais (ONG).

Joana Daniel Wrabetz, que foi a primeira coordenadora do observatório e com ele ainda colabora, congratula-se: “Finalmente, [as autoridades] começam a identificar crianças.” A identificação está longe de ser simples. “É um processo que tem de ser melhorado”, salienta. A especialista considera que tem vindo a sê-lo.

Manuel Albano, relator do relatório sobre Tráfico de Seres Humanos, está convencido de que toda a gente está mais atenta. “Tem havido um esforço muito grande” para sensibilizar, informar, formar – as polícias, mas também a sociedade como um todo. A começar pelos estudantes do ensino básico, secundário e superior com quem têm trabalhado ONG. Não basta correr atrás do prejuízo. Há que sensibilizar, prevenir. E isso, considera aquele dirigente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, passa por todos: implica “consciência social sobre o que é a vida humana”, saber que “uma pessoa não é uma mercadoria”.

É um fenómeno residual. “Portugal não é um país especialmente atractivo [para traficantes de seres humanos]”, diz o director nacional adjunto do SEF, José van der Kellen. “Subjacente ao tráfico está a dimensão económica. O que torna um país atractivo é o gerar muito dinheiro, o movimentar muito dinheiro”, explica. Ora, Portugal está a braços com uma crise financeira, económica e social.

Dos países pobres para os ricos

Neste momento, a maior preocupação de José van der Kellen é “a utilização do país como plataforma” de tráfico de seres humanos. Há pessoas a sair, sobretudo, de África em situação de “grande vulnerabilidade” e a passar por Portugal rumo a países europeus mais prósperos. E pessoas saídas do Leste da Europa a circular pela União, incluindo Portugal, também em grande vulnerabilidade.

Parecem ter-se multiplicado as redes que forçam idosos, mulheres e crianças a mendigar, ou mesmo a roubar, pelas mais variadas cidades europeias e que ao fim de cada dia lhes ficam com o ganho. “Este ano ainda não tivemos casos de crianças [nesta situação], mas estamos atentos, porque sabemos que isso acontece”, comenta o inspector.

No ano passado, ninguém terá recorrido ao Programa de Apoio ao Retorno Voluntário para auxiliar uma vítima de tráfico. Segundo o relatório do Observatório de Tráfico de Seres Humanos, tutelado pelo Ministério da Administração Interna, 34 das 49 crianças sinalizadas foram acolhidas em lares de infância e juventude ou outras estruturas de apoio. As outras não terão recebido assistência.

 

 

Filhos de homossexuais são tão (ou mais) saudáveis como as outras crianças

Julho 15, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do P3 do Público de 8 de julho de 2014.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Parent-reported measures of child health and wellbeing in same-sex parent families: a cross-sectional survey

Robert Galbraith Reuters

Os filhos de casais homossexuais são tão ou mais saudáveis do que as crianças que vivem em contexto familiar heterossexual, conclui um estudo realizado por uma universidade australiana

Texto de Lusa

No que diz respeito à saúde, as crianças criadas em contexto homossexual “estão a sair-se bem, quando não melhor”, do que as que vivem em contexto heterossexual, considera a equipa de investigadores da Universidade de Melbourne, que publicou o estudo na revista médica “BMC Public Health” a 21 de Junho.

Os resultados do estudo australiano, que pretendia “descrever o bem estar físico, mental e social das crianças australianas que vivem com casais do mesmo sexo, e o impacto que o estigma tem nelas”, foram noticiados esta terça-feira pelo jornal “The Washington Post”.

A conclusão “não é propriamente uma novidade” e “confirma” o que já se sabia, que “são mais as semelhanças do que as diferenças entre as crianças que são educadas em contexto hetero e em contexto homoparental”, destaca o psicólogo Jorge Gato, que ajudou a Lusa a ler os resultados.

Todos os estudos já feitos mostram que, “independentemente do método, do tamanho da amostra, daquilo que se estuda, há sempre uma convergência numa maior semelhança do que diferença entre estas duas famílias”, resume Jorge Gato. A “BMC Public Health” é uma revista “idónea”, onde “é difícil publicar”, pois “só” se aceitam “artigos de qualidade”, frisa Jorge Gato, destacando a dimensão do estudo australiano, que recorreu a uma amostra “bastante significativa”.

A equipa da Universidade de Melbourne seguiu 315 casais homossexuais e 500 crianças em toda a Austrália, comparando os seus resultados com os indicadores de saúde e bem-estar da população em geral.

Outra das novidades é que o estudo inclui quase 20% de crianças que vivem com casais homossexuais, amostra geralmente “menos estudada, porque menos disponível”, realça Jorge Gato. “É mais fácil estudar as lésbicas, também porque provavelmente serão a maioria, porque é mais fácil para uma lésbica recorrer a uma inseminação artificial do que a um gay recorrer a uma barriga de aluguer”, explica.

Em indicadores como “comportamento emocional” e “funcionamento físico”, os investigadores australianos não encontraram diferenças entre as crianças em contexto homo e heteroparental, sublinhando que as qualidades da educação e o bem estar económico das famílias são mais importantes do que a orientação sexual dos pais.

Por outro lado, “as crianças que vivem com famílias homossexuais tiveram resultados, em média, 6% melhores em dois indicadores: saúde geral e coesão familiar”, concluiu a equipa liderada pelo investigador Simon Crouch.

A conclusão de que os casais do mesmo sexo podem ser bons pais dá eco aos resultados de investigações já realizadas no passado. Porém, este estudo sugere que os filhos desses casais podem estar em vantagem por não terem um educação tão estereotipada no que respeita às relações e papéis de género. Em declarações à ABC News, Simon Crouch deu como exemplo que os casais do mesmo sexo têm mais probabilidade de partilhar responsabilidades em casa do que os casais heterossexuais. Sair do esquema tradicional dos papéis de género resulta numa “unidade familiar mais harmoniosa”, refere o estudo.

“Quando emergem diferenças [entre filhos de homo e heterossexuais], são geralmente a favor das crianças educadas em contexto homoparental, é o caso aqui também”, nota Gato. “Uma educação não tão estereotipada, mais livre, mais virada para a diversidade” promove o bem estar, corrobora o investigador, acrescentando que, geralmente, os casais homossexuais investem muito nas crianças, porque “foram uma escolha” e “raramente” um “acidente”.

De acordo com o estudo, cerca de dois terços das crianças com pais homossexuais experimentaram alguma forma de discriminação por causa da orientação sexual dos seus pais, mas, “mesmo assim, conseguem ter melhores resultados do que os outros em algumas áreas”, refere Gato.

O estudo sublinha que “nenhum tipo de família é necessariamente melhor do que outro” e que as crianças “podem crescer em contextos familiares muito diferentes”. Resumindo, “não é verdade” que, “como frequentemente se sugere, as crianças de pais do mesmo sexo tenham piores resultados por lhes faltar uma figura parental”, sustenta a equipa, garantindo que “os dados são suficientes para saber o que é bom para as crianças”.

 

 

10.ªs Jornadas sobre Comportamentos Suicidários

Julho 15, 2014 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Birras à mesa, já aconteceu?

Julho 15, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://barrigasdeamor.iol.pt de 2 de julho de 2014.

barrigas de amor

A hora da refeição é muitas vezes sinónimo de birras e recusas por parte das crianças. O “não gosto” e o “não quero” sucedem-se numa ladainha e os níveis de ansiedade de pais (e filhos) tendem a subir em flecha e, por vezes, como numa bola de neve, a situação só se agrava ao longo do jantar.

Quantos de vós já se viram a braços com a pergunta, “mas porque é que ele na escola come tudo sozinho e em casa é assim?”. E nós respondemos, na escola há todo um ritual pensado para promover a autonomia das crianças na hora da refeição, não há adultos disponíveis para ajudar cada um a comer e há o apetecível recreio como meta a atingir. Como transpor para casa este ritual? Ora, aqui está a primeira dica: Jantar à mesa e em família.

Sabemos que os nossos horários nem sempre o permitem, e compatibilizá-los com a hora de deitar as crianças pode ser uma verdadeira epopeia. A verdade é que ao transformarmos a hora da refeição num momento de convívio da família veremos o nosso esforço recompensado.

Ao jantar com os filhos estamos a oferecer um modelo de como se comportar na hora da refeição e como se relacionar com o próprio ritual da alimentação. Ao mesmo tempo, e estando também os pais a jantar ou almoçar, promovemos a autonomia da criança na gestão da sua própria refeição.

Mais ainda, o jantar pode ser um momento prazeroso de convívio e um verdadeiro espaço de comunicação e de reforço de vínculos afetivos. É a oportunidade para contar novidades boas e menos boas, partilhar conquistas e, enfim, estar juntos antes de “tocar a sineta” dos vídeo jogos e da televisão assim que se pousa o talher de sobremesa.

Uma outra dica importante é evitar a todo o custo o recurso a brinquedos, desenhos animados ou outros distrativos (válido para crianças e adultos) durante a hora da refeição, agilizando assim a mesma e tornando possível a interação com os restantes elementos da família. Mesmo as crianças mais pequeninas devem ser habituadas a focar-se no momento da alimentação pelo que este é. Quando introduzimos outros estímulos não promovemos este enfoque na relação com a alimentação e consequentemente estamos a afastarmo-nos da autonomia desejada, bem como reforçamos um comportamento indesejado cuja resolução será cada vez mais penosa.

Outra estratégia é envolver a criança, à medida do que são as suas capacidades em cada etapa de desenvolvimento, na preparação do momento da refeição, por exemplo pondo a mesa. Assim, estamos a gradualmente enviar uma mensagem que dispõe o corpo para o que se vai passar a seguir, como que “preparar o apetite”.

Esperamos com estas sugestões ajudar a tornar a hora da refeição um momento agradável em família.

Helena Almeida

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – área infanto-juvenil da Oficina de Psicologia

 

 


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