Mães depois dos 33 anos têm o dobro das probabilidades de viver até aos 95 anos

Julho 5, 2014 às 3:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 26 de junho de 2014.

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As mulheres que têm filhos depois dos 33 anos  sem tratamentos de fertilidade têm maiores probabilidade de viveram até  mais tarde do que as que foram mães pela última vez antes dos 30, conclui  um estudo hoje divulgado. 

A investigação da Boston University School of Medicine, publicada na edição de junho da revista científica “Menopause“, estima que os mesmos  genes que permitem às mulheres ter filhos naturalmente em idades mais avançadas  são os responsáveis por uma maior longevidade, que pode ir até aos 95 anos.

Os resultados do estudo da Boston University School of Medicine são  consistentes com anteriores descobertas que estabelecem uma relação entre  a idade maternal aquando do nascimento do último filho e a longevidade excecional.

O estudo baseou-se na análise dos dados do “Long Life Family Study”,  um estudo genético de 551 famílias com vários membros que viveram até idades  excecionais, 95 ou mais anos. 

Os investigadores determinaram a idade em que cada uma de 462 mulheres  tiveram os últimos filhos e até que idade viveram e concluíram que as mulheres  que tiveram o último filho depois dos 33 anos tinham o dobro das probabilidades  de viver até aos 95 anos ou mais quando comparadas com as que tiveram o  último filho aos 29 anos. 

Das 462 mulheres, 274 tiveram o último filho depois dos 33 anos. 

“Pensamos que os genes que permitem às mulheres ter filhos naturalmente  numa idade mais avançada são os mesmos que têm um papel muito importante  no retardar do envelhecimento e na descida do risco de doenças relacionadas  com a idade, como as doenças de coração, acidentes vasculares cerebrais,  diabetes e cancro”, explicou Thomas Perls, especialista em geriatria na  Boston University Medical Center e principal investigador do estudo, citado  pela imprensa norte-americana. 

Em Portugal, a idade das mães ao nascimento do primeiro filho tem vindo  a aumentar. 

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2001, era-se  mãe pela primeira vez aos 26,8 anos e em 2011 a maternidade surge só aos  29,2 anos. 

As gravidezes após os 35 anos dispararam 47 por cento, na última década,  enquanto a maternidade antes dos 20 caiu para metade. 

Lusa

 

 

A melhor escola de verão para as crianças? Brincar

Julho 5, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do observador de 24 de junho de 2014.

fabien bimmer

Estudos recentes provam as vantagens educativas de as crianças brincarem sem limites, isto é, sem horas marcadas e sem uma supervisão rígida. É a melhor escola de verão, garantem.

As aulas acabaram e as escolas e jardins de infância preparam-se para fechar. O pesadelo de muitos pais: onde deixar as crianças? Ou, mais do que isso, o que fazer com elas durante dois longos meses para não descuidar na sua educação e ao mesmo tempo as manter entretidas e ocupadas? As possibilidades são muitas, ainda que variem consoante os orçamentos, e normalmente passam por campos ou colónias de férias, aulas de música, grupos de estudo ou até mesmo o ATL da própria escola. Mas o conselho dos especialistas é outro: não planear muito e deixar os miúdos brincar. Só isso.

O verão tem tudo para ser (e é) a época preferida das crianças e jovens: representa o fim dos horários – para acordar, estudar, brincar, deitar-, o fim das aulas e o fim das atividades supervisionadas por adultos, ora pais ora professores. E não há problema nenhum que o seja, garante um grupo de psicólogos norte-americano da Universidade do Colorado, que tem vindo a fazer importantes avanços nesta matéria e que este mês acaba de publicar um novo estudo.

Brincar sem limites é um dos melhores valores educacionais que os adultos podem proporcionar às crianças, defendem estes psicólogos do Colorado. Quanto mais tempo as crianças passarem, durante o seu tempo livro, em atividades estruturadas e supervisionadas (como aulas de qualquer instrumento musical ou treino desportivo), pior será a sua capacidade de trabalhar de forma produtiva e autónoma. Ou seja, brincar de forma livre, assumir riscos, sonhar acordado e descobrir coisas novas é um terreno fértil que permite aos mais novos fortalecer relações sociais, desenvolver maturidade emocional e, acima de tudo, desenvolver capacidades cognitivas. O termo técnico é desenvolver o “funcionamento executivo” das crianças, escreve a revista The Atlantic e, surpreendentemente, só se consegue a brincar.

Segundo a publicação norte-americana, o funcionamento executivo é um termo bastante amplo que diz respeito a capacidades cognitivas como a organização, o planeamento de longo prazo, a capacidade de iniciativa ou a capacidade para alternar entre tarefas, e é uma parte vital da preparação escolar. A longo prazo, o funcionamento executivo das crianças é mesmo visto como um indicador importante para o desempenho académico e, mais tarde, para uma vida pessoal e profissional de sucesso.

Para chegarem a estas conclusões, os autores do estudo testaram os hábitos e os horários de brincar de 70 crianças com seis anos de idade, medindo o tempo que cada uma dedicava a atividades espontâneas, auto-recreativas e menos estruturadas, e, por outro lado, o tempo que dedicavam a atividades estruturadas, isto é, organizadas por adultos. O resultado foi que aquelas que passavam mais horas em brincadeiras espontâneas tinham a tal função executiva mais desenvolvida e, por isso, tinham mais autonomia e eram mais organizadas. Por outro lado, quanto mais tempo passavam em atividades convencionais, estruturadas por adultos, pior era o seu sentido de responsabilidade e auto-controlo.

Por isso, pais, se querem realmente aproveitar os longos meses de interrupção lectiva para preparar as crianças para o novo ano, esqueçam a maioria das atividades e aulas extra-curriculares que planearam para eles e deixem-nos brincar. Façam do tempo livre, precisamente o que ele é, tempo livre, e deixem-nos ter domínio sobre a sua própria imaginação em vez de serem dominados pela vontade excessiva de os educar.

 

 


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