Ser avô, um emprego a tempo inteiro

Julho 4, 2014 às 1:15 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 28 de junho de 2014.

Estudo europeu

Em Portugal, assim como em Espanha, Itália e Roménia, as crianças ficam muitas vezes ao cuidado dos avós, uma vez que “as prestações sociais pagas aos pais e às mães que ficam em casa são limitadas”.

Portugal é o país com o maior número de mães com filhos até aos seis anos a trabalhar a tempo inteiro e um dos países em que os avós cuidam mais dos netos, revela um estudo europeu.

O estudo “A prestação de cuidados pelos avós na Europa” faz uma análise comparativa sobre as políticas familiares e a sua influência no papel dos avós enquanto prestadores de cuidados infantis na Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Grécia, Itália, Holanda, Espanha, Suécia, Suíça, Portugal, Espanha Itália e Roménia.

Segundo o estudo, a que a agência Lusa teve acesso, mais de 40% dos avós dos países europeus analisados prestam cuidados aos netos sem a presença dos pais, sendo que os países do sul da Europa, Portugal, Espanha, Itália e Roménia, são os que apresentam uma maior percentagem de avós a cuidar de netos a tempo inteiro.

Os autores do estudo explicam que nestes quatro países “as prestações sociais pagas aos pais e às mães que ficam em casa são limitadas” e “há pouca oferta de estruturas formais de acolhimento de crianças e poucas oportunidades das mães trabalharem a tempo parcial”.

Mães trabalham mais de 40 horas 

Entre os países estudados, Portugal apresenta “a mais elevada percentagem de mães com filhos com idades inferiores aos seis anos que trabalham a tempo inteiro”.

Em Portugal, Espanha, Itália e Roménia, as mães trabalham frequentemente mais de 40 horas por semana, adianta o estudo financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, que será apresentado na terça-feira em Lisboa.

A investigação adverte que, tendo em conta que as avós entre os 50 e os 69 anos “que não exercem empregos remunerados são as que apresentam maiores probabilidades de prestar cuidados infantis, os planos dos governos europeus para o aumento das idades de reforma e da participação feminina na vida profissional em idades mais avançadas são suscetíveis de entrar em conflito com o papel dos avós no que se refere à prestação de cuidados infantis”.

Para os autores do estudo, “isto terá implicações significativas ao nível da participação das mães mais jovens no mercado de trabalho e na obtenção de pensões e de segurança financeira por parte das mulheres de meia-idade”.

 

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