Só 1 em cada 4 portugueses pensa ter filhos nos próximos três anos

Julho 1, 2014 às 11:14 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 30 de junho de 2014.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Inquérito à Fecundidade 2013

Paulo Cunha Lusa

Ter muitos filhos deixou de ser um desejo da população e o número de filhos para uma família ideal foi descendo

Raquel Albuquerque

Portugal está na cauda da Europa quando se fala no número de filhos por mulher (1,21). Perceber porquê implica olhar para o número de filhos que os portugueses têm, o número de filhos que gostariam ter e o número de filhos que, na realidade, imaginam vir a ter. Tudo junto permite chegar a algumas conclusões: já não queremos muitos filhos e temos menos do que gostávamos. Se olharmos para as intenções dos próximos três anos, concluímos que só um em cada quatro portugueses pensa ter filhos.

Os resultados definitivos do Inquérito à Fecundidade 2013, publicados esta segunda-feira pelo INE e pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), mostram que mais de metade da população atualmente já não quer ter filhos ou não quer ter mais filhos do que tem.

Se aos que já não querem ter juntarmos os que não pensam ter nos próximos três anos, o número é ainda maior. De três quartos da população portuguesa não podemos esperar nascimentos nos próximos três anos.

“Os contextos sociais, económicos, culturais, geográficos, entre outros, têm impactos decisivos nos percursos de fecundidade das pessoas”, aponta o estudo, cujos primeiros resultados tinham sido publicados em novembro de 2013.

Expectativa de ter mais do que dois não existe

Olhando para os números, conclui-se que em média os portugueses têm um filho (1,03) e pensam vir a ter no máximo 1,78. Ou seja, a expectativa de ter mais do que dois, em média, não existe.

Mas enquanto os portugueses têm, em média, um filho, a verdade é que desejariam ter 2,31 filhos e consideram que a família ideal seria composta por 2,38. O que também se percebe é que a fecundidade desejada ao longo da vida – ou seja, o número de filhos desejados – tem vindo a descer. O número mínimo de filhos necessário para garantir que as gerações se substituem – o índice de renovação das gerações – é de 2,1.

Quando se pergunta se a população portuguesa não tem um número elevado de filhos porque não quer ou não pode, a resposta é clara. “É mesmo porque não quer. A intenção e o desejo de descendências numerosas não existe para a esmagadora maioria da população”, aponta Maria João Valente Rosa nos comentários ao estudo publicados esta segunda-feira.

“Verifica-se uma tendência decrescente quando se observa o número ideal de filhos numa família, o número de filhos que as pessoas desejam para si ao longo da vida e aqueles que efetivamente esperam ter”, lê-se no destaque do INE.

As expectativas das pessoas, explica o estudo, nomeadamente no que se refere ao número de filhos que desejam, “vão sendo ajustadas ao longo da vida em função, entre outras variáveis, da entrada na parentalidade e do número de filhos que já têm”.

O facto de as pessoas já terem ou não terem filhos influencia a intenção de os vir a ter ou vir a ter mais.

O estudo deixa uma esperança para o que poderá estar para vir. O facto de os portugueses pensarem chegar aos 1,78 filhos – um número superior ao atual índice sintético de fecundidade (1,21) – permite “equacionar um cenário otimista quanto a uma possível recuperação dos níveis de fecundidade no futuro”.

A baixa fecundidade e o envelhecimento da população têm vindo a caracterizar a demografia portuguesa nas últimas décadas, algo que, como o estudo indica, tem implicações nas dinâmicas e formas de organização das sociedade europeias.

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