Estudantes universitários criam aplicação móvel para apoio a autistas

Junho 20, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 17 de junho de 2014.

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Dois estudantes universitários criaram uma aplicação móvel de apoio à terapia de crianças autistas e enquanto esta não está disponível lançaram uma plataforma de partilha de informação dedicada ao autismo que chegou já a 33 países.

Em declarações à agência Lusa, um dos responsáveis pelo projeto “Enforcing Kids” explicou que este surge no âmbito de uma cadeira da disciplina de computação móvel, no decorrer de um mestrado.

Jorge Santos e Cátia Raminhos estão em mestrados diferentes, ele pelo Instituto de Educação, ela pela Faculdade de Ciências, ambos da Universidade de Lisboa.

Têm disciplinas comuns em algumas cadeiras e foi de um trabalho de computação móvel que saiu um projeto para criar uma aplicação móvel que apoie as terapias de crianças autistas, ajudando os terapeutas no tratamento que fazem e no acompanhamento que dão.

“A aplicação está neste momento em fase de testes para pré-distribuição e enquanto essa aplicação está a ser testada para ter uma versão final estável e distribuível estamos a avançar com uma plataforma de informação para esta comunidade, a comunidade do autismo”, adiantou Jorge Santos.

Segundo o responsável, a plataforma de informação tem vários níveis de utilização, havendo um que está disponível ao público em geral através das redes sociais “facebook” e “twitter“.

“Para um público mais especializado, com acesso reservado, temos um blogue que inclui estudos académicos e temos o grupo no ‘facebook’ para a partilha de experiências, quer por familiares, quer por terapeutas ou professores”, adiantou.

Ainda em relação à aplicação móvel, Jorge Santos revelou que ela irá servir para apoiar o trabalho do terapeuta ou do adulto que acompanhe a criança.

“Não digo concretamente qual é a atividade ou conjuntos de atividades ou a forma como nós damos a volta à situação porque o público saberá quando a aplicação sair”, apontou, acrescentando que não há ainda uma data para divulgar a aplicação.

Enquanto a aplicação não sai para o mercado, o projeto “Enforcing Kids” está na plataforma de informação, ligando assim toda uma comunidade à volta de um mesmo assunto.

A plataforma é alimentada pelos dois estudantes, que vão colocando informação sobre os diversos estudos que vão saindo, as experiências que vão sendo publicadas, bem como notícias publicadas na comunicação social, desde que estejam nas quatro línguas base: português, inglês, francês e castelhano.

Foi criada em finais de março de 2014 e entretanto chegou já a 33 países.

“Temos neste momento pessoas que acedem à página ou fazem parte do grupo que são da América Latina, entre México, Honduras, Costa Rica, temos depois Espanha, França, Malásia, Argélia, Turquia, Egipto, Brasil”, exemplificou Jorge Santos.

Esta expansão da plataforma, o responsável explica com o facto dos grupos ligados às pessoas autistas terem uma forte ligação entre eles, o que ajuda na comunicação em rede.

O projeto ‘Enforcing Kids’ é apoiado pelo Departamento de Investigação LaSIGE da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

 

 

 

Lançado portal para ajudar alunos a escolher cursos superiores

Junho 20, 2014 às 2:00 pm | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 19 de junho de 2014.

Enric Vives-Rubio

Lusa

Plataforma apresenta dados caracterizadores de cada curso em termos do concurso nacional de acesso e apresenta também dados sobre desistências e empregabilidade.

O Portal Infocursos, uma plataforma online destinada a ajudar os alunos na escolha do curso superior depois de terminado o ensino secundário, fica disponível a partir desta quinta-feira, anunciou o Ministério da Educação.

“Trata-se de uma plataforma online, desenvolvida pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência e pela Direcção-Geral do Ensino Superior, que permite aos candidatos ao ensino superior, e ao público em geral terem acesso a informação relevante para escolherem melhor a formação”, afirma o Ministério da Educação e Ciência (MEC).

O portal reúne informação sobre todos os cursos de licenciatura e mestrado integrado ministrados em Portugal e registados na Direcção-Geral do Ensino Superior até 31 de Dezembro de 2013.

A plataforma apresenta dados caracterizadores de cada curso em termos do concurso nacional de acesso ao ensino superior e reúne, de forma gráfica “e fácil de interpretar”, vários indicadores estatísticos, entre os quais se destacam a distribuição dos estudantes consoante as vias de ingresso no curso, o percentil médio dos estudantes à entrada do curso, em termos de notas nas provas de ingresso, as taxas de abandono, transferência e continuidade dos alunos no curso um ano após a sua primeira matrícula.

“Mostra também a distribuição dos alunos por sexo e idades, a distribuição das classificações finais à saída do curso e a relação entre o número de inscritos como desempregados nos centros de emprego, com base nos registos no Instituto do Emprego e Formação Profissional, e o número de diplomados, curso a curso, entre outros parâmetros”, adiantou o MEC, em comunicado.

 

Violência doméstica faz aumentar número de crianças e jovens em perigo

Junho 20, 2014 às 12:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 19 de junho de 2014.

A notícia contém uma entrevista da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança.

Corbis

Violência doméstica em crianças Corbis

Por Rosa Ramos

Comissões de Protecção de Crianças e Jovens sinalizaram mais menores em risco. Exposição a quadros de violência em casa é maior

O número de crianças e jovens em risco está a aumentar. No ano passado, e pelo terceiro ano consecutivo, as Comissões de Protecção das Crianças e Jovens (CPCJ) identificaram maior número de casos em Portugal. Em 2013 foram instaurados mais de 30 mil processos de promoção e protecção (30 344) e a esmagadora maioria (28 498) correspondeu a novas sinalizações. No total, as CPCJ mexeram com 71 467 processos – mais 2560 que no ano anterior – e foram detectadas 74 734 situações de perigo. A negligência é a mais comum, segundo o relatório anual da Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco, apesar de os números até terem diminuído (20 902 em 2012 para 18 910 no ano passado).

Já os casos em que as crianças e os jovens são expostos a comportamentos inadequados aumentou. Em 2012 tinham sido detectadas 16 028 situações, enquanto em 2013 foram sinalizadas 18 273. A esmagadora maioria (94,5%), admite o relatório, tem a ver com a exposição à violência doméstica.

As escolas, as forças policiais e os próprios pais são quem mais denuncia os casos de perigo às comissões. Os estabelecimentos de ensino foram responsáveis pela sinalização de 9815 novos casos, enquanto as polícias denunciaram 8722 situações. A GNR é a força de segurança que mais trabalha com as CPCJ: existem 304 comissões espalhadas pelo país, onde têm assento 264 militares. E as estatísticas da Guarda também permitem concluir que há um aumento do número de crianças em perigo. Em 2012, a GNR tinha sinalizado e denunciado às CPCJ 2537 situações. Porém, no ano passado o número subiu para 3069.

A maior parte dos casos, confirma o tenente-coronel Nascimento, do Núcleo de Investigação e de Apoio a Vítimas Específicas da Direcção de Investigação Criminal da GNR, chega ao conhecimento das autoridades durante a investigação de processos relacionados com violência doméstica. “São crianças que sofreram bastante e nalguns casos estão mesmo bastante traumatizadas por terem sido expostas a cenários de grande violência em casa”, descreve o oficial da GNR.

As denúncias de crianças em risco chegam às forças de segurança maioritariamente de duas formas. Ou através das escolas, que comunicam eventuais suspeitas aos polícias envolvidos nos programas Escola Segura, ou no decurso de investigações no terreno. De seguida, a GNR informa as CPCJ – que avaliam os casos.

Mais violência doméstica Segundo o s dados do último Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), a violência doméstica foi o crime que mais aumentou em 2013: uma subida de 3,1%, contrariando a tendência das estatísticas globais da criminalidade, que baixou no ano passado. A violência entre casais passou de 22 247 casos em 2012 para 22 928 em 2013. “E essa poderá ser uma das causas do aumento das sinalizações”, admite o tenente-coronel Nascimento. Também o relatório anual das CPCJ, quando se refere ao aumento de comunicações recebidas pelas polícias, aponta no mesmo sentido. “A análise deste aumento tem de ser cruzada com os dados das problemáticas sinalizadas, que apontam para o aumento significativo das situações de exposição a comportamentos que podem comprometer a saúde, a segurança e o bem-estar da criança, que integra a violência doméstica vicariante em número muito significativo”, lê-se no documento.

No terreno, os militares da GNR encontram de tudo. “A maioria das sinalizações ocorre em famílias desestruturadas, algumas recompostas, em que há filhos de outros casamentos”, explica o tenente-coronel Nascimento. As novas estruturas familiares – como as famílias reconstituídas – podem representar um risco para os filhos quando o ambiente não é saudável. “Há casos em que as crianças se sentem num limbo, entregues à sua sorte”, descreve o oficial da GNR. E, contrariamente ao que até se possa pensar, as crianças em perigo existem em todas as classes sociais. “Obviamente que as que integram meios mais pobres estão à partida mais vulneráveis, mas temos casos de crianças mal nutridas em todos os estratos sociais”, garante o militar da GNR. A grande diferença entre classes sociais costuma estar na forma como os casos chegam ao conhecimento das autoridades. Enquanto nas crianças mais desfavorecidas é a escola que costuma denunciar a existência de problemas, nas famílias mais abastadas a sinalização acontece por norma na sequência da investigação de crimes de violência doméstica.

Mais desempregados O relatório anual das CPCJ conclui, no capítulo da caracterização das famílias das crianças e jovens detectados em risco, que aumentou o número de agregados familiares a receber subsídios. Do total das famílias com crianças referenciadas, 6% tinham como única fonte de rendimento o subsídio de desemprego. Já as que beneficiavam de pensões (social, de invalidez ou sobrevivência) representavam 13,8%, confirmando a “tendência crescente” dos últimos anos: em 2011, 11,6% viviam destes três subsídios e em 2012 a percentagem era de 12,5%.

O relatório sublinha, por outro lado, que existem famílias a viver em condições “muito precárias”. Mais de 200 crianças (3,3%) foram identificadas a viver em partes de casas, 66 em habitações colectivas ou pensões, 87 em barracas, 25 em quartos alugados, oito em tendas ou roulottes e seis na rua. Ainda segundo o documento, 42,3% das crianças em risco vivem com os dois pais, 35,4% apenas com o pai ou a mãe (e destas 88,8% vivem com a mãe) e 13,7% com um dos progenitores numa família reconstituída e com outros menores.

Dulce Rocha Vice-presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC)

“A crise económica agrava a violência familiar”

Como se explica o aumento do número de crianças sinalizadas como estando em risco? As pessoas queixam-se mais e há uma vigilância e uma intolerância maior por parte da sociedade. Por outro lado, tem havido mais casos de abandono escolar desde que o ensino obrigatório foi alargado até ao 12.º ano. Mas o mais preocupante é que estão a aumentar os casos de maus-tratos graves.

A que se deve esse aumento? Há muitas situações associadas ao desemprego e às dificuldades económicas das famílias. Pais desesperados não podem proporcionar um ambiente saudável aos filhos. Existem também muitos casos de crianças que deixaram de estar em creches e ATL porque as famílias não têm dinheiro para os pagar, por isso há mais crianças sozinhas em casa. E quando não estão os pais estão desempregados e discutem mais. Nas famílias em que já havia violência, a crise económica veio agravá-la.

A pobreza infantil também está a aumentar? Os estudos mostram que sim. E com os cortes e os desemprego,é natural que a privação seja maior e a pobreza infantil aumente de forma alarmante. Muitas famílias procuram o instituto não só devido a conflitos familiares, mas também porque precisam de apoio. A pobreza pode manifestar-se de várias formas, das carências alimentares ao abandono de actividades complementares à escola.

 

 

Crianças em clima de crise sofrem mais problemas de saúde – Estudo

Junho 20, 2014 às 9:47 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site noticiasaoaminuto.com de 18 de junho de 2014.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Crisis económica, pobreza e infancia. ¿Qué podemos esperar en el corto y largo plazo para los “niños y niñas de la crisis”? Informe SESPAS 2014

mais estudos sobre a crise económica e saúde:

Gaceta Sanitaria Junio 2014 Vol. 28. Núm. S1. Páginas 1-146

D.R.

Um estudo realizado pela Sociedade Espanhola de Saúde Pública e Administração Sanitária conclui que as crianças que estão mais sujeitas à crise têm mais hipóteses de sofrer problemas de saúde no futuro, noticia o La Vanguardia.

As crianças que estão a ser mais afetadas pela crise terão mais problemas de saúde, como patologias cardiovasculares e diabetes e depressões. Além disso, como estão sujeitas a piores sistemas de educação, terão piores empregos e mais dificuldades de acesso ao trabalho.

Estas são algumas das principais conclusões do estudo “Crise económica e saúde”, elaborado pela Sociedade Espanhola de Saúde Pública e Administração Sanitária.

Segundo o estudo, os três primeiros anos de vida de uma criança são fundamentais para o seu desenvolvimento posterior e para a sua felicidade. Uma má nutrição, o atraso na escolarização e a falta de desenvolvimento cognitivo, consequências de se viver em locais fortemente prejudicados pela crise, pode levar a que essas mesmas crianças sofram de vários problemas de saúde no futuro.

Inma Cortés, uma das autoras da investigação, explica que o desemprego, o medo de despejos e dificuldades para pagar as hipotecas têm um impacto na saúde mental, aumentando os casos de ansiedade e depressão.   

O estudo, que é noticia no La Vanguardia, salienta,  que as crianças, os idosos e os imigrantes são os três grupos mais afetados pela crise, e que as políticas de combate à crise estão a realizar “cortes indiscriminados”.

 

 

Eduard Estivill: “Pais inseguros criam filhos inseguros”

Junho 20, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista a Eduard Estivill ao Observador no dia 17 de junho de 2014.

D.R.

Mais do que um pediatra, Eduard Estivill assume-se como cientista. Em entrevista ao Observador, o pai do famoso método para o sono defende que as regras são essenciais para criar uma criança.

 

A culpa é sempre dos pais, a quem cabe a responsabilidade de ensinar os filhos. É Eduard Estivill quem o diz, apoiando-se em estudos científicos que corroboram uma ideia que, por certo, vai pressionar ainda mais os pais. O pediatra, escritor e neurofisiólogo é diretor da Clínica del Sueño Dr. Estivill e coordena a unidade de alterações do sono no Hospital General de Catalunya. Mais do que isso, é a antítese do “companheiro de profissão” Carlos González – recorda-se dele?

Estivill ficou conhecido pelo método homónimo que, ao longo dos anos, espalhou-se um pouco por todo o globo. O livro Método Estivill, que vendeu milhões de cópias, quer ensinar os pais a ensinar os filhos a dormir. Como? A ideia é deixar as crianças na sua própria cama, com a luz do quarto apagada e a porta aberta. É provável que chorem, pelo que os pais devem visitar os filhos, em intervalos de tempo progressivamente maiores, no sentido de os acalmar. Há quem ache o processo duro, mas Eduard Estivill, o mentor, garante resultados.

Se o sucesso começou com as questões do sono, alastrou-se à comida. Estabelecer um horário e um lugar fixos para a refeição, e criar uma rotina que anteceda a mesma, passam pela solução. Se a criança mostrar relutância em comer, o método Estivill passa por três tentativas. O pai ou a mãe retiram o prato de frente da criança. Minutos depois, voltam a tentar a sua sorte. A calma e a serenidade são fatores importantes.

São mais as coisas que separam González de Estivill, do que aquelas que os unem. Ambos são espanhóis e médicos de formação. Mas quando o tópico é a educação, há grandes diferenças a apontar. Na versão do primeiro, as crianças podem dormir na cama dos pais, ser levadas ao colo tanto quanto o desejarem e, acima de tudo, “têm de ser amadas”.

Estivill, que recusa comentar sobre González, alegando não o conhecer, defende um espaço próprio para o sono dos mais pequenos e coloca o hábito acima da espontaneidade. E porque a disciplina é uma questão de constância, e não a “qualidade inata” de González, as regras e as normas estão no caminho de  crianças mais felizes e seguras. O discurso centra-se, agora, nos pais e na responsabilidade destes. Porque se o filho não come ou não dorme bem, a culpa poderá ser sua.

Há muitos seguidores, em Portugal, do método Estivill para dormir. Como chegou a estas descobertas?
São as descobertas científicas de muitos seguidores. Não é uma opinião nem uma tendência. É apenas um facto científico e, sendo lógico, resolve o problema. Por essa razão, é muito popular não só em Portugal mas também na maioria dos países no mundo inteiro.

Que feedback tem dos pais?
Vendemos mais de três milhões de livros, traduzidos em 20 idiomas. Isso significa que é uma grande ajuda para os pais que utilizam os padrões científicos que recomendamos. Os pais ficam muito gratos quando veem o seu filho feliz, a dormir adequadamente.

Tendo por base o método Estivill, há quem pense que não se pode pegar nas crianças ao colo e que é preciso deixá-las chorar.
Só diz isso quem não leu o livro com cuidado. Os que o leram corretamente verão que uma das nossas afirmações mais importantes é não abandonar a criança quando esta está a chorar. Por isso, no nosso método, quando ensinamos as crianças a dormir, temos de entrar [no quarto] em pequenos intervalos de tempo durante a aprendizagem do hábito, para que a criança seja sempre acompanhada.

O hábito do sono torna-se, assim, em algo rotineiro e mecânico. Até que ponto as rotinas são saudáveis para o desenvolvimento da criança? Não inibem a espontaneidade?
Um hábito é comer sopa com uma colher, lavar os dentes com uma escova, andar de bicicleta ou de carro. Isto não tem nada que ver com a espontaneidade. Ninguém ter permissão para a aprender a conduzir com “espontaneidade”.

O que podemos entender do seu método relativamente aos hábitos alimentares?
Utilizam-se os mesmos princípios que são usados para ensinar uma criança a dormir. Previamente apresentamos alguns dados importantes para entender como podemos ensinar as crianças a comer corretamente, como o tamanho do estômago em função da idade. Isto é o que explicamos no nosso livro “A Comer”. Os conceitos científicos permanecem. Portanto, o resultado é o correto.

Já disse que “as crianças ‘são’ um gourmet em potência”. Como assim?
O ser humano tem a capacidade de comer qualquer coisa e de apreciar o que come. Uma criança japonesa come sushi e sashimi desde pequena, tal qual uma criança mexicana se habitua a comer picante desde a infância. Uma criança portuguesa sabe apreciar, desde muito pequena, um bom presunto ou uns bons camarões. Tudo depende do que os pais ensinam.

Para quem não leu o livro Aprender a Comer, quais são os dados mais importantes?
O mais importante é que a criança tenha fome e, sobretudo, ter em conta as quantidades de comida no estômago, em função da idade.

A disciplina exige mais tempo e paciência por parte dos pais. Acha que as suas opiniões contribuem para a culpabilização dos pais que não conseguem impor-se por estarem, ao final do dia, cansados?
A disciplina que recomendamos é mais uma questão de constância do que de rigidez. Quando os pais entendem os fundamentos científicos que recomendamos, não se sentem culpados.

Sente que os pais, por falta de energia e tendo em conta a vida agitada, afrouxam no que diz respeito à disciplina?
É certo. Os atuais horários laborais, a entrada da mulher no trabalho e o stress da vida moderna fazem com que os pais tenham pouco tempo para se dedicar aos filhos. Por isso, tendem a protegê-los em demasia e a não ter regras e hábitos corretos quando a ensinar os filhos.

Como cresce uma criança com e sem regras? Há grandes diferenças?
Todos os estudos científicos sobre este tema indicam que a criança educada com normas e com regras é mais feliz e mais segura. As crianças que não conhecem limites são inseguras, mal adaptadas à realidade e com maiores problemas emocionais.

Para Carlos González, todos os castigos são inúteis. Que opinião tem dele e das suas teorias – porque acha que é um sucesso de vendas?
Não conheço esse senhor, pelo que não posso comentar.

Mas acha que as crianças devem ser castigadas?
O castigo é um ato negativo que a criança pode entender com ansiedade. Ao invés, regras firmes em todos os hábitos dão segurança às crianças. O importante é que os pais comuniquem as regras e os limites como uma coisa natural e não como um castigo.

Quais as consequências da culpabilização dos pais no desenvolvimento dos filhos?
Os pais inseguros, com baixa autoestima e problemas pessoais têm uma maior tendência a proteger em demasia os filhos. Assim, passam-lhe as suas carências, o que os torna mais inseguros. O contrário acontece com os pais que são seguros de si mesmos.

Acha que tem um discurso centrado nos pais?
Todos os estudos científicos mostram-nos que, na questão dos hábitos de ensino, os responsáveis são os pais. As crianças não aprendem sozinhas, mas sim aquilo que lhes ensinamos. De pais seguros saem crianças seguras. De pais inseguros saem crianças sem bons hábitos. Quando uma criança come bem, dorme bem e está bem educada, o mérito é dos pais. O mesmo acontece no sentido contrário.

Tem uma obra publicada que remete para a importância dos jogos entre pais e crianças. É uma forma de aprofundar a relação entre ambos? Como deve a criança brincar nos tempos que correm?
Os jogos são uma ferramenta para comunicarmos com as crianças e uma forma excelente de aprender bons hábitos, tanto de sono como de comida e também valores de educação. É isso que propomos com o livro A Jugar (Vamos Jogar).

E como podem os pais usar melhor o tempo, ou a falta dele, em seu favor?
O importante não é a quantidade, mas sim a qualidade.

É possível criar uma criança sem recorrer a pediatras?
Os pediatras são os responsáveis máximos da saúde das crianças e os únicos que podem opinar sobre aspectos médicos. Eu não recomendaria nunca criar uma criança sem ajuda de um pediatra.

 

 


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