Diretrizes do Comité de Ministros do Conselho da Europa sobre a justiça adaptada às crianças

Junho 5, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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diretrizes

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http://bookshop.europa.eu/pt/diretrizes-do-comit-de-ministros-do-conselho-da-europa-sobre-a-justi-a-adaptada-s-crian-as-pbDS3112365/

Divórcio, adoção, migração, violência. Hoje em dia é provável que qualquer criança venha a ter algum tipo de contacto com o sistema judicial. Para muitas delas, é uma experiência muito desagradável, quando podia e devia não o ser se fossem removidos grande parte dos obstáculos e fontes de tensão desnecessária. Embora tenham sido estabelecidos, com êxito, princípios fundamentais a nível internacional e europeu, não se pode afirmar que a justiça esteja sempre adaptada às crianças e aos jovens. Ao responder diretamente a uma ampla consulta promovida pelo Conselho da Europa, crianças e jovens deram conta, efetivamente, de uma desconfiança generalizada no sistema e apontaram muitas deficiências, tais como ambientes intimidatórios, falta de informação e de explicações adequadas à idade, fraca abordagem em relação à família, bem como processos que ora são demasiado longos ora, pelo contrário, são demasiado expeditos.

O Conselho da Europa adotou as diretrizes sobre a justiça adaptada às crianças com o objetivo específico de garantir que a justiça é sempre adaptada às crianças, independentemente de quem sejam ou quais tenham sido os seus atos. Considerando que um amigo é alguém que nos trata bem, que confia em nós e em quem podemos confiar, que ouve o que temos para dizer e a quem damos ouvidos, que nos compreende e que compreendemos, e também que um verdadeiro amigo tem a coragem de o dizer quando estamos errados e nos apoia na procura de uma solução, um sistema de justiça adaptado às crianças deve esforçar-se por reproduzir estes ideais.

Fugas e rapto parental constituem mais de 85% dos casos de crianças desaparecidas, dados da Missing Children Europe

Junho 5, 2014 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Missing Children Europe de 2 de junho de 2014.

missing children europe

Runaways and Parental abduction make up over 85% of missing children cases, Missing Children Europe data reveals

Brussels, 2 June 2014 – New data provided by Missing Children Europe at the “When every minute counts” conference for International Missing Children’s day (25 May) held today in Athens shows that runaways make up 50% of missing children cases recorded by 116 000 missing children hotlines across Europe followed by parental abductions with 36% and unaccompanied migrant minors with 2%. Criminal abductions by third parties that are often given more publicity by media make up only 2% of missing children cases.

Data was also collected from 116 000 missing children hotlines in Europe that responded to 630.724 calls in 2013 and dealt with over 5000 cases of missing children. 116 000 hotlines are now operational in 27 out of 28 EU member states as well as Serbia and Albania. Lack of financial resources, lack of support from the government and lack of awareness of the service were reported as the key challenges faced by 116 000 hotlines in 2013. This data is also supported by the fact that 59% of hotline workers are volunteers and that 36% of survey respondents from countries where a 116 000 missing children hotline was available did not know which number they would call if a child went missing1.

In an effort to raise awareness of the 3 most overlooked groups of missing children, Missing Children Europe will be unveiling a photo exhibition aptly called  “Missing Children: Out of Focus” as part of the event in Greece today. The exhibition will feature artistic images of 3 real stories of missing children cases representing runaways, parental abductions and unaccompanied migrant minors. The conference will also raise awareness on the tools available to support missing children and their families, with a specific focus on cooperation between national stakeholders involved in Child alert systems across Europe.

Speaking about the conference, Maud de Boer-Buquicchio, President of Missing Children Europe and UN Special Rapporteur on Sale of Children, Child Prostitution and Child Pornography said, “Luckily, many missing children are found within the first 3 days after the disappearance. But this doesn’t mean that the problem is solved. Once returned to the place from which they have run away, they may again be confronted with the same situation of conflict, abuse or neglect and run away again. The more often they run, the higher the risks they take to survive. In other cases however, the children are never found, or found too late. US statistics tell us that, when children are murdered following an abduction, they are murdered within the first hours after the disappearance. In those rare cases, every minute, every second counts”.

About a dozen European countries have set up national Child alert systems to be able to rapidly alert the general public in extreme cases of missing children. However cross border cooperation can be very limited. The “When every minute counts” conference aims at sharing existing best practice on setting up Child alert systems and promoting better cooperation between cross border cases of missing children.

1. http://ec.europa.eu/public_opinion/archives/ebs/ebs_367_en.pdf (Published in 2011)

For more information on missing children, check out www.missingchildreneurope.eu or read the annual report here.

“When every minute counts”

The “When every minute counts” conference is being held at the Technopolis in Athens, Greece on the 2nd of June in support of International Missing Children’s day (25th May). It has been organised by Missing Children Europe, the European federation for missing and exploited children; The Smile of the Child, the Greek NGO working with the 116 000 missing children hotlines and with the support of the Greek Presidency of the Council of the EU.

The conference will be followed by a photo exhibition “Missing Children: Out of Focus” which will present a series of artistic images representing 3 real cases of missing children representing runaways, parental abduction and unaccompanied migrant minors. Natalie Hill (www.nataliehillphotography.com) was the talented photographer and the creator of the concept that features blurry or out of focus shots of children in different situations leading to and followed by their disappearance to raise awareness of why children go missing and what happens when they do.

Missing Children Europe

Missing Children Europe is the European federation for missing and sexually exploited children, representing 30 organisations in 25 countries. Our mission is to protect children from any kind of violence, abuse or neglect that is caused by or results from them going missing.

For further questions please contact:

Delphine Moralis, Secretary General of Missing Children Europe at delphine.moralis@missingchildreneurope or +32 477 44 44 93 or Gail Rego, Communication Officer of Missing Children Europe at gail.rego@missingchildreneurope.eu or +32 485 61 74 91

 

Lançamento do livro “As aventuras do dragãozinho azul”

Junho 5, 2014 às 2:44 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

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Aproveite as promoções da Edições Sílabo para comprar Guia do Animador

Junho 5, 2014 às 1:53 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Aproveite as promoções da Edições Sílabo, entre 29 de maio a 15 de junho, para adquirir o nosso Guia do animador: ideias e práticas para criar e inovar com 25% de desconto:

“Este guia reúne algumas das boas práticas utilizadas ao longo da existência do Projeto Rua com crianças, jovens e famílias que connosco fizeram o seu percurso.É um instrumento prático, de fácil aprendizagem e aplicação, quer ao nível dos ateliers, como dos jogos pedagógicos na dinamização de grupos. Este Guia destina-se a animadores, educadores, professores e a todos aqueles que acreditam no poder da animação, nas suas variadas vertentes, como ferramenta imprescindível na intervenção junto de crianças e jovens”.

Leia AQUI o prefácio.

Consulte AQUI o índice.

Veja AQUI como comprar.

Plano B: Comportamentos de Bullying em contexto escolar – Formação

Junho 5, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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ISPA  Departamento de Formação Permanente

Objectivos 

Sensibilizar para a diversidade de comportamentos no domínio da violência escolar, concretamente no âmbito do bullying

Desmistificar crenças associadas ao fenómeno bullying

Discutir materiais pedagógicos a serem trabalhados junto dos alunos e divulgar diferentes abordagens de prevenção e intervenção nas escolas.

Competências 

Desenvolver competências de identificação dos alunos potencialmente envolvidos em comportamentos de bullying

Desenvolver competências de construção de instrumentos de avaliação de comportamentos de bullying

Desenvolver competências de construção de materiais pedagógicos a serem trabalhados junto dos alunos e de concepção de estratégias de prevenção e intervenção em meio escolar.

Programa 

Caracterização conceptual do fenómeno bullying

Tipos de comportamentos de bullying e tendência evolutiva

Visibilidade e fatores condicionantes

Metodologias de avaliação do fenómeno

Apresentação dos principais resultados da pesquisa internacional e nacional

Repercussões para a saúde do envolvimento em comportamentos de bullying

Perfis comportamentais dos alunos envolvidos e principais sinais de alerta

Estratégias de prevenção e de intervenção face ao bullying

Análise de alguns programas de intervenção

Metodologias 

Exposições teórico-práticas, debate em grupo, trabalho em pequenos grupos, visionamento e reflexão sobre material audiovisual

Duração 

15 horas

Formadores

Prof.ª Doutora Sónia Raquel Seixas

(Psicóloga educacional, Subdiretora da Escola Superior de Educação de Santarém. Co-autora do livro “PLANO Bullying: como apagar o bullying da escola”)

Mestre Luís Fernandes

(Psicólogo educacional, Psicólogo do Centro de Apoio Familiar e  Aconselhamento Parental (CAFAP) da Associação “Sementes de Vida” em Beja e Coordenador do Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família (GAAF) do Agrupamento Nº 1 de Beja – EBI de Santa Maria. Co-autor do livro “PLANO Bullying: como apagar o bullying da escola”).

Calendarização

Segunda, Junho 16, 2014 – 18:30 – 21:30

Sexta, Junho 20, 2014 – 18:30 – 21:30

Domingo, Junho 23, 2013 – 18:30 – Segunda, Junho 23, 2014 – 21:30

Sexta, Junho 27, 2014 – 18:30 – 21:30

Segunda, Junho 30, 2014 – 18:30 – 21:30

mais informações aqui

 

Direitos das crianças em instituições também passam por pensar o seu futuro

Junho 5, 2014 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 29 de maio de 2014.

daniel rocha

Ana Dias Cordeiro

Esgotadas as medidas possíveis de protecção ou de intervenção, a criança é retirada da família. “Quando chega, vem assustada.” O Lar Nossa Senhora de Fátima, em Reguengos de Monsaraz, foi um dos quatro escolhidos no país para um projecto da Gulbenkian que pretende minorar e debater a dor destes filhos das instituições. A conferência realiza-se esta quinta-feira em Lisboa.

Quando são retiradas de surpresa à família, as crianças e jovens em perigo não têm tempo para se despedir dos pais. Nem de ninguém. A retirada é decidida quando há “indícios claros de perigo”. E é planeada em segredo, em caso de risco de fuga. Acontece mesmo em situações de retirada consentida, por pais que depois rejeitam a ideia de se separarem dos filhos. Quando são retiradas de surpresa à família, as crianças e jovens em perigo não têm tempo para se despedir dos pais. Nem de ninguém. A retirada é decidida quando há “indícios claros de perigo”. E é planeada em segredo, em caso de risco de fuga. Acontece mesmo em situações de retirada consentida, por pais que depois rejeitam a ideia de se separarem dos filhos.

Os pais de António, Sandra e Susana declararam-se incapazes de os criar por motivo de doença de ambos e falta de condições. “Mas apesar de concordarem com a retirada, ficaram muito assustados quando receberam o despacho” da decisão, conta Vânia Pereira, psicóloga e directora do Lar Nossa Senhora de Fátima, de infância e juventude, que acolheu as três crianças em Reguengos de Monsaraz. “Com a ideia de perder os filhos, os pais estiveram desaparecidos com eles durante um mês e meio. Não se queriam separar dos miúdos. Esconderam-se na casa de um familiar.” Foi em 2009. “Mais tarde, o pai, arrependido, foi falar com a técnica da Segurança Social. Mas levou muito tempo a aceitar a situação.” E António? Os pais deixaram-nos aqui por “dificuldades”, diz o rapaz de 12 anos. É bom aluno e tem planos grandiosos para o futuro – ser médico-cirurgião. Mas para ele, a casa dos pais será sempre “mais casa do que aqui”.

Nalguns casos, o corte faz-se sem pré-aviso. Aí, o carro da Polícia de Segurança Pública (PSP) ou a equipa da Segurança Social aparecem na escola ou em casa para levar a criança – ou as crianças, quando há irmãos sob uma mesma medida de protecção decidida pelo Tribunal de Família e Menores, se a retirada não é consentida pelos pais (o que acontece na maior parte dos casos). A partir desse momento, as crianças ainda não sabem – ou talvez pressintam – que talvez nunca mais regressem à família. Das crianças que viveram e saíram deste lar em Reguengos desde 2008, apenas um quinto voltou para a família. São dados de Abril de 2014.

Ainda entre as crianças e jovens que passaram por aqui nos últimos seis anos, 42% ficaram mais de 10 anos e 55% mais de sete. E embora uma importante fatia – 33% – tenha permanecido menos de três anos, só 5% ficaram menos de um ano. Do conjunto, apenas 7% foram para famílias adoptivas.

Limitar ao mínimo o tempo na instituição e pensar um projecto de vida para estas crianças serão alguns dos temas em debate na conferência Jovens em Acolhimento Institucional que esta tarde se realiza no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa e na qual participa a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal.

No encontro, olham-se as propostas – para melhorar as perspectivas de inserção e de vida das crianças institucionalizadas – apresentadas por quatro instituições. Foram seleccionadas no âmbito de um projecto da Gulbenkian pelo contributo de uma possível aplicação, a nível nacional, das suas experiências: a Oficina de São José, em Braga, a Associação Vila Nova, em Vila Real, o centro de acolhimento temporário Casa do Canto, em Ansião, que centrou o seu projecto na tentativa de reconstruir os laços familiares; e o Lar de Nossa Senhora de Fátima, em Reguengos de Monsaraz.

“Chegam em choque”

“Quando aqui chegam, vêm assustados. Alguns vêm o caminho todo a chorar, ficam calados ou continuam a chorar. Outros nem conseguem verter lágrimas, estão em estado de choque, principalmente quando são crianças retiradas de surpresa. A maioria sabe por que aqui está”, diz Vânia Pereira, que dirige esta instituição que, enquanto Lar de Infância e Juventude se distingue dos Centros de Acolhimento Temporário (CAT), pelo tempo previsto de permanência.

Os CAT recebem bebés e crianças mais novas, na transição para outro lar, para a adopção ou retorno à família biológica e têm um tempo de permanência previsto inferior a seis meses –, mas, na maioria dos casos, prolonga-se por vários anos. Os lares de infância e juventude são habitualmente para crianças a partir dos 12 anos, e vistos como opção quando se esgotaram todos os tipos de intervenção para as proteger.

“Quando vêm para aqui, normalmente, é porque já se sabe que não vai haver retorno à família. Pelo menos, para breve”, explica Vânia Pereira que acolhe nesta instituição crianças mais pequenas do que o previsto para não ficarem separadas dos irmãos.

Como Sara e Leonel, tirados de casa sem aviso e sem nada porque numa situação extrema e depois acolhidos neste lar de infância e juventude em Reguengos de Monsaraz, quando ele tinha quatro anos e a irmã ia fazer 11. Sara sabia que um dia seriam levados de casa – só não sabia quando.

Acabou por ser quase em véspera de Natal, no dia 23 de Dezembro de 2011. O tribunal considerou que a humilhação e o mau trato sobre Sara e a negligência sobre ambos punham em perigo o bem-estar, saúde e desenvolvimento das duas crianças, hoje com 13 e seis anos.

Na casa onde viviam com os pais em Évora tornara-se habitual serem deixados sozinhos durante o dia. Era Sara quem cuidava da casa e do irmão bebé, quando Leonel, com dois e três anos, ainda acordava de noite para mudar a fralda e beber o biberão. Mais difícil de apagar da memória será a violência que Sara viveu em segredo por medo do que poderia acontecer se contasse o que se passava em casa. Poderia ela proteger o irmão? Seria ela castigada por falar? Seriam os pais castigados, levados para sempre, presos?

Os pais estão presos, depois de condenados em Fevereiro passado, por violência sobre Sara e Marlene, a irmã do meio, hoje com dez anos, que vive num lar em Vila Viçosa e que foi retirada de urgência de casa, antes dos irmãos, em Janeiro de 2011. Para Sara e Leonel, também o contacto com a irmã seria prejudicial pelos “danos” sofridos por Marlene que a transformaram como pessoa, explica a psicóloga Vânia Pereira.

“Na maioria dos casos, as crianças lembram-se de quase tudo. Mas muitas têm retalhos apenas, não uma narrativa”, acrescenta. “Tentamos perceber do que se recordam sem lhes dar lembranças que não têm, que recalcaram. Por vezes há coisas que é preferível não saberem.”

Fechados para seu próprio bem

A porta sempre trancada do lar tem a seu lado um sistema de controlo das entradas e saídas, com um código apenas conhecido das responsáveis. É dentro destas paredes que as 23 crianças e jovens aqui institucionalizadas recriam o seu mundo. Fechadas, para seu bem. No caso de Sara e Leonel, os pais ficaram impedidos de visitar os filhos pelos riscos emocionais que esse contacto poderia constituir. Entre eles, o risco de reviver o trauma.

Em casa, Marlene era humilhada por palavras e castigada com violência. Os gritos ouviam-se para lá do quarto onde era fechada, por vezes no escuro – até um dia de Janeiro de 2011, quando as marcas no corpo lançaram o alarme na escola. Imediatamente foi retirada aos pais, passando a violência a centrar-se em Sara, retirada meses depois com o irmão. Conta Vânia Pereira que Sara já passou da tentativa de “dar um sentido” ao que de pior lhe aconteceu, questionando a possibilidade de ser dela também parte da culpa, ao tormento da dúvida: “O que me vai acontecer agora que não tenho ninguém para cuidar de mim?”

O estigma continua presente e é preciso pensar a vida estes jovens na comunidade, diz Maria João Leote, investigadora do CESNova (Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa) que integra a equipa de acompanhamento do projecto inserido no programa “Crianças e Jovens em Risco” da Gulbenkian, com coordenação cientifica do psiquiatra Daniel Sampaio, e que estará em discussão no encontro desta quinta-feira.

Depois da missão de levar as instituições a cumprir as convenções internacionais dos direitos da criança, “o objectivo agora é que a instituição esteja presente o menor tempo possível na vida da criança e que seja pensado um projecto futuro de autonomização plenamente integrado na comunidade”, completa a socióloga.

O número de crianças acompanhadas pelas comissões tem aumentado (71 mil casos em 2013), de acordo com o relatório anual da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco relativo ao ano passado, em que o grupo mais representado passou a ser o dos jovens entre os 15 e os 18 anos.

Esse maior peso no conjunto – também visível no lar de Reguengos, onde quase metade (44%) dos jovens acolhidos em Abril deste ano têm entre 15 e 18 anos – explica-se pelo arrastar da situação das crianças que crescem nas instituições, mas também por serem mais notadas e sinalizadas as situações de perigo dos jovens agora que a escolaridade obrigatória passou para os 18 anos.

Pelo segundo ano consecutivo, em 2013, a principal razão foi a violência ou a exposição a comportamentos violentos, como aconteceu com Sara, Leonel e Marlene, em 2011 – o ano da sua retirada.

Primeiros passos decisivos

Quando retiradas, as crianças são acompanhadas ao lar de infância e juventude ou ao centro de acolhimento temporário por um técnico da segurança social ou da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (CPCJR), quando houve acordo. Por vezes, chegam sem nada, e só mais tarde um familiar ou os próprios pais trazem a roupa.

Quando aqui chegam, as crianças têm uma primeira entrevista de acolhimento, uma primeira refeição, um primeiro banho – passos decisivos para, aos poucos, aceitarem ter uma casa sem uma família.

Procuram um sentido, resguardam-se na fantasia e na idealização dos pais. Quando o caso é entregue ao tribunal, na ausência de acordo entre os pais e a comissão de protecção, a partir dos 12 anos, a criança deve ser ouvida. Habitualmente, porém, não é questionada sobre o desejo de ficar ou não com os pais. “Normalmente e apesar de tudo, todas elas querem ficar com os pais. Não aceitam vir para uma instituição”, nota Vânia Pereira.

Esta opção coloca-se quando estão esgotadas todas as intervenções de protecção junto da família ou tentando, prioritariamente, manter a criança em meio natural de vida. Num primeiro momento, tenta-se a medida de apoios dos pais – com apoio psicológico, educação parental ou visitas a casa – e esta pode ser suficiente. Se não o for, pode aplicar-se uma medida de apoio junto de outro familiar. Porém, não havendo isto, passa-se para a colocação em acolhimento familiar ou institucional, entrega a pessoa idónea (que pode ser uma amiga, uma madrinha) ou inicia-se a medida de adopção.

Sara e Leonel estão ainda juntos depois de terem sido arrancados de casa quando tinham dez e quatro anos. No átrio do lar, quando se revêem ao final do dia, depois da escola e do infantário, brilha o olhar de ambos, inseparáveis. E assim ficariam no caso, improvável, de aparecer uma família que aceitasse adoptar os dois irmãos.

Sara sabe que existe uma forte probabilidade de o pequenino, hoje com seis anos, ser adoptado por uma família e de ela, com 12, não o ser. O melhor para o irmão será mais um corte para ela.

Os nomes nesta reportagem são fictícios

 

Rede Municipal de Bibliotecas de Almada: atividades gratuitas para crianças dos 3 aos 10 anos, sábado dia 7 de junho

Junho 5, 2014 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Biblioteca Municipal Maria Lamas

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Biblioteca Municipal José Saramago

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Biblioteca Municipal de Almada

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Jovens que aprendem a voar sozinhos

Junho 5, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão Solidária de 29 de maio de 2014.

marcos borga

A frase colada na parede maior da sala de estar, à entrada da instituição, não podia ser mais certeira: “Nesta casa divertimo-nos, damos segundas oportunidades, perdoamos, rimos alto, somos pacientes, somos verdadeiros, pedimos desculpa, amamos.

Somos Família.” É um estado de espírito que se sente também na algazarra que invade os corredores quando os miúdos chegam da escola à hora de almoço, recebidos pelo carinho das funcionárias e pelos sorrisos de toda a equipa técnica. Assim, à primeira vista, parecem todos iguais. Mas um olhar mais atento encontra diferenças. Veja-se Anabela, chamemos-lhe assim, 19 anos, que também vem a casa à hora do almoço, mas tem outra rotina. Abraçou, há um mês, a experiência de viver quase sozinha, numa espécie de treino de autonomia, num apartamento adaptado à medida, no andar de cima.

“Eram as maiores dificuldades para quem estava prestes a sair da instituição: viver com o silêncio e saber estar sozinho, ter um orçamento para abastecer o frigorífico, separar roupa para lavar, passar a ferro.”, aponta Vânia Pereira, 34 anos, diretora do Lar Nossa Senhora de Fátima, em Reguengos de Monsaraz, ao indicar-nos o caminho. A rapariga abre-nos a porta e sorri: “Vivo com uma colega, mas cada uma tem o seu quarto e a sua privacidade.” Está a estudar técnicas de venda, para obter a equivalência ao 12.º ano e, sabendo que tem ajuda até aos 21 anos, mostra-se confiante: “Se conseguir emprego, até saio antes.” Mais não diz, mas sabe que há ali muitos que sonham com um quarto só para eles.

O centro, que cresceu numa casa senhorial doada à Misericórdia nos anos 1930, no pico de um surto de tuberculose, até há pouco tempo não era nada parecido com o que hoje encontramos: além do apartamento autónomo, há quartos de todas as cores, pintados com a ajuda das 23 crianças e jovens, entre os 5 e os 22 anos, que ali encontraram um lar. “Pode não parecer importante, mas diminui o vandalismo”, assegura Vânia Pereira.

“Quanto mais se identificam com o espaço onde vivem, mais o estimam.”

Autonomia e responsabilidade

Este é só um primeiro passo, porque há todo um inventário de dificuldades na vida de crianças retirados à família em processos de abuso ou negligência. Na maioria das vezes, crescem sem figuras de referência ou modelos de comportamento positivos, e acumulam processos da Segurança Social, mesmo enquanto estão em casa dos pais, sem qualquer sucesso. Por demasiadas vezes, seguia-se uma institucionalização prolongada e, por sistema, sem projeto pedagógico. “Quando chegámos, em 2008, estava cá uma rapariga com 30 anos que vivia aqui desde os 16.”, lembra a diretora. Ora, foi para acabar com situações como esta que a equipa pôs mãos à obra e, em 2012, esse empenho deu frutos: a instituição foi escolhida pela Fundação Calouste Gulbenkian para entrar num projeto-piloto, com uma linha de financiamento que permitiu avançar com a ideia de Vânia e da sua equipa: “Para que a passagem por sítios assim seja sempre transitória e com um projeto educativo definido. Aqui começa a proteção. Não acaba, não é um fim em si. Não queremos criar pessoas dependentes mas sim autónomas e responsáveis.” O contexto não é o melhor (só no ano passado foram retiradas às famílias mais 3 500 crianças, totalizando 8 500 institucionalizadas) mas o futuro não tem de ser assim. Este projeto-piloto abrange outras três instituições (ver caixa). “Esperamos que estes exemplos estimulem experiências semelhantes noutras equipas”, considera Daniel Sampaio, coordenador científico do programa Crianças e Jovens em Risco, da Gulbenkian, que será apresentado numa conferência, a 29 de maio.

Passeando pelo resto da casa alentejana, é quase palpável essa ideia de criar vínculos nos miúdos para que depois possam voar sozinhos. Todos partilham esse sonho. Jorge, 15 anos, vive ali há três anos com o irmão, de 13, enviados já de outra instituição. Só pensa em acabar o 9.º ano e ir para Évora, aprender qualquer coisa ligada às tecnologias.

Sofia, 16 anos, está lá há nove anos.

Retirada a um ambiente de conflito, hoje é escuteira, treina para desfilar nas marchas e também quer seguir um curso profissional.

É uma das próximas a treinar a autonomia, no apartamento: “Mal posso esperar.”

Boas práticas

O objetivo de todos os projetos apoiados pela Fundação Gulbenkian é a promoção da autonomia de crianças e jovens em acolhimento institucional

Oficina S. José – Braga

Lar de Infância e Juventude que acolhe 43 rapazes entre os 2 e os 29 anos, todos oriundos da região, apostou também por isso boa parte da sua intervenção no regresso dos jovens à sua família nuclear.

Associação Via Nova – Vila Real

A gestão do dinheiro é transversal a todos os projetos, mas aqui permitiu mesmo abrir um bar na instituição, gerido pelos jovens. Tem também um conjunto de casas separadas do edifício principal nas quais os 19 rapazes, entre os 9 e os 20 anos, treinam a autonomização.

Casa do Canto – Ansião

É o único centro de acolhimento temporário do programa e optou por usar as atividades artísticas para combater a baixa autoestima, dificuldades de interação e problemas de adaptação à escola das 23 raparigas, com idades entre os 12 e os 19 anos, que ali estão.

 

 


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