Centro para crianças refugiadas em risco de fechar

Maio 22, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 21 de maio de 2014.

António Pedro Ferreira

As crianças refugiadas que chegam sozinhas a Portugal podem deixar de ter um espaço próprio que as acolha.

Carolina Reis

O centro infantil que acolhe crianças refugiadas, na Bela Vista em Lisboa, está em risco de fechar. “Só temos dinheiro para manter o centro até ao fim de junho”, dize ao Expresso Teresa Tito de Morais, presidente do Conselho Português para os Refugiados (CPR).

Em causa estão 14 crianças, com idades entre os oito e os 17 anos, que chegaram sozinhas a Portugal, a maioria delas vindas através das redes de tráfico internacionais. Para continuar a funcionar, o centro precisa que a Câmara Municipal de Lisboa dê luz verde a um subsídio de 100 mil euros para um ano a que o CPR se candidatou.

“Estas crianças são muito frágeis, entram em Portugal fugidas de situações traumáticas, de guerra generalizada, de casas destruídas, até ao dia em que conhecem um homem branco, que lhes dá um passaporte e os traz para a Europa mediante o pagamento da família”, frisa a presidente do Conselho Português para os Refugiados.

A verba, que foi pedida o ano passado no âmbito de um programa de apoios sociais, representa 50% do funcionamento do centro, o que inclui despesas de manutenção e os salários das cinco educadoras. Os restantes 50% são suportados pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que já garantiu o dinheiro para um ano. Contactada pelo Expresso, a autarquia revela que ainda não sabe quando o projeto irá a reunião de câmara para ser votado.

“Estamos dependentes da aprovação da Câmara para um projeto para o Parque da Bela Vista, que não é só para nós mas é fundamental para continuarmos a subsistir. Sabemos que a CML até gostava de poder aprovar o projeto, contudo, também sabemos que as câmaras estão sem dinheiro.”

O pedido da verba foi feito em julho de 2013 para substituir a subvenção do Fundo de Emergência Social, que só pode ser concedido durante dois anos. Construído em 2010, o centro contou na altura com o apoio da Câmara e do seu presidente António Costa, o que alimenta a esperança de Teresa Tito de Morais de que a verba seja aprovada. Se fechar, as crianças serão levadas para o Centro de Acolhimento de Refugiados na Bobadela, onde estão os adultos e algumas famílias e que está lotado.

A casa do campeão Farid

“Estas crianças chegam-nos sem referências. Começamos a trabalhar com elas, primeiro a parte jurídica para ver se conseguimos encontrar os familiares. Acompanhamo-las nas escolas, ensinamos-lhes português e começamos a desenhar os seus projetos de vida”, esclarece Teresa Tito de Morais. É neste centro que reside Farid, o jovem afegão de 17 anos que é campeão de boxe nacional.

A história deste refugiado desde os oito anos, recebido em Lisboa pelo programa de reinstalação do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, foi contada no Expresso, na edição impressa de 27 de setembro de 2013. “O meu tio pagou a um agente para que me levasse para o Paquistão. Disse que eu lhe causava problemas, que era uma criança irrequieta e que custava muito dinheiro”, disse na altura para relatar o momento em que deixou o Afeganistão.

Depois da reportagem, o jovem recebeu o Prémio de Direitos Humanos entregue pela Assembleia da República. “Era um grande retrocesso no trabalho que estamos a fazer com os refugiados se tivéssemos de encerrar o centro”, sublinha Teresa Tito de Morais.

No âmbito do programa de reinstalação da ONU para os Refugiados, Portugal comprometeu-se a receber 45 pessoas por ano.

 

 

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