Crianças obesas passam através da rede de cuidados

Abril 23, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do site swissinfo.ch de 10 de abril de 2014.

O estudo da OMS mencionado no artigo pode ser consultado em:

New WHO analysis shows alarming rates of overweight children

consumo

Created with Datawrapper Source: Euromonitor, empresa de pesquisa de mercado Get the data

Por Clare O’Dea, swissinfo.ch

A epidemia de obesidade infantil está varrendo toda a Europa. A Suíça tem sido apontada como um bom exemplo de como manter o problema sob controle. Mas embora progresso esteja sendo feito em prevenção, os especialistas advertem que o tratamento não está chegando às famílias necessitadas.

“Perder peso e poder ir à piscina novamente sem que as pessoas riem de mim”. Esse é o desejo de Volkan, 13 anos de idade.   Tal como muitos outros garotos de sua idade, ele gosta de futebol. Mas ao contrário da maioria de seus pares, Volkan é obeso e precisa de ajuda para poder levar uma vida saudável.   Em uma sessão de terapia de grupo quinzenal no hospital infantil de St Gallen (leste), Volkan escuta a nutricionista explicando sobre alimentação saudável. Depois de uma breve aula sobre a pirâmide alimentar, ele vai preparar uma salada de cenoura para a janta que as crianças, seus pais e os terapeutas vão comer juntos.   Enquanto as crianças estão na cozinha, as mães são atendidas por um terapeuta esportivo. O formato varia a cada semana, com sessões dadas por especialistas em atividade física, nutrição e psicologia.   “É uma obrigação que um dos pais participe, porque sabemos que uma mudança de comportamento ou estilo de vida saudável não pode ser feita pelas crianças sozinhas”, explica Dunja Wiegand, corresponsável do projeto piloto Kidsstep de St Gallen.   “Em geral, é o caso que toda a família, ou pelo menos um dos pais, também tem excesso de peso. É importante para os pais assumir alguma responsabilidade nesta área”.

Nova norma

Um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgado em 25 de fevereiro, chamou a atenção para as taxas “alarmantes” de crianças com excesso de peso na Europa, chegando mesmo ao ponto de qualificar o problema de “epidemia”. “Estar acima do peso é tão comum que corre o risco de se tornar a nova norma”, declaração que acompanha o relatório. Os perfis do relatório pintam um quadro sombrio de nutrição, obesidade e inatividade física na maioria dos países pesquisados na região europeia, com base em números de 2009. Na Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha, pelo menos 30% dos jovens de 11 anos se declararam com excesso de peso, enquanto a taxa na Suíça foi de 11%. Os números mais recentes suíços são menos favoráveis, mas mostram que a taxa combinada de crianças com sobrepeso e obesidade se estabilizou entre 1999 e 2012, atingindo 18,61% de um total de quase 236 mil crianças.

Cerca de 120 mil dessas crianças se beneficiariam de terapia para reduzir o risco de comorbidade (doenças relacionadas), mas a não ser que elas visitem seus médicos com problemas de saúde relacionados com o peso, a maioria dessas crianças não está recebendo qualquer tipo de intervenção ou terapia.   O impacto da obesidade sobre a qualidade de vida não pode ser subestimado. Das 1251 crianças que participaram do KIDSSTEP, 45% sofriam de transtornos mentais e 68% tinham problemas ortopédicos no início do programa. Dois anos mais tarde, os índices das crianças para saúde mental, qualidade de vida e transtornos alimentares tinham melhorado consideravelmente.   Sem intervenção, uma criança que é obesa na idade de 10 a 14 anos tem 80% de chance de atingir a idade adulta obesa, com o risco de desenvolver várias doenças. Para a especialista em diabetes da associação de luta contra a obesidade infantil e juvenil (AKJ), Dagmar l’ Allemand, o sistema de saúde suíço não estaria atingindo os necessitados.   “Por um lado, os serviços não são proativos o suficiente, não procurando alcançar as crianças problemáticas. E quando as crianças problemáticas vêm pedir ajuda, falta sabe qual tipo de tratamento atinge o maior número delas” (veja ao lado).

Tipos de tratamento na Suíça

Até o ano passado, apenas duas formas de terapia estavam disponíveis na Suíça. A primeira, baseada nos cuidados médicos habituais prestados por médicos para complicações de saúde associadas à obesidade e à incapacidade física (hipertensão arterial, diabetes, doenças ortopédicas, depressão).   A segunda opção, aberta a crianças obesas e com sobrepeso, é baseada na participação em programas de grupo desenvolvidos em 19 centros em todo o país. Apenas 1251 crianças participaram desses programas desde sua criação, em 2009. Esta terapia requer um alto nível de empenho e apenas quatro em cada dez crianças que foram encaminhadas por seus médicos preencheram os critérios de admissão.   O programa de terapia de grupo multiprofissional KIDSSTEP tem sido coberto pelo seguro de saúde obrigatório a título experimental durante os últimos cinco anos. Desde o início deste ano, ele será coberto definitivamente. Os planos de saúde pagam uma taxa fixa de 4.200 francos suíços para o pacote de tratamentos e as famílias devem contribuir com cerca de 10% e pagar os custos de transporte.   Uma terceira opção, introduzida no início deste ano, tem um grande potencial de alcançar muito mais crianças. Os pediatras podem agora prescrever seis sessões de aconselhamento com uma nutricionista, bem como duas sessões de fisioterapia para estabelecer se a criança é capaz de praticar normalmente um esporte. Se a criança tiver muitos problemas ortopédicos, a fisioterapia pode continuar.   Após seis meses, se a criança ainda estiver ganhando peso além do normal, ela pode ser encaminhada a um médico ou centro especializado para começar um programa individual, ou de grupo, envolvendo psicólogo, nutricionista e fisioterapeuta.

Fazer mudanças no estilo de vida é uma tarefa muito difícil, como já foi observado nos casos de dependência ao álcool e ao fumo, acrescentou L’Allemand. “O problema é que você está em um ambiente onde tudo age contra superar seu vício. Você tem a publicidade, o uso do carro, os videogames, a televisão, de modo que tudo em volta é tóxico para as famílias.” “É muito difícil para um médico lutar contra tudo isso. Por isso, é muito importante que a intervenção ocorra no início para que as crianças aprendam a viver de uma maneira saudável”, acrescentou.

Prevenção

Do lado da prevenção, a Suíça, junto com a França, Holanda e alguns países escandinavos, tem conseguido manter a epidemia em um nível estável. Os níveis suíços de obesidade infantil não subiram há mais de uma década. A OMS recomenda esses países para a adoção de uma abordagem governamental. “A paleta de ações inclui a promoção do consumo de frutas e vegetais na escola, iniciativas de merenda escolar equilibrada, impostos sobre [determinados] alimentos para reduzir o consumo, controles mais rígidos da publicidade… e campanhas para promover a atividade física, especialmente entre as crianças”, diz a organização. Alberto Marcacci, da Secretaria Federal de Saúde da Suíça, disse ao swissinfo.ch que a secretaria trabalhou com outras parcerias principalmente na mudança do contexto, o ambiente de vida das pessoas. “Nosso objetivo é criar a estrutura certa para facilitar escolhas saudáveis”, disse. Por exemplo, em 2009, a secretaria de saúde lançou uma iniciativa denominada actionsanté (ação de saúde), em parceria com a indústria alimentícia para promover uma variedade de alimentos saudáveis. A iniciativa incluiu obrigações como a melhoria da informação aos consumidores, a redução de sal, açúcar ou gordura em diferentes produtos alimentares e restrições à publicidade para crianças menores de 12 anos. O planejamento urbano também desempenha um papel. “Em parceria com várias entidades, foram feitos esforços para criar espaços verdes e áreas de lazer para criar um ambiente físico que incentiva as pessoas a fazer alguma atividade física”.

Peso saudável

Promotion Santé Suisse, uma fundação nacional financiada por uma taxa do seguro de saúde, gastou 5,3 milhões de francos suíços em 2012, quase um terço do seu orçamento, em seu programa de sensibilização ‘Healthy Weight Body’. “Tentamos promover projetos que foram avaliados e provaram ser eficientes. Por exemplo, um projeto em Genebra para incentivar a atividade física entre crianças em idade de jardim de infância funcionou bem, por isso estamos lançando ele em outros cantões”, explica Michael Kirschner, membro da fundação.   No entanto, apesar de tantas iniciativas, os números atingidos por esses programas continuam baixos. “O problema é alcançar as crianças que não participam porque estão deprimidas, ficam em casa e não têm contato com outras crianças ou outras famílias. Precisamos melhorar a divulgação dos programas nas escolas e jardins de infância. Isso seria mais eficaz. É preciso ter uma ligação entre a prevenção e a terapia”, disse l’Allemand.

Adaptação: Fernando Hirschy

Riscos para a saúde

Crianças com sobrepeso ou obesas têm maior risco de má saúde na adolescência e também na idade adulta. Entre os jovens, problemas ortopédicos e problemas psicossociais, como baixa autoestima e depressão podem resultar do excesso de peso. Problemas de excesso de peso na infância estão associados ao aumento do risco de obesidade na idade adulta, gerando problemas cardiovasculares, diabetes, certas formas de câncer, artrose, uma redução da qualidade de vida e morte prematura.

 

InfoCEDI n.º 51 Sobre Decréscimo da Natalidade em Portugal

Abril 23, 2014 às 1:00 pm | Publicado em CEDI | Deixe um comentário
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nata

Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 51. Esta é uma compilação abrangente e actualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre Decréscimo da Natalidade em Portugal.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line e pode aceder a eles directamente do InfoCEDI, Aqui

25 Abril. Mulheres acumulam emprego com educação dos filhos e lides da casa

Abril 23, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 15 de abril de 2014.

 

Dora Nogueira

Dora Nogueira

 

Por Agência Lusa

 Se hoje se espera do homem e da mulher a partilha de responsabilidades familiares, no Estado Novo a norma era outra: à mulher casada competia governar a casa e ao marido administrar os bens do casal

Quarenta anos depois da democratização das relações entre marido e mulher, são mais elas que continuam ocupadas com as tarefas domésticas e com a educação dos filhos, não obstante trabalharem fora de casa, como eles.

A Constituição de 1976 consagra para homens e mulheres os mesmos direitos e deveres perante o trabalho e a educação dos filhos.

Contudo, de acordo com o relatório mais recente, de 2012, do Observatório das Famílias e das Políticas de Família, as mulheres empregadas gastam mais tempo do que os homens nas lides da casa e nos cuidados com os filhos.

Os dados, que se reportam ao III Estudo Europeu sobre a Qualidade de Vida, colocam Portugal como o país onde as mulheres trabalhadoras despendiam, em 2011, mais sete horas semanais do que os homens, em idênticas circunstâncias, a cozinhar ou noutras tarefas domésticas, e nos cuidados e na educação das crianças.

Numa Europa então a 27 Estados-membros, Portugal ultrapassava a média europeia – cinco horas semanais de diferença – quanto ao tempo gasto pelas mulheres nas lides da casa.

As estatísticas confirmam o que para a socióloga Maria das Dores Guerreiro, do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, ainda é uma evidência: as mulheres têm de ser “supermulheres”, mães, mulheres, profissionais e donas de casa, a menos que se mudem mentalidades.

“Uma tarefa hercúlea, 40 anos não chegam”, sustentou à agência Lusa, lembrando que “as gerações adultas continuam a transmitir esse modelo às gerações mais novas”.

Para a docente, que tem estudado o tema da conciliação entre trabalho e família, a revolução de mentalidades deverá passar obrigatoriamente pela escola, que tem de ensinar “valores e outras práticas” quer a meninos, quer a meninas.

“As mulheres aprenderam a cuidar dos filhos, não nasceram com esse instinto, e os homens também podem aprender, assim a sociedade o queira”, advogou, estendendo o princípio às tarefas domésticas.

As estatísticas, mais uma vez, são claras. Segundo o Observatório das Famílias e das Políticas de Família, apesar de ter aumentado o número de casais que escolhem partilhar a licença de parentalidade, os homens recorrem menos a este apoio social do que as mulheres.

Em 2012, os 16.862 pais que partilharam a licença representavam 19% do número total de nascimentos, contra 22% quando consideradas as mulheres que gozaram o subsídio parental inicial.

“Qual a mulher que abdica de ficar mais tempo com os filhos?”, questionou Maria das Dores Guerreiro.

Para a socióloga Sara Falcão Casaca, do Instituto Superior de Economia e Gestão, o trabalho a tempo parcial – uma bandeira do Governo – para uma mãe ou um pai se dedicar mais aos filhos representará um “retrocesso nas relações de género”, uma vez que a igualdade entre homens e mulheres passa pela “partilha das esferas pública e privada”.

A ex-presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género entende que, por exemplo, em alternativa, as políticas governativas deviam apoiar ambos os progenitores com o aumento da rede de oferta pública escolar para a primeira infância.

Se hoje se espera do homem e da mulher a partilha de responsabilidades familiares, no Estado Novo a norma era outra: à mulher casada competia governar a casa e ao marido administrar os bens do casal.

“Tínhamos legislação que definia e regulamentava a vida familiar, em que havia um chefe de família, o homem, e a mulher subordinava-se a ele, devia-lhe respeito, obediência e, até, era legítimo que o homem batesse na mulher, que a sancionasse, que a matasse para não ver quebrada e posta em causa a sua honra, em caso de infidelidade”, descreveu a socióloga Maria das Dores Guerreiro.

Depois da Revolução, as mulheres tiveram de esperar ainda mais quatro anos pelo fim da figura do chefe de família, mas, hoje, fruto do amparo institucional e legislativo, denunciam mais a violência doméstica, de que são as principais vítimas.

*Artigo escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa

lançamento do livro «25 de ABRIR – o Abril que nos fez», de Alexandre Honrado com ilustrações de Maria João Lopes

Abril 23, 2014 às 12:30 pm | Publicado em Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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babel

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Coimbra a Brincar 2014

Abril 23, 2014 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Pelo segundo ano consecutivo, vai decorrer de 28 de maio a 1 de junho, a iniciativa “Coimbra a Brincar 2014”, promovida pela APCC (Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra). Várias instituições de Coimbra irão participar nas diferentes atividades, nomeadamente o IAC-Fórum Construir Juntos.

Este projeto pretende sensibilizar para a importância do Brincar e, embora considerando que a essência do Brincar está relacionada com a infância e que as crianças o fazem naturalmente, todos o devem fazer. Brincar faz bem a todas as idades!

Focalizar-se-á na dinamização de muitas atividades lúdicas em espaços públicos e privados, espaços verdes, museus, hospitais, escolas, lares e centros de dia, instituições do Município, incluindo bairros mais vulneráveis ou outros que se que iram associar, porque afinal o brincar, o partilhar, o riso… são a vida que nos faz crescer!

Veja o filme promocional da iniciativa:

Dia Mundial do Livro 2014

Abril 23, 2014 às 8:50 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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livro

texto do site da DGLAB de 14 de abril de 2014.

O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril.  Este ano, a imagem do cartaz da DGLAB é da autoria da Lupa Design.

O Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril, dia de São Jorge. Esta data foi escolhida para honrar a velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de São Jorge (Saint Jordi) e recebem em troca, um livro. Em simultâneo, é prestada homenagem à obra de grandes escritores, como Shakespeare e Cervantes, desaparecidos nesta data em 1616.

Pdf da imagem

 

Na tua escola há bullying?

Abril 23, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do site Educare de 16 de abril de 2014.

educare

Em termos globais, 62% dos alunos respondem que sim num estudo realizado pela EPIS – Empresários Pela Inclusão Social. Há mais respostas afirmativas do lado das raparigas. O bullying verbal é referido como o mais comum, seguido do físico.

Sara R. Oliveira

A pergunta é direta. Na tua escola há bullying? De setembro a dezembro do ano passado, 1963 alunos do 3.º ciclo do ensino básico, com idades compreendidas entre os 12 e os 15 anos, de escolas de nove concelhos do país – Amadora, Setúbal, Campo Maior, Évora, Paredes, Matosinhos, Estarreja, Oliveira do Bairro e Madalena na ilha do Pico – responderam a questões elaboradas e colocadas pela EPIS – Empresários Pela Inclusão Social. As respostas demonstram que ainda há trabalho a fazer e que não basta falar do assunto a quem estuda, também é preciso sensibilizar professores, diretores, pais, responsáveis educativos. No fundo, a toda a comunidade. Em termos globais, 62% dos alunos inquiridos admitem que há bullying nas escolas que frequentam. Quando comparados os dados dos alunos em risco com os dos alunos sem risco, conclui-se que os alunos sem risco, 66% da amostra, referem mais vezes que existe bullying do que os alunos com risco (60%). Por género, 67% das raparigas e 57% dos rapazes, uma diferença de 10%, respondem afirmativamente à questão. Cruzando o risco com o género, são as raparigas sem risco que referem mais vezes situações de bullying, ou seja, 69%. O grupo que identifica menos situações são os rapazes com risco (45%). Outra questão sem rodeios. Que tipo de bullying é mais frequente na tua escola? Sessenta e um por cento, dos 1226 alunos que referem existir bullying nas suas escolas, apontam o bullying verbal como o mais comum, seguido do físico (30%). Uma tendência transversal quando a análise é feita por risco e por género. No entanto, neste ponto, as raparigas parecem menos sensíveis ao bullying do que os rapazes. Apenas 27% das raparigas apontam o bullying físico como o mais comum contra 35% dos rapazes. O bullying verbal é apontado como mais comum por 63% das raparigas e 58% dos rapazes. Quando a análise é feita por alunos com ou sem risco, verifica-se que os alunos com risco apontam mais vezes o bullying físico do que os alunos sem risco, isto é, 35% e 24% respetivamente. A tendência inverte-se no bullying verbal. Os alunos sem risco identificam-no mais vezes (66%) do que os alunos com risco (58%). O cruzamento das condições de risco e género permitiu concluir que os rapazes com risco são os que identificam mais vezes o bullying físico como o mais comum na escola e as raparigas sem risco são o grupo que o identifica menos. No que respeita ao bullying verbal, é identificado mais vezes como o tipo mais comum nas raparigas sem risco.

Mais perguntas. Já estiveste envolvido numa situação de bullying? Como? Cinquenta e oito por cento, dos 1226 alunos que referem existir bullying nas escolas que frequentam, revelam já ter estado envolvidos numa situação de bullying: 10% enquanto vítima, 4% enquanto agressor e 44% como espectadores. As raparigas com risco são mais vezes vítimas. O grupo que menos vezes está envolvido enquanto vítima são os rapazes sem risco. Em relação ao envolvimento enquanto agressor, os rapazes com risco são os mais envolvidos (10%) e as raparigas sem risco as menos envolvidas (2%). Os rapazes sem risco são os que referem mais vezes terem assistido a situações de bullying enquanto espectadores (84%).

A EPIS quis também saber se as escolas se envolvem nestes temas e perguntou aos alunos se a escola tem ou teve campanhas ou programas anti-bullying. Cinquenta por cento referem não ter conhecimento de qualquer campanha ou programa anti-bullying na sua escola. Quando comparados os dados dos alunos com ou sem risco, conclui-se que os alunos com risco recordam mais vezes as campanhas do que os alunos sem risco. Quando a análise é feita por géneros, não há diferenças: 50% das raparigas e 50% dos rapazes respondem afirmativamente. Quando se cruzam condições de risco e género, são as raparigas com risco que se recordam mais das campanhas na escola (57%) e as raparigas com risco as que menos se recordam (59%). Quando a pergunta é de que tipo de campanhas se recordam, as ações para alunos são as mais lembradas. Apenas 7% dos alunos se recordam de alguma vez terem tido conhecimento de ações para encarregados de educação e 3% para pessoal não docente. As ações anti-bullying são, de forma geral, mais recordadas pelos alunos sem risco.

Ouvir, denunciar, partilhar

O que fazer quando se assiste ou se é vítima de bullying? Como podem os pais identificar sinais de alarme? Como ajudar o jovem a resolver a situação? Estas e outras perguntas são pertinentes quando o bullying é o assunto. A EPIS elaborou um conjunto de dicas sobre bullying, com base nos resultados de um trabalho teórico e prático desenvolvido nas escolas desde 2007, e consciente do impacto do bullying na vida de crianças e adolescentes. Um documento com conceitos identificados, definidos e explicados, com várias dicas para alunos, pais, professores e diretores. “O bullying é um problema de todos”, sustenta. As dicas chegarão às escolas através do projeto Rede de Mediadores para o Sucesso Escolar e da plataforma Mentores EPIS, que abrangem 154 escolas em 87 municípios.

O que é, na verdade, o bullying? “Termo utilizado para descrever o uso da força, ameaça, coação ou outros atos de intimidação física ou psicológica, exercidos de forma intencional e continuada sobre uma pessoa considerada mais fraca ou vulnerável incapaz de se defender a si própria”. A EPIS explica conceitos. Como o cyberbullying, comportamento de bullying veiculado através da Internet ou de outro tipo de comunicação digital. “Ocorre normalmente pelo envio de mensagens para o telemóvel e publicação de comentários ou imagens nas redes sociais ou blogs, com o objetivo de hostilizar deliberada e repetidamente uma pessoa para a intimidar ou magoar.”

A EPIS lança assim várias dicas para os alunos: mostrar desacordo perante a atitude do agressor, procurar ajuda de adultos, denunciar situações nem que seja anonimamente, manifestar solidariedade com quem sofre. O que fazer quando se é vítima de bullying? Não ficar calado, não ter medo, denunciar. “Se te sentires assustado com uma ameaça ou se perceberes que te vão agredir e não tiveres como te defender, foge! Procura um lugar seguro onde estejam pessoas adultas e conta o que se está a passar. Fugir não é sinal de cobardia. Cobardes são os que agridem e os que são cúmplices.” Contar, denunciar, falar com um adulto, não reagir pagando na mesma moeda. As dicas da EPIS também incluem os pais e encarregados de educação. “Não tire conclusões ou faça suposições antes de saber todos os pormenores. Faça perguntas ao seu filho num ambiente calmo e reconfortante que lhe dê a segurança necessária para dar todas as respostas.” Recolher informações junto de eventuais espectadores, identificar a causa do problema, falar com a escola. Mudanças de comportamento, mudanças de humor, tristeza, choro, irritabilidade, pesadelos, dores de cabeça, arranhões ou contusões, recusa em participar em passeios ou outras atividades da escolas, são sinais que podem indicar vítimas de bullying. No caso dos agressores, os pais devem ter pulso firme, definir regras e limites. “Certifique-se que o seu filho sabe quais as consequências para o seu incumprimento. Aplique-as de uma forma coerente e sempre que as regras não forem cumpridas.” E converse com ele sobre as possíveis consequências do seu comportamento: ser suspenso da escola ou mesmo ter problemas com a justiça.

 


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