Navegar sem perder o pé

Abril 9, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista a Rosário Carmona e Costa e Carlos Nuno Filipe pelo Notícias Magazine no dia 31 de março de 2014.

Por: Ana Pago

A mesma porta que a internet abre para o mundo dá passagem a diversas ameaças, sobretudo para as crianças.

A internet mudou a forma como trabalhamos, estudamos, fazemos compras e nos relacionamos, mas as mesmas portas que se abrem para o mundo dão passagem a ameaças insuspeitas. Sobretudo para os mais novos. Navegar com Segurança é o livro que ajuda pais e jovens utilizadores a conhecer as regras e os limites da rede.

Num artigo recente assinado por pediatras no Huffington Post, estes afirmam que as crianças até aos dois anos não devem ser expostas a telemóveis e tablets

ROSÁRIO CARMONA E COSTA: Os pais dão-nos às crianças para as entreterem, é mais prático do que andar com cubos atrás. E isso está na base daquilo que depois se trabalha com adolescentes com dificuldade em escolherem alternativas. Tenho um em consulta que não me consegue apontar cinco coisas de que goste que não envolvam ecrãs. Os pais usam os tablets para regularem o comportamento dos filhos, até para comerem a sopa. Vão a um restaurante e a criança só come com o iPhone ligado. Em vez de seguir o percurso normal, de fazer agora uma tarefa de que não gosta para ter a recompensa a seguir, ela está a ter a recompensa para fazer uma coisa de que não gosta. E se desde o primeiro ano de vida tem que ter o iPhone para comer, como é que regula o seu comportamento num contexto em que não o tenha? Como espera numa aula de 90 minutos? Não desenvolve estas competências. Os pais distorcem dizendo que eles só fazem com o iPhone. Não. Eles só não aprenderam a fazer de outra maneira.

Com que idade é que uma criança está preparada para fazer um uso benéfico da internet e das redes sociais?

RCC: Depende do seu grau de maturidade e do uso que fizer. Se calhar, até sair do famoso estádio das operações concretas, poderá não ser capaz de dar um sentido ao que está a ver. Uma criança até aos sete ou oito anos não o fará por incapacidade de maturação cognitiva. E a partir daí pode não conseguir fazê-lo por outras razões. A única coisa de que tenho a certeza é que até aos três anos a internet não lhe é necessária para nada. Poderá começar a ser interessante no pré-escolar, para ver os números e as letras, mas não é essencial. Só se torna minimamente significativa no primeiro ciclo.

Ainda assim, fala-se muito em nativos digitais e na geração touch-screen…

CARLOS NUNES FILIPE: É um mito isso de as crianças nascerem com propensão para os tablets. Parecem tê-la porque, do ponto de vista do controlo da motricidade, o gesto de afastar do touch-screen é instintivo, muito mais fácil do que virar a folha de um livro. Por isso aderem mais, não porque nasçam com um ADN diferente do dos nossos avós. E um tablet não é, de todo, o mesmo que um puzzle ou um livro. Não tem textura, nem forma, nem cheiro, não pode ser metido na boca. Quando muito, desenvolve competências bidimensionais visuais, nem táteis são. E isso é uma ínfima parcela do que deve ser o desenvolvimento das competências psicomotoras da criança. Só é útil no fim da linha, após terem metido o cubo na boca ou atirado a jarra das flores ao chão.

A internet afeta a construção social da infância?

RCC: Sim. Não tenho um menino em acompanhamento a quem não tenha de fazer treino de competências sociais em algum momento. Há uma série de capacidades que não desenvolveram, as redes sociais propiciam isto. Antigamente, uma jovem acabava com o namorado e tinha que saber verbalizar o sucedido para lidar com a intensidade das reações e conseguir o apoio dos colegas na escola. Hoje, basta-lhe ir ao mural do Facebook e pôr um emoticon triste para desencadear uma série de resposta sociais. Mas será que a primeira pessoa que comenta o seu post seria a primeira a ir ter com ela no corredor da escola? Provavelmente não. Portanto, temos uma série de miúdos que não precisam de grande esforço para conseguir esta ilusão de apoio social.

Permitir que uma criança aceda à internet sem restrições é o mesmo que deixá-la sozinha numa grande cidade?

CNF: Acaba por ser. No fundo, tenho de conhecer o meu filho: se é cauteloso na vida real, irá reproduzir esse comportamento na rede. Se é temerário, tenho que ter cuidados acrescidos. A internet é apenas mais uma plataforma. Que tem, apesar de tudo, características particulares, uma das quais é a facilidade de acesso, condicionadora de imensas coisas. Um jovem não tem que se deslocar para ver um filme pornográfico: basta-lhe estar no quarto quando os pais pensam que está a estudar. Também não precisa de ir ao casino nem provar ser maior de idade para apostar: acede logo à sala do póquer. Esta entrada discreta e sem restrições equivale a ter em cima da mesa, constantemente, substâncias que causam adição. E o limite para não consumir são os filtros do próprio utilizador: a educação, a formação, os valores transmitidos pelos pais.

Mas isso não transmite aos pais uma sensação de falsa segurança?

RCC: Sim. Tive uma adolescente que me dizia: «Nunca estive tão contente por ficar de castigo como agora.» Às sextas, a mãe mandava-a ir para o quarto, onde tinha o computador, o telemóvel, a televisão, o iPad. E os pais estão tranquilos na sua função de educadores (porque a filha está de castigo e até nem levantou ondas), agarram-se à falsa sensação de que ela está em casa, segura, e não é necessariamente verdade. As características da internet que a tornam tão atrativa – o anonimato, a acessibilidade, o estar em todo o lado sem filtros –, juntamente com as características dos jovens – o ensaiar papéis, a importância do social, a pertença a um grupo, mesmo que para isso tenha que enviar e-mails com fotos da colega no balneário –, resultam num cocktail explosivo. Depois tenho, ou não, a tal educação que me permite perceber que isto são fases normativas do desenvolvimento, mas não a todo o custo.

Quais são as principais ameaças decorrentes da rede?

RCC: O cyberbullying é claramente um perigo. Assim de repente conto três meninos, todos em acompanhamento no CADin por outras razões, que em sessões diferentes trazem algo para contar a esse nível. Também do ponto de vista comportamental o uso excessivo da internet tem-se revelado uma ameaça: pais preocupados porque os filhos não se envolvem na escola, crianças que não estudam para passar mais um nível…

CNF: Foi por recebermos tantos miúdos com comportamentos de uso excessivo da internet que sentimos necessidade de entender o fenómeno. A rede tornou-se veículo para uma série de comportamentos que antes se faziam de outra forma, como o bullying ou o jogo. O que procurámos neste livro foi falar com os especialistas que mais sabem sobre novas tecnologias e pô-los em contacto com quem mais precisa.

O que podem fazer os pais e professores para proteger as crianças e educá-las para o mundo virtual?

RCC: Temos aqui duas questões essenciais: uma tem a ver com o tempo passado online, a outra com a qualidade daquilo que elas fazem online. Quando falo com os pais, costumo dizer-lhes que prefiro que o meu filho esteja uma hora ligado, a ver filmes de gatinhos, do que cinco minutos a ver pornografia. Os pais estão muito centrados no tempo, naquilo que os filhos deixam de fazer por estarem ligados: «Ai, o meu filho passa muito tempo online e não estuda, não põe a mesa…» Minimizam os conteúdos. E os pais precisam de estar confortáveis com esta certeza de saberem aquilo que os filhos fazem online, o que ele visitam na rede, com quem se dão.

CNF: É tão importante como conhecer as suas companhias na vida real.

Esse é precisamente um dos limites da internet, a par dos muitos benefícios…

RCC: Na rede nenhum tem essa noção. Além de que os conteúdos não têm só a ver com aquilo que os mais novos veem, mas muito com o facto de processarem as coisas de maneiras diferentes consoante a fase de desenvolvimento em que se encontram. E depois há ainda uma questão que se prende com fenómenos de grupo: eu posso estar confiante de que o meu filho está só no Facebook, mas não sei se ele vai às mesmas páginas, aos mesmos chats, aos mesmos blogues. E aqui sucede termos crianças convictas de que não aceitam estranhos, não saem com eles, sem se aperceberem de que, indo todos os dias à mesma página ou jogando o mesmo jogo, as pessoas que lá encontram deixam de ser estranhos. Formam-se comunidades com esta sensação de já se conhecerem, de pertença a um grupo.

Que se calhar se envolve em perigos a que não dariam azo noutro contexto…

CNF: Sim. Usamos abusivamente uma linguagem enganadora – como chamar amigo a um contacto – e isso tem que ser esclarecido. Os pais, até agora, vivem ofuscados pelo veículo e muito perdidos porque não o conhecem. Enquanto para eles é óbvia a necessidade de regras e horas para chegar a casa, não lhes é assim tão claro que as haja para a internet. E o que temos vindo a perceber é que a maioria dos problemas não tem nada a ver com o veículo e sim com a utilização que dele se faz. Que também é muito modulada pelos pais: ao navegarem num meio que desconhecem, inibem-se de agir.

Como é que os educadores (e as próprias crianças) podem denunciar situações abusivas?

RCC: Primeiro: quantos pais já leram o manual do Facebook? Os termos e políticas de privacidade estão disponíveis para toda a gente e são de uso muito intuitivo. Qualquer pai que sinta haver ali algum conteúdo impróprio pode denunciá-lo. Nos e-mails, se virem que os filhos estão a ser alvo de mensagens agressivas, podem direcioná-los para o spam ou para a sua conta pessoal. O YouTube também permite denunciar conteúdos. E muitas vezes os pais têm que recorrer à sua própria rede: se denunciarem algo e enviarem e-mails aos amigos para que façam o mesmo, menor é o gap de tempo até ser retirado. O nosso parceiro Internet Segura é um recurso ótimo. Não é difícil, isto. Os pais sentem-se é assoberbados com o que está a acontecer.

Proibir o acesso alguma vez é solução? As crianças entendem essa proibição?

RCC: Pode ser solução para quem não se dedicou antes à prevenção. Os pais preocupam-se em saber onde se liga o computador, mas não há uma conversa do tipo: «É esperado de ti que faças este uso e não o utilizes a partir da meia-noite. Se o fizeres, o castigo é este. Se souber que agrediste alguém, ficas sem ele.» Estou em crer, e por isso temos investido muito nas formações a pais, que se houver esta cultura não precisamos de chegar à interdição. Mas há claramente casos em que tem de se proibir.

CNF: E as crianças não têm que concordar com a proibição. Esse é o mal da nossa era.

 

Procedimentos para a adoção formal e a divulgação da adoção dos manuais escolares

Abril 9, 2014 às 2:11 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto retirado daqui

Publicada pelo Ministério da Educação e Ciência a Portaria que estabelece os procedimentos para a adoção formal e a divulgação da adoção dos manuais escolares a seguir pelos agrupamentos de escolas e pelas escolas não agrupadas e fixa as disciplinas em que os manuais escolares e outros recursos didático-pedagógicos não estão sujeitos ao regime de avaliação e certificação, bem como aquelas em que não há lugar à adoção formal de manuais escolares ou em que esta é meramente facultativa.

 

Portaria n.º 81/2014. D.R. n.º 70, Série I de 2014-04-09

Animais ajudam crianças na leitura

Abril 9, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem da RTP de 30 de março de 2014.

Helena Figueiras/ Vedin Trhulj

Uma escola básica de Silves conta agora com a ajuda de dois cães num projeto terapêutico para ajudar os alunos na leitura. Os animais da iniciativa “ler Cãofiante” ajudam a desenvolver estímulos que fazem aumentar a concentração e a cooperação entre as crianças.

ver a reportagem aqui

cao

Deberes, ¿sí o no?

Abril 9, 2014 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do El Pais de 29 de março de 2014.

anna parini

¿Ayudan a consolidar conocimientos? ¿Sirven para crear hábitos de trabajo?

Las opiniones están divididas, pero todas abogan por racionalizarlos

Elena Sevillano

“Tenemos el sistema educativo con más horas lectivas de Europa, y a continuación metemos hasta tres horas más de trabajo en casa… No tiene sentido”, reflexiona Enric Roca, profesor de Pedagogía de la Universidad Autónoma de Barcelona, para entrar en el debate “deberes no, deberes sí” que se ha reabierto con la propuesta del Gobierno francés de prohibirlos en Primaria. Una decisión con la que se alinean algunos pedagogos, al considerar que los niños se sobrecargan en casa con aquello que deberían haber trabajado en la escuela. Y que critica, por ejemplo, la Confederación Católica de Padres de Alumnos (CONCAPA) con el argumento de que esa carga extraescolar “ayuda a crear hábito de trabajo, de orden y superación, estimula el aprendizaje, la responsabilidad y el dominio de destrezas (razonamiento, memoria…); la familia debe implicarse, y, lógicamente, requiere disciplina y esfuerzo”. Roca representa una suerte de término medio. Cree que los deberes pueden ser beneficiosos, crear buenos hábitos, siempre que no se planteen como una prolongación del colegio ni colapsen el tiempo no lectivo del alumno. Suele ocurrir justo al contrario, según lamenta. “Deberes como ampliación o consolidación de aprendizajes del aula, sí; como obligación de hacer lo que no ha dado tiempo o no se ha entendido en la escuela, no”, diferencia la pedagoga Maite Rodríguez Estévez, que hace notar cómo la propia palabra remite a obligación, a “algo chungo”. Estima que no deberían empezar antes de 3º de Primaria, y no ocupar más de una hora diaria, tiempo de lectura incluido; a partir de 6º, hora y media; en Secundaria, “no más de dos horas”, calcula. “Los niños han de ser niños, jugar, tener vida”, enfatiza. Haberse movido antes de sentarse en una mesa, que debe estar en un espacio adecuado, luminoso. “El movimiento es la puerta del aprendizaje”, remacha. Los padres, acompañando, dando confianza, pero nunca adoptando el rol de profesor; potenciando los logros, evitando poner el acento en los objetivos que no se alcanzan.

Lo que, en general, se cuestiona no es tanto la tarea en sí misma como su exceso, su desmesura. Un 32,9% del alumnado navarro de Primaria y Secundaria dedica a ellos un máximo de una hora diaria; el 50,7%, entre hora y media y dos horas y media; el 11,6%, tres y más horas diarias. Son datos del Consejo Escolar de aquella comunidad, que en 2011 elaboró, a instancias del Defensor del Pueblo autonómico, un informe sobre su incidencia en los hogares, con una constatación importante: “Hay un determinado número de alumnos que no disponen de nivel cultural o económico para tener en casa extensas bibliotecas, ordenadores o conexión a Internet. Las tareas para casa las cumplen más y mejor los alumnos favorecidos, creando mayores diferencias formativas entre unos y otros, y ampliando la brecha del estrato cultural entre los alumnos en la sociedad”.

Anna Parini

En esta idea incide la Confederación Española de Asociaciones de Padres y Madres de Alumnos (CEAPA), muy crítica con el ­aumento en los últimos años del tiempo que los menores dedican a hacer lo que les manda el docente para casa. Defiende que debería ser formación complementaria, “con apoyo de las bibliotecas, museos, asociaciones y recursos del entorno escolar, con actividades relacionadas con la lectura, la investigación y el uso de las Tecnologías de la Información y Comunicación (TIC); deberían poder hacerse sin la ayuda de un adulto”, propone.

Rodríguez Estévez recuerda que la tarea escolar no tendría por qué ser sinónimo de cuadernillo. Debería ser, reforzar la lengua elaborando la lista de la compra, y las matemáticas calculando las medidas para un bizcocho; ir a la biblioteca; leer o resolver dudas delante de Internet. “Desarrollar competencias, no contenidos”, insiste. “Memorizar es bueno, pero cosas significativas, que aporten valor, que sean útiles. Hemos de repensar qué queremos pedirles, qué van a necesitar los alumnos el día de mañana. Si queremos evaluar por competencias, eso es lo que tendríamos que potenciarles, ¿no?”, se pregunta.

Los niños finlandeses no dedican más de media hora diaria a los deberes, en su país no son importantes; los coreanos han de ir a una academia privada después de clase para no perder comba. Así, de manera tan radicalmente opuesta, se lo han planteado los dos modelos educativos más exitosos del mundo. Mientras que en España machacamos mucho para obtener luego unos resultados mediocres. Enric Roca habla de “alumnos secuestrados desde el ámbito académico”. Considera que, como mar de fondo, existe un exceso de contenidos y metodologías mal planteadas, herederas de un sistema que preconiza que todos los alumnos de una misma edad han de ir a la par, sin tener en cuenta que cada cerebro funciona de manera, y a un ritmo, diferentes.

El especialista empieza hablando de deberes y termina reflexionando sobre el sistema educativo. El exceso de los primeros se puede extrapolar y ser considerado un síntoma de que lo segundo no marcha. “La falta de calidad no se compensa con cantidad. Si voy mal en matemáticas, doy más matemáticas… ¡No! Reflexiona sobre cómo estás dando esas matemáticas, porque hacer lo mismo, pero más, llevará al mismo fracaso”, razona. Mientras que CEAPA acusa al sistema educativo de “echar balones fuera”, mandando deberes a casa cuando el problema estriba en que la enseñanza que ofrece es “poco motivadora, poco práctica y alejada de la cultura audiovisual en la que ha crecido el alumnado”; y pide la reforma del currículo educativo “para establecer un sistema educativo de la sociedad del siglo XXI”.

Enric Roca apela a una mayor personalización, trabajo por proyectos vitales, con el profesorado haciendo equipo y con la ayuda de las TIC. Y con tareas, por qué no, pero razonables, adecuadas, y con apoyo desde casa.

 

lançamento do “Livro Livre”, de Francisco Bairrão Ruivo, Danuta Wojciechowska e Joana Paz

Abril 9, 2014 às 10:50 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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lupa

A Lupa Design e a Fábrica das Artes do CCB têm o prazer de convidar para lançamento do “Livro Livre”, de Francisco Bairrão Ruivo, Danuta Wojciechowska e Joana Paz.

No próximo sábado, dia 12 de Abril, pelas 15h30, na sala Maria Helena Vieira da Silva do CCB. Apresentação por Maria Emília Brederode Santos, seguida de uma atividade artística para todos: vem criar um mural da liberdade!

Agradecemos confirmações da vossa presença para a lupa design: info@lupadesign.pt

 

Música para Bebés em Coimbra

Abril 9, 2014 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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bebe

Inscrições: recortarpalavras@gmail.com

mais informações

https://www.facebook.com/RecortarPalavras

De novo o bullying

Abril 9, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Daniel Sampaio no Público de 30 de março de 2014.

O bullying é um dos temas favoritos da comunicação social. Continuam a surgir notícias sobre agressões, comportamentos sexuais violentos, provocações e insultos nas nossas escolas, como se o território escolar fosse um local onde a violência é constante e universal.

Esta leitura apressada de alguns acontecimentos acaba por dar uma visão negativa dos nossos estabelecimentos de ensino; e ignora o esforço dos professores e directores que, todos os dias, lutam para melhorar o clima escolar.

Os dados científicos de que dispomos sobre a violência nas nossas escolas demonstram que os comportamentos violentos graves não são frequentes e que os estudantes, na sua maioria, se sentem bem no território escolar. O que existe é uma indisciplina crescente na sala de aula e situações isoladas de extrema agressividade que devem merecer uma atenção especial.

Em 19 de Março, o PÚBLICO escrevia em título: “Mais de 60% de alunos confirmam casos de bullying nas suas escolas”. A notícia referia-se a um inquérito a 1963 alunos, entre os 12 e os 15 anos, de nove concelhos, a quem foi feita a pergunta “directa”: “Há bullying na tua escola?”

A iniciativa da Associação EPIS (Empresários pela Inclusão Social) é louvável, mas necessita de enquadramento e apoio técnico. O problema começa na pergunta “directa” atrás referida, porque sabemos como muitos estudantes não sabem distinguir bullying de brincadeiras e pequenas provocações que caracterizam o convívio saudável em território escolar.

Sabemos como muitos estudantes não sabem distinguir bullying de brincadeiras e pequenas provocações que caracterizam o convívio saudável em território escolar Bullying é o conjunto de comportamentos de humilhação e provocação, continuado e sistemático, exercido por um estudante (ou grupo de estudantes), sobre um colega (ou grupo de colegas). Bullying não é, assim, uma série de piadas ou provocações dispersas, nem interacções mais agressivas e episódicas sobre vários estudantes. Bullying envolve sempre controlo e poder — mantidos — dos mais fortes em relação aos mais fracos (física e/ou psicologicamente).

Há 50 anos, no Liceu Pedro Nunes, círculos de alunos, gritando “Porrada! Porrada!”, rodeavam dois rapazes em luta feroz, donde não raro brotava sangue. Tudo acabava numa ida ao reitor e, passados uns dias, outros protagonistas ocupavam a cena. No silêncio do pátio, contudo, também havia bullying : contra o estudante tido como homossexual, ou contra o magrinho que fugia dos confrontos.

Na mesma notícia, a deputada Rita Rato “recomenda a criação de gabinetes pedagógicos nas escolas (…) compostos por um psicólogo, um assistente social, um animador sociocultural e um representante dos professores e alunos”. Trata-se de uma intenção louvável, mas pouco realista: não vai haver dinheiro para contratar tanta gente; há risco de burocratizar aquilo que deveria ser uma iniciativa flexível de cada escola ou agrupamento; e, sobretudo, muitas escolas já têm gabinetes de apoio aos alunos, que deveriam ser dinamizados e melhorados, ao contrário do que tem acontecido com o actual Governo.

Precisamos compreender que a luta contra o bullying não passa só por gabinetes e psicólogos: que pode fazer um técnico de saúde mental, sozinho, numa escola caótica? O percurso faz-se lado a lado com os estudantes: já repararam que, para um pequeno grupo de agressores e vítimas, há centenas de jovens que a tudo assistem sem nada fazer? Uma comissão que os envolva numa verdadeira campanha é o caminho.

 


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