“Não há nenhuma escola no mundo sem bullying”

Março 12, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Público a Luís Fernandes no dia 11 de março de 2014.

Maria João Lopes

Há vários anos que vai a escolas falar com pais, professores e alunos. O psicólogo Luís Fernandes, co-autor, em conjunto com Sónia Seixas, do livro Plano Bullying – Como Apagar o Bullying das Escolas, diz que o cyberbullying acabou com as agressões num “horário das 9h às 17h” para permitir que aconteçam 24 horas por dia.

O que é o bullying?
Um conjunto de comportamentos agressivos e desajustados entre pares, em contexto educativo, que acontece quando uma pessoa é gozada, empurrada, agredida, ameaçada, posta de parte do grupo, insultada por outros colegas, perseguida e até humilhada, de forma repetida e intencional. Geralmente, inicia-se no final do pré-escolar ou no início do 1.º ciclo e diminui a partir do 3.º ciclo e ensino secundário. No entanto, com a cada vez maior oferta de alternativas para a concretização da escolaridade obrigatória, há alunos mais velhos com comportamentos de bullying.

Existe em todas as escolas?
Não há nenhuma escola no mundo onde não exista bullying. Segundo estudos, realizados por alguns programas de combate desenvolvidos em países como os Estados Unidos, Inglaterra ou Austrália, calcula-se que a cada sete segundos ocorra uma situação de bullying em alguma escola do planeta. Eu costumo dizer que o bullying é democrático, uma vez que atravessa todas as classes sociais. E é inclusivo, uma vez que todos podem ser potencialmente vítimas, agressores ou, pelo menos, observadores.

Que papel assume o cyberbullying entre crianças e jovens?
Veio dar uma nova dimensão às agressões, pois permite que um comentário, uma foto ou um vídeo seja visto, em poucos minutos, por um sem-número de colegas. As agressões verbais, físicas e psicológicas que antes eram exercidas num “horário das 9h às 17h” passaram a ser realizadas 24 horas por dia.

Que relação existe entre o bullying e o suicídio?
As vítimas de bullying apresentam quatro vezes maior probabilidade de vir a cometer suicídio do que outra criança ou jovem que não se encontre envolvida neste tipo de comportamentos. No caso do cyberbullying, segundo investigações recentes realizadas nos Estados Unidos, uma em cada cinco vítimas pensa, em algum momento, suicidar-se, e uma em cada dez vítimas tenta mesmo fazê-lo.

 

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