Nos Estados Unidos um pobre é um pobre, é um pobre, é um pobre

Janeiro 30, 2014 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

Artigo do Público de 23 de Janeiro de 2014.

Andrew Burton Getty Images AFP

Ana Dias Cordeiro

O Presidente dos Estados Unidos já tinha evocado em Dezembro a ameaça ao “sonho americano”. Agora, um projecto de economistas de Harvard e de Berkeley concluiu que o contexto social exclui muitas crianças de um futuro que podia ser brilhante.

O retrato varia muito de cidade para cidade dos Estados Unidos, e de região para região. Como se o país não se enquadrasse afinal na ideia clássica de “terra de oportunidades” mas fosse um conjunto de terras diversas – algumas de oportunidades, outras não.

Numa mesma cidade, as oportunidades podem também variar entre uma pessoa que viva numa zona de transportes fáceis, boas escolas, cuidados de saúde e uma boa rede comunitária de participação e ajuda, e outra que esteja confinada aos subúrbios, viva longe do trabalho, seja obrigada a passar várias horas nos transportes ou a deixar os filhos em escolas problemáticas.

Essa diversidade é uma das principais conclusões – mas não a mais surpreendente – do estudo resultante do Projecto de Igualdade de Oportunidades (“Equality of Opportunity Project”) – conduzido por um grupo de académicos das Universidades de Harvard e Berkeley, e publicado esta quinta-feira nos principais jornais dos Estados Unidos.

A descoberta mais surpreendente, para economistas especializados nas questões da mobilidade social e das desigualdades, como os próprios reconheceram em várias entrevistas, é esta: o mundo de oportunidades que se abre para uma criança nascida numa família pobre, hoje, é praticamente o mesmo que era há 40 anos anos nos Estados Unidos. E fica abaixo de muitos países desenvolvidos. As consequências para uma criança de nascer numa família pobre, essas, são maiores do que em décadas anteriores. Isso acontece, sintetiza o Washington Post, porque a diferença entre extremos – ricos e pobres – é maior. E subir os degraus da escala social não se tornou mais fácil.

Assim, a pergunta “É a América a ‘Terra da Oportunidade’?” está longe de ter uma resposta clara, escrevem os autores numa síntese do estudo, que pode ser consultado em http://www.equality-of-opportunity.org/. Nathaniel Hendren, Patrick Kline, Emmanuel Saez, Nicholas Turner e Raj Chetty, que lidera a equipa, preferem descrever os Estados Unidos do século XXI como “um conjunto de sociedades” e uma mistura de “terras de oportunidades” (com elevados níveis de mobilidade social entre gerações) e de terras onde afinal muito poucas as crianças conseguem escapar à pobreza.

Nascer pobre e ficar pobre é mais provável em cidades como Atlanta (Geórgia), Cincinnati ou Columbus (Ohio), Charlotte e Raleigh (Carolina do Norte) entre outras. O Sudeste do país e o Midwest industrial são as zonas cinzentas, no extremo oposto do Nordeste ou Oeste, onde é mais fácil atravessar barreiras sociais, por exemplo no estado da Califórnia, ou em cidades como Pittsburgh, Boston ou Nova Iorque.

A mobilidade social em cidades como Salt Lake City (Utah) ou San Jose (Califórnia) estão ao nível dos níveis na Dinamarca. Atlanta (Geórgia), no outro extremo, consegue estar abaixo de todos os países desenvolvidos (para os quais existem dados disponíveis).

A riqueza de uma região não é absolutamente decisiva. O que muda entre estas cidades é também o que os autores identificam como os cinco factores que abrem ou fecham oportunidades: a segregação (viver num gueto racial ou social), a desigualdade, a estrutura familiar, a qualidade da escola e o grau de envolvimento comunitário na vida das pessoas.

A partir da análise de dados relativos ao rendimento de milhões de pessoas (sem especificar quantas), o estudo posiciona-se como o mais próximo da realidade alguma vez realizado na tentativa de associar as oportunidades ao meio onde se nasceu e cresceu. E conclui que 70% das crianças nascidas em famílias pobres permanecem abaixo da classe média na idade adulta.

“Somos melhores do que isto”
Com o tempo, nas últimas quatro a cinco décadas, o que podia ter melhorado com uma mais vasta oferta de bolsas de estudo e novas oportunidades de carreira para as mulheres e para as minorias foi afinal contrabalançado pelo aumento acentuado das desigualdades entre ricos e pobres.

A imprensa norte-americana prevê que o tema da mobilidade – desta forma associado ao da crescente desigualdade – seja agora ainda mais susceptível de entrar pelo discurso político. E de alterar os contornos que definem a ideia do “sonho americano” (American Dream) e dos Estados Unidos como uma “terra de oportunidades”.

Num discurso no Center for American Progress, em Dezembro passado, o Presidente dos Estados Unidos Barack Obama evocava o assunto ao qual deve voltar no discurso do Estado da União, no próximo dia 28.

“A ideia de que tantas crianças nascem pobres na mais rica nação do mundo já provoca consternação. Mas a ideia de que uma criança nunca será capaz de escapar à pobreza por não ter oportunidades de educação e de saúde deve indignar-nos a todos e obrigar-nos a agir. Enquanto país, somos melhores do que isto”, disse Obama.

 

Atelier de Gravura para Jovens e adultos

Janeiro 30, 2014 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

image004mais informações http://www.fundacaodomluis.com/

E-Maria – European Manual for Risk Assessment in the Field of Domestic Violence

Janeiro 30, 2014 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

maria

descarregar manual aqui

Intimate Partner Violence (IPV) is one of the most widespread forms of domestic violence and has complex and negative consequences that affect the physical, psychological and socio-economic condition of a victim/survivor. It also impacts her family and the community in which she lives. Intimate Partner Violence occurs in all societies and is transversal to all ages, social and economic status, religious, ethnic and cultural groups. IPV also occurs in the context of lesbian, gay, bisexual and transgender – LGBT – (long term) relationships. However, it mostly affects and has impact on women and girls, children, disabled (women and children), elder women or other persons in vulnerable situations.

For the purpose of this manual, we address only violence perpetrated by men against women and children, hereafter called Intimate Partner Violence (IPV), which is one of the many forms of gender-based violence and as such is addressed by several international and national instruments. IPV is a serious human rights violation and requires that Member States assume their responsibility in the elimination of violence against women, protection of victims/ survivors and accountability of perpetrators. To successfully combat and eliminate IPV and DV, the involvement of all relevant actors that constitute a national referral mechanism and the development of systematic measures both for prevention and elimination of violence and protection of victims/survivors are essential.

Irão: Professor acaba com bullying contra aluno ao rapar o cabelo

Janeiro 29, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia da TSF de 29 de janeiro de 2014.

tsf

Um professor no Irão soube que um seu aluno estava a ser vítima de bullying, depois de ter ficado careca por causa de uma doença. Rapou o cabelo em solidariedade. E toda a turma fez o mesmo.

O Guardian, que conta a história do professor Ali Mohammadian, diz que o movimento de solidariedade que se gerou foi suficiente para acabar com a perseguição a esse aluno.

A notícia espalhou-se pelos meios de comunicação locais e o professor, que ensina numa escola do Curdistão iraniano, transformou-se num «herói nacional».

O jornal conta que Mohammadian recebeu as felicitações do presidente Hassan Rouhani e que o Governo ofereceu dinheiro para tratar a doença do aluno que estava a ser vítima de bullying.

«Estou muito feliz que isto tenha tocado tantos corações e as pessoas tenham reagido tão positivamente», disse ao jornalista do Guardian.«Todos na escola querem rapar o cabelo».

 

Violência: 15% dos jovens participam em rixas

Janeiro 29, 2014 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Notícia do Sol de 21 de janeiro de 2014

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Delinquência e violência juvenil em Portugal : traçando um retrato a diferentes vozes

sol

por Catarina Guerreiro

Quase 25% dos jovens do sexo masculino que vivem nas zonas urbanas praticam actos de vandalismo e 15% estiveram envolvidos em brigas e desacatos em grupo. A conclusão é de um trabalho do Centro de Estudos para Intervenção Social, intitulado Delinquência e Violência Juvenil em Portugal, concluído em 2013.

No estudo, baseado num inquérito a mais de 1.500 jovens entre os 12 e os 18 anos, de 35 escolas urbanas e rurais, 29, 4% dos inquiridos cometeu, ainda que ocasionalmente, pelo menos um crime. Destes, os mais frequentes são as brigas e desacatos em grupo, o vandalismo, o furto e o roubo em lojas. Se entre os rapazes as rixas são os actos mais comuns, entre as raparigas “há uma maior concentração na prática de dois tipos de delitos: roubos em lojas (12,5% na zona urbana e 8,6% na zona rural) e vandalismo (12,5 na zona urbana e 6,2%)”.

O documento refere também que, nas zonas urbanas, nas actividades com os amigos, 16,7% dizem que já usaram armas e 15,3% confessam que bateram em pessoas. “Segundo os peritos, a violência juvenil está a aumentar e ao mesmo tempo está a diminuir a diferença que havia entre rapazes e raparigas”, explica ao SOL Paula Carrilho, uma das autoras do estudo, que teve o apoio da Comissão Europeia.

Quanto a estas agressões violentas e gratuitas, a especialista comenta: “Muitos dos episódios são imitações do que se assiste nos EUA, onde esse tipo de violência está a aumentar”.

O importante, alerta Paula Carrilho, é agir para tentar contrariar a curva ascendente que se está a verificar no país. Por isso, os autores do trabalho irão em breve entregar às autoridades policiais e às assistentes sociais um conjunto de material de formação. “É preciso aprender a prevenir e não apenas reprimir”, defende Paula Carrilho.

catarina.guerreiro@sol.pt

 

Campanha À Mão de Semear

Janeiro 29, 2014 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

semear

Em 2014, e por decisão de Assembleia Geral das Nações Unidas assinala-se o Ano Internacional da Agricultura Familiar que visa aumentar a visibilidade da agricultura familiar e dos pequenos agricultores. Este enfoque apresenta um importante papel na erradicação da fome e da pobreza, na segurança alimentar e nutricional, na gestão dos recursos naturais, na proteção do meio ambiente e no desenvolvimento sustentável.

A Biblioteca Municipal da Chamusca associa-se a esta celebração e lança a campanha “À mão de semear”. Esta campanha pretende organizar um banco de sementes onde as famílias, as escolas e os jardins e infância podem trocar sementes ou plantas para criar ou apetrechar as suas hortas. Para participar e obter mais informações basta dirigir-se à Biblioteca Municipal.

Visualizar o folheto da campanha aqui

Ano Internacional da Agricultura Familiar

Jornadas Pedagogicas Ambientes de Comunicação e Partilha na Internet

Janeiro 29, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

apei2

 A Equipa de Recursos e Tecnologias Educativas (ERTE), da Direção-Geral da Educação (DGE), em parceria com a Associação de Profissionais de Educação de Infância (APEI), vai realizar, no âmbito das Jornadas Pedagógicas, uma sessão de formação sobre Ambientes de Comunicação e Partilha na Internet, no dia 8 de fevereiro, entre as 9:30 e as 16 horas, no auditório da Fundação D. Pedro IV.

Este evento tem como objetivo dar a conhecer projetos da ERTE bem como trabalhos desenvolvidos com recurso à Internet e às novas tecnologias de informação e comunicação, e destina-se a Educadores de Infância e a professores do 1.º ciclo do Ensino Básico.

A entrada é livre, mas condicionada ao espaço existente, pelo que os interessados deverão inscrever-se em: https://pt.surveymonkey.com/s/N9WJ2G6.

Consulte o Programa.

 

Guia de Cuidados de Un Nino Con Necesidades Especiales

Janeiro 28, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

guia

Descarregar o guia aqui ou aqui

Tertúlia – Os espaços de vida das crianças e dos jovens: a CIDADE, 29 de Janeiro, Teatro Rápido, Lisboa

Janeiro 28, 2014 às 3:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

tert

A primeira tertúlia deste ano desafia-nos a pensar sobre as cidades e de que forma é que os espaços urbanos se organizam em prole do desenvolvimento das crianças e dos jovens.

A segurança, a mobilidade e a oferta de actividades que promovam o bem estar físico, motor e mental dos mais novos.

Esta vai contar com a presença de Carlos Neto, Professor da Faculdade de Motricidade Humana; Sandra Nascimento da APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil e Sérgio Xavier, em representação do Vereador  da Câmara Municipal de Lisboa, João Afonso.

Mais informações no evento facebook:

https://www.facebook.com/?ref=tn_tnmn#!/events/535514046546719/

Dislexia deixou de ser mito mas ainda não tem resposta adequada nas escolas

Janeiro 28, 2014 às 2:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia do Açoriano Oriental de 17 de janeiro de 2014.

A investigadora Ana Paula Vale estuda há mais de 20 anos a dislexia, que começou por ser considerada “um mito” e é hoje uma perturbação de desenvolvimento reconhecida, embora ainda não tenha uma resposta adequada nas escolas.

“Felizmente, hoje já se percebeu que a dislexia não é uma invenção, é uma condição, uma perturbação de desenvolvimento que provoca essa dificuldade de aprendizagem específica da leitura”, afirmou à agência Lusa a professora da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

Ana Paula Vale impulsionou a Unidade de Dislexia da UTAD, em Vila Real, e coordenou o primeiro estudo em Portugal sobre a prevalência desta perturbação em crianças, concluindo que 5,4% dos 1460 avaliados nos concelhos de Vila Real e Braga possuem dificuldades na área da leitura ou escrita.

“Este estudo indica que, numa turma com 25 crianças, existe uma probabilidade muito elevada de uma delas ter dislexia”, salientou.

Quando começou a trabalhar na área, a docente diz que “havia um elevado número de pessoas que até partilhavam a ideia de que a dislexia era um mito, uma coisa inventada”.

Em 20 anos, a mentalidade mudou e hoje, de acordo com a investigadora, já se percebeu que se trata de “um problema sério”.

“Apesar disso não existe no sistema educativo em Portugal uma resposta adequada a este problema. Está longe de ser adequado. As escolas não têm meios para responder a este problema”, frisou.

Na sua opinião, são “muito poucos” os professores que possuem uma formação específica atualizada e cientificamente sustentada, e, por isso, a maior parte dos docentes “não está em condições de fazer uma intervenção de qualidade, aquela que é exigida para as crianças que têm dislexia”.

Para a responsável, trata-se de uma questão “grave” e “até criminosa”, porque a grande maioria das crianças com esta síndrome possuem “uma inteligência típica e que poderiam ter um desempenho, um sucesso escolar normal e não têm por causa disto”.

“Porque a dislexia vai dificultar a sua vida, o seu desempenho e a suas aprendizagens escolares a todos os níveis”, explicou.

A UTAD é a única universidade portuguesa com uma Unidade de Dislexia, que recebe crianças provenientes de praticamente todo o país para fazer o diagnóstico e tratamento, o qual, segundo a responsável, quanto mais cedo começar melhor.

“Estamos a ter vários pedidos por semana para avaliação de diagnóstico”, frisou.

As crianças afetadas por esta perturbação possuem problemas relativos à velocidade de processamento e à memória verbal, de trabalho e de curto prazo. Esta síndrome afeta todos os extratos sociais.

Em 2011, Ana Paula Vale foi distinguida com o Prémio Seeds of Science, na categoria das Ciências Sociais e Humanas, atribuído pelo Jornal “Ciência Hoje” pelo primeiro estudo sobre a prevalência desta síndrome em crianças portuguesas.

A investigadora integra ainda a equipa que recebe hoje, em Braga, o prémio CEGOC 2013 atribuído ao projeto Bateria de Avaliação da Leitura (BAL) que avalia a leitura de palavras e a compreensão de textos pelas crianças do primeiro ciclo.

 9º Prémio CEGOC 2013

Unidade Dislexia UTAD

« Página anteriorPágina seguinte »


Entries e comentários feeds.