Abandono de crianças em casa é “injustificável”

Janeiro 3, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 30 de Dezembro de 2013.

O relatório mencionado na notícia é o seguinte:

Ação de Saúde para Crianças e Jovens em Risco: Relatório 2012

Lusa

Caso de menino de três anos deixado sozinho em casa no Porto foi denunciado por vizinhos.

O presidente da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, Armando Leandro, considera “lamentáveis” e “injustificáveis” os casos de crianças deixadas sozinhas em casa, como o que aconteceu este fim-de-semana no Porto.

Na madrugada de sábado, um menino de três anos foi retirado de casa pela PSP, por se encontrar sozinho. A criança foi internada numa instituição da Segurança Social.

“São casos lamentáveis e injustificáveis, sejam quais forem a situação das famílias”, porque há instituições que podem auxiliar nestas situações, disse Armando Leandro à Lusa. Ressalvando que não conhece as circunstâncias deste caso, o presidente da instituição que presta apoio a jovens e crianças em risco afirmou que uma criança “nunca pode ser deixada neste estado de abandono” e, por isso, o Estado e a sociedade têm de intervir nestas situações.

Para o presidente da comissão de protecção, “a polícia actuou muito bem” ao retirar a criança de casa, após denúncias dos vizinhos a dizerem que o menino, que faz quatro anos em Janeiro, teria sido deixado sozinho num apartamento na Praça da Corujeira, em Campanhã.

“É bom que as pessoas compreendam que isto é injustificável e que os direitos das crianças têm de ser respeitados”, considerou, sublinhando que “quando há dificuldades, as famílias devem recorrer às instituições públicas e particulares, que têm a obrigação de dar resposta a situações deste género”.

O menino foi entregue aos cuidados de uma instituição da Segurança Social, disse a PSP, que não conseguiu contactar a mãe ou qualquer outro familiar da criança. “Conforme previsto na lei de protecção de crianças e jovens em perigo retirámos a criança e colocámo-la numa instituição”, disse uma fonte policial.

Crise não justifica
Armando Leandro explicou à Lusa que o tribunal terá de “resolver de urgência” esta situação. Tem de estudar o caso de “forma rápida” para garantir o afastamento da criança de uma situação de perigo e “a superação das consequências desta situação”.

Questionado sobre se a crise pode potenciar estes casos, Armando Leandro afirmou que “em princípio” pode, “mas nada o justifica”. “As dificuldades não podem justificar que uma criança fique sozinha em casa”, sustentou.

Armando Leandro reiterou que as famílias, a sociedade, as instituições públicas e particulares têm de interiorizar que “estas situações são inadmissíveis e têm de estar preparadas” para as prevenir.

Perto de 7000 crianças e jovens em risco foram sinalizadas em 2012 pelos serviços de saúde, um aumento de 25% face a 2011 e de quase 100% face a 2010, segundo dados da Direcção-Geral da Saúde.

Segundo o documento elaborado pela Comissão de Acompanhamento da “Acção de Saúde para Crianças e Jovens em Risco”, a principal forma de mau trato sinalizado foi a “negligência” (67%), em linha com o verificado em anos anteriores. Entre 2008 e 2012 o número de casos registou uma tendência de crescimento, num total de 24.169, com um valor médio anual de 4847 casos.

Armando Leandro admite que esta tendência de crescimento poderá evidenciar um efectivo aumento de maus tratos a crianças e jovens, a que “não será alheio o contexto de crise global”, mas também uma maior capacidade de detecção destas situações pelos serviços de saúde e o desenvolvimento de “formas mais concertadas de cooperação e intervenção”.

Sábados em Cheio em Janeiro na Biblioteca Municipal José Saramago – Loures

Janeiro 3, 2014 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Sábados em Cheio é uma iniciativa da Biblioteca Municipal José Saramago, que proporciona animações de leitura para os mais novos. Visa, acima de tudo, criar hábitos de leitura e partilhar experiências, brincando com ou sobre livros em família.

Consulte aqui o PDF interativo.

Morada
Rua 4 de Outubro, 19
2670-466 Loures

Tel.: 211151262/3
Fax: 211151708

E-mail: bmjs@cm-loures.pt

IAC participa nas comemorações dos 25 anos do .PT

Janeiro 3, 2014 às 12:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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No dia 12 de dezembro, o Teatro Tivoli, em Lisboa, acolheu cerca de 70 convidados que integram e marcaram a história dos 25 anos da delegação do .PT. Na tertúlia e jantar, que assinalaram o encerramento das comemorações do 25.º aniversário, o passado e o futuro do .PT estiveram em destaque, num debate descontraído e participativo. Neste evento, foi lançado o livro “25 anos a crescer com a .PT” que reúne textos de um conjunto de pessoas e organizações, entre elas, o Instituto de Apoio à Criança através de um texto da autoria da Dra. Cláudia Manata do Outeiro.

Este livro (em português e inglês) pretende mostrar o trabalho da equipa DNS.PT ao longo dos últimos 25 anos, um percurso que começa em 1988, ano em que é registado o .PT como sendo o Domínio de Topo de Portugal na Internet. Durante os 5749 dias de atividade desta equipa, verificaram-se zero segundos de falhas no sistema, que sempre manteve a sua total operacionalidade na resolução de nomes cujo sufixo é .PT, o domínio Internet em Portugal.

 “Em 2002, o IAC estabelece a sua presença na Internet através do sítio Web http://www.iacrianca.pt/index.php, ampliando esta presença, em 2010, através das redes sociais e do blogue Crianças a Torto e a Direitos, proporcionando uma maior informação e contribuindo assim para a formação de uma cultura de participação, graças ao desenvolvimento das tecnologias de comunicação e da informação.

O IAC acredita (e a experiência tem-no demonstrado) que com a dinamização do sítio Web do IAC, é possível criar uma maior proximidade com crianças, famílias, técnicos e comunidade em geral, dando voz às pessoas que trabalham no terreno, fomentando redes informais e projetos inovadores, num profundo sentido de responsabilidade e consciência cívica.

A opção pelo DNS. PT, aquando do registo do sítio web do IAC, ficou a dever-se ao facto de se tratar de uma entidade jurídica legalmente constituída em Portugal, conferindo assim uma maior credibilidade ao sítio Web do IAC. Foi, ainda, com base neste princípio de credibilidade que, em 2010, se criaram as caixas institucionais de correio eletrónico do IAC com domínio .PT.”

 

Os filhos mandam nos pais

Janeiro 3, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Inês Teotónio Pereira publicado no i de 21 de Dezembro de 2013.

Pai e mãe que façam o que bem lhes apetece ao fim-de-semana são seres em vias de extinção, uns resistentes do antigo regime

Os filhos de hoje são uma espécie de hitlerzinhos sem bigode, uns verdadeiros déspotas domésticos. A época em que os filhos temiam os pais acabou e assistimos agora a um período revolucionário doméstico em curso (PRdEC). Hoje quem manda são os filhos; os pais foram depostos e vivem sujeitos a uma espécie de escravatura dos filhos.

Num destes dias, durante esta época feliz em que os pais correm freneticamente nos centros comerciais para satisfazerem os desejos dos filhos a propósito do Natal, deparei-me com a cena da Sara (de 13 anos no máximo) e da mãe. Estava a Sara a experimentar chapéus ao espelho de uma loja enquanto a mãe esperava pacientemente que ela deixasse de fazer posses e escolhesse um dos chapéus. A criança vestia calções do tamanho de umas cuecas, umas meias cuidadosamente rasgadas e uma camisola que não lhe tapava o umbigo. Sem dúvida que estava na moda. Está claro que o chapéu preferido acabou por ser o mais caro, 50 euros. A mãe, de semblante carregado, chamou a atenção da menina para o facto de o chapéu ser muito caro e perguntou-lhe se ela não podia escolher outro. Qual quê: “É deste que eu gosto por isso é este que me vais dar.” E assim foi: a mãe obedeceu, pagou e calou-se.

Fui dali para outra loja e travei conhecimento com outra menina mais ou menos da mesma idade. Esta passeava-se com um telemóvel última geração, uma mochila de marca de surf, uns cabelos compridos e lisos como elas todas usam e calções do tamanho dos da outra. A criança dava guinchos ao mesmo tempo que falava com duas amigas em simultâneo (através do telemóvel) e mostrava-se excitadíssima porque a música que tocava naquela loja era dos One Direction (razão que a levou a ligar às amigas). O pai e a mãe, entretanto, esperavam à porta da loja que a música acabasse para se poderem ir embora: é que a filha só saía dali quando a música acabasse.

De histórias como estas estão as escolas, os centros comerciais e as famílias portuguesas cheias. São os filhos quem mais ordena e não há reforma agrária, operários ou nacionalizações que se lhes comparem. A luta da filharada, ao contrário da luta do operariado, está mais que ganha. Um filho de hoje faz o que quer, tem o que quer, come o que quer e não recebe ordens de ninguém. Os pais obedecem. Eles acham que os desejos dos seus meninos e meninas são ordens e cumprem–nas. As regras que imperam são as regras dos gostos: se eles gostam tem de ser assim. Tudo o resto é secundário, como por exemplo o acordo dos pais. Um pequeno exemplo desta realidade são os fins-de-semana. Aos fins–de-semana os pais entretêm-se com quê? Com passear os meninos entre festas e eventos desportivos das inúmeras actividades em que a criançada participa. Pai e mãe que façam o que bem lhes apetece ao fim-de-semana são seres em vias de extinção, uns resistentes do antigo regime. É por isso que ter filhos hoje em dia é considerado uma loucura – ninguém adere por opção à condição de escravo.

A verdade é que o regime familiar não é democrático, nunca foi: dantes mandavam os pais, agora mandam os filhos. Mas daqui a uns anos logo veremos qual é o melhor regime – os nossos filhos o dirão.

 

 


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