O valor da amamentação

Setembro 24, 2013 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Zélia santos publicado no Diário de Notícias de 10 de Setembro de 2013.

por Zélia Santos

Passado o longo tempo de gravidez, vivido na esperança de receber o novo elemento da família, nasce o bebé. Entre os muitos receios que a puérpera manifesta, um deles foca-se com a nutrição. Como nutrir adequadamente o bebé?

É reconhecida a importância do aleitamento materno, pela riqueza da sua composição nutricional, sendo considerado um alimento completo e equilibrado de excelência, que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), deverá ser mantido como exclusivo até aos seis meses de vida, quando possível, seguido de amamentação complementar até aos dois anos.

Mas será que a amamentação é apenas responsabilidade e preocupação da mãe? Nos tempos actuais, a mulher necessita de apoio para que o aleitamento materno seja possível e para isso torna-se necessário envolver a família, os profissionais de saúde e até a envolvente da esfera laboral. Existem já organizações que potenciam o aleitamento materno, com o regresso da mãe ao local de trabalho, criando um espaço destinado a este fim. Potenciando positivamente, desta forma, a estreita relação entre o nível familiar e laboral da mulher e entre mãe e filho, aumentando o vínculo estabelecido e nas futuras relações com outras pessoas.

A importância do aleitamento materno não se traduz apenas em valor imediato, como na redução de mortalidade infantil, mas também a longo prazo, na fase adulta da criança, uma vez que a amamentação parece estar associada à redução de risco de algumas doenças crónicas não transmissíveis como o excesso de peso e a obesidade. Um artigo publicado na revista científica JAMA Pediatrics sugere a existência de uma associação entre a amamentação e um menor risco de desenvolvimento de excesso de peso e obesidade em crianças de idade escolar, para além de outras variáveis em análise como a prática de actividade física, alimentação equilibrada ao longo da infância , entre outras.

As potencialidades do leite materno são inúmeras, nomeadamente, na formação do sistema imunológico da criança, diminuindo a incidência de doenças infecciosas agudas como gastroenterites, infecções do trato respiratório e urinário, doenças alérgicas e crónicas do aparelho digestivo. É um alimento de fácil digestibilidade, que ajuda na prevenção das cólicas nos bebés e promove um maior desenvolvimento cognitivo da criança dada a sua composição nutricional.

O aleitamento materno, numa outra vertente, a da mãe, deve ser incentivado pois contribui para a diminuição da incidência de hemorragias pós-parto e anemia, de cancro de ovário e da mama pós menopausa, bem como, ajuda na recuperação do peso, para um valor do seu peso habitual antes da gestação.

Sob a vertente social, económica e ambiental, o aleitamento materno assume um valor sustentável no âmbito da saúde comunitária, dado não ser dispendioso. Contribui também para um menor despêndio de custos associados a cuidados de saúde a curto, médio e longo prazo, tanto para a mãe como para a criança, podendo estar associado a uma diminuição de morbilidade e mortalidade infantil. Não apresenta impacto ambiental ao invés da alimentação através de leite de fórmula. A nível social, fortalece relações de afectividade entre os vários elementos da família, que devem estar coesos e integrados.

* Presidente da Associação Portuguesa de Dietistas

 

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