Protecção Infantil nos Automóveis : A Segurança Responsável – Estudo ACP

Março 22, 2013 às 7:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Três em cada dez automobilistas reconhecem já ter transportado, alguma vez, crianças sem um sistema de retenção e consideram que a segurança no transporte infantil está a ser descuidada devido à crise, revela o inquérito hoje divulgado.

O primeiro inquérito nacional sobre segurança infantil dentro do automóvel, realizado pelo Automóvel Clube de Portugal (ACP), em colaboração com a Prevenção Rodoviária Portuguesa e a Cybex, envolveu 1.856 automobilistas que transportaram, no último ano, crianças até aos 12 anos, com uma altura até 1,50 metros.

O objetivo foi estudar os hábitos dos condutores, identificar os problemas mais comuns no transporte infantil e analisar as consequências do uso incorreto dos sistemas de retenção.

Quase 30% dos inquiridos afirmaram ter transportado pontualmente uma criança sem cadeirinha, a maioria num percurso curto não escolar.

O estudo alerta que um acidente pode acontecer a qualquer velocidade, num grande ou pequeno percurso, dentro ou fora das localidades, sendo importante usar sempre a cadeirinha.

ler o resto do texto e ver vídeo formativo sistemas de retenção de crianças Aqui

 

88 crianças morreram na estrada em cinco anos

Março 22, 2013 às 6:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 18 de Março de 2013.

ACP apresenta estudo sobre sinistralidade entre os menores de 14 anos e lança campanha de sensibilização para o uso dos sistemas de retenção.

LUSA

Entre 2007 e 2011, 88 menores de 14 anos morreram e mais de 16 mil ficaram feridos vítimas de acidentes de viação, metade dos quais dentro de localidades, revelam dados do Automóvel Clube de Portugal (ACP).

As estatísticas referem que a evolução da sinistralidade tem mostrado “um consistente decréscimo” nos últimos cincos anos, com o número total de vítimas a descer 21,1 por cento e o de mortos a cair para menos de metade.

No entanto, em 2011, 2936 crianças ainda sofreram lesões corporais em acidentes de viação, “o que mostra que ainda há um enorme trabalho pela frente”, sublinha o ACP.

Os dados do ACP servem de apoio a um inquérito nacional realizado pelo Automóvel Clube de Portugal, em colaboração com a Prevenção Rodoviária Portuguesa e a Cybex, que será divulgado hoje e teve como objetivo estudar os comportamentos dos automobilistas ao transportar crianças.

Na sequência deste estudo é lançada a campanha “A segurança responsável”, com o objetivo de sensibilizar para a importância do uso de um sistema de retenção de crianças seguro e verificar a sua correta utilização, refere o ACP.

Todos os números

A maior parte das vítimas mortais (36) tinha entre 10 e 14 anos, 21 entre os seis e os nove anos, 20 entre os dois e os cinco anos e 11 tinham até um ano.

Verificaram-se 807 feridos graves vítimas de acidentes, dos quais 577 (71,5 por cento) ocorreram dentro das localidades, e 15.549 feridos leves, cuja maioria dos desastres (75,7 por cento) também aconteceu no interior das localidades.

Segundo o ACP, metade das vítimas mortais dos acidentes que ocorreram dentro das localidades não utilizavam sistema de retenção ou cinto de segurança, assim como 22,8 por cento dos feridos graves e 8,4 por cento dos ligeiros.

O mesmo se verificou em 27,8 por cento das mortes ocorridas fora das localidades, em 13,4 por cento dos feridos graves e 5,8 por cento dos feridos ligeiros.

Mais de metade das crianças que sofreram lesões corporais seguia em veículos ligeiros (52,3 por cento dos mortos, 37,5 por cento dos feridos graves e 58,7 por cento dos feridos leves).

Apesar do número de crianças até aos 14 anos vítimas de acidentes, como passageiros de veículos ligeiros, também vir a reduzir de forma sustentada, decresceu nos últimos cinco anos menos do que o número geral de vítimas da mesma faixa etária (16,9 por cento contra 21,1 por cento), tendo-se cifrado em 1688 crianças com lesões corporais em 2011.

O número de crianças vítimas dentro das localidades, como passageiros de veículos ligeiros, representa 60,7 por cento do total, mas o número de vítimas mortais e de feridos graves é substancialmente maior fora das localidades (82,6 por cento dos mortos e 62,4 por cento dos feridos graves).

“Tal deve-se ao facto da velocidade de embate ser, em média, muito maior fora do que dentro das localidades”, explica o ACP.

As alterações ao Código da Estrada, já aprovadas em Conselho de Ministros, preveem a redução da altura das crianças que são seguras por sistemas de retenção, passando dos atuais 1,50 metros para os 1,35 metros.

Problemas dos pais, preocupações dos filhos – Entrevista do Notícias Magazine a Manuel Coutinho

Março 22, 2013 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Notícias Magazine ao Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança) no dia 17 de Março de 2013.

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por Bárbara Cruz Fotografia de Orlando Almeida/Global Imagens

A linha SOS Criança recebe cada vez mais apelos de filhos preocupados com o emprego (e desemprego) dos pais. Manuel Coutinho, coordenador do serviço diz que é preciso tranquilizar as crianças, mas sem esconder as dificuldades. E defende que a crise também tem um efeito pedagógico.

Manuel Coutinho

Psicólogo clínico, coordenador da linha SOS Criança desde 1989 e secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança desde março de 1999. Foi, durante mais de uma década, docente do ensino superior na Escola Superior de Tecnologia da Saúde e na Universidade Lusófona. Tem consultório em Campolide, Lisboa.

A linha SOS Criança (116111) tem recebido cada vez mais chamadas de crianças preocupadas com a instabilidade laboral dos pais. Este tipo de chamada já existia ou surgiu com a crise?

_O SOS Criança é um serviço específico, para problemas inespecíficos. Pertence ao Instituto de Apoio à Criança e, desde 1988, quando foi criado, já recebeu mais de cem mil apelos. Podemos dizer que já nos chegaram todo o tipo de problemas: sempre que a sociedade começa a pulsar de uma maneira diferente, essas realidades chegam ao SOS Criança. Por exemplo, quando apareceu a situação da Casa Pia, o SOS Criança recebeu muito mais chamadas sobre abusos sexuais do que até ali.

As chamadas acompanham as situações mediáticas, então?

_Exatamente. Sempre que se fala mais de pobreza, o SOS Criança também recebe maior número de situações ligadas à mendicidade e nós tentamos articular-nos com os serviços sociais, com as comissões de proteção, para dar uma resposta válida e atempada ao problema. Quando a sociedade começa a falar de crise económica, é claro que aumenta a preocupação sobre as famílias do ponto de vista socioeconómico. As pessoas ficam mais sensibilizadas, quer adultos quer crianças, e passam a ligar mais. Também é verdade que boa parte das chamadas que surgem são de crianças ou jovens que querem refletir sobre o assunto, porque passámos de uma sociedade em que sobrava quase tudo para uma sociedade em que começam a comer-se as sobras. E os jovens e crianças que viviam para ter, de repente, começaram a perceber que os bens materiais podem tornar-se escassos e os pais, que até agora tinham um emprego assegurado, podem deixar de o ter, de um momento para o outro. A crise também traz às crianças dos tempos atuais a noção de que é preciso poupar, que é preciso gerir com maior rigor os bens que temos ao dispor.

Essa noção ainda não existia?

_A crise faz que percebam que não podem ter tudo o que desejam e que, eventualmente, devem lutar e merecer ter as coisas.

E as chamadas que recebem, são de crianças cujos pais já perderam o emprego ou têm apenas o receio dessa situação?

_Quem nos procura, normalmente, são crianças que têm o fantasma de essa situação poder vir a acontecer-lhes. Crianças dos 10 aos 14 anos. Começam a mostrar mais esta preocupação, porque a vida delas, de alguma maneira, pode vir a ficar comprometida. E isto também significa que a crise atravessou todas as classes sociais. Mas as que me trazem maior preocupação são as crianças que já estavam numa situação de fragilidade e desceram ainda mais na escala das suas possibilidades. E aqui é que temos de estar atentos: além das chamadas que chegaram ao SOS Criança sobre este assunto, peço a quem souber de crianças que estão a passar dificuldades, que estejam a ser efetivamente privadas, que ligue para o 116111, o número gratuito do SOS Criança, para nos dizer onde estão essas crianças e famílias.

Como é que os pais que estão a lidar com a instabilidade no local de trabalho podem tranquilizar os filhos?

_As famílias estão a viver uma grande pressão social, um stress muito grande. Esta pressão vitima, em primeiro lugar, os adultos, que nem sempre conseguem contê-la. E depois, muitas vezes, perdem a tolerância, perdem a lucidez e deixam passar esta pressão para os filhos, o elo mais fraco nesta equação. Umas vezes não são compreensivos, outras não têm tanta paciência e chegam a agredir os filhos. Como se dizia no passado, «casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão». A sensação de desconforto que a crise provoca é, às vezes, tão grave quanto a própria crise. Esta angústia cria muita ansiedade e leva os pais aos consultórios dos psicólogos, porque têm comportamentos desajustados com os filhos. Querem que eles estudem mais, que não brinquem, que levem a vida muito a sério. Estão tão preocupados, para que os filhos consigam estar munidos de mais informação, o mais estruturados possível, que por vezes esquecem-se de que são crianças e exigem-lhes demasiado. Temos de tentar serenar e conversar sobre outros assuntos. A bem da saúde mental, não devemos estar sempre com a lupa posta na situação de crise.

As chamadas que recebem também provam que, apesar de os pais pensarem o contrário, as crianças estão sempre alerta?

_As crianças são autênticas máquinas de filmar: absorvem tudo o que se passa à volta delas. Podem não compreender bem o que está a acontecer, mas sentem, e se não forem esclarecidas às vezes ainda ficam mais aflitas do que os próprios adultos. Os pais são os garantes da tranquilidade dos filhos, se não lhes transmitem segurança, provocam instabilidade no seu comportamento. Recebemos telefonemas de pais porque os filhos movimentam-se muito, estão desatentos, não querem comer determinados alimentos para que os pais não gastem dinheiro, etc. As crianças não verbalizam, somatizam, mostram pelo comportamento o que os adultos dizem pela palavra. E os pais não compreendem, porque não percebem que há uma relação entre aquilo que acontece ao país, às famílias, e a interação que estabelecem com os filhos.

Os pais devem conversar com os filhos sobre o que os preocupa?

_Os pais devem conversar com os filhos, efetivamente, sobre as suas preocupações. Se o pai está preocupado, angustiado, deve falar com os filhos, mas não se deve esquecer de uma coisa: tal como não damos um bife inteiro às crianças – partimo-lo para que possa ser ingerido mais facilmente -, quando damos esse tipo de informação devemos explicá-la à criança de uma maneira que ela possa compreender. Nunca de forma dramática. E sempre que possível deve falar-se de maneira informativa, explicar o quê, onde, como e porquê. De modo sereno, dizer que existe este problema mas não é só em Portugal, também em Espanha, Grécia e outros países da Europa. Explicar que as situações vão resolver-se mas, neste momento, temos de estar mais atentos, sem gastar tanta luz, tanto gás, tanta água. Dizer que «se calhar, não me deves pedir tantas coisas». Devemos sensibilizar os filhos, mas dar sempre a esperança de que as coisas irão melhorar.

É errado ocultar este tipo de problemas?

_Eu acho que as crianças devem estar a par das dificuldades e dos problemas do país e, obviamente, dos pais. Não devem viver num subsistema à parte. É preciso passar a informação. Mas com filtros, claro.

Defende que a crise tem de ser um assunto de adultos, não de crianças. Mas como é que um pai, desempregado, explica a um filho que este ano não vai poder ter presentes no aniversário, quando se calhar teve três presentes no ano passado?

_Depende da idade da criança. A partir do momento em que percebe as coisas, o pai e a mãe devem explicar-lhe serenamente, ainda que com alguma reserva, que neste momento não têm garantias de que as coisas possam continuar como no passado. E podemos acrescentar, talvez, que o passado estava errado, e que há comportamentos que devem ser corrigidos. Até do ponto de vista da alimentação, se há uma carcaça, deve ser comida até ao fim. Se não, tem de ser comida em duas vezes, não se come metade do pão e o que sobra vai para o lixo. Se a criança vir que os pais, em casa, fazem outro tipo de alimentação, aproveitam o que sobra em vez de atirar para o caixote, pode ser pedagógico. É importante explicar às crianças, não às que já não tinham nada, mas àquelas que tinham tudo, que estamos a corrigir uma situação. Dizer-lhes que não precisavam de ter dez brinquedos, chega-lhes um, mas que andávamos todos a achar que precisavam desses dez.

Palavra de Cidadã de Luísa Lobão Moniz

Março 22, 2013 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Luísa Lobão Moniz, Mestre em Educação Intercultural – SOS-Criança /Instituto de Apoio à Criança, na Visão Solidária de 21 de Março de 2013.

Na primeira pessoa

Para a professora, os direitos das crianças defendem-se no dia a dia

Teresa Campos

moniz

” – Bom dia, é para o Bairro do relógio, se faz favor.

– Desculpe, mas o que vai fazer para lá? Eu depois das 5 horas não faço serviço para lá. Tenha cuidado.

-Sou professora e fui lá colocada.

E assim foi continuando a minha conversa com o motorista de táxi sobre o marginal Bairro do Relógio, também conhecido pelo “Camboja”.

A escola tinha quatrocentos e tal alunos, todos problemáticos. A turma mais indisciplinada com mais dificuldades de aprendizagem foi-me atribuída.

Quando entrei na sala e vi aqueles meninos de várias origens culturais e étnicas a olharem para mim como quem diz “mais uma…” senti que ia ser um grande desafio profissional. Hoje sei que foi também um grande desafio pessoal porque sou uma pessoa diferente, aprendi muito com estas crianças e com as famílias.

Vi ao vivo e a cores aquilo que só conhecia dos livros e dos filmes… foi doloroso e desafiante.

O Bairro era de casas pré fabricadas onde as mulheres vendiam droga, através dos filhos, os pais eram traficantes… e a escola era obrigatória.

Crianças que iam para a escola com roupa de Inverno quando era Verão e com roupas de Verão quando era Inverno…alguns rapazes seguravam as calças, grandes demais para os seus corpos franzinos, com uma corda fininha, não tinham cuecas. Às vezes até iam com o pijama e uma camisola. As raparigas iam, por vezes, com camisolas de adulto…, com sapatos apertados porque não tinham outros, cortavam a ponta do sapato para, ao menos, terem os dedos mais libertos, já que a auto-estima estava muito apertada.

Era-me impossível ficar indiferente…

Lembro-me de um menino de oito anos que ia drogado para a escola, drogava-se com gasolina e com cola…. Um dia esteve 20 minutos em cima de uma mesa a gritar…

Nessa altura não havia apoios sociais que tratassem destas questões.

Uma das instituições, a que fui bater à porta, respondeu-me, ” pois é, tem razão…enquanto não forem apanhados a roubar ou a agredir pessoas na rua ninguém faz nada e, depois, são menores…”. Todas as portas se fechavam porque não tinham meios para acompanhar estes casos.

Numa tentativa imparável de encontrar quem pudesse ajudar esta criança e a sua família telefonei para a Linha Verde, das Taipas, e graças a ela o menino tornou-se homem, com saúde, e a sua família foi tratada de hábitos de alcoolismo.

Foi um processo doloroso para todos, mas com a vontade inabalável desta criança e a de uma tia analfabeta conseguimos ir até ao fim.

Este exemplo fez-me acreditar ainda, com mais força, de que é possível desviar o rumo para o abismo para um caminho sem pedregulhos.

Não se falava em Direitos da Criança, nem em Direitos Cívicos num bairro que tinha criado os seus próprios Direitos: ser solidário entre eles durante as rusgas da Polícia, as crianças levarem a droga ao consumidor, as mulheres pesarem-na em casa. Era a lei de olho por olho, dente por dente.

Estes meninos andavam numa escola que os acolhia, mas não sabia como lidar com esta realidade, não havia assistentes sociais, não havia psicólogos, não havia formação para gerir estes problemas senão a sensibilidade de cada um.

Era uma Escola com meninos e meninas magoados e maltratados que não confiavam em ninguém. Tinham medo de serem novamente rejeitados. Gostar da professora para quê? Para ela chamar a mãe e dizer que ele não aprende e que se porta mal. Isso não era novidade, mas era o suficiente para levarem grandes tareias…

Os meninos e as meninas deste Bairro tinham agarrado à pele a violência e a necessidade de afecto, tinham fome, mas repartiam o lanche da escola com todos, tinham um sentimento de justiça muito forte e faziam-na com as suas próprias mãos. Diziam palavrões e insultavam alguns professores, mas quando gostavam de algum eram os seus melhores amigos e até os protegiam se houvesse algum problema.

Eram os donos do bairro, andavam pelas ruas sem nome (eram a rua I, a rua L…), tinham cães de orelhas murchas, rabo entre as pernas e olhar triste como se tivessem desistido da sua vida de cão, passavam o dia deitados à espera que alguém lhes desse comida ou afecto tal como os seus pequenos donos.

Estes meninos e meninas respiravam violência e cresciam a saber que, ou eram os líderes

ou tinham que se submeter às leis por aqueles ditadas, estes meninos e meninas com mãos habituadas a fecharem-se  para um soco bem dado, tratavam com carinho os seus cães.

Um dia, na sala de aula, o “Pio”, alcunha dada pelos colegas, levantou-se num ápice, correu para a janela e gritou uma série de palavrões “ó cabrão não, não atravesses agora!” para que o seu pequeno cão, malhado de preto e branco o ” Bolinhas”, não fosse atropelado.

” Oh professora, o Bolinhas não sabe atravessar a rua…”

Este menino era filho de mãe alcoólica cuja aparência era de desleixo, mas para quem o menino corria quando saía da escola. O pai era engraxador no Rossio e batia por tudo e por nada. O “Pio” tinha uma expressão de quem não sabia muito bem o que lhe ia acontecer fosse quando fosse, mesmo na sala de aula…

Esteve desaparecido durante três dias…

Para estes meninos não havia instituições que os protegessem apenas os “colégios” dos quais fugiam.

Quantas vezes me vinha à cabeça o filme “Feios, porcos e maus”!

“Os Direitos da Criança” eram levarem pancada, conviverem com a violência doméstica, irem ver os pais ou as mães à cadeia, era dizerem que o tio estava de precária, que outro tio estava no EPL.

Estes meninos e meninas tinham 8 anos, agora terão 27 anos, alguns deles continuaram a viver uma vida de desconforto, de mal-estar social, de falta de reconhecimento pelos que os marginalizam, de falta de auto-estima, de falta de emprego. Estes meninos agora adultos continuam a sofrer a crise que conheceram ainda na barriga das mães, estas meninas já são mães e já recorreram à Polícia por violência doméstica. Outros estão empregados, não se esqueceram da infância difícil que tiveram, e lutam dia-a-dia para viverem uma vida melhor, e conseguem-no.

É por causa destes e de outros meninos e meninas que continuo a acreditar que não há determinismos históricos, há o conhecimento de que a vida pode ter muitas facetas e eu tenho que lutar pela faceta que em que mais acredito.

A mim, cabe-me o dever de combater a ignorância em nome da dignidade humana daqueles que têm sido excluídos e maltratados.”

 

 

III Encontro Formar Crianças Leitoras : Bibliotecas Escolares, Leitura e Currículo

Março 22, 2013 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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