Especialistas alertam para perigos dos colares de âmbar para bebés

Março 1, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 25 de Fevereiro de 2013.

colar

Os colares de âmbar para bebés estão a tornar-se moda em Portugal, sob pretexto de diminuírem o desconforto do nascimento dos primeiros dentes, mas pediatras e especialistas em segurança infantil defendem que é uma tendência perigosa a abolir.

Vendidos em lojas de pedras semipreciosas, blogues, sites na Internet ou páginas do Facebook, os colares de âmbar podem custar entre 15 e 25 euros e são apresentados como um remédio homeopático tradicional para a dentição do bebé.

“O Âmbar do Báltico é conhecido por reduzir a acidez no corpo humano de uma forma totalmente natural. No bebé, o uso constante do colar ajuda a reduzir os sintomas mais comuns relacionados com a dentição, tais como: vermelhidão nas bochechas, gengivas inchadas, assaduras, febre, erupções cutâneas e febres”, refere um dos sites que em Portugal comercializa estes artigos.

Fernanda Ferreira Velez, autora de um blogue sobre bebés, crianças e o mundo da maternidade, apresenta os colares de âmbar como uma boa solução para ajudar no nascimento dos dentes, mas assume que é um acessório que se está a tornar uma tendência de moda.

“Sem dúvida é uma tendência. Acho que os pais aderem, em primeiro lugar, para minorar nos bebés as chatices provocadas pelos primeiros dentes. Em segundo lugar, talvez pela questão estética. Está a tornar-se uma moda”, referiu, em declarações à agência Lusa, esta mãe que não tira o colar da filha nem para dormir.

Para o pediatra Mário Cordeiro, além de não haver qualquer evidência científica de que ajudam a diminuir desconforto ou inflamação da dentição, os colares, de âmbar ou de outro material, não devem ser usados em crianças antes dos quatro ou cinco anos, pelo menos, por perigo de asfixia.

Intrigado com esta questão, há uns anos, Mário Cordeiro pediu aos colegas dos Estados Unidos para saber se conheciam estudos sobre o assunto, mas a resposta foi taxativa: “uma prática a abolir”.

“Mandaram-me para o departamento de Feitiçaria e Costumes Primitivos, onde me informaram que era uma prática antiga em algumas tribos, mas que não era minimamente eficaz, através de nenhum mecanismo fisiológico, para diminuir os problemas de dores e inflamação da dentição”, relatou à Lusa.

O pediatra explica que a idade da dentição, dos seis meses aos dois anos e meio, a criança mexe-se muito, mudando constantemente de posição e há o perigo de o colar se enganchar em qualquer obstáculo e estrangular a criança.

“Não esquecer que no pescoço passam vasos sanguíneos essenciais. Não creio que um resquício de feitiçaria, misturado com moda e status social mereçam o risco de morte ou de asfixia grave”, argumenta.

Aliás, Mário Cordeiro diz que vê muitas crianças com estes colares, incluindo com mais de três anos e, portanto, já com a dentição completa. Isso leva-o a pensar que os colares de âmbar se estão a tornar uma moda e um “símbolo de pertença social”, não sendo usados para influenciar a dentição.

Também a Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) considera que não é recomendado que as crianças pequenas andem com fios ou outras coisas à volta do pescoço.

“Até os próprios fios da roupa foram proibidos para crianças, por perigo de acidentes de estrangulamento. Em crianças, bebés ou mesmo maiores não se quer nada à volta do pescoço”, indicou à Lusa Sandra Nascimento, da APSI.

Apesar de alertar para o perigo dos colares, a APSI diz não ter casos recentes em Portugal de acidentes com fios, sejam eles de âmbar ou outros.

Indicados nalguns sites para bebés a partir dos três meses, vendedores e compradores defendem que estes colares de âmbar são feitos com medidas de segurança, como o comprimento regulamentar de 33 centímetros.

Além disso, entre as contas do fio são dados nós de segurança e as pedras usadas são pequenas o suficiente para não representar risco de asfixia, refere um dos sites de venda.

 

 

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