Tentado a comprar um tablet para o seu filho? As opiniões divergem

Dezembro 20, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 18 de Dezembro de 2012.

Rachel Saslow (Washington Post)

Se há brinquedo capaz de cativar as crianças nesta época festiva é o tablet. O que há de mais apelativo para uma criança do que luzes a piscar, sons divertidos e ecrãs sensíveis ao toque que lhes permitem mover coisas com um dedo pequeno e pegajoso?

Um inquérito de 2011 da Common Sense Media, uma organização americana que se dedica a informar pais sobre os efeitos da tecnologia e dos media, descobriu que 39% das crianças entre os dois e os quatro anos já usaram smartphones e iPads. O director geral e fundador da Common Sense Media, James Steyer, está convicto de que esse número cresceu ao longo deste ano.

Para tornar as coisas mais fáceis para pais, filhos e para o próprio iPad, há muitos protectores de iPad e iPod, capazes de os protegerem de baba e dentadas. Mas Steyer tem um conselho para adultos que estejam a pensar em comprar às crianças um iPad neste Natal: “Não. Ideia ridícula”, diz ao Washington Post.

Entre pais e peritos, a ideia de dar um tablet a uma criança é um assunto complicado. Há alguns inconvenientes óbvios. Por um lado, são caros – podem chegar aos 839 euros, na versão topo de gama mais recente. Também são frágeis. Mas a ciência ainda não é clara sobre como este aparelho afecta os mais jovens. Enquanto alguns peritos vêem o equipamento como inapropriado para o desenvolvimento, outros encontram alguns benefícios na tecnologia – e não apenas o de ajudar a manter a sanidade dos pais.

O iPad existe desde 2010, por isso não houve tempo suficiente para observar os efeitos a longo prazo nas crianças, observa Michael Rich, director do Centro de Media e Saúde das Crianças no Hospital Pediátrico de Boston.

Rich diz que as aplicações nos iPads e smartphones são limitadas como ferramentas de aprendizagem, visto que tipicamente se focam num tipo de aprendizagem por repetição – ensinam as crianças a identificar correctamente o A, o B e o C ou a mugir quando vêem uma vaca no ecrã. “O que é mais importante nesta idade é aprenderem a aprender, em vez de imitarem algo”, argumenta Rich.

Nada de ecrãs antes dos dois anos
Para além disto, estudos mostram que as crianças não aprendem nada de substancial (como uma língua) a partir dos ecrãs – seja de televisão, tablets ou computadores – antes dos 30 meses de idade. A Academia de Pediatras Americanos recomenda que os pais não ponham nenhum tipo de ecrã à frente de uma criança com menos de dois anos.

Um estudo de 2004 publicado na revista científica Pediatrics mostrou que as crianças com idades entre um e três anos expostas à televisão tinham tempos de atenção mais reduzidos até aos sete anos. Mas isto é um pouco como a questão da galinha e do ovo. “Vemos miúdos que já têm dificuldades em concentrar-se a serem postos em frente à televisão para se acalmarem”, diz Rich.

As crianças pequenas também têm dificuldades em transpôr para o mundo tridimensional aquilo que vêem em ecrãs bidimensionais (veja o vídeo no YouTube “A Magazine Is an iPad That Does Not Work”, no qual uma criança de um ano parece confusa ao deslizar o dedo numa revista para tentar mover as imagens).

“As crianças aprendem a fazer, não a observar”, explica o pediatra Howard J. Bennett, da clínica Chase Pediatrics, em Washington. “As pessoas em tempos pensavam que vídeos como ‘Baby Einstein’ [uma série de vídeos destinados a bebés] eram bons para crianças, mas isso já passou”.

Dar iPads para as crianças brincarem pode acabar mal, avisa Bennet. “Os ecrãs criam vício, por isso, quando lhos tiramos, vão provavelmente chorar.”

Já Allison Mistrett, fundadora e directora da Leaps and Bound, um centro de terapia ocupacional pediátrica, diz que já viu crianças a tornarem-se peritas no jogo “Onde está o Wally” num iPad, mas não conseguirem encontrar os sapatos numa sala desarrumada.

Da mesma forma, Rich diz que muitas crianças pequenas gostam de aplicações para pintar com os dedos, mas questiona se a versão bidimensional acaba a passar por cima da realidade. “O iPad não dá aquela sensação da tinta nos dedos. Por muito que isso custe aos pais, pensemos no quanto as crianças podem aprender sobre causa e efeito [a pintar com os dedos]. Não só conseguem desenhar, como conseguem deixar o próprio cabelo todo verde e obter uma reacção verdadeira da mãe”.

Bennet, porém, vê alguns benefícios práticos no iPad. Algumas crianças vêem filmes enquanto recebem injecções, o que é uma ajuda, já que a distracção é uma das melhores formas de lidar com a dor nestas idades. Normalmente, aconselha os pais a seguir a recomendação de que as crianças com mais de dois anos devem ter menos de uma ou duas horas diárias de exposição a um ecrã. “Devem ser um último recurso”, defende. “Não há problema em deixar uma criança usar um ecrã durante 15 a 30 minutos por dia se os pais tiverem de preparar o jantar e não tiverem outra forma de manter a criança ocupada e em segurança”.

Tecnologia com os pais ao lado
Por seu lado, Tonia Sanders, uma mãe a tempo inteiro e blogger, não vê problemas em pôr as crianças a usar tecnologia. Cada uma das filhas (uma com três e outra com seis anos) tem um iPhone e a mais velha teve um iPod Touch quando tinha dois. Ambas brincam também com o iPad da mãe.

Sanders diz que as aplicações inicialmente ajudam a filha mais velha a aprender a contar, aprender letras e identificar formas. Mais recentemente, tem-se interessado por aplicações que mostram o funcionamento do sistema digestivo e do sistema nervoso.

A ideia de que as crianças com menos de 30 meses não aprendem a partir de ecrãs não encaixa na experiência de Sanders. “Quando uma criança consegue apropriar-se da tecnologia em dez, 15 minutos, isso diz algo dessa criança. Eu não quereria limitar as capacidades dela. Esta é o mundo em que vivemos. Porquê impedir as crianças de aprenderem sobre tecnologia?”

Como muitos pais, Allison Mistrett está mais dividida. Tipicamente, afasta brinquedos com baterias em favor de jogos de faz de conta e de brincadeiras em parques infantis. “Mas o bebé de um ano já consegue desbloquear o meu iPhone, por isso aqui é onde entro em contradição comigo própria”, diz.

A directora da Leaps and Bound vê alguns benefícios na tecnologia de ecrã sensível ao toque. Os gestos podem ajudar a desenvolver competências motoras e coordenação entre os olhos e as mãos. E algumas aplicações podem ajudar na caligrafia. Os aparelhos também motivam os miúdos a estarem mais focados. “Se lhes damos um ecrã, eles ficariam nisso horas”.

Para minimizar a tentação dos miúdos de não fazerem nada para além de deslizar os dedos, Mistrett e o marido definiram limites para os filhos. O iPad foi configurado para que o filho de três anos apenas possa aceder a aplicações próprias. Mistrett deixa-o brincar com o tablet algumas vezes por dia, em períodos de dez a 15 minutos.

Rich e outros peritos dizem que se os pais vão permitir às crianças usar um tablet, deveriam sentar-se e brincar com eles. Desta forma, o pai, e não a tecnologia, é o professor. “O facto de a mãe abraçar a criança quando ela consegue fazer alguma coisa bem, o tom de voz da mãe – nada disso pode ser dado pelo iPad.”

Esta sugestão vai contra aquilo para que muitos pais usam um tablet: um “brinquedo de ‘cala-te’” (uma expressão usada pela indústria dos brinquedos, segundo a Common Sense Media), dado que os pais dão-os às crianças em situações em que estas têm de estar quietas, como restaurantes, salas de espera e aviões.

Estas são as situações em que Monica Sakala permite à filha de três anos brincar com o iPhone, embora com algum sentimento de culpa. “Gosto de pensar que poderíamos ir jantar fora e ela podia pintar ou ler um livro”, diz Sakala. “Nós não tínhamos estas coisas quando eu era criança. Tínhamos de nos entreter a nós próprios. Às vezes preocupa-me que pareça preguiça [dar-lhe o iPhone]”, refere ao Washington Post.

Como em tudo, a chave para usar o iPad em crianças pequenas é moderação, diz a maioria dos peritos. “O que digo aos pais é que há prós e contras”, diz Mistrett. “Mas se vão fazê-lo, então vejam as histórias e joguem os jogos juntos. Não lhos dêem simplesmente e vão-se embora”.

Mistrett sugere algumas regras: Limitar o tempo que as crianças passam a brincar com aplicações. Descarregar apenas aplicações apropriadas para a idade. E, talvez mais importante, certificarem-se de que a criança está a pestanejar.

Exclusivo Washington Post/PÚBLICO

 

 

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200 Anos de Contos de Grimm – Exposição os Irmãos Grimm Vida e Obra na Biblioteca Municipal do Porto

Dezembro 20, 2012 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No âmbito do bicentenário da publicação do primeiro volume dos Kinder- und Hausmärchen (1812), a famosa coleção de contos dos Irmãos Jacob e Wilhelm Grimm, várias instituições portuguesas acolheram a exposição Os Irmãos Grimm – Vida e Obra, elaborada pela Brüder Grimm-Gesellschaft e pelo Brüder Grimm-Museum.

Cabe a vez ao Porto de receber a exposição que, patrocinada pela Embaixada da República Federal da Alemanha, pelo Goethe-Institut de Lisboa, pela Universidade de Aveiro, pela Fundação Marion Ehrhardt e pelo Instituto de Literatura Comparada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, terá lugar na Biblioteca Municipal do Porto (Rua D. João IV, ao Jardim de S. Lázaro), entre 22 de novembro e 15 de janeiro de 2013.

Mais de um quarto das pessoas traficadas no mundo são crianças

Dezembro 20, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 13 de Dezembro de 2012.

Um novo relatório das Nações Unidas revela que as crianças representam cerca de 27% de todas as vítimas de tráfico humano.

Cerca de um quarto das vítimas de tráfico humano são crianças (27%). Esta foi uma das conclusões do Relatório Global de 2012 sobre Tráfico de Pessoas do organismo das Nações Unidas para as Drogas e o Crime (UNODC) divulgado na quarta-feira.

As conclusões referem-se a vítimas de tráfico humano oficialmente detectadas em 132 países de todo o mundo no período entre 2007 e 2010. Segundo o relatório baseado em dados fornecidos por esses países, revelou-se uma subida de 7% relativamente ao período de 2003 a 2006.

As crianças do sexo feminino representam dois terços das crianças traficadas, tendo havido um aumento: 15 a 20% do número total de vítimas de tráfico, incluindo adultos, são raparigas. Os rapazes representam 10%.

As mulheres traficadas estão em maioria: 55 a 60%. A proporção total de mulheres juntamente com as raparigas eleva a percentagem para cerca de 75%. Os homens representam cerca de 14% do número total de vítimas detectadas a nível global.

O relatório surgiu em 2010, com a adopção do Plano Global de Acção para Combater o Tráfico de Pessoas. A assembleia geral encarregou a UNODC de publicar um relatório global de dois em dois anos, a começar este ano. O director executivo da UNODC, Yury Fedotov, reconheceu as actuais lacunas no conhecimento acerca deste tipo de crime e a necessidade de possuir dados abrangentes sobre os infractores, as vítimas e os fluxos de tráfico. Ainda assim, a UNODC estima que o número de vítimas de tráfico esteja a caminhar para os milhões.

A geografia do tráfico
A quantidade de crianças vítimas de tráfico varia consoante a região. A Europa e Ásia Central têm a percentagem mais baixa: 16%; e o continente americano 27%. As percentagens sobem para 39% no Sul, Leste Asiático e Pacífico, e, para 68%, no Médio Oriente e África.

As diferenças regionais permanecem quando falamos de formas de exploração. Na Europa, são mais frequentes os casos de exploração sexual, assim como no continente americano. Portugal, particularmente, relatou casos de tráfico de crianças para adopção ilegal. África e Ásia têm mais situações de trabalho forçado. O tráfico para remoção de órgãos foi detectado em 16 países do mundo.

Durante o período de três anos sobre o qual o relatório se debruçou, vítimas de 136 países foram detectadas em 118 estados. Durante esse período, 460 fluxos de tráfico foram identificados. Cerca de metade de todo o tráfico ocorreu na mesma região, com 27% a ter lugar dentro das fronteiras nacionais, com excepção do Médio Oriente, onde a maioria das vítimas detectadas são do Leste e Sul asiático. As vítimas de tráfico que têm como origem estas regiões da Ásia foram detectadas em mais de 60 países, acabando este por ser o grupo mais disperso geograficamente em todo o mundo. Na Europa Ocidental e Central, estão as vítimas que vêm do maior número de países de origem.

Com o número de casos revelado deste crime global que envolve milhões de euros, as preocupações levantam-se à medida que se revelam as baixas taxas de condenação por este tipo de crimes: 16% dos países não tinha uma única condenação entre 2007 e 2010. “O tráfico humano requer uma forte resposta fundada na assistência e protecção das vítimas, aplicação rigorosa pelo sistema de justiça, política de migração sólida e regulação firme dos mercados de trabalho”, afirma Yury Fedotov no comunicado de imprensa.

“Tem havido um progresso significativo em termos de legislação, já que 83% dos países tem agora uma lei que criminaliza o tráfico de pessoas de acordo com o protocolo [o Protocolo para Prevenir, Suprimir e Punir o Tráfico de Pessoas, em Especial Mulheres e Crianças]”, acrescentou. O protocolo, em vigor desde 2003, foi aprovado em 154 países. Este é “o primeiro instrumento global legalmente vinculativo com uma definição consensual de tráfico de pessoas”. O objectivo é conseguir a “cooperação internacional na investigação” desse crime.

 

 


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