As crianças podem ser particularmente cruéis

Novembro 28, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Entrevista de Sónia Seixas ao Mirante no dia 21 de Novembro de 2012.

O fenómeno de maltratos entre crianças e jovens no meio escolar tem vindo a ganhar visibilidade na opinião pública e a subdirectora da Escola Superior de Educação de Santarém, Sónia Seixas, decidiu dar o seu contributo para uma melhor compreensão dessa problemática com a publicação de um livro de que é co-autora. Porque o assunto é sério e pode ter consequências irreparáveis.

O bullying (termo anglófono que pode ser traduzido como maltrato entre iguais) no meio escolar pode levar as vítimas a soluções radicais como o suicídio. Pelo que a escola deve apostar no diagnóstico e prevenção desse tipo de comportamentos violentos entre crianças e jovens, que podem ir da marginalização ou segregação à violência física e verbal. Sónia Seixas, subdirectora da Escola Superior de Educação de Santarém (ESES) e co-autora de um livro sobre a problemática recentemente editado, quer deixar o seu contributo para a causa.

“Alguns miúdos não conseguem encontrar mecanismos protectores e utilizam o suicídio como forma de escape. São situações de bullying muito graves, não obrigatoriamente de violência física, mas de segregação, de marginalização. Um adolescente não conseguir integrar-se num grupo de pares é avassalador para a sua vida. E os jovens vivem o presente, não estão a imaginar que daí a 5 ou 10 anos estão noutro sítio”, opina.

Sónia Seixas diz ser difícil afirmar que as crianças de hoje são mais propensas a este tipo de comportamentos do que há algumas décadas. Entre as várias manifestações de bullying as mais comuns são as verbais, como a troça, a provocação. “São vivências de humilhação, de isolamento, de vergonha que se podem transformar em fobia. As crianças podem ser particularmente cruéis, sobretudo quando não conhecem limites ou quando não lhes foi explicado o que é certo ou o que é errado”.

A professora residente em Santarém e o seu colega Luís Fernandes, docente em Beja, acham que os professores sentem falta de instrumentos com que trabalhar e decidiram criar este manual destinado à classe docente. “Plano Bullying – Como apagar o bullying da escola” não é um livro de receitas mas tem lá os ingredientes todos, diz Sónia Seixas reconhecendo que algumas escolas ainda preferem viver em negação, até para evitarem a má publicidade, em vez de enfrentarem o problema de frente.

“As crianças hoje quase não sabem brincar”

Sónia Seixas, 42 anos, considera que o acesso a conteúdos violentos na Internet e na televisão pode ter influência nesse fenómeno, embora não seja determinante. “Se a violência e a agressividade entram pela vida das crianças e dos jovens através da Internet, da TV ou dos jogos, muitas vezes sem supervisão, isso faz com que o fenómeno da violência se torne mais banal. E a escola é onde eles estão a maior parte do dia, pelo que é natural que se manifestarem comportamentos violentos eles tenham um nível de incidência superior na escola”. E acrescenta: “As crianças hoje quase não sabem brincar se não tiverem uma maquineta. Não sabem o que hão-de fazer. E alguns miúdos que não têm o que fazer por vezes distraem-se implicando com os outros”.

O bullying pode nascer de uma série de variáveis como a banalização da violência na sociedade, e de factores sociais e familiares como a ausência de “dois grandes adubos no crescimento da criança”: o afecto e a disciplina. “Têm que andar os dois a par. E muitas vezes há pouco tempo para a demonstração dos afectos e para a implementação de disciplina”.

A investigadora reconhece que este é um problema que sempre existiu mas há novas configurações, como o ciberbullying. “Hoje, os meios tecnológicos ao dispor podem ser usados para agredir os outros. O que entra na Internet fica lá, não há forma de apagar”. O que mudou, diz, foi a atitude perante o fenómeno, que começou a ser estudado do ponto de vista científico. “Há também uma maior sensibilização para os direitos das crianças”, complementa.

Professora, investigadora e subdirectora

Sónia Raquel Seixas nasceu em Lisboa em 1970. É licenciada em Antropologia Social e em Psicologia Educacional e doutorada em Psicologia Pedagógica com uma tese sobre comportamentos de bullying e saúde. É professora adjunta da Escola Superior de Educação de Santarém desde 2000 e subdirectora da mesma escola desde Fevereiro de 2010. Casada e mãe de uma filha, tem-se dedicado na última década à investigação e divulgação científica sobre o bullying, através de publicações, comunicações e acções de formação. O livro “Plano Bullying – Como apagar o bullying da escola” foi apresentado pela primeira vez no dia 20 de Outubro na FNAC do Centro Comercial Vasco da Gama em Lisboa. Na sexta-feira, 9 de Novembro, houve nova apresentação na Escola Superior de Educação de Santarém, inserida nas comemorações do Dia da Escola.

Crianças pobres – nas oportunidades de hoje resgata-se a pobreza do amanhã

Novembro 27, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Artigo de opinião de Amélia Bastos no Público de 18 de Novembro de 2012.

Clicar na imagem

Programa da Sessão “Direitos da Criança Hospitalizada”

Novembro 27, 2012 às 4:19 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Atendendo à lotação da sala, agradecemos confirmação de presença através do telefone  21 380 7300 ou e-mail iac-humanizacao@iacrianca.pt  até dia 28 de Novembro

Encontro Regional Promoção e Educação para a Saúde em Meio Escolar

Novembro 27, 2012 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Mais informações Aqui

Nós Somos SUPER HERÓIS Ciclo de conversas na Escola EB 2,3 Alto do Moinho – Loures

Novembro 27, 2012 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

“Nós Somos SUPER HERÓIS”
Ciclo de conversas nas escolas de Loures

A iniciativa do Centro UNESCO A Casa da Terra “ Nós Somos Super -Heróis”está de volta às escolas de Loures para promover a reflexão sobre os heróis de hoje e os modelos seguidos pela maioria dos jovens.

O primeiro ciclo de conversas deste ano letivo decorrerá às quartas-feiras na escola Alto do Moinho, do Agrupamento de Escolas do Catujal, em Unhos, e contará com os exemplos de um bombeiro, um escritor, um jornalista e uma polícia.

Câmara Municipal de Loures

www.cm-loures.pt

Praça da Liberdade, 4, 2674-501 Loures | Tel: 211 150 100
E-MAIL :: geral@cm-loures.pt |

Relatório Mundial da UNESCO 2012 – Os jovens e as competências : pôr a educação a trabalhar

Novembro 27, 2012 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Apresentação pública do relatório no CNE no dia 16 de Outubro de 2012 – Os jovens e as competências : pôr a educação a trabalhar

EFA Global Monitoring Report 2012 Youth and skills: Putting education to work

Youth Version of the 2012 Global Monitoring Report: Youth and skills: Putting education to Work

Mega-agrupamentos” fragilizam” autonomia das escolas

Novembro 26, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Notícia do Público de 21 de Novembro de 2012.

Clara Viana

Os agrupamentos escolares de grandes dimensões, que têm vindo a ser criados, “constituem, até ao momento, um caminho de reforço do controlo e não da autonomia das escolas”.

O alerta é feito pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), um órgão consultivo da Assembleia da República, numa recomendação sobre a autonomia das escolas, aprovada no mês passado.

No documento, a que o PÚBLICO teve acesso, e que aguarda ainda publicação em Diário da República, o CNE constata que a recente criação dos chamados mega-agrupamentos “tem vindo a criar problemas novos onde eles não existiam”.

São exemplo o “reforço da centralização burocrática dentro dos agrupamentos, o aumento do fosso entre quem decide e os problemas concretos a reclamar decisão” ou a “sobrevalorização da gestão administrativa face à gestão autónoma das vertentes pedagógicas”.

Segundo o CNE, esta situação “fragiliza ainda mais a já frágil autonomia das escolas e deixa pela frente o reforço do cenário único e salvador do caos: a recentralização do poder na administração central, agora reforçada na sua capacidade de controlo de tudo e todos, pelas novas tecnologias”.

O Ministério da Educação e Ciência (MEC) tem apontado como prioridade o reforço da autonomia das escolas. O CNE recorda que, com os novos diplomas sobre o tema aprovados este ano, é já “a quarta vez que os governos legislam sobre a autonomia das escolas”.

“O risco que se corre é o de, mais uma vez, estarmos perante uma proclamação de uma vontade política mais do que diante do exercício real de uma determinação política”, acrescenta-se na recomendação. Para o CNE, isto significa que “se prossegue uma retórica generalizada sobre a autonomia das escolas (que facilmente se decreta)”, continuando-se, no entanto, “a deixar ficar de lado quer uma revisão profunda do modelo de administração educacional, quer uma gestão descentralizada dos recursos humanos ou do orçamento”.

O CNE lembra, a este respeito, que “a primeira responsabilidade de uma escola/agrupamento de escolas é para com os alunos e as famílias e não para com os níveis e subníveis burocráticos” e exorta o Governo a levar por diante “um inequívoco reforço da concentração das actividades de gestão pedagógica nas escolas, o mais perto possível dos alunos, aplicando um projecto educativo próprio, o que não está a ocorrer no processo de concentração de agrupamentos de escolas”.

Problema também nos privados
Entre as várias recomendações dirigidas ao Governo, defende-se ainda a definição de “um novo quadro de responsabilidades entre os vários níveis da administração educacional”, frisa-se que tudo deve ser feito “para que se dissipe o clima de desconfiança que existe na administração central face às escolas” e defende-se que seja revista “a missão e composição dos conselhos municipais de educação”. O CNE defende que os directores dos agrupamentos devem fazer parte destes órgãos consultivos.

Aos directores e às escolas, o CNE recomenda que “aproveitem melhor os ‘corredores’ de autonomia já criados” e que “invistam com mais coragem política na contratualização de níveis cada vez mais fortes e sustentados de autonomia”.

Na recomendação chama-se também a atenção para a situação das escolas privadas que “gozam de níveis muito débeis de autonomia”, os quais, acrescenta-se, “são incomportáveis com a liberdade de que deveriam usufruir e que está constitucionalmente consagrada”.

 

Mais de 400 jovens internados este ano em centros educativos

Novembro 26, 2012 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do Jornal de Notícias de 20 de Novembro de 2012.

Mais de 400 jovens foram internados este ano em centros educativos, um número que tem vindo a aumentar nos últimos anos, segundo dados do Ministério da Justiça.

Os dados citados pela agência Lusa indicam que, desde o início do ano até esta terça-feira, deram entrada nos oito centros educativos do país, 412 jovens, dos quais 50 são raparigas, um número que também tem vindo a aumentar paulatinamente.

Em 2011, foram internados 415 jovens, entre os quais 48 raparigas, enquanto em 2010 tinham sido institucionalizados 358 jovens, incluindo 41 raparigas.

Nos centros educativos, os jovens são integrados em cursos de educação e formação de adultos ou em formações modulares, com certificação escolar e profissional, e frequentam outros programas formativos, sujeitos a avaliação, suportados em modelos técnicos de reeducação, tendo em vista “a mudança positiva de atitudes, crenças e comportamentos”.

A ministra da Justiça afirmou esta terça-feira num discurso lido pelo diretor da Reinserção Social, Rui Sá Gomes, no III Congresso Internacional de Delinquência Juvenil, em Lisboa, que os serviços de reinserção social, em articulação com o Instituto de Gestão Financeira e de Infraestruturas da Justiça, devem aumentar a capacidade dos centros e “introduzir melhorias nos espaços” que respeitem as necessidades de segurança.

Devem também intensificar a preparação dos jovens para o mercado de trabalho, estabelecendo protocolos com empresas em áreas de formação e integração profissional, disse Paula Teixeira da Cruz, dando como exemplo o protocolo assinado com a Sonae em março.

Os jovens em fim de medida de internamento devem ser alvo de “intervenções complementares de continuidade” que garantam “maior consistência à articulação com as famílias e ao seu regresso à comunidade”, defendeu a ministra.

Para Paula Teixeira da Cruz, “a reintegração do jovem agressor é determinante e o Estado não pode eximir-se de responsabilidade na criação de um plano de vida para estes menores”.

Por outro lado, frisou, “a prevenção da delinquência juvenil não dispensa o apoio às famílias nem a criação de estruturas e mecanismos de apoio sociais”.

A ministra sublinhou que a redução da delinquência juvenil não passa exclusivamente pela repressão, mas sim por um complexo processo de prevenção quer da violência primária, quer da reincidência.

“Não pretendemos, naturalmente, dizer que uma criança vítima de crime, de maus tratos ou de negligência será necessariamente um jovem criminoso, mas, esse passado violento exigirá sempre por parte do Estado um acompanhamento e um apoio centrados na sua plena integração social”.

Esse apoio passará também pela “prevenção de uma futura delinquência, motivada, não raras vezes, pela falta de estrutura e enquadramento não só familiar mas também social”.

 

 

 

SOS-Criança recebeu mais de 77 mil pedidos em 24 anos

Novembro 26, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia do Diário de Notícias de 22 de Novembro de 2012.

por Lusa, texto publicado por Isaltina Padrão

Mais de 77 mil chamadas telefónicas chegaram em 24 anos ao serviço SOS-Criança, do Instituto de Apoio à Criança (IAC), sendo a maioria de apelos de crianças em risco, maltratadas, abusadas sexualmente e desaparecidas.

O SOS-Criança, que hoje completa 24 anos de existência, recebeu, através do telefone 116111, 77.054 chamadas, das quais 2.554 foram este ano, segundo dados divulgados à agência Lusa.

As principais chamadas estão relacionadas com crianças em risco, negligência, maus tratos e abusos sexuais, além de muitos jovens que ligam para o SOS-Criança para desabafar e apresentar os seus problemas.

Manuel Coutinho, psicólogo clínico e secretário-geral do IAC, disse à Lusa que há muitos jovens que atualmente ligam para o serviço “preocupados com o futuro” e “com medo de os pais perderem o emprego” devido à crise.

Em 1988, quando o IAC criou o SOS-Criança apenas existia o serviço de atendimento telefónico especializado, hoje conta também com uma linha dedicada às crianças desaparecidas, um endereço eletrónico, um atendimento personalizado ao nível do apoio social, jurídico e psicológico e um gabinete de mediação escolar.

No total, ao SOS-Criança chegaram, até hoje, cerca de 119.130 situações de perigo ou problemas, sendo a maioria pelo atendimento telefónico (77.054), seguindo-se a mediação escolar (20.873), o atendimento psicológico (1.045), o endereço eletrónico (5.102) e a linha das crianças desaparecida (404).

Criada em 1988, o SOS-Criança é um serviço anónimo e confidencial, de apoio às crianças e familiares, que pretende dar voz aos mais jovens, promovendo e defendendo os seus direitos.

O SOS-Criança é um serviço de prevenção que pretende atuar antes que a situação de risco se concretize.

Manuel Coutinho faz um “balanço muito positivo” dos 24 anos de existência do serviço, considerando que hoje as pessoas “são mais atentas e menos permissivas aos maus tratos e riscos” das crianças.

O secretário-geral do IAC adiantou que o SOS-Criança conseguiu “mudar mentalidades”, ajudar que as crianças sejam mais respeitadas e criou um modelo de “mais compreensão” para com os mais jovens.

“A sociedade passou a não ser tão tolerante com os infratores e passou a denunciar”, disse.

 

 

A Comissão apresenta nova estratégia «Repensar a Educação»

Novembro 25, 2012 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

Comunicado de Imprensa da Comissão Europeia de 20 de Novembro de 2012.

A Comissão apresenta nova estratégia «Repensar a Educação»

A taxa de desemprego dos jovens está próxima dos 23 % em toda a União Europeia, embora haja, ao mesmo tempo, mais de dois milhões de postos de trabalho que não encontram provimento. A Europa necessita de repensar seriamente o modo como os sistemas de educação e de formação podem proporcionar as competências necessárias ao mercado de trabalho. O desafio não podia ser mais difícil no contexto de medidas generalizadas de austeridade e de cortes no orçamento para a educação. A Comissão Europeia lança hoje uma nova estratégia intitulada «Repensar a Educação», no intuito de incentivar os Estados-Membros a tomar medidas imediatas para assegurar que os jovens desenvolvem as aptidões e as competências necessárias ao mercado de trabalho e a alcançar as metas em matéria de crescimento e de emprego.

A Comissária responsável pela Educação, Cultura, Multilinguismo e Juventude, Androulla Vassiliou, declarou: «Repensar a educação não é apenas uma questão de dinheiro: embora seja inegável que precisamos de investir mais na educação e na formação, é evidente que os sistemas educativos também necessitam de se modernizar e de se tornar mais flexíveis no modo como respondem às necessidades reais da sociedade de hoje. A Europa só retomará a via do crescimento sustentado se produzir pessoas altamente qualificadas e versáteis, que possam contribuir para a inovação e para o empreendedorismo. Esse objetivo é alcançável por meio de um investimento eficiente e bem orientado, mas não pela redução dos orçamentos para a educação.»

A estratégia «Repensar a Educação» exige uma mudança fundamental na educação, para que passe a dar mais ênfase aos resultados da aprendizagem, ou seja, os conhecimentos, aptidões e competências que os estudantes adquirem. Ter passado algum tempo na escola já não é suficiente. Além disso, é necessário melhorar ainda significativamente a literacia e a numeracia básicas, devendo as competências empresariais e o sentido de iniciativa ser desenvolvidos e reforçados (ver IP/12/1224 relativo a um maior ênfase nas novas competências nas escolas)

É necessário adaptar e modernizar os métodos de avaliação, a fim de garantir que o ensino corresponde melhor às necessidades dos estudantes e do mercado de trabalho. O uso de TIC e de recursos educativos abertos deve ser intensificado em todos os contextos de aprendizagem. Os professores têm de atualizar as suas próprias competências por meio de formação regular. A estratégia também insta os Estados-Membros a reforçar os laços entre o ensino e os empregadores, a trazer as empresas para a sala de aula e a proporcionar aos jovens uma ideia do que é a vida profissional através de uma aprendizagem cada vez mais baseada no trabalho. Os ministros da educação da União Europeia são também incentivados a intensificar a sua cooperação no tocante à aprendizagem baseada no trabalho a nível nacional e da UE.

Outras medidas propostas incluem um novo valor de referência para a aprendizagem de línguas, orientações sobre a avaliação e o desenvolvimento da educação para o empreendedorismo e uma análise de impacto a nível da UE sobre o uso das TIC e dos recursos educativos abertos no ensino, a fim de preparar o terreno para uma nova iniciativa a lançar em 2013 sobre «Abrir a Educação», destinada a maximizar o potencial das TIC para a aprendizagem.

Contexto

As competências são fundamentais para a produtividade, pelo que a Europa precisa de responder ao aumento a nível mundial da qualidade do ensino e da oferta de competências. As previsões apontam para que, em 2020, mais de um terço dos postos de trabalho na União Europeia exijam qualificações de nível terciário e que 18 % dos postos de trabalho sejam pouco qualificados.

Atualmente, 73 milhões de europeus, cerca de 25 % dos adultos, têm um nível baixo de habilitações. Perto de 20 % dos jovens de 15 anos de idade não têm níveis suficientes de literacia, sendo que em cinco países mais de 25 % dos alunos registam fraco desempenho em leitura (Bulgária, 41%, Roménia, 40%, Malta, 36%, Áustria, 27,5%, e Luxemburgo 26%). O abandono escolar precoce situa-se em níveis inaceitavelmente elevados em vários Estados-Membros. Em Espanha, é de 26,5 % e em Portugal de 23,2 % (a meta da UE é inferior a 10%). Menos de 9 % dos adultos participam na aprendizagem ao longo da vida (a meta da UE é de 15 %).

As recomendações enunciadas na estratégia «Repensar a Educação» baseiam-se nos resultados do Monitor da Educação e da Formação de 2012, um novo inquérito anual da Comissão, que apresenta a oferta de competências nos Estados-Membros.

Repensar a Educação em síntese:

  • É necessária uma incidência muito mais forte no desenvolvimento de competências transversais e de base a todos os níveis. É o caso, em especial, das competências em tecnologias da informação e do espírito empresarial.
  • Um novo valor de referência para a aprendizagem de línguas: até 2020, pelo menos 50 % dos jovens de 15 anos de idade deverão conhecer uma primeira língua estrangeira (aumento em relação aos 42 % atuais) e pelo menos 75 % deverão estudar uma segunda língua estrangeira (atualmente 61 %).
  • São necessários investimentos para criar sistemas de ensino e de formação profissionais de craveira mundial e intensificar a aprendizagem com base no trabalho.
  • Os Estados-Membros têm de melhorar o reconhecimento das qualificações e das competências, incluindo daquelas que são adquiridas fora do sistema de educação e formação formal.
  • A tecnologia, e em particular a internet, deve ser explorada em pleno. As escolas, as universidades e os estabelecimentos de formação profissional devem desenvolver o acesso à educação através dos recursos educativos abertos.
  • Estas reformas devem ser apoiadas por professores bem treinados, motivados e empreendedores.
  • O financiamento deve ser seletivo, a fim de maximizar o retorno do investimento. É necessário debate, tanto a nível nacional como a nível da UE, sobre o financiamento da educação, especialmente no que se refere ao ensino profissional e ao ensino superior.
  • É fundamental adotar uma abordagem de parceria. É necessário financiamento público e privado para potenciar a inovação e incrementar o intercâmbio de experiências entre a universidade e as empresas.

Erasmus para Todos, o programa europeu para a educação, a formação, a juventude e o desporto, ainda em fase de proposta pela Comissão e com uma dotação prevista de 19 000 milhões de euros, pretende duplicar o número de pessoas que recebem bolsas para desenvolver as suas competências no âmbito de estudos, de formação ou de voluntariado no estrangeiro, que deverá assim chegar aos 5 milhões de pessoas no período de 2014-2020. Mais de dois terços da dotação do programa irão apoiar este tipo de mobilidade individual para fins de aprendizagem, sendo o restante destinado a projetos que se dediquem à cooperação para a inovação, à reforma das políticas e à partilha de boas práticas.

A 5 de dezembro, a Comissão deverá apresentar um «Pacote para o Emprego dos Jovens», que inclui uma proposta de garantia dada aos jovens. Nos termos desta garantia, os Estados-Membros seriam obrigados a assegurar que todos os jovens recebem uma proposta de emprego de qualidade ou uma proposta de formação ou de estudos complementares no prazo de quatro meses a contar da conclusão da escolaridade ou da perda de emprego. A proposta prevê também explorar plenamente os financiamentos da UE e, em particular, o Fundo Social Europeu.

Para mais informações:

Estratégia «Repensar a Educação» e anexos

Comissão Europeia:Education and training

Sítio web de Androulla Vassiliou

Siga Androulla Vassiliou no Twitter @VassiliouEU

 

Contactos :

Dennis Abbott (+32 2 295 92 58); Twitter: @DennisAbbott

Dina Avraam (+32 2 295 96 67)

« Página anteriorPágina seguinte »


Entries e comentários feeds.