Crianças mais medicadas com psicoestimulantes

Outubro 31, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site RCM pharma de 22 de Outubro de 2012.

Ricardo era um miúdo irrequieto que, aos cinco anos, dificilmente conseguia concentrar-se ou cumprir uma tarefa até ao fim. Mais complicado ainda, conta o pai, era conseguir “que obedecesse a qualquer ordem dos adultos”. Até que, desesperados, os pais decidiram consultar um psiquiatra. Diagnóstico: hiperactividade e défice de atenção. Tratamento: algumas gotas, várias vezes ao dia, de um fármaco chamado Ritalina – o mais famoso dos três psicoestimulantes comercializados em Portugal e cujo consumo em crianças disparou nos últimos anos, conta o semanário SOL.

Segundo dados da consultora IMS Health avançados ao SOL, nos primeiros nove meses deste ano, foram comercializadas nas farmácias quase 164 mil embalagens destes medicamentos, mais 21 mil do que no mesmo período do ano passado. E o aumento tem sido constante nos últimos anos. Em 2011, foram vendidas 203.523 embalagens, quase o dobro das transaccionadas quatro anos antes.

Os números estão a preocupar a comunidade médica, que alerta para os perigos do excesso de diagnósticos, e dividem os pais, com alguns a temerem os efeitos de um medicamento que interfere no sistema nervoso central dos filhos durante o crescimento, e que causa, entre outros efeitos secundários, a perda de apetite e a dificuldade em adormecer. Aliás, muitos decidem mesmo não seguir as recomendações médicas.

Foi o caso dos pais de Ricardo que, há um ano, optaram por experimentar outras terapias. “Com a Ritalina, ele começou a ter tiques. Mexia constantemente no nariz, e balançava-se em onda, lembra António, o pai, explicando que a falta de apetite tinha-se tornado outro obstáculo. Além disso, acrescenta, “a personalidade dele também mudou, tornou-se mais apático”.

Até agora, a experiência de lidar com um filho “mais difícil” que as duas irmãs mais velhas, sem medicação, “está a correr bem”: “No quinto ano, o Ricardo teve alguns cincos e vários quatros, conseguiu ter notas medianas”. Quanto ao comportamento, ainda está longe de ser perfeito: “Continua a ter dificuldade em lidar com ordens e tivemos de estabelecer regras muito definidas, ajudá-lo a treinar o traço, a lidar com a frustração. Tem de ser um dia de cada vez”.

Cem mil hiperactivos

Ricardo, hoje com 11 anos, é uma das 100 mil crianças portuguesas em idade escolar diagnosticadas com hiperactividade e défice de atenção (o número de rapazes sinalizados é quatro vezes superior ao das raparigas), segundo dados da Associação Portuguesa da Criança Hiperactiva.

Grande parte estará medicada com o metilfenidato, o princípio activo do medicamento indicado nestas situações e que, em Portugal, é comercializado sob os nomes de Ritalina, de Conserta e de Rubinefe. “Apenas metade destas crianças sofre do distúrbio. Diria 50 mil, no máximo”, avisa, em declarações ao SOL, a presidente e fundadora da associação, Linda Serrão.

Mãe de três crianças hiperactivas – e que cresceram a tomar os três fármacos que actuam de formas diferentes no organismo –, Linda Serrão conhece bem os métodos de tratamento disponíveis em Portugal e a evolução dos números nos últimos anos. E é peremptória: “Há demasiadas más avaliações. Muitas crianças têm outros problemas, como a dislexia, por exemplo, e são diagnosticadas com hiperactividade, e muitas outras são hiperactivas e nunca chegam a ser diagnosticadas. Isto é muito preocupante”.

A dificuldade na avaliação da doença é, aliás, um dos problemas apontados pelos especialistas que falam numa “epidemia de hiperactividade”: “Passa-se o mesmo do que com as depressões. Se as pessoas estão tristes, a tendência é para apontar logo para uma depressão”, avisa Fernando Santos, director do serviço de pedopsiquiatria do Hospital da Luz, em Lisboa.

A questão, explica o médico, é que “não há nenhum exame que determine se a criança é hiperactiva ou se tem outro problema”.

Daí que seja “fundamental excluir outros distúrbios com sintomas semelhantes, como é o caso da depressão ou de traumas por que a criança passe, como um divórcio, que também provocam agitação, por exemplo”, acrescenta o especialista.

A cautela no diagnóstico é sublinhada pelos vários especialistas. Mónica Pinto, pediatra do neurodesenvolvimento do Centro Diferenças, especializado neste tipo de distúrbios, defende que “deve haver um grande cuidado na avaliação”, especialmente nas “crianças em idade pré-escolar [altura em que se faz a maior parte dos diagnósticos], uma vez que há crianças agitadas que aos 6-7 anos normalizam e não precisam de medicação”.

Para a médica, o aumento dos casos diagnosticados tem uma justificação: “Houve um período em que a hiperactividade foi a ‘doença da moda’”. Por isso, avisa: “Devem primeiro esgotar-se outras formas de intervenção”.

Consumo controverso

O facto de o consumo destes medicamentos ser controverso tem criado conflitos nas próprias famílias. Nuno, pai divorciado de um rapaz de 12 anos, tem dificuldades em lidar com a decisão da mãe de dar Ritalina ao filho, apesar da sua oposição. “Há três anos, achou que ele andava muito nervoso, agitado, que tirava más notas”, conta, considerando ser fácil perceber o motivo da agitação: “Foi pouco depois de nos separarmos!”.

Mas a pedopsiquiatra concordou com mãe e diagnosticou ao menor hiperactividade e défice de atenção numa fase ligeira. Desde então, Tomás faz tratamentos diários com as famosas gotas. Mesmo no tempo em que está com o pai, o tratamento não é interrompido.

Nuno vive cheio de dúvidas e medo dos efeitos da Ritalina a longo prazo. “Ele fica demasiado parado, não parece o mesmo”, lamenta. E, acrescenta, “custa-me estar a dar-lhe estas coisas tão novo, que interferem no sistema nervoso”.

Os médicos, porém, garantem que estes psicoestimulantes não deixam sequelas no crescimento. Mas admitem outros efeitos. “Há a possibilidade de comprometer em um ou dois centímetros a estatura final em alguns casos”, diz a pediatra Mónica Pinto.

 

Sites pornos roubam 90% das fotos sexuais íntimas

Outubro 31, 2012 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 30 de Outubro de 2012.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Young people are warned they may lose control over their images and videos once they are uploaded online

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Vídeo da APCOI – Obesidade Infantil em Portugal

Outubro 31, 2012 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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Inauguração da Exposição “Um chá para Alice” Ilustrações Contemporâneas de Alice no Pais das Maravilhas 31 de Outubro pelas 18.00 horas na FCG

Outubro 31, 2012 às 10:22 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Celebrar a figura central do clássico de Lewis Carroll através de algumas das mais sugestivas ilustrações contemporâneas é o propósito da exposição Um Chá para Alice que a Fundação apresenta na sala de Exposições Temporárias (piso 01).

A exposição reúne uma centena de originais de alguns dos melhores ilustradores contemporâneos – 21 autores de 15 países –, que apresentam o seu olhar único sobre uma obra que sempre constituiu uma inesgotável fonte de inspiração de artistas de todo o mundo: Alice no País das Maravilhas. O eixo central da exposição é o emblemático episódio do chá do Chapeleiro Maluco e da Lebre de Março que inspirou ilustrações tão diversas quantos os autores presentes, e que serão mostradas em mesas desenhadas para o efeito. Serão, ao todo, 21 mesas – uma por cada ilustrador – com formas e alturas distintas, formando uma espécie de lagarta louca, onde todas ilustrações estarão expostas.

A mostra foi estreada este verão no Story Museum, em Oxford, cidade que viu nascer esta narrativa há 150 anos e que veio a tornar-se um dos contos mais universais e intemporais de sempre, hoje traduzido para mais de uma centena de idiomas.

Imaginada por Ju Godinho e Eduardo Filipe, e apoiada pela Fundação Calouste Gulbenkian, a exposição propõe mostrar várias representações visuais contemporâneas deste conto, que teve como primeiro ilustrador o próprio Lewis Carroll, que encheu o manuscrito original de desenhos. A partir daí, sucederam-se as mais diversas ilustrações até aos nossos dias. Algumas das mais notáveis podem ser agora vistas na Fundação até 10 de fevereiro.

Os artistas representados são Alain Gauthier, Lucie Laroche, Nicole Claveloux e Rebecca Dautrement (França), Anthony Browne, Helen Oxenbury e John Vernon Lord (Reino Unido), Chiara Carrer e Lisa Nanni (Itália), Anne Herbauts (Bélgica), Dusan Kallay (Eslováquia), Iban Barrenetxea (Espanha), Joanna Concejo (Polónia), Klaus Ensikat (Alemanha), Lisbeth Zwerger (Áustria), Maggie Taylor (EUA), Narges Mohammadi (Irão), Nelson Cruz (Brasil), Suzy Lee (Coreia do Sul), Teresa Lima (Portugal) e Vladimir Clavijo (Rússia).

As imagens de cada um deles transportam o espectador para uma dimensão paralela ao texto, uma dimensão visual feita de cores, formas, texturas e relações volumétricas. Através da visão e da arte de cada artista o público é levado a revisitar episódios e personagens, a comparar estilos, escolas e técnicas, a reconhecer influências culturais e a descobrir novas interpretações.

A estreita colaboração com a Biblioteca de Munique permite incluir nesta mostra um grande número de edições antigas e modernas deste conto que podem ser consultadas pelo público.
Um Chá para Alice
1 novembro 2012 / 10 fevereiro 2013

Edifício Sede – entrada livre

Comunidades de prática e bibliotecas escolares – Publicação Digital

Outubro 31, 2012 às 6:00 am | Publicado em Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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As bibliotecas escolares (BE) são estruturas nucleares na escola, ao serviço da comunidade educativa, enquanto espaços de leitura, pesquisa, aprendizagem e construção de conhecimento. A gestão e a dinamização da biblioteca escolar exigem, por um lado, o conhecimento e o empenho das equipas que as gerem e, por outro, o desenvolvimento de estratégias de partilha com outros núcleos pedagógicos. Os professores bibliotecários (PB) e as equipas devem desenvolver a sua ação em articulação com outros parceiros, de modo a implementar práticas de trabalho colaborativo – com os orgãos de gestão, os professores, os alunos, os encarregados de educação, outras equipas e outras instituições – em comunidades de partilha e reflexão.

Neste âmbito, a criação de comunidades de prática (CoP), ou a participação dos PB e dos elementos da equipa da biblioteca em comunidades já existentes, pode ser um meio de aprofundar e renovar o conhecimento e a aprendizagem. As CoP são estruturas que se organizam em torno de um interesse comum, de uma área ou domínio do conhecimento, ou de um campo de atuação. A identidade de uma comunidade de prática é construída pelos elementos que a integram, tendo em conta os seus interesses e necessidades e, sobretudo, o domínio ou área de atuação que elegem para reflexão. Deste modo, constitui-se como um modo de promover quer a aprendizagem dos elementos que nela participam, quer o desenvolvimento da organização, ou seja, da biblioteca escolar, de forma sustentada e integrada na rede mais ampla de relações em que esta se enquadra.

Este documento pretende dar a conhecer os princípios teóricos associados às CoP e mostrar de que modo é que este conceito de comunidade pode ser perspetivado no contexto da organização e gestão das bibliotecas escolares, favorecendo a melhoria dos serviços e a apropriação da BE pela comunidade educativa.


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