Mais gordos em Lisboa e no Porto

Setembro 3, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Correio da Manhã de 8 de Agosto de 2012.

Obesidade infantil agrava-se em Lisboa e no Porto

Por:Sónia Trigueirão

Um terço das crianças portuguesas, cerca de 30,2 %, entre os seis e os oito anos tem excesso de peso, sendo 14,3% obesas. A liderar este grupo surgem as zonas de Lisboa e Setúbal, com 32%; do Porto, com 31%; e do Centro, com 28%. Sendo que o Alentejo e o Algarve apresentam os índices de excesso de peso mais baixos, com 24,1% e 19,5%, respectivamente.

Os dados pertencem a um estudo que está a ser promovido pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) e pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) e cujos resultados da primeira e segunda fase, realizadas em 2008 e 2010, foram publicados no boletim Epidemiológico do INSA.

O estudo, que seguiu os critérios de avaliação do projecto de vigilância da obesidade infantil da Organização Mundial de Saúde, revela que na base destes números estão comportamentos sedentários e de educação: má alimentação e falta de exercício.

Os alimentos que foram reportados como consumidos frequentemente (seis vezes por semana, no máximo) são os considerados menos saudáveis como refrigerantes, batatas fritas de pacote, doces, pizzas, hambúrgueres e salsichas.

No entanto, entre 2008 e 2010, verificou-se que a percentagem de crianças obesas em Portugal baixou dois pontos percentuais, de 32,2 por cento para 30,2 por cento.

As autoridades temem que a crise agrave a qualidade da alimentação das famílias e que estes números voltem a aumentar até 2013.

A investigadora Ana Rito, do departamento de Alimentação e Nutrição do INSA, refere que no que diz respeito ao exercício é possível melhorar sem gastar: “Não estamos a falar de deixar as crianças no sofá, mas de deixar que brinquem, saltem, corram, que vão ao parque ou até que dancem, se for o caso, o que pode ser feito dentro de casa”.

DISCURSO DIRECTO

“PAIS SÃO OS PRIMEIROS RESPONSÁVEIS”: Ana Bravo, nutricionista, aconselha as famílias a levarem fruta e gelatina para a praia

Correio da Manhã – Há mais pais que procuram levar os filhos a nutricionistas?

Ana Bravo – Sim. Efectivamente, os pais estão mais preocupados com a saúde dos seus filhos. Mas é de referir que são os pais os primeiros responsáveis pela alimentação das crianças

– Tal facto deve-se à falta de informação dos pais?

– Deve-se à falta de informação e aos hábitos que os progenitores também têm e dos quais, muitas vezes, teimam em não abdicar. Tenho algumas situações em que os pais não abdicam de ter em casa alimentos de que eles próprios gostam, mas que o filho não pode comer de maneira nenhuma. Uma criança não tem a mesma percepção que um adulto e os pais têm de saber ajudar os filhos, mesmo que isso implique abdicarem de alguma coisa.

– Nas férias, com a praia, e com a tendência para as refeições rápidas, o que recomenda?

– Primeiro, é importante dizer que é possível comer de forma saudável, mesmo que seja uma sandes. Com crianças é importante levar, por exemplo, frutas e gelatinas para a praia. E pode-se fazer sandes saudáveis de atum em água com alface, tomate e pepino, por exemplo.

– Nas férias, a possibilidade de acordar mais tarde pode levar a saltar refeições. O que recomenda?

– Com crianças há que cumprir as refeições todas. Até para não passar maus hábitos.

 

 

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