Dislexia : Neuropsicologia das Perturbações da Escrita e da Leitura

Agosto 21, 2012 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Modelo inovador ajuda alunos no sucesso escolar

Agosto 21, 2012 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do portal Educare de 27 de Julho de 2012.

Sara R. Oliveira

Modelo propõe ensino supervisionado e diferenciado nas disciplinas teóricas para crianças com dificuldades de aprendizagem. Resultados demonstram que alunos aprendem melhor e ganham mais confiança

Antes de o colocar no papel e depois de o aplicar na parte prática da sua tese de doutoramento, que apresentou na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, Maria Amélia Dias Martins, especialista em insucesso escolar, já tinha testado o modelo em contexto real em algumas escolas do país, durante vários anos. O modelo NEERE – Modelo de Não Exclusão pela Eficácia da Remediação Educativa – propõe um ensino supervisionado e diferenciado nas disciplinas teóricas de Português, História, Ciências, Matemática e Inglês, para as crianças com dificuldades de aprendizagem.

É um modelo inovador, económico, fácil de gerir e com premissas bem definidas. Um professor ansioso, por exemplo, não pode ensinar um aluno hiperativo. Os docentes são escolhidos em função dos alunos com quem irão trabalhar. “Um professor ansioso não pode ter um aluno que se porta mal”, especifica a especialista, que acrescenta que é importante ter professores exigentes consigo próprios e com os seus alunos. A seleção é um passo importante do processo. “Escolher professores que no seu percurso escolar tenham demonstrado bons resultados com alguns alunos que desenvolvem problemas e dificuldades de aprendizagem”. Os docentes recebem formação adequada para aplicar o modelo NEERE.

Os resultados são reveladores. Adequadamente aplicado, o novo modelo educativo pode aumentar, em mais de 50%, o sucesso escolar das crianças com dificuldades acentuadas na aprendizagem, de uma forma mais eficaz e economicamente viável. No âmbito da tese de doutoramento, Maria Amélia Dias Martins comprovou que os alunos aprendem melhor, têm mais confiança em si próprios e, em cem por cento dos casos, passaram de ano com aproveitamento.

Este modelo de ensino pretende aproveitar recursos já existentes e ajudar alunos com insucesso escolar. Durante um ano letivo, a especialista aplicou o modelo de educação pioneiro para crianças com dificuldades escolares acentuadas. Selecionou 24 crianças com insucesso escolar, em transição do 1.º para o 2.º ciclo, dividindo-as por um grupo experimental de 11 crianças, no qual foi aplicado o modelo NEERE, e um grupo de controlo de 13, onde vigorou o modelo de currículo comum. Os 13 alunos do grupo de controlo foram distribuídos por diferentes turmas de 5.º ano do ensino regular. Os 11 alunos do grupo experimental foram inseridos numa turma de 5.º ano, mas separados dos restantes elementos da turma nas disciplinas de Português, História, Ciências, Matemática e Inglês, com um professor por disciplina, selecionado para o estudo.

Nas aulas em que o modelo NEERE foi seguido, os docentes tiveram liberdade de utilizar métodos e materiais que consideravam mais adequados à sua área de especialidade. Esta intervenção educativa esteve subordinada aos mesmos conteúdos programáticos dos restantes alunos e a sua avaliação decorreu da mesma forma. Após um ano de aplicação, os efeitos da intervenção são visíveis. O estudo demonstra que os resultados relativos ao rendimento escolar foram positivos no grupo experimental, enquanto que no grupo de controlo continuaram negativos quando comparados com os do início do ano escolar.

No final do ano letivo, 100% dos alunos do grupo experimental transitaram para 6.º ano, o que só se verificou com 38% dos alunos que seguiram um currículo comum. Em relação à dimensão afetiva, a estabilidade emocional das crianças era considerada semelhante no início do estudo. Já a confiança dos alunos nas suas capacidades era mais elevada no grupo de controlo; o grupo experimental considerava-se menos capaz de desempenhar tarefas escolares.

No final do ano de escolaridade, as crianças ensinadas pelo modelo NEERE, apesar de ainda estarem instáveis a nível emocional, registaram um aumento significativo na sua autoconfiança. O grupo a quem foi aplicado o modelo convencional manifestou, no final do ano, mais sinais de instabilidade emocional e um nível muito mais baixo de confiança nas suas capacidades. Os resultados são claros: os alunos chegaram ao final do ano com melhor rendimento escolar, maior estabilidade emocional e uma maior confiança na sua capacidade de trabalho, em comparação com os seus colegas abrangidos pelo método de ensino atualmente em vigor.

Para Maria Amélia Dias Martins, educação é educação e ponto final. O termo educação especial é, em seu entender, subjetivo. “As escolas têm de estar equipadas para serem capazes de responder a todos os alunos que lhe aparecem”, refere. O modelo acabou por surgir no final da década de 90 depois de olhar à volta e de constatar como funciona a realidade. “Há necessidade de rentabilizar, por um lado, os professores e, por outro, de os alunos se sentirem motivados entre os seus pares”, comenta. As necessidades dos alunos não são colocadas de lado e os patamares de desenvolvimento são respeitados. “Todo o currículo é lecionado de acordo com o desenvolvimento da criança”.

“O segredo está na supervisão, além da avaliação diagnóstica prévia”, sublinha. A supervisão permanente faz toda a diferença no modelo NEERE que envolve todos os atores – professores, alunos, pais, comunidade educativa – no processo. Um modelo transversal, que se concentra sobretudo numa altura delicada do percurso escolar dos alunos, ou seja, na transição do 1.º para o 2.º ciclos. “É fundamental criar capacidades e conhecimentos e não há competências sem capacidades e sem conhecimentos”, afirma Maria Amélia Dias Martins.

Neste momento, o modelo NEERE não está a ser aplicado em nenhuma escola.

Há respostas que estão no comportamento dos pais

Agosto 21, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do portal Educare de 6 de Agosto de 2012.

Sara R. Oliveira

Mikaela Övén dedica-se à parentalidade e educação de crianças. Tem três filhos, um blogue, participa em seminários e está disponível para ir a escolas. E aconselha a olhar para dentro.

Comportamentos inadequados, atitudes fora do normal, birras, trabalhos de casa, hiperatividade, dúvidas na maneira de lidar com os filhos, perguntas que procuram respostas. São estas as principais questões que “batem à porta” de Mikaela Övén, de origem sueca a viver em Portugal há 11 anos. É mãe de três filhos e depois dos nascimentos decidiu centrar-se na área da parentalidade e educação de crianças. Tem um blogue, participa em seminários, em cursos, dá orientação e aconselhamento familiar. Licenciada em Recursos Humanos, é coach e practitioner em Programação Neurolinguística e facilitadora certificada pela Family Lab. Mikaela está disponível para ouvir os pais e ir às escolas fazer workshops ou prestar consultoria.

Será que há algo de errado com o meu filho? O que vou fazer com ele? Estas perguntas repetem-se. Mikaela Övén aconselha a olhar para dentro, antes de olhar para fora. “Procuro que os pais pensem mais no que podem fazer em relação a eles próprios, antes de se focarem tanto em mudar o comportamento da criança. Como acredito que todas as crianças colaboram de alguma forma com os pais/adultos, a resposta está no nosso comportamento”, refere ao EDUCARE.PT. Ser mãe ou pai é, na sua opinião, “um belo curso de desenvolvimento pessoal”.

O tempo não estica, a maior parte dos pais passa muito tempo no trabalho, as horas para estar com os filhos acabam por encurtar. E quando os problemas surgem, muitas vezes, procura-se uma receita para lidar com os comportamentos dos mais pequenos. A autora do blogue Mama Mia quer, antes de tudo, perceber as situações com que tem que lidar e evita dar dicas generalizadas. “Acredito profundamente que o presente mais bonito que um pai ou uma mãe pode dar ao seu filho é cuidarem bem deles próprios. E a resposta da harmonia da família e do bem-estar dos filhos está aí”, afirma.

Os pais sabem ser pais nos dias de hoje? Mikaela acredita que sim e que a maioria tem uma enorme vontade de ser bons pais e assume esse desejo como um objetivo sempre presente na cabeça. “Os pais pensam e refletem muito sobre a parentalidade. Mas como duvidam das suas capacidades, como não confiam na sua intuição e como têm falta de auto-estima, há momentos em que desistem por causa da pressão do dia a dia, por exaustão, por falta de paciência, por causa de familiares, das escolas”, refere.

Muitos pais continuam à procura de uma receita, de uma fórmula para educar os filhos, um “quick fix” para resolver o problema xis. Mikaela sublinha que é importante os pais pararem para ouvir os seus corações com tempo. Pode ser que assim encontrem soluções. Pode ser que assim “entendam que há relações que temos de cuidar todos os dias”.

Centrar atenções nas relações que se criam com os filhos é um passo importante. Tentar controlar ou domar comportamentos é um caminho que não deve ser seguido. Não há pais perfeitos. Ponto final. “Pergunto-me o que é o crescimento harmonioso. Acho que isso se baseia nas relações que existem na família. Acho que procuramos, mais uma vez, muitas coisas fora de nós como resposta a essa necessidade de criar mais harmonia”, refere. Na sua opinião, é preciso autenticidade e intenção naquilo que se faz, nas atividades em que se colocam os filhos. “Acredito que as crianças vão crescer harmoniosamente quando têm relações em casa que refletem isso mesmo”. “Claro que há formas que ajudam, mas se os próprios pais não fizerem o trabalho principal… então não vai acontecer”, acrescenta

Os paradoxos também acontecem. Uma geração informada, mas, na sua opinião, desorientada. “Acho que a geração de pais de hoje nunca foi tão informada. Nunca soube tanto sobre educação e desenvolvimento de crianças. No entanto, acho que não houve nenhuma geração tão perdida…”, comenta. Recua ao passado, ao tempo em que as pessoas se regiam pelas normas da sociedade, pela igreja, pelos valores cultivados em família. Depois, o mundo ficou mais complicado. “E como as pessoas procuram mais fora do que dentro, as coisas tornam-se mais complexas. Porque as respostas não estão nos livros”, alerta. Mikaela Öven insiste que as famílias têm de olhar para dentro. Até porque, na sua perspetiva, há técnicas e métodos que enchem páginas de livros e que podem não servir de nada na prática.

Neste momento, Mikaela Övén colabora com uma escola. Trabalha no desenvolvimento dos valores-base desse estabelecimento de ensino. Um projeto onde também colabora com a associação de pais e em que meteu nos planos workshops e tertúlias para os pais das crianças.

Informações:
http://mamamiaparentalidade.blogspot.pt


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