Negligência contribui para mau desenvolvimento do cérebro das crianças

Agosto 8, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site CiênciaHoje de 24 de Julho de 2012.

Equipa de investigadores analisou ressonâncias magnéticas de crianças institucionalizadas

Um estudo publicado na «PNAS» refere que a negligência psicológica e física nas crianças produz alterações consideráveis no seu cérebro. A investigação foi realizada no Hospital Infantil de Boston (EUA) através da análise de ressonâncias magnéticas que mostram uma diminuição de massa cinzenta e branca no cérebro de crianças internadas em instituições. O estudo refere também que as intervenções positivas podem reverter essas alterações.

A equipa, dirigida por Margaret Sheridan e Charles Nelson, dos Laboratórios de Neurociência Cognitiva daquele hospital, analisou imagens de ressonância magnética de crianças romenas que fazem parte do Projecto de Intervenção Precoce de Bucareste (Roménia), que transferiu crianças criadas em orfanatos para lares adoptivos temporários.  

As novas conclusões somam-se às de estudos anteriores realizados pela mesma equipa que mostram uma deterioração cognitiva em crianças institucionalizadas e também melhoras significativas em crianças que são acolhidas em lares de adopção.

A exposição à adversidade durante a infância tem um efeito negativo sobre o desenvolvimento cerebral, afirma Sheridan, que acrescenta que as implicações são muito amplas, não só para as crianças internadas em instituições, mas também para as crianças expostas ao abuso, ao abandono, à violência, à pobreza extrema e outras adversidades.

Os investigadores compararam três grupos de crianças entre os 8 e os 11 anos de idade: 29 tinham sido criados numa instituição, 25 tinham seleccionados ao acaso para saírem da instituição e viverem em casas de acolhimento e 20 nunca tinham estado numa instituição.

Na ressonância magnética, as crianças institucionalizadas apresentaram redução do volume de substância cinzenta no córtex cerebral em relação às que tinham vivido em famílias de acolhimento.

Nas crianças institucionalizadas, o volume de matéria branca também foi menor em comparação com as crianças não institucionalizadas. Nos meninos em famílias de acolhimento, o volume da massa branca não diferia da das crianças que nunca tinham sido institucionalizadas.

Os investigadores assinalam que os picos de crescimento da massa cinzenta em momentos específicos da infância indicam que o meio ambiente pode influenciar fortemente o desenvolvimento do cérebro.

A massa branca, ao contrário da cinzenta, desenvolve-se lentamente, pelo que pode responder melhor a terapias para reverter as alterações negativas.

Estudos anteriores realizados por esta equipa tinham já documentado que os défices sociais, de linguagem e de funcionamento cognitivo funcional das crianças institucionalizadas elevam as taxas de transtorno por défice de atenção, as dificuldade de funcionamento social e até o envelhecimento celular prematura.

Artigos: Variation in neural development as a result of exposure to institutionalization early in childhood

 

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