Escolas são as que mais alertam para perigo

Agosto 8, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 3 de Agosto de 2012.

por Texto da agência Lusa publicado por Paula Mourato

As escolas são as entidades que mais comunicam às Comissões de Proteção de Crianças e Jovens casos de menores em situações de perigo e que necessitam de intervenção, segundo um relatório oficial.

O relatório da atividade processual das 305 Comissões de Proteção das Crianças e Jovens, referente ao primeiro semestre de 2012, revela que foram reportadas por várias entidades 17.080 situações de perigo.

Este é o primeiro relatório semestral de avaliação e acompanhamento da atividade das comissões de proteção, alterando assim a metodologia anterior de realização de uma análise anual do sistema.

A partir de 2013, a divulgação destes dados será feita de três em três meses, uma decisão que segundo o secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, Marco António Costa, permite ter uma visão real das situações e intervir atempadamente sobre os fenómenos que surgem.

As escolas comunicaram às comissões de proteção 4.533 casos de perigo, logo seguidas das autoridades policiais (2.927), dos pais/cuidadores das crianças (1.315).

As comissões tomaram ainda conhecimento da necessidade atuar para proteger crianças e jovens através de estabelecimentos de saúde, do Ministério Público, de vizinhos e particulares, de familiares, dos tribunais, dos serviços de Segurança Social, de instituições particulares de solidariedade social e de autarquias.

De acordo com o documento a que a Lusa teve acesso, no global, as comissões estavam em junho deste ano a acompanhar 52.166 casos de crianças e jovens em risco, dos quais 14.512 instaurados em 2012.

A negligência, a exposição a modelos de comportamento desviante, o risco de estar em causa o direito à educação e os maus-tratos psicológicos foram as principais situações de perigo que levaram a instaurar processos de proteção nas 305 comissões existentes no país.

Relativamente a situações em que esteja em causa o direito à educação como o absentismo, o abandono e o insucesso escolares, as comissões detetaram 2.505 casos.

Em declarações à agência Lusa, o secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social explicou que estes fenómenos serão agora analisados no segundo semestre deste ano, quando sair um novo relatório da atividade processual das comissões.

Um dos objetivos, explicou Marco António Costa, é realizar encontros nacionais temáticos de análise específica destas situações.

Entretanto, adiantou o governante, na sequência de contactos já realizados com as comissões na altura em que foi apresentado o relatório anual do seu trabalho, em maio, foram detetados alguns constrangimentos no funcionamento destas entidades, nomeadamente a necessidade de ter na equipa professores a tempo inteiro assim como representantes de estabelecimentos de saúde locais.

Segundo o secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, o Ministério da Educação já assegurou entretanto que vai destacar professores para as comissões a tempo inteiro.

Já no que respeita à saúde, frisou, em 60 comissões de proteção não existem representantes desta área pelo que foi pedida ao Ministério da Saúde a disponibilização de técnicos.

Neste relatório semestral foi ainda detetada uma outra situação que, segundo disse à Lusa Marco António Costa, deverá ser estudada, nomeadamente casos em que a criança assume comportamentos que afetam o seu bem-estar.

Nesta categoria estão assim fenómenos como o ‘bullying’, os comportamentos graves antissociais ou a indisciplina, o consumo de bebidas alcoólicas e o consumo de estupefacientes detetados em 1.547 sinalizações.

3.610 alunos sinalizados em 2011/2012

Agosto 8, 2012 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 7 de Agosto de 2012.

por Texto da Agência Lusa, publicado por Joana Capucho

Mais de 3.600 alunos de trinta agrupamentos foram sinalizados aos gabinetes de apoio ao aluno e à família no ano letivo 2011/2012 por apresentarem diversos problemas escolares e de comportamento, revela um relatório do Instituto de Apoio à Criança.

Segundo o relatório de atividades 2011/2012 da Rede de Gabinetes de Apoio ao Aluno e à Família (GAAF), a que a Lusa teve hoje acesso, foram sinalizados 3.610 alunos, que representam oito por cento do total dos 40.062 alunos que integram os 30 agrupamentos de escolas analisados.

A maioria dos alunos (31%) pertence ao primeiro ciclo, seguindo-se o terceiro ciclo (28%) e o segundo ciclo (27%).

Esta situação poderá estar relacionada com a “forte aposta na prevenção primária” e com uma maior exposição das crianças a fatores de risco nesta fase de transição de ciclo, encontrando-se “mais desprotegidas e sujeitas a consideráveis níveis de stress escolar”, refere o documento.

Os autores do relatório referem que esta situação desencadeia uma “diminuição significativa do seu desempenho e do seu autoconceito escolar”, uma condição que pode ser agravada pelo facto de muitas famílias “não estarem suficientemente atentas para as reais dificuldades dos seus filhos”.

A maioria (55%) dos alunos encaminhados são rapazes, o que poderá estar relacionado com “algum determinismo biológico e alguma modelação social e cultural”, que os leva a exteriorizar mais facilmente a sua agressividade do que as raparigas.

Os dados indicam que foram identificadas 5.742 situações – uma média de 1,6 por aluno sinalizado -, das quais 3.304 relacionadas com problemáticas escolares e 2.438 com problemas de comportamento.

Mais de metade das situações (58%) relaciona-se com problemas escolares: desmotivação (14%), fraco aproveitamento escolar (14%), absentismo escolar (11%), dificuldades de aprendizagem (11%), retenções recorrentes (5%) e abandono escolar (3%).

Os problemas de comportamento abrangem 42% dos casos, dos quais 11% na sala de aula, 8% no pátio, 8% participações disciplinares, 6% agressividade, 5% violência verbal e 4% violência física.

“O abandono escolar apresenta-se como a problemática com menor incidência, o que poderá ser explicado pela constante intervenção junto das famílias e posterior articulação com os parceiros, nomeadamente com as comissões de proteção de crianças e jovens em perigo”, explica o documento.

O relatório analisou a “problemática individual”, a nível de “comportamentos desviantes, “exposições a situações de risco”, “problemas de saúde” e ainda 21 casos de gravidez na adolescência e 32 problemas de legalização.

As situações de risco são as mais prevalentes (1.993 num total de 3.448 problemáticas assinaladas), sendo as mais relevantes a negligência escolar e a negligência afetivas (ambas com 12%).

Os “comportamentos desviantes” representaram 734 situações, num total de 3.448, destacando-se o consumo de tabaco (5%), seguido do consumo de álcool (3%) e do bullying agressor (3%).

Os problemas de saúde representam 20% das situações (728), com as perturbações do foro psicológico a terem maior peso (10%).

Mais de metade destas situações (51%) teve “acompanhamento sistemático” e 49% “acompanhamento pontual”.

O relatório analisou também a situação das famílias, tendo verificado que “uma percentagem significativa”, sobretudo a mãe, está em situação de carência socioeconómica e desemprego.

“A ausência da figura paterna é manifestamente evidente e transversal a quase todas as famílias”.

Negligência contribui para mau desenvolvimento do cérebro das crianças

Agosto 8, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site CiênciaHoje de 24 de Julho de 2012.

Equipa de investigadores analisou ressonâncias magnéticas de crianças institucionalizadas

Um estudo publicado na «PNAS» refere que a negligência psicológica e física nas crianças produz alterações consideráveis no seu cérebro. A investigação foi realizada no Hospital Infantil de Boston (EUA) através da análise de ressonâncias magnéticas que mostram uma diminuição de massa cinzenta e branca no cérebro de crianças internadas em instituições. O estudo refere também que as intervenções positivas podem reverter essas alterações.

A equipa, dirigida por Margaret Sheridan e Charles Nelson, dos Laboratórios de Neurociência Cognitiva daquele hospital, analisou imagens de ressonância magnética de crianças romenas que fazem parte do Projecto de Intervenção Precoce de Bucareste (Roménia), que transferiu crianças criadas em orfanatos para lares adoptivos temporários.  

As novas conclusões somam-se às de estudos anteriores realizados pela mesma equipa que mostram uma deterioração cognitiva em crianças institucionalizadas e também melhoras significativas em crianças que são acolhidas em lares de adopção.

A exposição à adversidade durante a infância tem um efeito negativo sobre o desenvolvimento cerebral, afirma Sheridan, que acrescenta que as implicações são muito amplas, não só para as crianças internadas em instituições, mas também para as crianças expostas ao abuso, ao abandono, à violência, à pobreza extrema e outras adversidades.

Os investigadores compararam três grupos de crianças entre os 8 e os 11 anos de idade: 29 tinham sido criados numa instituição, 25 tinham seleccionados ao acaso para saírem da instituição e viverem em casas de acolhimento e 20 nunca tinham estado numa instituição.

Na ressonância magnética, as crianças institucionalizadas apresentaram redução do volume de substância cinzenta no córtex cerebral em relação às que tinham vivido em famílias de acolhimento.

Nas crianças institucionalizadas, o volume de matéria branca também foi menor em comparação com as crianças não institucionalizadas. Nos meninos em famílias de acolhimento, o volume da massa branca não diferia da das crianças que nunca tinham sido institucionalizadas.

Os investigadores assinalam que os picos de crescimento da massa cinzenta em momentos específicos da infância indicam que o meio ambiente pode influenciar fortemente o desenvolvimento do cérebro.

A massa branca, ao contrário da cinzenta, desenvolve-se lentamente, pelo que pode responder melhor a terapias para reverter as alterações negativas.

Estudos anteriores realizados por esta equipa tinham já documentado que os défices sociais, de linguagem e de funcionamento cognitivo funcional das crianças institucionalizadas elevam as taxas de transtorno por défice de atenção, as dificuldade de funcionamento social e até o envelhecimento celular prematura.

Artigos: Variation in neural development as a result of exposure to institutionalization early in childhood

 


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