Aumentar espaço entre as letras ajuda disléxicos a ler

Junho 18, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário Digital de 5 de Junho de 2012.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Extra-large letter spacing improves reading in dyslexia

Crianças disléxicas podem ler melhor e mais rápido quando há uma separação maior entre as letras de um texto, segundo um estudo publicado na revista Atas da Academia Americana de Ciências (PNAS).
O trabalho, realizado por cientistas europeus com 54 crianças italianas e 40 francesas, todas com dislexia e idades entre 8 e 14 anos, mostrou que a precisão para decifrar palavras duplica e a velocidade de leitura aumenta 20% quando o espaço entre as letras é maior.

«Os nossos resultados proporcionam um método prático para melhorar a leitura dos disléxicos sem necessidade de treino especial», concluiu o estudo liderado por Marco Zorzi, do Departamento de Psicologia da Universidade de Pádua (Itália). Os cientistas atribuem o feito a que, com um espaço maior, se mitiga o fenómeno de «aglomeração» das letras que leva os disléxicos a não conseguirem distinguir claramente os caracteres.

Os trabalhos apresentados às crianças incluíram 24 frases curtas que deviam ler em duas versões: uma com o texto apresentado de forma normal e outra com o texto apresentado com espaço maior entre as letras.

O texto normal estava escrito com corpo de letra de 14 pontos, enquanto na outra versão, o espaço entre as letras aumentou 2,5 pontos (um ponto corresponde a 0,353 mm, segundo os padrões).

«O espaço entre I e L na palavra italiana ‘il’ (que significa ele) passou de 2,7 pontos (…) para 5,2 pontos», explicou o estudo.

Os resultados são particularmente animadores porque separar mais as letras não só aumenta a velocidade de leitura das crianças disléxicas, mas beneficia especialmente os disléxicos mais graves, o que demonstra a eficácia do método.

Este, no entanto, não faz efeito nas crianças não disléxicas, segundo os autores, provenientes da Universidade de Aix-Marseille (França) e do Centro Nacional de Pesquisa Científica francês (CNRS).

A dislexia é um transtorno que afecta a parte do cérebro dedicada à interpretação da língua. Não tem cura e estima-se que afecte 15% dos americanos. Para tratá-la, costuma recomendar-se acompanhamento adicional e um intenso enfoque na leitura.

 

 

Metade dos professores portugueses sofre de stress, ansiedade e exaustão

Junho 18, 2012 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 11 de Junho de 2012.

Por João d´Espiney

Investigadoras do ISPA inquiriram mais de oitocentos docentes de todo o país. A indisciplina e o desinteresse dos alunos, o excesso de carga lectiva e a extrema burocracia nas escolas são os principais motivos apontados.

Luís e Catarina são professores do ensino básico e sentem frequentemente que não conseguem estar à altura do que a profissão lhes exige. Ambos sofrem da chamada síndrome de burnout, um estado físico, emocional e psicológico associado ao stress e à ansiedade que, nos casos mais graves, pode mesmo levar à depressão.

Os dois não estão sós. Segundo um novo estudo conduzido por duas investigadoras do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), metade dos professores portugueses sofre deste distúrbio, que se manifesta mesmo nos níveis mais elevados em 30% dos docentes. O estudo resultou de inquéritos a 807 professores de escolas públicas (a larga maioria) e privadas de Portugal continental e regiões autónomas.

Luís (nome fictício) tem 40 anos, 18 dos quais a dar aulas de Língua Portuguesa e Oficina de Teatro a alunos do 3.º ciclo do ensino básico e a leccionar em Cursos de Educação e Formação, destinados a alunos com mais de 15 anos e com um historial de insucesso escolar. Catarina (que também pediu para não ser identificada pelo nome verdadeiro) tem 48 anos e é professora desde 1984. Dá aulas de Língua Portuguesa, Estudo Acompanhado e Formação Cívica no 2.º ciclo, apoia dois alunos com necessidades educativas especiais e é há vários anos correctora de exames nacionais, além de ser directora de turma e coordenadora de ciclo.

“Um grande vazio”

“O sentimento de ansiedade torna-se gradualmente presente, assim como as suas consequências, nomeadamente o recurso prolongado a ansiolíticos”, sintetiza Luís, garantindo que há “muitos professores” que recorrem a ajudas de “carácter psicológico e psiquiátrico, que incluem medicação forte”.

“Esta é uma realidade observável através dos comportamentos, da forma de andar e falar. As queixas habituais revelam o extremo cansaço e até mesmo um tom de desespero, justificados pelas situações crescentes de indisciplina e desinteresse dos alunos, o que gera um sentimento de impotência e inevitabilidade”, explica o docente.

Catarina concorda: “Muitas vezes, a sala de professores parece o muro das lamentações”, conta. “A diversidade de tarefas é uma evidência” e “a carga horária é cada vez maior”, diz esta professora, que exemplifica ainda com as “as reuniões constantes e intermináveis”, “os alunos mais agitados e sem regras” e “os pais e encarregados de educação que “entram” na escola de forma muito negativa”. “Inicialmente senti-me angustiada por verificar que a minha verdadeira função estava a ser posta em causa”, descreve a professora, salientando que procurou sempre adaptar-se ao que lhe foi sendo pedido. Mas hoje sente “um grande vazio”.

De acordo com a investigação realizada por Ivone Patrão e Joana Santos Rita, são sobretudo os professores do sexo feminino, mais velhos e com vínculo profissional que apresentam níveis de burnout superiores. O primeiro aspecto apontado pelos docentes como causa para o distúrbio prende-se com a dificuldade de gestão dos problemas de indisciplina na sala de aula, com a percepção da desmotivação para o estudo por parte dos alunos e pela pressão para o sucesso. O segundo factor relaciona-se com a insatisfação com a carga lectiva que lhes é atribuída, por todas as responsabilidades não-educacionais e pela falta de trabalho em equipa e de suporte das chefias, além da pressão de supervisores no que toca à avaliação de desempenho.

Luís não tem mesmo dúvidas em afirmar que o actual sistema de avaliação de desempenho, que considera “desonesto e injusto”, contribuiu decisivamente para o estado em que se encontra e que o leva a questionar cada vez mais o interesse que sente pelo ensino.

As duas investigadoras do ISPA concluíram ainda que os professores do ensino secundário apresentam valores mais elevados de stress e exaustão emocional, sendo também os que mais se queixam de falta de reconhecimento profissional. Além de se sentirem colocados perante níveis de exigência e expectativas superiores para a execução do seu papel, criticam a falta de condições organizacionais nas escolas e a muita burocracia associada à profissão.

Mais intervenção

O estudo, iniciado em 2009, ainda está em curso, salientam ao PÚBLICO as autoras da investigação. “Vamos continuar a recolher dados”, diz Ivone Patrão, explicando que falta avaliar, face aos dados já apurados, “quem recorre à medicação e quem está a realizar intervenção psicológica”. Joana Santos Rita revela, por outro lado, que agora estão interessadas em perceber quais “os factores e as estratégias que facilitam a resiliência e o envolvimento dos professores que mantêm níveis elevados de bem-estar” profissional.

Apesar da falta de investimento nesta área e de terem consciência de que “é impossível ter um psicólogo em cada escola”, as duas investigadoras defendem a necessidade de “dar o salto para a intervenção” através de “metodologias que partam das experiências boas e más dos professores”.

Ivone Patrão salienta que os próprios professores inquiridos no estudo apontam “necessidades formativas”: 53% querem formação em gestão de conflitos, 22% em competências comunicacionais e 19% em desenvolvimento pessoal. Embora em menor número, há quem também peça formação em actividades mais dirigidas para os alunos ou para a promoção da saúde física e mental dos estudantes.

Joana Santos Rita garante que “esta oferta formativa não existe”, mas “cada escola pode definir as suas próprias intervenções”. As comunidades de aprendizagem “podem ser o caminho” e “qualquer escola pode ganhar com uma intervenção em grupo”, acrescenta Ivone Patrão.

Apesar da “descrença” e do “desânimo”, Luís ainda não perdeu a esperança. Considera “que é fundamental continuar a acreditar” que as coisas vão mudar e que vai conseguir “manter interesses e actividades que compensem o sentimento de perda”.

 

Adventureshte: Uma tarde com adrenalina e Aventura aos Pedaços

Junho 18, 2012 às 11:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Um grupo de jovens estudantes da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, em conjunto com a empresa Pedaços de Aventura, vai desenvolver um projeto de solidariedade com as crianças e jovens acompanhados pelo IAC-Projecto Rua, no Parque Palmela, em Cascais, no dia 20 de junho, durante a tarde.

Este projeto pretende incentivar as crianças e jovens para a prática do desporto, favorecendo a aquisição de aprendizagens básicas nos desportos radicais, assim como criar um momento lúdico a partir de jogos/atividades lúdicas que permitirão desenvolver o espírito de competição, incentivar a entreajuda, envolver as crianças e os jovens com o meio-ambiente, entre outras atividades.

Aumentam na Europa os bebés abandonados em “rodas” modernas

Junho 18, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 11 de Junho de 2012.

Por Paula Torres de Carvalho

Em vários países europeus, os bebés indesejados são abandonados numa espécie de “caixas” semelhantes à “roda”, na Idade Média. Em 12 anos, mais de 400 crianças foram deixadas nesses dispositivos. As Nações Unidas consideram que é uma violação dos Direitos da Criança.

Na Idade Média, em Portugal, os bebés ilegítimos eram colocadas na chamada Roda dos Enjeitados que foi oficializada em 1783 por Pina Manique, Intendente Geral da Polícia. Foi por sua iniciativa que foram criadas as Casas de Roda para receber essas crianças indesejadas. Esses depósitos de recém-nascidos foram extintos por decreto em 1867. Hoje, os bebés indesejados são entregues em instituições e muitos deles são depois candidatos à adopção.

O recurso a sistemas semelhantes ao da “roda” para abandonar bebés recém-nascidos está a aumentar na Europa. Na República Checa, na parede exterior do edifício da clínica GynCentrum, no leste de Praga, está colocada uma “caixa” que recolhe bebés indesejados. É um local isolado, onde as mães podem evitar ser vistas.

No interior desse dispositivo encontram-se folhetos em checo, russo e inglês com números de telefone que oferecem ajuda às mães que mudem de ideias.

Logo que a criança é ali deixada, soa um alarme dentro da clínica para alertar os enfermeiros que recolhem o recém-nascido do outro lado da parede.

Dezassete bebés foram deixados na “caixa” da clínica checa desde que abriu em 2005, segundo Lenka Benediktova, uma das responsáveis, ouvidas pelo The Guardian.

Esta é um dos 50 dispositivos para o efeito colocados em todo o país pela Fundação para Crianças Abandonadas (Statim), uma ONG privada dirigida por Ludvik Hess, um pai de 20 filhos, oito biológicos e os outros adoptados, que se diz poeta e empresário e afirma agir por motivos humanitários. Cada um custa 39 mil euros e os fundos são angariados junto de empresas, incluindo um dos maiores bancos da República Checa, o Komercni.

Graças a estas “caixas” 75 bebés já foram salvos, segundo Ludvik Hess, O objectivo é instalar 70 equipamentos destes para fazer a cobertura de todos os distritos do país, ajudando as mães solteiras e acolhendo os bebés indesejados para os dar para adopção.

Zuzana Baudysova, directora da Fundação Criança, uma instituição checa de caridade para crianças nota que esta iniciativa beneficia muitos bebés indesejados, filhos de mulheres de outras nacionalidades. “Muitos delas não são checas, mas dos Balcãs, Albânia ou Roménia. Algumas são imigrantes africanas”, diz, acrescentando não ter dúvidas de que, “se as caixas não existissem alguns desses bebés seriam deitados no lixo”.

Nações Unidas preocupada

O aumento destas caixas que acolhem bebés na Europa está a preocupar cada vez mais as Nações Unidas por considerar que esta prática “contraria o direito da criança a ser conhecida e cuidada pelos seus pais”.

O comité da ONU que zela sobre o cumprimento dos Direitos da Criança mostra-se alarmado com o aumento destas “caixas” colocadas geralmente no exterior dos hospitais. Este comité lamenta que as “rodas”, que já tinham desaparecido da Europa no século passado, reapareceram na última década e totalizam quase 200 em países tão diversos como Alemanha, Áustria, Suíça, Polónia, República Checa e Letónia. Desde 2000, mais de 400 crianças foram abandonadas nesses dispositivos.

Em França e na Holanda as mulheres têm o direito ao anonimato após o parto; no Reino Unido continua a ser um crime abandonar secretamente uma criança.

Para os funcionários da ONU, a existência destas “caixas” viola uma das ideias básicas da Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC), que diz que estas têm direito a conhecer os seus pais e, mesmo em caso de separação, o Estado tem o dever de “respeitar o direito da criança a manter relações pessoais com seu pai ou mãe “.

No ano passado, o comité das Nações Unidas recomendou ao Governo da República Checa que tomasse “todas as medidas necessárias para acabar com a situação o mais rapidamente possível”. Tal não está a acontecer.

 


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