Mais de duas em cada dez crianças de 4 anos com peso a mais e perturbação do sono

Junho 11, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia do Público de 1 de Junho de 2012.

Por Lusa

O tabagismo na gravidez, a obesidade das mulheres após terem filhos e o sedentarismo e excesso de peso de crianças com apenas quatro anos são alguns dos aspectos mais preocupantes resultantes de um estudo pioneiro em Portugal.

Promovido pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), o estudo epidemiológico Geração XXI, apresentado esta sexta-feira, em Lisboa, foi liderado por Henrique Barros e integra 8647 crianças nascidas nos cincos hospitais públicos da área metropolitana do Porto, entre Abril de 2005 e Agosto de 2006.

Essas crianças, e as respectivas mães, foram acompanhadas e “observadas” desde o período de gestação até aos quatro anos de idade, para se tentar “saber coisas como: em que medida os hábitos de vida e fatores de risco estavam a mudar, qual a relação entre o risco cardiovascular e o passado familiar ou as circunstâncias e oportunidades da sociedade”, explica Henrique Barros.

O director do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) salienta algumas das evidências que considera mais preocupantes: os hábitos de tabagismo na gravidez – especificando que uma em cada quatro mulheres fumava.

O investigador lamenta que muitas destas mulheres se preocupem mais em fazer um “consumo excessivo de consultas, exames e ecografias”, uma realidade mais vincada no sector privado (mais de 50% foram a mais de dez consultas e mais de 40% fizeram mais de seis ecografias), em vez de se preocuparem em deixar de fumar.

Quanto aos partos, 35,6% aconteceram por cesariana e 10% nasceram antes de tempo, sendo que a prematuridade e o nascimento com baixo peso está muito relacionado com o fumo durante a gravidez, sublinha.

Crianças consumidoras de cafeína

Henrique Barros destaca também a elevada proporção de mulheres obesas quatro anos depois da gravidez e o facto de uma em cada cinco ter pelo menos três factores de risco cardiovasculares.

Relativamente às crianças, o especialista em epidemiologia destaca “a grande proporção de crianças com perturbações do sono”.

O estudo concluiu que as crianças estudadas, aos 4/5 anos, tinham uma média de sono nocturno de dez horas, sendo a dificuldade em adormecer o factor mais comum.

Henrique Barros alerta, a propósito do mau sono das crianças, para os hábitos de consumo de cafeína que a maioria destas crianças tinha, através do consumo de bebidas e refrigerantes com cafeína.

Outra preocupação que resultou desta observação foi o facto de grande parte destas crianças serem “absolutamente sedentárias”, com o hábito de ver pelo menos duas horas por dia de televisão e só brincar ao fim de semana.

Este estilo de vida e os hábitos alimentares traduziram-se em 21% de crianças com quatro anos a sofrer já de excesso de peso ou obesidade.

Com estes dados “estamos a construir um puzzle para entender como tudo isto determina a saúde”, disse o coordenador do estudo.

Acompanhar crianças ao longo da vida

O secretário de Estado da Saúde Leal da Costa, presente na sessão de encerramento da apresentação do estudo, sublinha o pioneirismo do estudo em Portugal, com a característica de seguir pessoas durante um período longo de vida.

Num contexto de crise económica e social, o governante considera “importante fazer uma boa monitorização do impacto das medidas na saúde para perceber se as coisas [políticas de saúde] estão a ser bem feitas ou não”.

Leal da Costa manifesta-se particularmente apreensivo com o “excesso de grávidas fumadoras”, um aspecto que “leva a outra questão, a do tabagismo”, um “problema com dimensões múltiplas, incluindo a morte por doença cardiovascular ou oncológica”.

As quase nove mil crianças foram avaliadas aos 6, 15, 24 e 48 meses de vida, tendo já sido iniciada a avaliação aos 7 anos de idade.

Henrique Barros afirma que enquanto houver financiamento, “estas crianças serão seguidas ao longo da sua vida”

O Geração XXI tem como objectivo estudar a evolução de diversos parâmetros de saúde: sociais, comportamentais, organizacionais, biológicos. “Os resultados dão-nos informações que não existiam em Portugal e que nos vão permitir compreender a influência do período pré-natal e dos primeiros anos de vida no desenvolvimento e na saúde durante a adolescência e a idade adulta”, explica a coordenadora executiva deste projecto científico, Ana Cristina Santos.

 

Conferência 20 anos a olhar pela segurança das crianças: o que mudou em Portugal?

Junho 11, 2012 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Mais informações Aqui

A importância das regras no desenvolvimento infantil

Junho 11, 2012 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Mais informações Aqui 

Crise leva a aumento de chamadas para Linha SOS Criança

Junho 11, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Reportagem e entrevista da jornalista Sofia Morais da TSF no dia 1 de Junho de 2012 ao Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança) e a Drª Maria João Pena (Instituto de Apoio à Criança – SOS-Criança/Criança Desaparecida)

O 116 111 é um número grátis que há 24 anos recebe pedidos de adultos, mas também de crianças. Ao outro lado da linha chegam relatos de maus tratos, abuso sexual e, cada vez mais, de solidão. Casos que ficam nos registos da linha SOS Criança e na memória de quem os escuta.

Ouvir a reportagem Aqui


Entries e comentários feeds.