Alunos portugueses com baixa auto-estima escolar

Maio 8, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do i de 3 de Maio de 2012.

Por Marta F. Reis

Estudo internacional patrocinado pela OMS testemunha obesidade nos jovens portugueses

Não estão entre os que mais horas passam a ver televisão. Começam a fumar mais tarde – 16% das raparigas e 19% dos rapazes com 15 anos dizem ter experimentado pela primeira vez um cigarro aos 13 ou mais cedo e em países como França, Espanha ou Alemanha, a percentagem supera os 20%. Aos 15 anos, as portuguesas estão entre as que admitem menos vezes beber pelo menos uma vez por semana (só 6% o fazem e na Grécia, no topo da tabela, são 34%). Os últimos dados comparáveis sobre saúde e bem-estar dos adolescentes em 40 países da Europa, de Israel, dos EUA e do Canadá – no âmbito do estudo da OMS “Health Behaviour in School-Aged Children” (HBSC) – foram divulgados ontem. Os jovens portugueses surpreendem por ser dos que tomam mais vezes o pequeno-almoço e consomem mais fruta, mas estão entre os que se sentem menos vezes bons alunos e mais pressionados pela escola. São também dos que reportam mais problemas de obesidade.

O estudo contou com entrevistas a 200 mil adolescentes de 11, 13 e 15 anos, em 2009 e 2010, sendo 4036 portugueses, num trabalho coordenado por Margarida Gaspar de Matos, da Universidade Técnica de Lisboa. Portugal surge “confortavelmente” a meio na tabela e há melhorias a assinalar, diz ao i a investigadora. É o caso dos resultados sobre vida sexual ou violência na escola.

Apesar de vários estudos sugerirem o início precoce da vida sexual, aos 15 anos só 18% das raparigas e 27% dos rapazes admitem já ter tido relações. Aos 15 anos, 84% das raparigas portuguesas dizem ter usado preservativo na última relação sexual. Na Suécia apenas 58% o fizeram. E nos indicadores de bullying Portugal surge em 10.o lugar, com menos jovens a dizerem que estiveram envolvidos em lutas: 3% das raparigas e 18% dos rapazes com 13 anos estiveram envolvidos em pelo menos três episódios de violência física. Em Espanha as percentagens são de 23% e 28%.

Os piores indicadores permanecem em problemas que já tinham sido diagnosticados pelo projecto, que inclui Portugal desde 1998, alerta Gaspar de Matos. Apenas 61% das raparigas de 11 anos e 57% dos rapazes dizem ter um desempenho escolar bom ou muito bom (a média dos países é de 77% e 71%). Aos 13 anos, os jovens colocam Portugal como o penúltimo país (só atrás da Alemanha) onde há mais baixa auto-estima escolar. Embora os resultados nacionais não sejam assim tão maus – e os estudos sobre educação da OCDE demonstram que têm melhorado – há outro indicador preocupante: aos 15 anos os jovens portugueses são os segundos que se dizem mais pressionados pelas tarefas escolares, sobretudo as raparigas.

Sobre os indicadores de obesidade, Gaspar de Matos acredita que é cedo para perceber como vão evoluir, embora seja a primeira vez que Portugal surge tão acima: aos 13 anos, 22% dos rapazes e 13% das raparigas reportam excesso de peso, a quarta maior incidência. Para a investigadora, mais premente é o reforço da actividade física, sobretudo nas raparigas de 15 anos: só 6% dizem fazer exercício físico moderado a intenso pelo menos uma hora por dia, o que põe Portugal na cauda da Europa, com França, Suíça e Itália.

 

 

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