Mais de metade dos portugueses sofre de falta de sono

Abril 6, 2012 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 30 de Março de 2012.

Por Andrea Cunha Freitas

Se este artigo ajudar alguém a dormir melhor esta noite, Teresa Paiva terá cumprido o seu objectivo. A especialista admite que o alucinante ritmo de vida agravado pela crise pode estar a tirar, cada vez mais, o sono aos portugueses. Mas a neurologista prefere desdramatizar e aponta soluções, até porque, se não dormirmos bem, tudo o que está mal só pode ficar pior.

A estratégia passa, entre outras coisas, por “parar o desassossego”, ir para casa mais cedo, ver poucos telejornais, ter horários para jantar e dormir e por nos agarrarmos a uma “atitude positiva”. Teresa Paiva está amanhã no simpósio Aquém e Além Cérebro, organizado pela Bial no Porto, onde desde quarta-feira se discute o Sono e Sonhos.

Mais de metade dos portugueses tem “queixas de insatisfação com o sono” – cerca de 20% da população terá insónia grave, que se pode caracterizar por insónias em cerca de três noites por semana, durante pelo menos seis meses – e metade das crianças e dos jovens apresenta sinais preocupantes de sonolência. Os dados são avançados por esta especialista no estudo do sono, que falará no Porto sobre as relações mútuas entre sono, sonho e sociedade.

“Há estudos feitos em todos os continentes que provam que dormir pouco tem um aumento de risco de hipertensão arterial, diabetes, obesidade, insónia, depressão, cancro, morte mais precoce e riscos cardiovasculares. Mas depois vemos que há imensas influências sociais no sono.” E o que é que o momento social actual está a fazer ao nosso sono? “Não há estudos epidemiológicos. O que posso dizer é que mudaram os desencadeantes. As pessoas estão desempregadas, ou têm os filhos desempregados, têm pouco dinheiro e muitas contas para pagar.”

Ou seja, há razões para perder o sono, concorda Teresa Paiva. Mas contrapõe: “As coisas sempre foram difíceis. O sentimento de medo existe mas também é criado por nós – pomos esta crise negríssima. Temos de parar este desassossego. Há muita coisa entre o céu e a terra, além da economia e das finanças. Se as pessoas tiverem uma atitude mais optimista, tudo melhora.”

O sono também. A solução, defende, está em aproveitar esta crise para uma mudança de hábitos – uma mudança de vida. E se as pessoas trabalharem menos, forem para casa mais cedo, tiverem horários regulares para comer e deitar, escolherem uma alimentação equilibrada e desenvolverem actividade física, vão dormir melhor.

O optimismo e a ideia-chave de que “tudo se resolve” será a receita para o sono anticrise. Porém, Teresa Paiva frisa que a insónia não é uma entidade única. “Há muitos subtipos de insónia”, nota, acrescentando que o diagnóstico tem de ter em conta “todos os bocadinhos da vida daquela pessoa”, considerar outros factores (depressão, tensão alta, etc.) e, só depois, fazer “um tratamento desenhado para cada um”. “O problema não é não dormir. O não dormir é uma consequência.”

Segundo a neurologista, as terapias mais eficazes para a insónia são cognitivas e comportamentais. O recurso a fármacos que “fazem dormir” tem de ser cauteloso. “Há um estudo recente com 20 mil pessoas que prova que os indivíduos que tomam cronicamente hipnóticos têm um risco aumentado de cancro e de morte mais precoce”, avisa.

Crianças mais sonolentas

A atitude optimista de Teresa Paiva desvanece quando o assunto é o sono das crianças. “Os níveis crescentes de sonolência diurna entre crianças e adultos jovens são preocupantes”, refere, adiantando que os resultados preliminares de um estudo que fez com cinco mil crianças e jovens portugueses concluíram que a sonolência atinge quase 50% do total. Nos estudos populacionais mundiais, apenas cerca de 15% têm sonolência a mais.

“Um centro comercial à noite está cheio de miúdos que deviam estar a dormir”, nota, sublinhando que a falta de sono nas crianças “tem graves riscos para a saúde, como hipertensão, diabetes, obesidade, insucesso escolar, hiperactividade” e tendência a desenvolverem depressões. Um pesado fardo de doenças crónicas que o nosso sistema nacional de saúde poderá não aguentar, alerta. Uma das medidas elementares passa por banir a televisão, o computador e o telemóvel – “há jovens que passam horas na cama a mandar SMS” – do quarto dos mais novos.

No resumo da apresentação que fará no simpósio da Bial, Teresa Paiva também é menos optimista. E deixa o aviso: “A sociedade e os serviços de saúde são obrigados a prestar atenção aos números actuais. No caso de não ser desencadeada qualquer acção, as actuais influências entre sociedade, sono e sonhos podem resultar num cenário dramático: os indivíduos esforçados e lutadores podem tornar-se depressivos, esquecidos e doentes e transformar-se em cidadãos incapazes de agir e cooperar de modo eficiente com as circunstâncias das sociedades actuais altamente exigentes.”

 

Estudo revela que autismo está a aumentar

Abril 6, 2012 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sol de 30 de Março de 2012.

Os estudos mencionados na notícia são os seguintes:

Prevalence of Autism Spectrum Disorders — Autism and Developmental Disabilities Monitoring Network, 14 Sites, United States, 2008

Community Report From the Autism and Developmental Disabilities Monitoring (ADDM) Network

O autismo nas crianças revela uma tendência de aumento, indicaram hoje dirigentes da área da saúde dos Estados Unidos, especificando que a taxa aumentou 23 por cento em dois anos, afectando uma em cada 88 crianças, noticia a AFP.

Estatísticas anteriores apontavam para a existência de uma em cada 110 crianças com esta desordem, o que levou os principais defensores da investigação do autismo a proclamarem a existência de uma «emergência nacional» e uma «epidemia» que requer atenção urgente.

Os responsáveis pela área admitem que o aumento pode estar associado à melhoria na identificação dos casos de autismo, em especial entre as crianças com menos de três anos, mas a extensão desta influência no número total é desconhecida.

«Há a possibilidade de o aumento da identificação ser devido inteiramente à melhor detecção. Não sabemos se é o caso ou não, mas é uma possibilidade», afirmou o director dos Centros para a Prevenção e Controlo de Doenças [CDC, na sigla em inglês], Thomas Frieden.

«O que sabemos é que o autismo é comum e que precisa de ser estudado», afirmou à imprensa.

A informação, disponibilizada por um relatório dos CDC, revela que a desordem do espectro do autismo [ASD, na sigla em inglês] é cerca de cinco vezes mais frequente nos meninos do que nas meninas, com um em cada 54 meninos identificado como tendo alguma forma da desordem, o que compara com uma em cada 252 meninas.

Anteriormente, pensava-se que a relação era de quatro para um.

Os dados foram apurados de inquéritos realizados em 2008, em 14 locais dos Estados Unidos, revelando que 11,3 por mil das crianças com oito anos de idade têm ASD.

Este valor constitui um aumento de 23 por cento em relação aos dados de há dois anos e de 78 por cento no número total presumidos em 2002, quando se aceitava a estimativa de uma em cada 150 crianças ter alguma forma de autismo.

Uma vez que a informação agora apurada foi recolhida em 14 locais, não é considerada representativa do todo nacional, pelo que os investigadores não afirmam que uma em cada 88 crianças nos Estados Unidos tem autismo.

Porém, as conclusões estão muito em linha com o que tem sido apurado em outras investigações, adiantam peritos dos CDC.

Para o presidente da organização ‘Autismo Fala’ [‘Autism Speaks’], Mark Roithmayr, os novos números são causa de alarme.

«O autismo está agora a tornar-se oficialmente uma epidemia nos Estados Unidos. Estamos a lidar com uma emergência nacional que requer um plano nacional», disse.

O autismo inclui uma amplitude grande de diferenças comportamentais, que podem ir desde uma incapacidade social moderada à incapacidade total de comunicar, movimentos repetitivos, sensibilidade a certas luzes e a determinados sons e problemas de comportamento.

A sua causa permanece um mistério. Os pais são aconselhados a procurar ajuda profissional se os seus filhos apresentaram atrasos em marcos de desenvolvimento, como não fazerem contacto visual, não apontarem ou não falarem na altura esperada.

As taxas da desordem do espectro do autismo variam muito no relatório, desde uma em cada 120 crianças no estado sulista do Alabama, até uma em cada 47 crianças no estado ocidental do Utah.

Lusa/SOL

 

 

 

Ação de Sensibilização “Intervenção em Educação Sexual”

Abril 6, 2012 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O Instituto de Apoio à Criança – Fórum Construir Juntos tem vindo a promover ações de informação/sensibilização destinadas às equipas das instituições parceiras da Rede Construir Juntos, professores, psicólogos e estagiários dos Gabinetes de Apoio ao Aluno e à Família, da região centro.

Neste âmbito, no dia 11 de Abril irá decorrer em Coimbra, na Casa de Formação Cristã Rainha Santa, a ação “Intervenção em Educação Sexual: conceitos de sexualidades, modelos de intervenção”. A dinamização desta ação é da responsabilidade do técnico da Cáritas Diocesana de Coimbra, Fernando Santos.

 Pretende-se com esta ação aprofundar os conhecimentos sobre conceitos  de sexualidade, conhecer melhor o quadro ético de intervenção em educação sexual e melhorar os conhecimentos sobre os modelos de educação sexual, com vista a aumentar o nível de intervenção dos técnicos que trabalham diariamente com crianças e jovens.

 


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