116 111: a linha que escuta crianças “stressadas”

Março 16, 2012 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site Educare de 9 de Março de 2012.

Sara R. Oliveira

Linha SOS Criança recebeu 2864 telefonemas em 2011 e 10% das chamadas foram feitas pelos mais novos que se sentem sozinhos, incompreendidos e angustiados.  A Linha SOS Criança tem o número 116 111 e está disponível durante os dias úteis das 9h00 às 19h00. O 116 100 é outro número para casos de crianças desaparecidas e exploradas sexualmente. Desde novembro de 1988 que o Instituto de Apoio à Criança (IAC) colocou o seu telefone à disposição de crianças e jovens até aos 18 anos e também das famílias. No ano passado, recebeu 2864 telefonemas, 286 dos quais feitos pelos mais novos. Desde 1998, a linha recebeu 109 254 apelos. É um serviço anónimo, gratuito e confidencial de âmbito nacional dirigido a crianças, jovens e adultos. Quem não quiser usar a voz, pode escrever para Apartado 1582 – 1056-001 Lisboa ou enviar um e-mail para soscrianca@net.sapo.pt.

As 286 chamadas de menores de 18 anos são significativas. “As crianças e os jovens ligam porque estão com dúvidas existenciais, porque querem conversar com alguém”, refere Manuel Coutinho, secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança (IAC) e coordenador da Linha SOS Criança, ao EDUCARE.PT. “As pessoas de quem mais as crianças gostam, os pais e as mães, deixam os filhos entregues a terceiros durante mais tempo”, acrescenta o responsável. E os telefonemas tornam-se indicadores de uma realidade que não pode ser ignorada.

Para Manuel Coutinho, é hora de repensar a sociedade, é tempo de tudo fazer para aproximar pais e filhos e não para aumentar ainda mais as cargas horárias de adultos e crianças. Acorda-se às sete da manhã, corre-se para o trabalho, corre-se para a escola, regressa-se a casa à noite, toma-se banho, janta-se, fazem-se os trabalhos da escola, prepara-se o dia seguinte. “As crianças andam exaustas, quando deviam ter tempo para os valores, para a cidadania, para brincarem, para não fazerem nada”, afirma. E, muitas vezes, são essas as crianças que pegam no telefone e marcam o número criado pelo IAC. “Estão, muitas vezes, em stress”, conta.

Do outro lado da linha está uma equipa técnica composta por psicólogos, assistentes sociais, educadores de infância e juristas. O que fazem? “Ouvem a criança e as crianças auscultam-se, ouvem-se com o coração”, adianta Manuel Coutinho. Os técnicos escutam e tentam perceber a lógica psicológica para dar o apoio adequado. “Tentam perceber o que está latente ou a acontecer e tentam tranquilizar as crianças, dar-lhes segurança”. A prevenção continua a ser a palavra-chave porque o IAC acredita, e tem confirmado, que é possível debelar ou minimizar situações de risco.

Desde 1998, foram atendidas 74 500 chamadas. O atendimento psicológico existe desde 2001 e desde então acompanhou 908 famílias. Os e-mails começaram a funcionar em 1992 e até ao momento foram enviados 4747. Em 1997, entra em funcionamento o serviço de mediação escolar que já acompanhou 14 104 situações. Ao todo, 10 965 situações foram reencaminhadas, o trabalho em rede é uma das mais-valias da linha do IAC, e reavaliados 3591 casos. O IAC não está, portanto, sozinho. O apelo é feito, o serviço avalia o assunto e, sempre que necessário, solicita ajuda às instituições mais próximas e que possam dar uma resposta, nomeadamente a escola, o centro de saúde, as forças de segurança, a Segurança Social.

Continuam a ser os mais crescidos que mais usam a linha que se destina a ouvir histórias de crianças e jovens. Há apelos de crianças em perigo, situações de maus-tratos na família, apelos por questões de negligência, casos relacionados com questões de saúde. Não só. Nos últimos anos, o telefone tocou 2392 vezes e do outro lado da linha estavam apelos relacionados com pobreza, com mendicidade. O serviço também já atendeu 1500 casos de regulação do exercício das responsabilidades parentais e 860 situações de abuso sexual.

A Linha SOS Criança caminha para os 24 anos de existência. “É considerada, pela maioria das pessoas, um direito das crianças. É um serviço que de viva voz responde às crianças”, adianta Manuel Coutinho. A Linha SOS Criança é mais do que um serviço que atende chamadas e responde às dúvidas dos mais pequenos. Tem mais uma linha para situações de crianças desaparecidas, um e-mail e um apartado à disposição, atendimento psicológico e gabinetes de apoio a alunos e famílias.

Desde 1997, que o SOS Criança tem um serviço de mediação escolar que instala as suas raízes nas comunidades escolares de norte a sul do país. Já acompanhou mais de 14 mil situações. A sua missão passa por estar atento ao absentismo, ao abandono e violência escolares, aos comportamentos aditivos. A escola contacta o IAC que entra em ação com os gabinetes de apoio aos alunos e às famílias. A ideia é estar no terreno e ouvir o que se diz nos recreios e nos corredores das escolas para que a prevenção primária entre em cena.

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