Quase todos os alunos do 4º e 6º fazem erros de concordância resultados nas provas de aferição foram melhores em Leitura e Estatística

Janeiro 26, 2012 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 16 de Janeiro de 2012.

Por Clara Viana

Apenas 8% dos alunos do 4.º e 6.º ano consegue escrever frases sem erros de concordância. Em ambos os anos de escolaridade, este foi o item das provas de aferição de Língua Portuguesa, realizadas em Maio por cerca de 216 mil estudantes, que obteve a taxa de sucesso mais baixa, revelam os relatórios com a análise pormenorizada do desempenho dos estudantes divulgados sábado pelo Ministério da Educação.

Também na prova de Matemática houve consonância nas dificuldades demonstradas pelos alunos dos dois anos. Só 19% dos estudantes do 4.º e 6.º ano mostraram saber o que é um múltiplo de um número e o que fazer com um problema que envolva este conceito. Os itens que envolviam múltiplos de números foram os que obtiveram piores resultados nas provas de aferição de Matemática.

Na prova do 4.º ano apresentavam-se quatro números, indicando que alguns eram múltiplos de 3, e pedia-se ao aluno que explicasse o que teria de fazer para saber quais deles cumpriam aquela condição. Na do 6.º ano propunha-se um problema, que envolvia múltiplos de 3 e de 5, onde num intervalo entre 30 e 50 os alunos teriam de identificar o total exacto de moinhos em miniatura existentes numa loja.

Nos dois anos, em ambas as provas, os alunos voltaram a coincidir nas perguntas com melhores desempenhos. Na de Língua Portuguesa, mais de 90% acertaram, numa questão de escolha múltipla, na resposta que identificava qual a ideia principal do texto proposto para leitura. A segunda questão com maior percentagem de respostas certas diz respeito à compreensão do número de linhas pedido para a composição. Na prova de Matemática, em ambos os anos, as questões com melhor classificação solicitavam interpretação de informação contida num pictograma: mais de 90% tiveram cotação máxima.

No geral, os alunos mostraram melhores desempenhos na Leitura e na área de Estatística e Probabilidades. Na disciplina de Português, o 6.º ano foi pior na parte da gramática e o 4.º no domínio da escrita. Na Matemática, os piores desempenhos, em ambos os anos, registaram-se na área dos Números e Cálculo.

Falta de sentido crítico

No 6.º ano, os alunos voltaram a revelar particulares dificuldades na resolução de problemas e na compreensão do conceito de fracção. Num dos problemas apresentados perguntava-se quanto dinheiro tinha uma rapariga levado para férias, sabendo-se que na compra de três livros, a seis euros cada, ela tinha gasto 2/5 daquela verba. “Muitos alunos responderam com um total inferior à parte que foi gasta” e continuam a evidenciar “uma preocupante falta de sentido crítico face à plausibilidade das soluções que apresentaram”, frisa-se no relatório do Gabinete de Avaliação Educacional (Gave) do ministério.

“A falta de sentido crítico advém do tipo de ensino que ainda está vigente no país”, constata a presidente da Associação de Professores de Matemática, Elsa Barbosa, em resposta a questões do PÚBLICO.

Quanto à análise dos resultados por área, esta docente considera que os bons desempenhos a Estatística e Probabilidades se devem, sobretudo, ao seu reforço no novo programa, que começou a ser aplicado há dois anos em todas as escolas, e também às acções de formação de professores desenvolvidas no âmbito do Plano de Acção para a Matemática. Antes este tema “era muito pouco trabalhado e, inclusive, era uma das áreas onde os professores do 1.º ciclo tinham mais dificuldades”, explica.

Já os maus resultados na área dos Números e Cálculo devem-se, sobretudo, ao facto de o actual programa ser “mais exigente”. “É preciso tempo para que se alcancem os resultados esperados”, acrescenta.

Por comparação a 2010, a média global nacional das provas de aferição de Matemática desceu de 62% para 58% no 6.º ano e de 71% para 68% no 4.º ano. Nas provas de Língua Portuguesa, as médias nacionais mantiveram-se no 6.º ano (65%) e desceram de 70% para 69% no 4.º ano. No relatório do Gave chama-se a atenção para o facto de os alunos do 6.º ano continuarem a mostrar “uma grande dificuldade em utilizar diferentes tempos verbais do modo indicativo e em converter discurso indirecto em directo”. Quase metade destes alunos também errou na ordenação alfabética de um conjunto de palavras começadas por “C”. No seu comentário sobre a prova do 6.º ano, a Associação de Professores de Português manifestara surpresa pela existência desta questão, “por parecer pouco exigente”.

Ateliê de Marionetas de Dedo e Animação do Livro e da Leitura

Janeiro 26, 2012 às 5:08 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Lançamento do Livro: “Os Meus Pais já não Vivem Juntos. Intervenção em Grupo com Crianças e Jovens de Pais Divorciados”

Janeiro 26, 2012 às 4:00 pm | Publicado em Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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XIX Jornadas Pedagógicas de Educação Ambiental da ASPEA – Aprender fora de portas: percursos de aprendizagem

Janeiro 26, 2012 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A delinquência juvenil nem sempre é uma fatalidade

Janeiro 26, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Livros | Deixe um comentário
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Artigo do portal Educare de 16 de Janeiro de 2012.

Sara R. Oliveira

Reinserção pela Arte é um livro que nasceu de muitas mãos e que resulta de um projeto que “viveu” em três centros educativos de Lisboa, de 2005 a 2008. Jorge Barreto Xavier coordenou o trabalho que envolveu jovens dos 13 aos 18 anos. A obra foi apresentada na quarta-feira.

Na introdução, há uma frase que faz pensar. “A delinquência juvenil não é uma fatalidade”, afirma o professor Jorge Barreto Xavier, coordenador de um projeto que deu origem ao livro Reinserção pela Arte que foi apresentado na quarta-feira no auditório 3 da Fundação Gulbenkian, em Lisboa, por Laborinho Lúcio e Viriato Soromenho-Marques. O docente explica o sentido da frase ao EDUCARE.PT.

“Vivemos numa sociedade em que nos habituámos a aceitar certas coisas: a pobreza, a criminalidade, a delinquência juvenil. Quando digo aceitar, não digo que haja resignação perante estas fragilidades sociais – mas digo que acreditamos que todas elas hão de sempre existir, em maior ou menor grau.” E continua: “É nesse sentido que a delinquência juvenil pode ser encarada como uma fatalidade. Creio que é necessário acreditar na efetiva erradicação da delinquência juvenil. É preciso trabalhar com objetivos máximos e não mínimos ou medianos.

Depois, procuramos aproximar-nos o mais possível da concretização destes objetivos, que não são para cumprir num ano nem sequer numa geração – mas se não forem estabelecidos com clareza, não podemos trabalhar em função deles.”

O livro decalca um projeto experimental desenvolvido no Centro Educativo da Belavista na Graça, no Centro Educativo Navarro de Paiva em Benfica, e no Centro Educativo Padre António de Oliveira em Caxias, todos em Lisboa, entre 2005 e 2008. Em cada um desses anos, cerca de 30 jovens, com idades entre os 13 e os 18 anos, distribuídos pelos três centros educativos, envolveram-se em atividades artísticas nas áreas de teatro, música, dança, vídeo, fotografia, escrita, cinema, e design de espaços. O bailarino e coreógrafo Rui Horta, o ator e encenador Fernando Mora Ramos e a coreógrafa Madalena Victorino participaram nesse processo que pretendeu estimular a criatividade dos adolescentes internados nos centros educativos, que vestiram a pele de coautores, assistentes e colaboradores nesse trabalho artístico.

O projeto, que contou com o apoio da Fundação Gulbenkian, foi a adaptação de um programa do Reino Unido junto de jovens considerados de risco e sujeitos a medidas tutelares educativas. O livro problematiza, na primeira parte, a relação entre a arte e a reinserção social, e mostra como a criação artística é uma ferramenta na descoberta de competências que abra portas à reinserção de jovens problemáticos.

“As artes têm um discurso social autónomo, correspondem a uma presença social que tem as suas diferenças específicas em relação a outras áreas de atividade, e o seu trabalho é de grande valor na construção pessoal e coletiva. Se o ‘discurso artístico’ tiver validade ‘construtiva’ em ambiente controlado, como é o caso dos centros educativos, é válido pensar (com os devidos cuidados) que se pode extrapolar essa validade para o todo social”, adianta Jorge Barreto Xavier, licenciado em Direito, professor auxiliar convidado do ISCTE e investigador associado do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, que coordenou o projeto e o livro.

Os intervenientes neste processo consideram que valeu a pena a intervenção, que teve como pano de fundo a reinserção social, e esperam que as recomendações e propostas feitas no livro sejam ouvidas. Jorge Barreto Xavier adianta alguns dos caminhos sugeridos na obra. “Tem de haver uma maior correlação entre o sistema de segurança social e o sistema de justiça – as articulações entre as políticas para crianças e jovens em risco, as políticas gerais na área da exclusão social e pobreza, as políticas de acolhimento de imigrantes e as políticas para a delinquência juvenil têm de ser articuladas”. “Por vezes, com a ‘departamentalização’ dos serviços públicos, funcionalmente necessária, perde-se o horizonte da prioridade ao resultado das políticas públicas, muitas vezes com muito maior necessidade de conjugação e articulação”, acrescenta.

Os agentes ativos da sociedade civil não podem ficar parados. Por isso, no caso da delinquência juvenil, defende-se que é crucial a articulação entre a prevenção, o acompanhamento das medidas tutelares educativas e o acompanhamento da integração dos jovens. Segundo Jorge Barreto Xavier, este acompanhamento antes, durante e depois das medidas aplicadas, com o adequado envolvimento da justiça, segurança social e sociedade civil, é o caminho mais adequado para alcançar menores taxas de delinquência, menores taxas de reincidência e uma melhor inserção na sociedade. “Não se trata de uma questão financeira, mas de conjugação de vontades”, refere.

As escolas estarão preparadas para lidar com a delinquência dos jovens? “Os professores ou, pelo menos, muitos professores, têm de lidar todos os dias com adolescentes e jovens com comportamentos desviantes, alguns dos quais têm ou terão comportamentos delinquentes”. A questão, sustenta, é saber se os docentes estão ou não preparados para trabalhar com essas situações mais complicadas, se as escolas estão ou não organizadas para enfrentar esses casos e se há parâmetros nacionais para lidar com o assunto. “Diria que há ainda muito para fazer neste domínio, independentemente de, a nível individual, haver professores sensibilizados”, comenta.

Resolver casos de abandono e de insucesso escolar continua a ser uma árdua tarefa. O coordenador do livro Reinserção pela Arte diz que é necessário definir que taxas de abandono e de insucesso são admissíveis em 2012, 2014, 2016, e estabelecer metas para que os objetivos se concretizem. “É preciso definir com clareza o objetivo final: não deixar nenhuma criança e jovem para trás.” Até porque, lembra, “as últimas décadas, através dos maus resultados, têm demonstrado a desadequação dos meios para resolver os casos de abandono e insucesso escolar”.


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