Robótica apoia terapia com alunos autistas – Projeto com APPACDM incentiva interação utente-escola

Janeiro 1, 2012 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem da Universidade do Minho de 17 de Novembro de 2011.

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Projecto Robótica – Autismo Aqui

 

 

Texto e fotos: Pedro Costa

Tendo como ponto de partida a capacidade de atração dos robôs para a interação, um grupo de investigação da UMinho está a desenvolver um projeto que visa facilitar a sempre difícil ligação entre os terapeutas e os portadores de autismo. Sob uma ideia base consubstanciada na máxima “a engenharia ao serviço do ser humano”, este trabalho tem obtido resultados positivos na desejada interação, melhorando as condições para a terapia, a qualidade de vida dos jovens autistas e a formação de quadros familiares mais apoiados e identificados com o dia-a-dia desta problemática.

Um grupo de investigação sedeado na Universidade do Minho e que fomenta uma parceria com a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) está a desenvolver um projeto para a utilização de robôs como meio de comunicação e interação com alunos autistas. Esta equipa é composta por três investigadores e um doutorando, todos da Engenharia Eletrónica Industrial, um investigador da área da Educação, um mestrando de Engenharia Biomédica, uma psicóloga da APPACDM de Braga e mais dois bolseiros de investigação.

A ideia surgiu a partir de contatos já existentes com a APPACDM, onde se verificou haver terreno favorável para o desenvolvimento do projeto inspirado em duas teses de mestrado em Eletrónica Industrial. O projeto de investigação é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e visa a aplicação de ferramentas robóticas como forma de melhorar a vida social de alunos com autismo e com problemas intelectuais, melhorando as suas habilidades de interação e comunicação com pessoas e em contextos diferentes.

No estudo já realizado, o robô foi apresentado inicialmente aos alunos, pela professora, em contexto de sala de aula. Posteriormente, os investigadores da UMinho interagiram, através do robô, com cada um dos alunos com autismo, generalizando depois a ação aos cenários de vida do aluno, sem a presença do robô. As atividades visaram incentivar os jovens a interagir, pedir e participar em jogos e iniciativas em conjunto com outras pessoas. “Tendo por base a interação, a comunicação e a vocalização, definimos atividades muito simples, com competências bem definidas que quisemos ver desenvolvidas”, frisa a investigadora responsável, Filomena Soares.

Os resultados demonstraram ser possível a estes jovens realizarem algumas destas atividades pela primeira vez. Conclui-se a relevância da utilização de robôs como mediadores na interacção com alunos com autismo. Registou-se a realização de novas tarefas, nunca antes realizadas, pelos alunos com este tipo de problema, como, por exemplo, “o fato de se sentarem num local diferente na sala de aula para brincar com o robô, ou realizar com um outro colega uma atividade previamente realizada com o mesmo robô, para além de outras tarefas relevantes”.

O facto deste projeto trabalhar contextos diferenciados acaba por influenciar um envolvimento das famílias, que, desta forma, participam no desenvolvimento e beneficiam de uma transferência de competências e de rotinas muito importantes para o contexto familiar. Segundo a investigadora, neste aspeto “foi determinante o papel da APPACDM, que acabou por facilitar a interação, proporcionando contatos durante o projeto, assim como uma ação de divulgação e partilha onde todos participaram.”

Após as cinco experiências positivas, realizaram-se através do Ministério da Educação contatos com outras unidades de ensino estruturado, havendo já reuniões com mais quatro centros, que se juntam à APPACDM de Braga no desenvolvimento deste projeto. Desta forma, o grupo de investigação passará a trabalhar com utentes de Arouca, A-Ver-O-Mar, Barcelos e Leça da Palmeira, para além de Braga.

Estão ainda a ser estudadas e avaliadas novas formas de interagir com os alunos com autismo em idade escolar, utilizando plataformas robóticas mais robustas e com maiores capacidades. As atividades de aprendizagem consideradas nesta nova fase englobam a exploração de competências e a oportunidade de comunicação e expressão, utilizando sempre a tecnologia como mediador. Filomena Soares realça que este método representa “apenas o papel de mediação entre o utente e o seu terapeuta, sendo que o papel dos terapeutas é basilar no processo evolutivo destes jovens”.

 Jovens investigadores numa nova perspetiva da Engenharia

Outra das marcas deste projeto da área da Eletrónica Industrial é o facto de abordar novas perspetivas do uso das engenharias no quotidiano das pessoas, conferindo-lhe um papel social, para além da mais-valia técnica e utilitária.

Sandra Costa, aluna de doutoramento de Eletrónica Industrial, integrada neste grupo, é a autora de uma das duas teses de mestrado que inspiraram o projeto e representa uma nova geração de especialistas desta área que assume “uma visão social dos projetos”. Sublinha que, “para além das questões do conforto, a Engenharia já está ao serviço das pessoas ao nível da sua dimensão social e das problemáticas profundas”.

O trabalho desenvolvido por este projeto de Robótica para o Autismo tem sido reconhecido pela comunidade científica, através de publicações em diversas conferências de especialidade, a última das quais a RO-MAN2011 – 20th IEEE International Symposium on Robot and Human Interaction Communication, que teve lugar em Atlanta, Geórgia (EUA), em julho.

© 2011, GCII – Universidade do Minho


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