Há mais raparigas a embebedarem-se e isso acontece cada vez mais

Novembro 24, 2011 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 17 de Novembro de 2011.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

 

As raparigas entre os 13 e os 18 anos estão a embriagar-se mais e a aproximar-se assim dos consumos registados entre os rapazes das mesmas idades. Apesar de se registar, nos rapazes como nas raparigas, um decréscimo na percentagem de experimentação de bebidas alcoólicas, os jovens que as bebem estão a beber mais, optam por bebidas mais fortes e estão embriagados mais frequentemente. O aumento da percentagem dos que já se embriagaram é mais acentuado entre as raparigas.

São dados do último Estudo sobre o Consumo de Álcool, Tabaco e Drogas (ECTAD), realizado com base num inquérito realizado a 13 mil alunos do ensino público, entre os 13 e os 18 anos, que foi realizado em Maio último. Foram inquiridos cerca de dois mil alunos de cada grupo etário. Regista-se um aumento de consumo das anfetaminas e da cocaína, sobretudo entre os mais novos, e do LSD entre os mais velhos. É a terceira edição deste estudo que tem vindo a ser realizado, de quatro em quatro anos, pelo Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT). Os resultados foram apresentados ontem de manhã.

O decréscimo do número de jovens que consomem bebidas alcoólicas está a ser acompanhado por “uma clara dramatização nos padrões de consumo”, advertiu Fernanda Feijó, coordenadora do estudo. Com consequências pesadas para o seu estado de saúde. “Os mais novos não estão preparados biologicamente para isto. Cada vez mais cedo estão a aparecer dependências alcoólicas, cirroses”, avisou Manuel Cardoso, vice-presidente do IDT.

Cerca de 30% dos alunos de 18 anos admitiram ter-se embriagado nos 30 dias anteriores à realização do inquérito. Nos 13 anos esta percentagem está nos 2,1%. Por comparação a 2003, a prevalência de embriaguês nos últimos 30 dias diminuiu entre os rapazes em todos os grupos etários à excepção do de 18 anos. Já nas raparigas com 16, 17 e 18 anos aumentou de dois a quatro pontos percentuais.

A partir dos 15 anos regista-se também um aumento da frequência dos episódios de embriaguês. Cerca de 15% dos rapazes e 9% das raparigas com 18 anos dizem ter-se embriagado, no último ano, entre seis a 19 vezes. Aos 16 anos aconteceu, com esta frequência, a 9% dos rapazes e a 5,5% das raparigas.

A cerveja continua a ser a bebida de referência entre os 13 e os 15 anos. A partir desta idade a quantidade de cerveja consumida começa a decrescer, mas em contrapartida regista-se “um aumento muito relevante” nas quantidades de bebidas destiladas que são ingeridas. Questionados sobre quanto consumiram da última vez, 30% dos alunos de 16 anos indicam que ingeriram entre 50 a 100 cl deste tipo de bebidas. Em 2003, a mesma quantidade foi referida “apenas” por 5,5%. Seis por cento dos alunos com 13 anos afirmam que consumiram esta mesma quantidade da última vez que beberam. Há oito anos eram 0,6%.

Alterar a lei

No geral, cerca de 40% dos alunos com 13 anos já consumiram bebidas alcoólicas. Aos 15 são 72,4% os que já o fizeram. A proibição da venda de bebidas alcoólicas a menores de 16 anos foi decretada em 2002. Os dados ontem revelados confirmam, uma vez mais, que a lei não está a ser cumprida. No ano passado o IDT propôs, sem resultados, que a idade mínima de consumo passasse dos 16 para os 18 anos. Segundo o vice-presidente do IDT, estão agora de novo a ser ponderadas alterações à legislação, nomeadamente no que respeita à idade mínima de consumo, à fiscalização, à publicidade de bebidas alcoólicas em eventos desportivos e musicais e à responsabilidade dos pais.

Manuel Cardoso lembrou, a propósito, que a entidade que fiscaliza só pode punir se alguém for apanhada em flagrante a vender uma bebida alcoólica a um menor, quando na verdade estes podem comprar álcool em qualquer sítio e a qualquer hora.

O presidente do IDT, João Goulão, resumiu assim a situação ao PÚBLICO: quando “um inspector da ASAE entra numa discoteca de miúdos é como um boi numa loja de porcelanas, pára tudo”. “Como é que ele produz prova? Teria que assistir ao acto de venda de álcool. É muito difícil ocorrer”, acrescenta.

A lei também não é cumprida no que respeita à publicidade, frisa Manuel Cardoso, que avança um exemplo: “Se é proibido, por exemplo, fazer publicidade a bebidas alcoólicas antes das 22h na televisão, não faz sentido estar a ver um jogo de futebol às seis da tarde em que sistematicamente aparecem marcas de bebidas alcoólicas”.

Como também “não faz qualquer sentido que um miúdo de 13 anos seja apanhado na rua pela polícia completamente intoxicado e os pais não cheguem a saber que isto aconteceu”, adianta, defendendo que, “no mínimo é indispensável que sejam chamados ao local”: “Os pais não se podem demitir, têm de ser comprometidos e também precisamos de ajudá-los a dizer não”.

 

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