Crianças que vêem tv à noite dormem pior

Julho 19, 2011 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Pais & Filhos de 14 de Julho de 2011.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Media Use and Child Sleep: The Impact of Content, Timing, and Environment

Deixar as crianças ver televisão, jogar consolas ou estar no computador antes de ir para a cama interfere com a qualidade de sono, revela um estudo publicado na revista Pediatrics.

 Os investigadores questionaram aos pais de 600 crianças entre os três e os cinco anos sobre o consumo de televisão, videojogos e computador. Concluíram que permitir que as crianças sejam expostas a conteúdos violentos durante o dia (e isso inclui jogos e desenhos-animados) aumenta a probabilidade de terem problemas de sono e, se for depois das sete horas da noite, as probabilidades aumentam independentemente dos conteúdos dos programas.

Entre as famílias estudadas, as crianças consumiam, em média 72,9 minutos de ecrãs de média (televisão, videojogos e computador) por dia, 14,1 minutos dos quais depois das sete horas. Oito por cento dos pais relatou que o seu filho tinha pelo menos um problema relacionado com o dormir.

As crianças que tinha televisão no quarto viam mais televisão e tinham mais probabilidade de ter problemas associados ao sono.

A recomendação dos investigadores é para limitar a utilização de ecrãs à noite e para ter em atenção que certos jogos ou programas, apesar de serem indicados para crianças, não são para todas as idades.

 

Recém-licenciados podem ser mentores de jovens em risco

Julho 19, 2011 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 14 de Julho de 2011.

 

Por Fabiana Pais

Dois jovens de 22 anos decidiram lutar contra o insucesso e o abandono escolar. O projecto Ensinar Primeiro consiste em “formar jovens recém-licenciados” e colocá-los em projectos pedagógicos nas escolas com maiores problemas sociais, “a acompanhar, na qualidade de mentor, os alunos em risco”, explica Pedro Ramos, um dos membros da equipa.

Esta é mais uma das ideias candidatas ao prémio das fundações Gulbenkian e Talento para o concurso Faz – Ideias de Origem Portuguesa, que pretende premiar uma ideia que tenha sido concebida por portugueses na diáspora e residentes.

Os jovens que integrarem o projecto Ensinar Primeiro não serão futuros professores ou educadores, nem pretendem seguir o ensino como escolha profissional, revela Pedro Ramos, que acabou recentemente a licenciatura em Bioquímica na Universidade de Glasgow, Escócia, e avança: “A nossa intenção é dar oportunidade a futuros economistas, engenheiros ou cientistas de se envolverem na resolução de um problema social”, o insucesso escolar.

Este projecto é uma variante da versão inglesa do Teach First, reconhece, mas com algumas diferenças, salvaguarda: “No Reino Unido, esta iniciativa põe jovens graduados a dar aulas como se fossem professores”, o que seria impossível em Portugal devido à número de desempregados nesta área. Por isso, “o objectivo não é substituir os professores”, assegura o jovem, é antes “agir junto do aluno” e “formar um elo de ligação” entre o estudante e a escola.

Pedro Ramos e Pedro Fiel, originários do Porto, querem aproveitar o factor de proximidade geracional entre os mentores e os alunos. “Já existem psicólogos, assim como vários programas sociais”, mas as pessoas que os protagonizam são “da geração dos nossos pais”, com quem os alunos “em risco” não se identificam. Com jovens de “vinte e poucos anos”, é mais fácil criarem uma relação de amizade, de cumplicidade, de forma a que o aluno “se consiga abrir junto do mentor” sobre problemas “pessoais, emocionais e escolares”.

O objectivo é agir na raiz do problema, antes do insucesso e do abandono escolar. É preciso agir e inovar onde os programas que já existem falham. O mentor tem de criar uma primeira ligação com o aluno; de seguida, ligá-lo à escola, à família e a todos os agentes envolvidos e, assim, tornarem-se “líderes inspiradores para estes alunos”.

A curto prazo, o sucesso escolar dos alunos tem um importante impacto na resolução de “problemas educacionais do país”, defende Pedro Ramos.

Passando da teoria à prática, Pedro Fiel, estudante de Astronomia na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, explica ao P2 como é que o Ensinar Primeiro quer implementar o seu projecto. Apesar de o aluno “de risco” ser o alvo da ideia, o projecto centra-se no recém-licenciado. “Queremos atrair estes jovens e dar-lhes a formação necessária em práticas de inserção social para que saiam com a marca de embaixadores do nosso projecto: passa a ser um jovem socialmente responsável e com grande capacidade de resolução de problemas educacionais”.

Depois, são colocados nas escolas. Os dois jovens esperam que esta formação se torne numa mais-valia e que as empresas dêem valor ao Ensinar Primeiro, ao ponto de financiar a continuidade do projecto. “É a nossa grande esperança”, até porque a questão do financiamento é uma das principais dificuldades apontadas: são precisos formadores e locais de formação, embora, numa fase mais avançada, os próprios mentores possam dar esta formação. É preciso remunerar estes recém-licenciados”, diz Fiel.

Outro entrave ao Ensinar Primeiro prende-se com a possível “não-cooperação” dos alunos, mas a dupla garante que esta vai ser “bastante reduzida” devido à “proximidade geracional”.

Para avançar com o projecto, a equipa espera contar com o prémio de 50 mil euros do concurso. No caso de não conseguirem convencer o júri do concurso que aquele é o melhor dos dez projectos finalistas, “o financiamento tornar-se-á ainda mais complicado”, admitem Pedro Ramos e Pedro Fiel, mas não está nos planos da dupla abandonar o Ensinar Primeiro. “Há que arregaçar as mangas e começar a procurar apoios!”

Alunos portugueses já compreendem melhor o que lêem

Julho 19, 2011 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 11 de Julho de 2011.

Por Clara Viana

Cerca de 18 por cento dos alunos portugueses com 15 anos têm sérias dificuldades na leitura, apenas conseguindo responder neste domínio às questões mais básicas como, por exemplo, identificar qual é o tema principal de um texto. Um estudo realizado pela rede Eurydice, que foi divulgado hoje pela Comissão Europeia, dá conta, contudo, que os alunos portugueses estão abaixo da média da União Europeia, o que neste caso é uma boa notícia.

No conjunto dos países da UE, a percentagem de alunos com 15 anos na mesma situação é de cerca de 20 por cento. Androulla Vassiliou, comissária europeia da Educação e Cultura, reagiu assim a este resultado: “É totalmente inaceitável que tantos jovens na Europa continuem a não ter capacidades básicas de leitura e escrita. Isso coloca-os em risco de exclusão social, torna-lhes mais difícil encontrar um emprego e reduz a sua qualidade de vida”.

Segundo a Comissão Europeia, é a primeira vez que se apresenta num estudo europeu um retrato aprofundado da literacia em leitura e se apontam alguns dos factores principais que têm impacto na aquisição e competências em leitura entre os 3 e os 15 anos.

Em relação aos alunos com 15 anos, o estudo baseia-se nos resultados alcançados por estes nos testes do Programme for International Student Assessment (PISA) de 2000 e de 2009, especialmente dedicados à literacia em leitura. Nestes testes, levados a cabo pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento, Portugal é um dos cinco países que sofreu uma evolução positiva neste intervalo. Os outros são a Holanda, Letónia, Polónia e Liechtenstein. À excepção da Letónia, os restantes quatro estão agora também abaixo da média europeia. Mas com resultados melhores que os portugueses.

A Holanda e a Polónia fazem parte do pequeno grupo de países que já atingiu a meta que a UE se propôs chegar em 2020: reduzir para menos de 15 por cento a percentagem de maus leitores entre os alunos de 15 anos. A Dinamarca, a Estónia, Finlândia e Noruega, bem como a Bélgica flamenga, são os outros que já lá chegaram. Na Finlândia apenas oito por cento dos alunos com 15 anos têm problemas com a leitura.

A Bulgária e a Roménia estão na situação oposta e são os que apresentam piores resultados: 40 por cento dos seus alunos com 15 anos não atingem o nível dois dos testes PISA ou seja, ficam-se apenas pelas competências mais básicas.

O estudo hoje divulgado confirma que o género é um dos factores com mais impacto na aquisição de competências em leitura: “em média as raparigas ultrapassam os rapazes na leitura e esta diferença de género aumenta com a idade”. Aos 9 anos, 18 por cento das raparigas e 22 por cento dos rapazes têm dificuldades na leitura. Aos 15, o número de rapazes em dificuldades já duplica o das raparigas. Em média, 12 por cento das raparigas e 26 por cento dos rapazes são maus leitores nesta idade. O risco de um aluno português do sexo masculino ter dificuldades em leitura aos 15 anos é superior em duas vezes ao de uma aluna. Na UE a média desta probabilidade é de 1.9.

A situação dos alunos do 4º ano tem sido avaliada através de um estudo internacional em que Portugal não participou. Trata-se do PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study). com inquéritos realizados em 2001, 2006 e 2011.

Para além do género, o outro factor com maior impacto na aprendizagem da leitura é a origem socioeconómica dos alunos.

Apesar de na maior parte dos países existirem programas de promoção da leitura, estes pecam por ser excessivamente generalistas. Ou seja, conclui o estudo não têm como destinatários aqueles que mais necessitam por serem os que apresentam maiores dificuldades, como são os casos dos rapazes, dos alunos oriundos de meios desfavorecidos e dos jovens imigrantes.

No estudo frisa-se que as dificuldades em leitura são ultrapassáveis, mas que este sucesso depende em grande medida destas serem identificadas, e adoptadas medidas, o mais cedo passível. Um ensino intensivo e por objectivos, ministrado a nível individual ou a pequenos grupos, pode ser particularmente eficaz, frisa-se. No entanto, acrescenta-se, “são poucos os professores que têm a oportunidade de se especializar nesta área”. Dos 27 países da UE, só em oito os professores contam, nas aulas, com o apoio de especialistas em dificuldade de aprendizagem na leitura.


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