A presença do pai dificulta o parto

Maio 7, 2011 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Michel Odent à revista Pais & Filhos no dia 29 de Abril de 2011.

Fotografia Pais & Filhos

Silêncio, pouca luz e apenas uma parteira experiente. Esta é a receita mágica de Michel Odent para que os partos se tornem mais fáceis e mais rápidos. O pai deve ficar de fora, para evitar contaminar a mãe com adrenalina e para salvaguardar a própria saúde. Estas e outras teorias inovadoras foram partilhadas pelo médico francês em conversa com a PAIS&Filhos.

É autor da famosa frase: «para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer». Qual é a melhor forma para os bebés nascerem?

Essa frase é de 1975, do meu primeiro livro. O que faz sentido é falarmos das necessidades básicas de uma mulher que está em trabalho de parto. Uma mulher para dar à luz facilmente precisa de se sentir segura e de não se sentir observada. Isto é uma necessidade básica que podemos perceber através da fisiologia. E não é exclusiva das mulheres. Todos os mamíferos precisam de se sentir seguros, de não se sentir observados, para poderem ter os seus filhos. Na selva, se uma fêmea está pronta para dar à luz e percebe a presença de um predador, liberta adrenalina, o que irá adiar o parto. Ela só dará à luz quando se sentir segura. É uma necessidade básica dos mamíferos em geral. É fisiológico. Ao libertar adrenalina não se consegue parir. Todos os mamíferos precisam de não se sentir observados e todos têm as suas estratégias para que assim aconteça. No caso dos humanos, não podemos falar de um sítio perfeito para dar à luz, porque há demasiados condicionalismos culturais. Posso dar um exemplo: uma mulher que deseja muito ter o seu filho num hospital não se sentirá segura num sítio onde não estejam visíveis os equipamentos médicos. Outras mulheres sentir-se-ão mais seguras e terão um trabalho de parto mais fácil em casa, com uma parteira experiente. Cada mulher é diferente, mas todas têm a mesma necessidade básica: sentirem-se seguras e não observadas. Isto é universal.

E como é que as mulheres se podem sentir seguras?
Há vários factores que interferem com as necessidades básicas. Por exemplo: a linguagem, que é um estimulante do cérebro pensante, do intelecto, do néocortex. Durante o parto, o néocortex precisa de estar desligado, a mãe vai para outro planeta. Por isso, uma necessidade básica é o silêncio, para não estimular o neocórtex. Outra necessidade básica é evitar a luz. Na penumbra aumenta a produção de melatonina, uma hormona que ajuda a diminuir a actividade do neocórtex. É por isso que apagamos as luzes para dormir.

Já assisti a partos em hospitais, em casa, em França, no Reino Unido e a minha experiência diz-me que os partos mais fáceis e rápidos acontecem quando não existe ninguém por perto da mulher, além de uma parteira experiente e silenciosa, de preferência a fazer tricô. Apesar das várias teorias sobre a participação do pai no parto ou sobre ser necessária uma equipa de médicos, esta é a situação que eu conheço que melhor funciona. E temos de a redescobrir.

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