Doutor, não será melhor fazer umas análises?

Fevereiro 23, 2011 às 6:00 am | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Artigo do Portal Educare de 26 de Janeiro de 2011.

Serviço de Pediatria do Hospital de Braga

A requisição de análises em idade pediátrica por parte dos pais é elevada e resulta da generalização dos cuidados de saúde prestados aos adultos. Neste contexto, é necessário recordarmo-nos que as crianças não são adultos em miniatura e que portanto, precisam de cuidados específicos e abordagens diferentes dos adultos.

A prática médica geral das últimas décadas deixou no ar a ideia de que a boa medicina não é possível sem análises e exames. Assim, se os pais se desdobram em análises, exames, rastreios e são todos os dias confrontados com diabetes, colesterol, “tensão alta” e factores de risco vascular, porque não acreditar que o mesmo é válido para as crianças? E porque não protegê-las destas doenças com umas análises ou outros exames?

A requisição de análises em idade pediátrica por parte dos pais é elevada e resulta da generalização dos cuidados de saúde prestados aos adultos. Neste contexto, é necessário recordarmo-nos que as crianças não são adultos em miniatura e que portanto, precisam de cuidados específicos e abordagens diferentes dos adultos.

Na hora de pedir Meios Complementares de Diagnóstico (MCD), como é o caso de análises de sangue, é necessário ter em conta isso mesmo: um possível diagnóstico, a necessidade de confirmação de uma doença. Assim, se a criança não apresentar sinais de doença, se não se procura um diagnóstico, as análises não possuem importância. Antes pelo contrário convertem-se num evento de stress e desagradável para a criança, agravando o medo das agulhas e das visitas ao médico. Mais ainda, um valor alterado numa análise de uma criança saudável não é por si só indicador de doença, podendo transformar-se num factor de ansiedade para os pais.

Desta forma, quando o médico não pede MCD a uma criança saudável, sem história de doença pessoal ou na família, este facto não resulta de um descuido ou desinteresse mas sim da preocupação do médico em prestar os melhores cuidados de saúde possíveis, evitando procedimentos desnecessários e desagradáveis.

Qual então a melhor forma de proteger a saúde do seu filho? A prevenção. A doença cardiovascular, maior causa de morte na idade adulta, apresenta uma forte relação com os nossos hábitos de vida que se criam desde pequenos. Assim, certo de que prevenir será sempre melhor que remediar e da mesma forma que lhe ensina o “se faz favor” e o “obrigado”, ensine-o a gostar de alimentos saudáveis, ensine-o a comer nas quantidades apropriadas à sua idade e necessidades de crescimento, ensine-o a beber água em vez de sumo, incentive-o a praticar exercício físico, converse sobre os efeitos nocivos de tabaco, álcool e drogas e esteja atento a alterações que possam ocorrer.

Ensine, insista e esteja atento, mantendo a longo prazo a saúde daquele que será sempre “o seu menino”.

Marina Gonçalves, com a colaboração de Manuela Costa Alves, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos, Braga

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