Maioria de alunos de Cascais já se envolveu em violência

Fevereiro 6, 2011 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 27 de Janeiro de 2011.

Por Bárbara Wong

A maioria dos alunos adolescentes do concelho de Cascais já foi vítima ou agressor em situações de violência. Ao todo, há 95 por cento de adolescentes inquiridos que respondem que já assumiram ambos os papéis, revela um estudo sobre Violência, Género e Adolescência, levado a cabo pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), de Lisboa. O estudo é apresentado esta manhã, em Cascais.

Mais de metade dos 501 alunos de 12 escolas públicas deste concelho declarou nunca se ter envolvido em situações de violência numa relação de namoro. Entre os que responderam que sim, que já se envolveram, confessam ter sido agressores e vítimas. São as raparigas que aparecem maioritariamente como agressoras, mas também como vítimas de violência emocional e de exclusão social.

Já os rapazes têm um “ligeiro ascendente” no que diz respeito à vitimação física de gravidade média, aponta um resumo do estudo a que o PÚBLICO teve acesso.

São os adolescentes com 16 ou mais anos que são mais vitimados ou se agridem mais em situações de violência no namoro.

No que diz respeito à violência entre pares, 95 por cento diz já se ter envolvido em pelo menos uma situação de violência, tenha sido no papel de vítima ou de agressor. O tipo de violência mais frequente entre os adolescentes é a emocional e de exclusão social. Este tipo de violência envolve mais os rapazes do que as raparigas e acontece sobretudo entre pares. Tal como acontece no namoro, também nas relações entre pares são os alunos mais velhos e os que já repetiram um ou mais anos de escolaridade que mais se envolvem em cenas de violência.

Os estudantes fazem uma “avaliação claramente positiva” do papel dos professores, mesmo quando não recorrem à sua mediação.

O estudo identifica algumas prioridades: é necessário que os alunos conheçam as regras da escola e estejam bem integrados nas redes de relações sociais da escola. É importante também que os estudantes possam encontrar interlocutores em situações de agressão, assim como “debater colectivamente o papel destrutivo da violência nos diversos tipos de relações”. O estudo propõe ainda que é importante “promover a sensibilidade” das direcções das escolas e dos professores para a violência.

O município de Cascais deu o seu apoio à realização do estudo, feito pelo ISCTE e que corresponde a 36 por cento da população inscrita nas escolas públicas do concelho.

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