Grupo de investigadores de Coimbra desenvolve estudo para caracterizar a dor em crianças com cancro

Janeiro 20, 2011 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 3 de Janeiro de 2011.

Pode aceder ao resumo do estudo Aqui

Por Maria João Lopes

Um grupo de investigadores portugueses juntou-se para estudar e caracterizar a dor em crianças com cancro. Segundo o coordenador, Luís Batalha, trata-se de “um importante passo” para o conhecimento da dor, que contribui para se saber mais sobre as formas de a controlar e diminuir. O docente acredita ainda que é o primeiro estudo, feito no país, a abordar o tema de forma “transversal” e a usar uma escala nova, a Adolescent Pediatric Pain Tool, que está a ser validada em Portugal. “É inovador, não tenho conhecimento de outro [nestes moldes]”.

O projecto de investigação Experiências de dor de crianças com cancro: localização, intensidade, qualidade e impacte, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, está a ser desenvolvido por uma equipa da Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem (Uicisa-E) da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEC).

O objectivo geral do estudo é caracterizar as experiências de dor de crianças, dos 8 aos 17 anos, com doença oncológica durante a hospitalização. Onde é que dói, com que intensidade e qual o impacte sobre o sono e a qualidade de vida são algumas das questões a que estes investigadores procuram responder. Só assim, explica Luís Batalha, é possível estudar a “eficácia” e aperfeiçoar as “intervenções para o controlo da dor” nas crianças.

De acordo com os investigadores, estima-se que na Europa surjam, por ano, 14 novos casos de cancro em cada 100 mil jovens com menos de 19 anos. Ao contrário do que acontece nos adultos, mais de três quartos destes jovens sobrevivem, o que levanta “novos desafios” relativamente à prevenção da dor crónica e à qualidade de vida deste grupo. “Durante a hospitalização por doença, a dor é o sintoma com maior prevalência, em resultado do tratamento ou da própria doença”, explicam em nota enviada à imprensa.

Embora se circunscreva a crianças e instituições portuguesas (Hospital Pediátrico de Coimbra e IPO de Lisboa e do Porto), esta investigação, que durará três anos e que apresentará as primeiras descrições da dor ao fim de cerca de um ano e meio, insere-se num estudo coordenado pela Universidade da Califórnia em Los Angeles-UCLA (Estados Unidos) e realizado em colaboração com as universidades de Toronto (Canadá) e de São Paulo (Brasil).

A equipa conta, ainda, com a colaboração do Instituto de Psicologia Cognitiva, Desenvolvimento Vocacional e Social da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e do Departamento Pediátrico do Centro Hospitalar de Coimbra.

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