Câmaras municipais vão abrir cantinas nas férias para ajudar alunos

Dezembro 28, 2010 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Jornal de Notícias de 16 de Dezembro de 2010.

Fotografia Jornal de Notícias

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Ivete Carneiro e Gina Pereira

O mapa é difícil de traçar. Muitas autarquias já têm os refeitórios abertos fora da época escolar por oferecerem actividades não lectivas. Nalguns casos, pondera-se a abertura a quem não esteja inscrito no ATL. Noutros ainda, a abertura é novidade por causa da crise.

O Porto anunciou a medida há dias. Vai abrir as cantinas a quem precisar, alunos e irmãos, mediante uma inscrição, durante a paragem lectiva do Natal. A Câmara Municipal de Olhão está a pedir inscrições e calcula que perto de 500 crianças precisem de ajuda. Também é novidade naquele concelho algarvio. Como em Setúbal.

Já em Sintra, a ideia é alargar a refeição crianças que não frequentem os 51 ATL do concelho, dado que os serviços já existem para quem esteja inscrito em actividades extra-escolares. No ano lectivo passado, sete escolas básicas de zonas pobres chegaram a abrir as cantinas ao fim-de-semana para dar almoço às crianças em dificuldades.

Ivone Calado, directora do agrupamento de escolas da Serra das Minas, diz que vão muitos alunos levando pela mão os irmãos mais novos e também os mais velhos. “A indicação que havia era para deixar entrar toda a gente”. A medida acabou trocada por um suplemento alimentar diário de pão e fruta. Este ano, apesar de não haver indicações de um agravamento da situação, o receio é o do impacto provável dos cortes nos apoios sociais que se irão sentir a partir de Janeiro.

A verdade é que há autarquias à procura de casos prementes para alargar apoios existentes e acordaram agora para uma necessidade que, garante a Confederação das Associações de Pais (Confap), não é nova. “As associações de pais tiveram muito na sua génese garantir os ATL e as refeições” fora da época lectiva, sublinha ao JN Albino Almeida. Nasceram as Componentes de Apoio à Família (CAF). O presidente da Confap lembra a proposta, feita há dois anos ao Governo, de alargar as CAF a todo o país – só existem onde houve iniciativa e são uma realidade que não cobre sequer metade do país, como se conclui da ronda feita ontem pelo JN. “Fomos acusados de querer armazenar crianças”.

Segundo Albino Almeida, “o que é novo é que as autarquias aperceberam-se este ano que há famílias com um rendimento que não permite gastar mais do que um euro por dia por pessoa em alimentação, devido à perda dos abonos”. Com uma melhor organização, o dirigente acredita ser possível alargar a oferta. Do seu lado, o Ministério da Educação apenas lembra que a gestão do assunto cabe na autonomia das escolas.

A verdade é que, com ou sem CAF, muitas autarquias garantem que não há necessidade de ter as portas dos refeitórios escolares abertas durante as férias. De Torres Novas até argumentam que “o desemprego está a descer”.

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