“A escola ocupa-os tanto que não sobra tempo para ler”

Dezembro 27, 2010 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Alice Vieira ao Diário de Notícias de 13 de Dezembro de 2010.

A escritora Alice Vieira comenta os resultados do Pisa.

Olhando para os dados do PISA, da OCDE, vemos que só 59% dos jovens portugueses que participaram disseram ter clássicos da literatura em casa. E que estes tiveram resultados melhores do que os que disseram não ter. Acha os números surpreendentes?

Tenho sempre muito receio em relação a estes resultados. Por um lado, não sei muito bem o que é que os jovens que responderam consideram um clássico. Por outro lado, ter os livros em casa, são capazes de ter, resta saber se os lêem. Mas o facto de dizerem que os têm já é positivo, significa que pelo menos estão disponíveis.

Ler clássicos da literatura, especificamente, é importante para os resultados escolares?

É importante para tudo. É um erro pensar que a literatura, o estudo da língua, só é importante para a disciplina de Português. É importante para todas as outras disciplinas. Se não lerem, o domínio da língua é muito fraco. Aliás, a diminuição do vocabulário dos jovens é aflitiva. Ficamo-nos só pelo “dá-me as chaves” e por outras frases básicas, do quotidiano. Por isso, a literatura é fundamental em todas as camadas do ensino.

A escola e a carga horária a que os alunos estão sujeitos inibem a criação de hábitos de leitura em casa?

Não sou professora, nem nunca fui, mas ando sempre em escolas e tenho filhos e netos. A escola ocupa-os tanto que não sobra tempo para ler, nem para o cinema nem para nada. É uma questão que tem de ser muito bem estudada porque ninguém aguenta.

O estudo também mostra que os jovens com literatura em casa tiveram, em média, mais 20 pontos do que os que disseram ter Internet. Obviamente podem ter ambas as opções, mas a Internet não rouba tempo à leitura de livros?

Tudo depende de como usamos a Internet. É extraordinária se soubermos trabalhar com ela. Pode descobrir-se imenso sobre um livro, levar a uma releitura… mas tem de ser doseada e tem de se ensinar os miúdos a trabalhar com ela. A esmagadora maioria pen-sa que fazer uma pesquisa é ir à Internet, carregar nuns botões, copiar e assinar por baixo.

O estudo refere-se à literatura clássica. Quando é que os jovens estão preparados para ler os clássicos ?

Devemos dar-lhes todas as opções porque nunca sabemos que livro é que os vai atrair. Eu lembro-me de ter lido Os Lusíadas no liceu e de ter sido terrível. Só anos mais tarde, já adulta, consegui apreciar devidamente. Mas tenho amigas que leram na mesma altura que eu e adoraram. Agora, o gosto pela leitura não se adquire aos 20 anos e há outro tipo de livros que preparam para esse gosto. Da primeira vez que tentei ler as Viagens na Minha Terra, um dos livros da minha vida, foi a desgraça.

Qual foi o primeiro clássico que a marcou?

A Cidade e as Serras. Tinha 11, 12 anos e li durante uma gripe. Lembro-me de ter adorado e de ter pensado “estranho, aqui não há romance, não há um homens e uma mulher e um final feliz, e é tão bom”.

ManiFESTA MUNDO

Dezembro 27, 2010 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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“A ANIMAR promove a ManiFESTA MUNDO na zona de S.Bento, em Lisboa, a 29 e 30 de Dezembro, com dinamização local da ETNIA e do CENTRO INTERCULTURACIDADE, em parceria com entidades locais. Em debate estão as realidades e os desafios do empreendedorismo social como factor de desenvolvimento local em territórios e comunidades interculturais. O programa inclui ainda encontros, convívios, celebrações e manifestações culturais várias, que a batalha quotidiana por uma vida melhor não pode nem deve ser sinónimo fatalista de dor ou sofrimento sem futuro.

As acções decorrem no Centro Interculturacidade, nas Juntas de Freguesia de Santos-o-Velho e Santa  Catarina e em vários outros locais de uma das áreas da cidade em que, desde sempre, vivem e trabalham gentes vindas de terras distintas e distantes. Veja o programa e, baixo, acompanhe o projecto em www.manifestamundo.wordpress.com ou em www.animar-dl.pt. “

Os Cabeçudos: uma livraria que gosta das crianças

Dezembro 27, 2010 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Actividade Lúdica | Deixe um comentário
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Artigo do Diário de Notícias de 14 de Dezembro de 2010.

por MARIA JOÃO CAETANO

É a única livraria infantil de Lisboa e fica no Parque das Nações. Rui Andrade escolheu com muito cuidado os fantásticos livros e os poucos brinquedos que estão ali à venda.

Há um pequeno anfiteatro almofadado, onde cabem umas 20 pessoas. Há umas prateleiras com brinquedos. E há os livros – poucos mas bons, escolhidos com todo o cuidado por Rui Andrade, o dono da única livraria exclusivamente infantil que existe em Lisboa. Chama-se Os Cabeçudos, foi inaugurada no final de Novembro e fica situada no Parque das Nações, perto da Torre Vasco da Gama.

Rui Andrade é psicólogo social, com uma carreira dedicada à formação profissional. Mas depois de ter uma filha e de se mudar para o Parque das Nações achou que era tempo de se dedicar a algo que lhe desse realmente prazer. “Tem tudo que ver com qualidade de vida. A minha e a das outras pessoas”, diz. A ideia de Os Cabeçudos é, antes de mais, ser uma “livraria de bairro”, criando laços de proximidade com as pessoas que moram naquela zona. Não quer concorrer com as grandes superfícies nem com “as papelarias que também vendem livros” e, por isso, aposta em ter uma oferta diferente. Nada de livros dos desenhos animados, apenas volumes cuidados editados pela Bruaá, a Planeta Tangerina, a Heterogémeas e outras editoras especializadas. Livros em braille, noutras línguas e para crianças daltónicas. O mesmo cuidado é posto na escolha dos poucos brinquedos, de marcas como a Plantoys (brinquedos de bambu), a KidsOnRoof (as casas de cartão) ou a Playsam (carros).

E o resto virá com o tempo. “Quero pôr os miúdos a interagir entre eles, mas também a interagir com os pais, com os avós, com os nossos convidados.” Ideias não lhe faltam. Desde convidar escritores e ilustradores a implementar uma hora do conto, organizar oficinas de criatividade e até fazer exposições e actividades ao ar livre. “Gostava muito de ter uma exposição com livros infantis antigos, os livros que eu li quando era pequeno. E também quero ensinar os miúdos a brincar ao alho, ao mata, à macaca. Temos este espaço lá fora onde podemos fazer jogos, e depois temos todo o Parque das Nações. Gostava de levar os miúdos a conhecer as árvores e os pássaros.”


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