Conselho de Autoridades de Saúde vai decidir se a crise exige medidas extra

Dezembro 24, 2010 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 17 de Dezembro de 2010.

Fotografia Nelson Garrido

Fotografia Nelson Garrido

Por Graça Barbosa Ribeiro

No próximo dia 28, o Conselho de Autoridades de Saúde vai analisar os dados relativos ao impacte da crise económica, financeira e social na qualidade de vida dos portugueses, em geral, e na alimentação das crianças e jovens, em particular.

Francisco George, da Direcção-Geral da Saúde, que preside àquele órgão, admite estar “preocupado”, mas diz acreditar que “não será necessário, pelo menos para já, tomar qualquer medida extraordinária”. Nas escolas, apontadas como “um barómetro”, a convicção é outra. “Já há crianças com fome e não podemos esperar que a situação se agrave”, defende João Grancho, presidente da Associação Nacional de Professores (ANP).

A existência de crianças com problemas de alimentação nas escolas não é novidade. “O que há de novo é esta pobreza envergonhada com que temos de aprender a lidar”, aponta João Grancho. A aluna que nas primeiras aulas da manhã se encontra demasiado inquieta ou, pelo contrário, anormalmente apática; o garoto que ronda o bar e espreita os bolos mas não compra nenhum; o aluno que tinha notas razoáveis e de repente baixa de rendimento; e o outro que era alegre e agora anda cabisbaixo – são estas crianças, que oficialmente não precisam de apoios sociais, que estão na origem da última preocupação dos professores.

“Muitas só comem uma refeição quente na escola. Mas nem elas nem os pais dão nota da alteração da situação familiar, que normalmente resulta do desemprego de um ou mesmo de ambos os adultos. É preciso que os professores estejam atentos, que confirmem a existência do problema e que estabeleçam laços que lhes permitam arranjar ou propor caminhos”, descreve o presidente da ANP. Teme, no entanto, que o aumento do número de casos, durante o próximo ano lectivo, torne insuficientes as soluções que até agora têm vindo a ser adoptadas.

Diferentes soluções

“Nalgumas escolas, os professores quotizam-se para pagar o lanche a determinados alunos; noutras, as verbas destinadas a vários tipos de apoio social são usadas para adquirir suplementos alimentares; e há casos em que os lucros do bar, da papelaria ou resultantes do arrendamento de pavilhões, por exemplo, são desviados de projectos educativos para as cantinas”, exemplifica Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares. A preocupação é tal que o agrupamento que dirige, em Cinfães, está a promover um inquérito às famílias dos 1700 alunos “para avaliar a situação real e ter bases objectivas para procurar a colaboração de outras entidades”.

No caso dos jardins-de-infância e das escolas do 1.º ciclo (até ao quarto ano de escolaridade), “cerca de 60 a 70 por cento das escolas já têm há anos as cantinas abertas, nas férias, no âmbito da promoção das actividades de tempos livres” organizadas pelos encarregados de educação, frisa Albino Almeida, dirigente da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap). Nesta última recta do ano lectivo, várias câmaras municipais, alertadas precisamente por professores ou directores de escolas, decidiram investir nesse apoio extraordinário que também é praticado, embora em menor escala, por municípios.

As câmaras de Sintra e de Braga, por exemplo, há muito que mantêm as cantinas das escolas a funcionar durante as férias e encontram-se, neste momento, a estudar a necessidade e a possibilidade de alargarem esse apoio aos sábados e aos domingos. Mas em concelhos como o Porto, Setúbal, Loulé e Faro, o facto de as cantinas continuarem a funcionar para as crianças carenciadas é, este Natal, uma novidade.

“Apesar de o Governo ter cortado nas verbas disponíveis para as autarquias, nenhuma delas deixa de apoiar as pessoas, seja através das cantinas das escolas ou de soluções mais abrangentes, como a criação de refeitórios sociais ou o estabelecimento de protocolos com instituições particulares de solidariedade social para fornecimento e distribuição de refeições”, exemplifica Fernando Ruas, presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses.

Também com o objectivo que “quantificar o contributo das autarquias para combater [as dificuldades das populações]” adianta, a associação que dirige decidiu monitorizar todos os projectos de apoio social em curso e criar “uma espécie de manual de boas práticas naquele domínio”.Esta é uma perspectiva que, no entanto, não entusiasma Alexandra Bento, presidente da Associação Portuguesa de Nutricionistas, Eugénio Fonseca, o presidente da Cáritas, e Albino Almeida, da Confap. Os três ressalvam que qualquer medida que ajude a mitigar a fome da população “é positiva”. Gostariam, contudo, de ver o Governo a avançar com uma solução global e com mais recursos, embora envolvendo também as autarquias. “A intenção é boa, as medidas são boas. Mas não deixam de ser remendos e de deixar de fora uma larguíssima parte da população”, avalia a especialista em nutricionismo.

Plano de emergência

Alexandra Bento considera que, face ao previsível impacte das medidas preconizadas no Orçamento do Estado para 2011, o país “está prestes enfrentar uma situação gravíssima”. E defende que “o Governo devia lançar de imediato um plano de emergência análogo ao desenvolvido em consequência da gripe, para avaliar o estado nutricional das crianças, disseminar informação e definir planos de acção rápidos e eficazes”.

O Ministério da Educação, através do Gabinete de Imprensa, comentou o assunto informando que não está “prevista nenhuma acção extraordinária de apoio a desenvolver nas escolas incluídas na rede pública, durante as férias escolares”, mas ressalvou que “aqueles estabelecimentos, no âmbito da sua autonomia, poderão desenvolver as acções que considerarem possíveis e necessárias”.

O director-geral da Saúde assegurou que, apesar de “a harmonização dos normativos dos Observatórios Locais de Saúde ainda estar em curso, o essencial já está a ser feito”, pelo que, “se fosse necessário, já teriam sido tomadas medidas”.

Em concreto, explicitou, as unidades locais de Saúde estão a fazer a medição regular de vários parâmetros relacionados com a saúde das populações, bem como a sua análise, detectando padrões e desvios. São estes dados que estarão em cima da mesa no dia 28, na reunião entre Francisco George, os directores regionais e os coordenadores dos principais programas do sector, que constituem o Conselho de Autoridades de Saúde. “Estamos atentos e as orientações há muito que se encontram delineadas e em condições de serem rapidamente divulgadas e postas em prática”, sossega Francisco George. com Idálio Revez, Natália Abreu, Patrícia Carvalho e Samuel Silva.

 

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Dezembro 24, 2010 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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FDTI dinamiza Workshops sobre Cibervoluntariado

Dezembro 24, 2010 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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“Os workshops sobre Cibervoluntariado vão decorrer nas Lojas Ponto JA das 18 capitais de distrito de Portugal Continental durante o mês de Dezembro, um dia por semana (quinta-feira) em vários horários. É uma iniciativa do IPJ/Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação (FDTI).

Descrição

Nestes workshops vais poder:

• Conhecer e debater o que é o Cibervoluntariado;
• Utilizar as TIC e a Web no Cibervoluntariado;
• Perceber como é possível fazer Cibervoluntariado através das TIC;
• Utilizar ferramentas tecnológicas para a realização do Cibervoluntariado;
• Contactar com organizações que procuram Cibervoluntários;
• Entender o que é o Banco de Tempo e como te podes associar.”

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