Falar de sexo é com colegas e não com pais

Dezembro 22, 2010 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Entrevista ao Público da Prof.ª Doutora Margarida Gaspar de Matos no dia 14 de Dezembro de 2010.

Apesar de os resultados do inquérito aos adolescentes indicar que estes se sentem mais à vontade para falar sobre sexo com os colegas, a coordenadora do estudo português para a Organização Mundial de Saúde defende mais educação sexual.

Os alunos portugueses podem ter mentido nos inquéritos?
A amostra é representativa dos 6.º, 8.º e 10.º anos. Não há nada [nenhum indicador] que nos diga que não é assim. Os alunos podem mentir à vontade, mas são amostras de cinco mil e não posso acreditar que me andam a pregar partidas desde 1998! Além disso, era difícil que todos mentissem para o mesmo lado. Há problemas que fazem muito barulho [ex: bullying], mas que não são universais.

Os alunos iniciam a vida sexual mais tarde. Isso contraria a ideia de que ter educação sexual na escola pode levá-los a começar mais cedo?
Estou preocupada porque eles atrasam o início da vida sexual mas não têm mais informação [do que antes]. Os jovens não privilegiam os pais nem os professores para falar de sexualidade ou de infecções sexualmente transmissíveis. A vontade de falar de sexualidade é com os colegas. A maioria diz que aprende via Internet ou televisão, o que é um risco. É muito difícil para um adolescente aos 11 anos ver o professor como seu interlocutor, mas se for assim desde os cinco anos, pode ser uma maneira de crescer na conversa natural e afectiva sobre sexualidade.

Como olha para os cortes anunciados para a educação sexual nas escolas?
Os problemas na saúde e na educação não são económicos, mas de desperdício, porque não aproveitamos o que já existe. Gostava de ver a classe docente a tomar poder sobre as suas competências e a resolver isto.

“HISTÓRIAS COM DIREITOS” NA ANTENA 3

Dezembro 22, 2010 às 3:00 pm | Publicado em CEDI, Divulgação, Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
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Pode ouvir Aqui ou Aqui o programa Prova:Oral, moderado por Fernando Alvim e Rita Moreira na Antena 3. Este programa contou no dia 20 de Dezembro de 2010 com a presença dos escritores António Torrado e José Fanha que divulgaram o audiolivro “Histórias com Direitos”, um projecto do Instituto de Apoio à Criança em parceria com a Plátano Editora. Esta sessão contou, igualmente, com a presença da Dra. Cláudia Manata (Técnica do CEDI do IAC – Centro de estudos, Documentação e Informação Sobre a Criança do Instituto de Apoio à Criança) e da Dra. Vanda Acates da Plátano Editora.

 

Jovens portugueses estão a sair menos à noite e já trocaram a TV pelo computador

Dezembro 22, 2010 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 14 de Dezembro de 2010.

Fotografia Fernando Veludo/NFactos

Fotografia Fernando Veludo/NFactos

Por Bárbara Wong

Começam a vida sexual mais tarde, não fumam e gostam de ir à escola. Um retrato sobre estilos de vida feito para a OMS mostra uma geração com um comportamento quase exemplar.

Não saem à noite, não fumam, não bebem e começam a vida sexual mais tarde. De manhã, tomam o pequeno-almoço. Na escola não se envolvem em lutas e gostam dos seus professores. Em casa, estão à frente da televisão ou do computador e, talvez por isso, praticam menos exercício físico. Há mais um senão: o consumo de drogas aumentou ligeiramente entre os adolescentes e jovens portugueses dos 6.º, 8.º e 10.º anos.

Estes são os resultados preliminares do estudo coordenado por Margarida Gaspar de Matos para o Health Behaviour in School-aged Children, que é apresentado hoje, em Lisboa. Os resultados finais serão conhecidos em Abril. Trata-se de um estudo colaborativo da Organização Mundial de Saúde (OMS), feito de quatro em quatro anos, com o objectivo de estudar os estilos de vida e os comportamentos adolescentes. Os dados portugueses foram recolhidos para o relatório de 2012, onde se reúne a informação de outros 43 países.

“Há questões que fazem muito barulho [como o bullying] mas que não são universais. Há realidades que são só da nossa rua”, justifica Margarida Gaspar de Matos. Por isso, apesar da crise económica, “cada vez há menos miséria cultural e económica em Portugal”. “Há nichos preocupantes mas residuais, pelo menos no modo como os alunos percebem e nos relatam os factos”, aponta a professora da Faculdade de Motricidade Humana, da Universidade Técnica de Lisboa.

Maioria não tem relações

Segundo o inquérito feito a cinco mil jovens de 136 escolas públicas (as mesmas desde 1998), os pais também melhoraram a sua escolaridade. Aí pode estar um factor para a melhoria da situação, continua. Mais: a maioria dos adolescentes que constituem a amostra é de nacionalidade portuguesa. Há quatro anos, a maioria dos pais tinha o 1.º ciclo; actualmente, têm o 2.º ou o 3.º e têm também profissões mais qualificadas. Esta alteração pode dever-se à iniciativa Novas Oportunidades. “É uma mudança fantástica porque a escolaridade da mãe é o melhor preditor de saúde pública. Uma mãe escolarizada mexe-se melhor no sistema de saúde e no da educação”, revela.

Um quinto dos rapazes afirma já ter tido relações sexuais. No conjunto das raparigas e dos rapazes, a maioria (83,1 por cento) diz nunca ter tido relações sexuais. Em inquérito feito apenas aos alunos do 10.º ano que referiram já ter iniciado a sua vida sexual, oito em cada dez respondem que iniciaram aos 14 anos ou mais. Nove por cento dos rapazes respondem que iniciaram aos 11 anos ou menos, contra dois por cento das raparigas.

Quem já começou a sua vida sexual não teve relações associadas ao consumo de álcool ou de drogas (87,3 por cento). As raparigas usam mais frequentemente o preservativo (96,2, mais quatro por cento do que os rapazes) e a pílula é usada por 37,5 por cento das inquiridas. A maioria não usou espermicidas ou o coito interrompido na primeira relação. Na verdade, 85,1 por cento nem sabem que método usaram. Sobre quem decide, metade dos inquiridos dos 8.º e 10.º anos responde que é o casal.

Porque é que iniciaram a sua vida sexual? Metade responde que queria experimentar, 47 por cento estava “muito apaixonado/a”, 28 “já namoram há muito tempo”, 18 por cento confessam que “aconteceu por acaso” e 13 por cento respondem que não queriam que o “parceiro ficasse zangado”.

Seis em cada dez não saem à noite com os amigos. O consumo de tabaco e de álcool diminuiu em quatro anos – um quinto dos jovens responde que já se embriagou uma ou três vezes -, mas a experimentação de drogas aumentou umas décimas. Gaspar de Matos não sabe o que é que estes dados significam.

Em casa, os adolescentes vêem muita televisão, embora menos do que em 2006 – na altura, 35,8 por cento viam mais de quatro horas diárias, durante a semana, contra 25,2 este ano. Mas passam mais horas ao computador – há quatro anos, 29,5 respondiam que nunca o usavam durante a semana; agora são apenas 12 por cento.

Sete em cada dez não se envolveram em lutas no último ano e gostam da escola, 80 por cento gostam de estar com os colegas e 85 por cento consideram que os professores têm uma boa percepção das suas capacidades académicas. Em média, os inquiridos que participaram no estudo têm 14 anos, pesam 53,4 quilos e medem 1,61 metros. A maioria – sobretudo os rapazes – está satisfeita com o seu corpo.Inquéritos foram alargados a alunos do superior

Os rapazes aventuram-se mais do que as raparigas, que são mais cuidadosas sobre a sua vida sexual. Eles começam a ter relações sexuais mais cedo e assumem mais comportamentos de risco; elas são mais preocupadas. Pela primeira vez, a equipa de Margarida Gaspar de Matos alargou o estudo ao ensino superior. São as raparigas que têm mais conhecimentos relativamente aos riscos do VIH/sida. Os rapazes respondem com mais frequência “não sabe”.

Elas têm uma atitude mais positiva do que eles. Por exemplo, se a esmagadora maioria das raparigas responde que “a contracepção faz parte de uma sexualidade responsável”, a maioria dos rapazes considera que “o sexo é uma parte muito importante da vida”. À afirmação “sinto-me melhor comigo próprio quando uso métodos contraceptivos”, 78 por cento das raparigas dizem que sim – mais 14 por cento que os rapazes.

Oito em cada dez iniciaram a vida sexual a partir dos 16 anos, eles mais cedo do que elas. Quatro em cada dez dizem ter uma relação amorosa há mais de dois anos e 84 por cento têm relações sexuais. Responderam 3278 alunos, com uma média de idades de 21 anos. O estudo foi financiado pelo Alto-Comissariado da Saúde.

Crise faz aumentar casos de crianças negligenciadas

Dezembro 22, 2010 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Diário de Notícias de 6 de Dezembro de 2010.

Fotografia Diário de Notícias

Fotografia Diário de Notícias

por ANA BELA FERREIRA

Comissões de menores e tribunais estão a registar mais casos. Só em Lisboa subiram 42,5%, e no Barreiro passaram de 144 para 292.

João ia para a escola sem livros e sem dinheiro para as refeições. O caso obrigou a mãe a ir a tribunal, onde esta admitiu não poder pagar as despesas porque estava desempregada e se tinha esquecido de tratar dos papéis da acção social escolar do filho.

Tal como o João, as dificuldades financeiras das famílias estão a levar às comissões de protecção de crianças e jovens em risco (CPCJ) e aos tribunais de menores mais casos de crianças mal nutridas, que faltam à escola, que ficam sozinhas em casa ou que são vítimas de violência doméstica.

Só no Tribunal de Menores do Barreiro o aumento é de 103%, e no de Lisboa chega aos 45,2%. Para as situações de perigo, em que é mesmo necessário retirar a criança, também há menos soluções porque as instituições estão a ficar sem capacidade de resposta.

“Em 2009, abrimos 252 processos de promoção e protecção. Este ano, até final de Novembro, já foram abertos 366”, disse ao DN Celso Manata, procurador do Tribunal de Menores de Lisboa. Estes processos podem ser abertos por vários motivos (e também pelas CPCJ), mas a negligência e os maus tratos são os mais comuns.

No Tribunal de Menores do Barreiro o aumento é ainda mais acentuado. O juiz António Fialho revela ao DN que “até dia 1 de Dezembro foram abertos 292 processos”, enquanto no mesmo período de 2009 foram 144. A maioria por “absentismo e abandono escolar, maus tratos e negligência”.

Casos como o de João são resolvidos com um apoio financeiro da Segurança Social, que pode ser accionado por CPCJ e tribunais, mas cuja duração máxima é de 18 meses. E que, segundo apurou o DN, tem sido suspenso em alguns casos, sem motivo aparente. “Estas famílias são acompanhas pela Segurança Social, e o dinheiro é apenas até voltarem a endireitar a vida”, acrescenta o juiz do Barreiro. E sempre para um fim específico, como uma ama ou o ATL.

Na Comissão de Protecção de Menores de Sintra Ocidental, os casos sinalizados até ao final de Novembro já excediam em cem os acompanhados em todo o ano anterior. Em 2009, 512 menores foram aqui seguidos, a maioria por terem sido negligenciados ou mal tratados pelos pais. “Mas este ano devemos chegar aos 700”, disse ao DN Teresa Villas, presidente da comissão, sublinhando que a situação das famílias se está a agravar de forma assustadora. Muitas vezes, atrás do desemprego e das carências económicas vêm casos de desespero e perturbações emocionais, que desencadeiam alcoolismos, dependências ou violências.

No Barreiro também se sentem mais factores de risco, embora ainda não seja possível atribui-los à crise. “Os problemas são os mesmos: absentismo escolar, negligência, maus tratos e violência doméstica”, diz Rita Carvalho, presidente. “O desemprego é muitas vezes motor desse desequilíbrio.”

Nas áreas menos habitadas não se nota a subida. Em Vizela, apesar da negligência não ter subido, as técnicas referem que nas famílias sinalizadas se notam carências maiores. “Não é pela falta de dinheiro que as famílias são acompanhadas, mas em alguns casos deparamo-nos com mais carências e encaminhamo-las para instituições, como o Banco Alimentar”, diz Diana Ramos, presidente. Já em Silves, a subida que se nota é nos pedidos de apoios à Segurança Social.

O presidente da Comissão Nacional de Crianças e Jovens em Risco, Armando Leandro, diz desconhecer ainda o cenário do País. “Só quando tivermos dados perceberemos se a crise está a reflectir- -se nos problemas das crianças”, disse, admitindo que “é provável que leve a consequências deste tipo”. Também a secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz, recusa “alarme social”. “Apenas digo que estaremos cá para avaliar e responder ao que for preciso”, afirmou ao DN


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