Alunos portugueses são mais violentos que os espanhóis

Outubro 3, 2010 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do i de 27 de Setembro de 2010.

Ilustração de Patrícia Furtado

por Kátia Catulo

Estudo mostra que os portugueses usam a ameaça ou a chantagem e os espanhóis o insulto

Os adolescentes portugueses são mais violentos do que os espanhóis. Os alunos a estudar nas escolas portuguesas são mais agressivos, usam a chantagem ou a ameaça para intimidar os colegas enquanto que os estudantes espanhóis preferem recorrer ao insulto ou à má-língua para assustar os seus companheiros de escola. Esta é uma das principais conclusões de um estudo piloto comparativo entre Portugal e Espanha coordenado por Tânia Paias, investigadora na área do bullying e convivência escolar.

Durante o último ano lectivo, a psicóloga clínica avaliou o comportamento de adolescentes portugueses e espanhóis, estudando o grau de agressividade nas escolas dos dois países. Ao todo, o estudo reuniu uma amostra de 230 alunos entre os 12 e os 15 anos do 3.º ciclo do ensino básico do Algarve e ainda 217 estudantes entre os 12 e os 18 anos a frequentar os estabelecimentos de ensino secundário da região de Múrcia, no Sul de Espanha.

“Este estudo permite perceber que os alunos portugueses são mais agressivos tanto na violência física como na verbal”, conta a investigadora e directora do Portal Bullying. Enquanto que 12,4% dos alunos de Múrcia diz ver os colegas a ameaçar os seus companheiros de escola com uma frequência semanal ou diária, na região algarvia, essa percentagem sobe para 18,5%. A coacção física ou psicológica é igualmente um comportamento mais português que espanhol: 9,6% dos adolescentes algarvios confessa que assiste diária ou semanalmente a jogos de chantagens exercidos por outros colegas que querem obrigar os companheiros a fazer as suas vontades. Em Espanha, essa percentagem não ultrapassa os 7,6% dos alunos inquiridos.

Em contrapartida, os adolescentes espanhóis usam o insulto (66,6%) e a maledicência para agredir os colegas. Em Portugal apenas 35,6% e 29% dos jovens portugueses utilizam esse tipo de violência nas escolas. As brigas, por seu turno, são mais frequentes entre as crianças a estudar em Espanha (20,4%) do que nas escolas portuguesas (14,6%).

As distâncias entre os dois países não ficam por aqui, até porque é nas escolas portuguesas que está o maior número de vítimas e de agressores. Quase metade dos alunos algarvios (46,3%) já se sentiu mal tratado pelos colegas; em Múrcia são 38,3% dos adolescentes que admitiram ter sido vítimas de bullying.

Mas, se em Espanha há mais alunos que admite já ter agredido um colega (60,1%) do que em Portugal (56,7%), o mesmo já não acontece quando lhes é perguntado se usam a violência com frequência diária ou semanal. Nas escolas secundárias de Múrcia, apenas 1,6% das crianças diz que recorre à agressividade quase todos os dias; no Algarve, essa percentagem dispara para 7,9%.

E, para concluir, Espanha é, de acordo com este estudo, o país onde os alunos sofrem menos com o fenómeno do bullying: 56,5% dos estudantes de Múrcia nunca se sentiram maltratados pelos companheiros, enquanto que em Portugal só 46,9% dos estudantes algarvios diz o mesmo sobre os seus colegas.

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