Jovens adoptados usam Facebook para falar com pais biológicos

Agosto 26, 2010 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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No Reino Unido já houve vários casos. Em Portugal, oficialmente, ainda não é conhecido nenhum, mas a questão já é discutida.

Nuns casos, foram os pais biológicos que os detectaram através do Facebook, mas a maior parte das vezes foram os próprios jovens, adolescentes ainda menores adoptados, que, sabendo o primeiro e último nome dos pais biológicos, os encontraram. Não será a primeira vez que se ouve esta história, mas a diferença é que já não é preciso sair do quarto, ir a outra cidade ou descobrir uma morada para encontrar alguém: com poucos dados, estamos todos à distância de um clique, mesmo separados por muitos quilómetros.

Embora em Portugal, segundo o presidente do Instituto da Segurança Social, Edmundo Martinho, não tenha ainda sido reportado qualquer caso semelhante, no Reino Unido já foram identificados vários. De acordo com um artigo publicado em The Guardian por Eileen Fursland, jornalista e escritora com dois livros sobre o tema (Facing up to Facebook: a Survival Guide for Adoptive Families e Social Networking sites and Adoption), há inúmeras situações de jovens que contactaram os pais biológicos e outras, em menor número, em que foram os pais a procurar os filhos que deram para adopção, através do Facebook.

Verdades incómodas

No artigo, há vários testemunhos destes contactos e os assistentes sociais mostram-se preocupados com as consequências que contactos não planeados podem ter, a nível emocional, não só para o jovem, como para toda a gente envolvida. A descoberta de verdades incómodas, reveladas sem preparação, e a gestão de sentimentos contraditórios são algumas dos efeitos que, sem mediação, podem ser difíceis de controlar.

Um assistente social citado no artigo diz que em North Yorkshire já há dezenas de casos de crianças a seguir o rasto dos pais biológicos e que, todas as semanas, recebe telefonemas de pais adoptivos em pânico por se aperceberem que os filhos têm mantido esse contacto.

A adolescência, sobretudo entre os 14 e 15 anos, parece ser a idade mais vulnerável a este tipo de aproximações.

No Reino Unido, já houve mesmo uma conferência intitulada Facing up to Facebook à qual foram mais de cem assistentes sociais, interessados em perceber como proteger as crianças e adolescentes e como aconselhar as famílias nestes casos. Para Outubro, está a ser planeada uma outra conferência em Manchester.

Acompanhamento

Tanto no Reino Unido como em Portugal, o jovem é acompanhado durante o processo de descoberta das suas origens. Embora a legislação portuguesa não o regulamente “de forma expressa”, é “prática dos serviços de adopção, o enquadramento psicológico dos jovens adultos que solicitam a consulta dos seus processos de adopção”: “Em regra, após a autorização concedida pelo tribunal para consulta quer do processo judicial quer do processo administrativo de adopção, o interessado é acompanhado nessa pesquisa por um técnico do serviço de adopções”, esclarece Edmundo Martinho por e-mail.

A ausência destes cuidados, quando o contacto é feito através de redes sociais como o Facebook, é uma das principais preocupações dos técnicos. “De qualquer forma”, acrescenta Edmundo Martinho, “nos programas de formação para a adopção, os candidatos a pais adoptivos recebem informação” sobre as formas de “trabalhar a revelação da situação de adoptado com os seus filhos, de modo a preparar uns e outros para a eventualidade de qualquer tentativa de encontro da parte dos pais biológicos”, aprendendo ainda maneiras de “acompanhar os menores nas suas perguntas e investigações sobre as suas origens”.

Potenciar o risco

Embora reconhecendo que “o Facebook e de uma maneira geral as redes sociais potenciam o risco de se estabelecer um contacto não planeado e não autorizado entre pais biológicos e crianças adoptadas”, Edmundo Martinho defende que, se “os pais e filhos tiverem uma adequada preparação para lidar com as histórias de vida passadas, essa circunstância não apresenta maior perigosidade do que muitos outros contactos” estabelecidos através da Internet. “Não penso que esta questão tenha autonomia relativamente aos outros riscos já suficientemente identificados da utilização da Internet por crianças e adolescentes e para os quais os pais devem receber a necessária preparação, para estarem atentos e poderem controlar a utilização das redes sociais por filhos adolescentes, e minimizar esses riscos”, diz o presidente do Instituto de Segurança Social.

Público em 23 de Agosto de 2010

Crianças hiperactivas nos Estados Unidos são mal diagnosticadas!

Agosto 26, 2010 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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De Stephanie Diani para USA TODAY

Pouca concentração, desassossego e energia fazem parte do crescimento mas estão a ser confundidos como doença. Muitas crianças diagnosticadas com hiperactividade nos Estados Unidos são mais novas do que as crianças com quem estão e o comportamento que têm não é anormal, é só mais imaturo do que o dos seus pares. Um estudo a publicar no Journal of Health Economics explica porquê.

Nos EUA, o ano de entrada de uma criança no jardim-de-infância é definido por uma data, quem completa cinco anos antes dessa data entra num ano e quem faz essa idade a seguir à data, entra no ano seguinte. O investigador Todd Elder, da Universidade Estatal de Michigan, comparou a proporção de crianças diagnosticadas com hiperactividade em dois grupos que, apesar de terem nascido com poucos dias de diferença, entraram no jardim-de-infância em anos diferentes.

Com uma amostra de 12 mil crianças, o investigador mostrou que os alunos mais novos no seu ano têm uma probabilidade 60 por cento superior de serem diagnosticados com esta síndroma do que os alunos mais velhos. Isto resulta que 900 mil dos 4,5 milhões de crianças (20 por cento) com hiperactividade podem ter sido mal diagnosticados. Estas crianças podem esta a tomar medicamentos sem necessidade. “Se uma criança não consegue ficar parada, pode ser porque tem cinco anos e os outros miúdos têm seis”, resumiu Elder.

Público em 18 de Agosto de 2010

Leia mais sobre este estudo AQUI.

Domingo vamos a Óbidos ouvir José Jorge Letria contar histórias

Agosto 26, 2010 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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