“Código 9″ ameaça segurança infantil na Internet

Agosto 20, 2010 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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O “código 9”, que ensina crianças e adolescentes e camuflarem dos pais as suas conversações em chats, voltou a circular, desta vez em  redes sociais. Os especialistas em segurança infantil na Web alertam para as mentes criminosas.

À revelia dos adultos, crianças e adolescentes trocam emails com informações sobre como camuflarem dos pais as suas conversas em chats da Internet. Os códigos, que foram descobertos há uns anos pelos especialistas em segurança na Web, voltaram agora a circular através das redes sociais, como o Facebook e o Hi5 , e até mesmo em vídeos no YouTube .

O alerta surge através da Panda Security , em Espanha. Em causa está o intitulado “código 9”, cuja utilização é muito simples: a técnica instrui os internautas menores sobre como manipularem as suas conversas nos chats, quando os pais estão por perto. Tudo o que precisam fazer é teclar o algarismo “9”, para que a pessoa do outro lado possa mudar rapidamente de tema ou apagar qualquer conteúdo anterior menos próprio. Quando os pais ou superiores se afastam, basta teclar “99” e está dado o sinal de que a conversação pode ser retomada de forma descontraída.

Esta técnica é “algo de que as mentes criminosas estão, sem dúvida, a par e que exploram para contactar menores”, avisa Luis Corrons, diretor técnico do Panda Labs. “É interessante verificar que, ao visitar os perfis e páginas criadas para divulgar o código 9, observamos que entre os seguidores e visitantes são poucos os menores. Deveriam ser eles os principais interessados, mas assim ficamos com a real ideia de quem são os interessados em distribuir este tipo de informação”.

Pais não devem ser intrusivos

Para Tito de Morais, responsável pelo site MiudosSegurosNa.Net , técnicas como o “código 9” não são incomuns, lembrando que, por exemplo, os jovens sabem camuflar também cada vez melhor os conteúdos das suas mensagens de telemóvel.

No que diz respeito aos chats, o especialista em segurança infantil na Web frisa que “a linguagem decifrada, embora apelativa aos jovens, é alimentada por quem quer tirar partido dos menores”. Contudo, Tito de Morais lembra que “não podemos ser intrusivos na privacidade dos mais novos”. A chave “passa por mantermos uma relação aberta com eles. Alertá-los para os perigos, mas deixando-os à vontade para nos pedirem ajuda sem receio de um castigo”.

Veja um dos vídeos a circular no Youtube sobre como utilizar o Código 9:

Código 9 em cinco perguntas:

O que é?
É um código usado para camuflar conteúdos de conversas em chats.

Como funciona?
Se alguém digitar o algarismo “9” significa que os pais ou superiores estão por perto e a pessoa do outro lado deverá apagar ou parar de escrever conteúdos inapropriados. O algarismo “99” significa que se pode falar novamente à vontade.

Quem utiliza?
O código é utilizado por crianças e adolescentes que desejam camuflar as suas conversas do controlo dos pais ou superiores.

Onde é divulgado?
A divulgação do “código 9” está a surgir através de emails e mensagens pessoais em redes sociais, como o Facebook. No YouTube também já existem vídeos a explicar a sua utilização.

Quais os principais perigos?
Os especialistas acreditam que este sistema foi criado por adultos “mal-intencionados”, que pretendem aproximar-se dos menores em conversas de chat. A exposição a possíveis pedófilos é um dos maiores perigos.


Conselhos da Polícia Judiciária para jovens, pais e educadores:

Porque é no seio da família que se poderão detetar precocemente e prevenir com maior eficácia comportamentos de que as crianças possam ser vítimas no uso e através da Internet, a Polícia Judiciária aconselha os pais e educadores para determinados princípios e regras a ter em conta:

– O computador não é o único nem o melhor amigo do seu filho;
– Os “amigos” online são, na realidade, completamente estranhos;
– Com o computador ligado à Internet podem praticar-se crimes em qualquer local do globo, bastando que haja do outro lado outro computador;
– Depois do encontro virtual segue-se o encontro físico ;
– Seria desejável que os seus filhos lhe comunicassem qualquer mensagem recebida de cariz insinuante, obscena, agressiva ou que sugira fins menos lícitos;
– Estabeleça limites horários na utilização da Internet; o uso excessivo da Internet no período da noite é indício e potenciador do problema;
– Garanta que os menores não divulguem online informação pessoal que os possam por em risco no mundo offline;
– A Internet mal utilizada é espaço privilegiado para ofertas enganosas e aliciamento encoberto; lembre-os de que o bom e o fácil raramente andam juntos;
– Em caso de suspeita salvaguarde todos os elementos relativos à proveniência e conteúdo dos contactos.

Jornal Expresso em 17 de Agosto de 2010

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