Prevenção de acidentes domésticos (II)

Julho 23, 2010 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Artigo do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga disponível no Portal Educare.pt

Serviço de Pediatria do Hospital de Braga 2010-07-14

A prevenção e antecipação dos focos de risco é essencial para evitar os acidentes na idade pediátrica.

No seguimento de tema já abordado no artigo “Prevenção de acidentes domésticos (I)“, serão avaliados os principais focos de risco de acidentes domésticos em diferentes divisões de uma habitação.

Sala
Toalhas de mesa ou de aparadores pendentes: a criança, que adquire a capacidade de preensão e posteriormente locomoção e elevação, encontra nas toalhas pendentes o apoio ideal. Ao fazê-lo arrastam sobre si tudo o que possa estar colocado em cima. Em alguns países já se encontram disponíveis dispositivos de retenção de objectos para impedir a sua queda quando a criança os puxa ou vai de encontro ao móvel que os sustenta.

Mobília: a mobília comporta em si diferentes riscos, como as esquinas e as componentes de vidro. As portas deverão estar convenientemente fechadas para impedir o acesso ao seu conteúdo (principalmente quando a criança já gatinha). O espaço por baixo dos móveis deverá ser periodicamente inspeccionado para remoção de objectos que aí se possam encontrar e que representam risco de ingestão/aspiração.

Fogão de sala/aquecedores: consultar artigo “Prevenção de acidentes domésticos (I)”.

Bebidas alcoólicas: deverão estar fora do alcance da criança, num armário devidamente fechado.

Quarto
Cama:
a) As quedas da cama são frequentes na idade pediátrica. O recurso a sistemas de protecção, como colocação de grades, previne-as. A altura das grades deverá acompanhar a capacidade da criança se colocar de pé!

b) Evitar os beliches de cima para crianças com menos de 6 anos de idade; colocar uma grade protectora (mínimo 16 cm acima do nível do colchão).

c) Evitar colocar objectos pendentes sobre o bebé, especialmente se forem pesados ou de materiais que o possam magoar numa eventual queda.

d) O bebé deverá dormir em cama própria, pelo risco de esmagamento/asfixia que corre ao dormir no meio dos pais.

Posição de dormir: o bebé deverá ser colocado em decúbito dorsal (de barriga para cima). Esta é a posição mais segura na prevenção do síndroma da morte súbita do lactente.

Móvel para mudança da fralda (fraldário): deverá ter resguardos anti-queda; nunca se deverá deixar uma criança só em cima deste móvel (nem que seja por segundos!), devido ao risco de queda.

Brinquedos: deverão ser adequados à idade. Deve ter-se o cuidado de controlar o acesso aos brinquedos dos irmãos mais velhos.

WC
Banheiras:

a) Os bebés deverão ser cuidadosamente lavados para evitar risco de asfixia/afogamento (especialmente quando de barriga para baixo) – ler mais sobre os cuidados com o banho no primeiro artigo sobre este tema.

b) À medida que a criança toma banho sozinha, deverão ser evitados os banhos de imersão (devido ao risco de afogamento) e colocados dispositivos anti-derrapantes na banheira.

Sanitas: manter a tampa fechada entre utilizações.

Aquecedores: especial atenção aos aquecedores/termoventiladores pelo risco de queimadura.

Electrodomésticos (secadores, máquinas de barbear, aquecedores): objectos ligados à corrente eléctrica numa divisão com água corrente constituem um potencial risco de electrocussão. Desligá-los sempre após utilização e manter vigilância muito apertada durante a sua utilização.

Produtos de limpeza: muitas vezes alguns produtos de limpeza e remédios são guardados nesta divisão da casa. Respeitar os mesmos cuidados de acessibilidade já descritos.

Esquentador: nunca ter o esquentador na casa de banho. O risco de acumulação de gases tóxicos potencialmente letais é grande.

Cozinha
Facas e outros utensílios: deverão estar sempre fora do alcance da criança. Ter o cuidado de não as deixar em cima das bancadas (as crianças sobem facilmente os bancos e acedem a elas). Não esquecer também de fechar a máquina de lavar a loiça, pois se ficar aberta deixa estes utensílios acessíveis às crianças.

Fogão: os discos do fogão são focos de queimaduras frequentes. Por isso:
a) Não deixar bancos/escadotes na proximidade que possibilitem o acesso às bancadas/fogão.

b) Evitar a presença da criança enquanto se cozinha – não transportar líquidos quentes/cozinhados com a criança por perto, para evitar que estas sejam atingidas.

c) Nunca deixar entrar um voador numa cozinha. A velocidade de impacto num fogão/bancada pode ser suficiente para que o seu conteúdo atinja a criança.

c) Utilizar preferencialmente os discos de trás para os cozinhados, pois diminui a acessibilidade das crianças aos tachos/frigideiras (uma criança que corra contra um fogão poderá provocar um desequilíbrio do mesmo com derrame do conteúdo sobre si).

Armários: fechar as portas dos armários e colocar os produtos de limpeza/tóxicos inacessíveis à criança;

Ferro de engomar: não deixar um ferro quente/ligado ao alcance da criança pelo risco de queimadura. Vigilância enquanto este é utilizado.

Lixo: não deixar o lixo acessível à criança.

Escritório
Utensílios de escritório: tesouras, agrafadores e abre envelopes deverão ser cuidadosamente guardados.

Jardim
Utensílios de jardinagem: guardar cuidadosamente estes utensílios.

Piscina: as piscinas deverão ser cobertas e/ou possuir dispositivos que impeçam as crianças de ter acesso à água. Nunca deixar as crianças na piscina desacompanhadas. Mesmo se equipadas com braçadeiras ou bóias, a piscina constitui um grande risco de afogamento.

Esvaziar baldes e alguidares e afastá-los de locais onde possam acumular água, pelo risco de afogamento. Fruto da anatomia própria da idade – a criança apresenta a cabeça proporcionalmente mais pesada que o restante corpo, o que aumenta a probabilidade de imersão da cabeça com afogamento -, profundidades de apenas 2,5 cm podem ser suficientes para se dar um afogamento.

Utilização de adubos, fertilizantes e outros produtos de jardinagem: não permitir que as crianças tenham acesso a áreas onde forem utilizados estes produtos.

A rua: os jardins que façam fronteira com a rua deverão estar devidamente delimitados para prevenir a fuga das crianças para a estrada.

Os animais domésticos: habitualmente restritos a esta área da casa, muitos convivem com a restante família no interior da habitação e, como tal, os mesmos conselhos se aplicam nesse ambiente. Os animais de companhia são um importante complemento no desenvolvimento das crianças – estimulam o seu desenvolvimento neurológico, a sua capacidade de interacção/empatia, a sua responsabilidade, assim como a compreensão de eventos da vida, como doença/morte (ver artigo “Quero um animal de estimação!“).

A diversidade de animais de companhia é muita e deverá ser tido em conta o risco que estes poderão constituir para a criança (ver artigo “Animal de companhia: qual escolher?“: o risco alérgico; a empatia do animal/agressividade perante a criança, principalmente em animais que já pertencem a uma família onde chega uma nova criança – evitar deixar a criança só com o animal, principalmente com algumas raças de cães, como rottweilers, pit bulls, german shepherds, cujo comportamento agressivo é muitas vezes imprevisível. Outros animais como tartarugas, cobras e iguanas, que cada vez mais constituem a escolha de muitos portugueses, representam um risco acrescido de infecções por salmonella. Deve-se, por isso, ensinar as crianças a lavar as mãos depois de brincar com eles. A comida dos animais deverá ser guardada fora do alcance da criança.

Garagem
– Nunca deixar o motor do carro a trabalhar com a porta da garagem fechada ou em qualquer espaço que não seja devidamente arejado.

– Manter ferramentas e objectos perigosos/inflamáveis fora do alcance das crianças.

Lembre-se:
A prevenção e antecipação dos focos de risco é essencial para evitar os acidentes na idade pediátrica.

A educação, explicando os riscos, o funcionamento de dispositivos, é também uma preciosa arma e deverá ser adequada à idade da criança.

Hugo Braga Tavares

Prevenção de acidentes domésticos (I)

Julho 22, 2010 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Artigo do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, disponível no Portal Educare.pt

Prevenção de acidentes domésticos (I)

Serviço de Pediatria do Hospital de Braga 2010-06-30

O pior inimigo da prevenção dos acidentes é a presunção de que não ocorrerão connosco. Muitos pais conhecem os riscos mas acreditam que consigo os acidentes não vão ocorrer

Os acidentes domésticos constituem um dos principais motivos de observação urgente e de morbi-mortalidade na idade pediátrica.

As crianças caracterizam-se por apresentar uma saudável curiosidade que potencia o risco de ocorrência de acidentes. Estes comportamentos exploratórios são essenciais ao desenvolvimento harmonioso da criança mas deverão ser contrabalançados pela adopção de estratégias de antecipação que minimizem a ocorrência de acidentes.

O pior inimigo da prevenção dos acidentes é a presunção de que não ocorrerão connosco. Muitos pais conhecem os riscos mas acreditam que consigo os acidentes não vão ocorrer.

Se por um lado deveremos conhecer os principais riscos em ambiente doméstico para poder adoptar as medidas preventivas adequadas, por outro o conhecimento de algumas etapas-chave do desenvolvimento psicomotor da criança permite antecipar determinados comportamentos de risco (Quadro 1):

Principais focos de risco de ocorrências de acidentes domésticos
Tomadas eléctricas e candeeiros – as tomadas eléctricas que não possuam protectores de fábrica deverão ser protegidas com dispositivos próprios, principalmente após a criança iniciar o gatinhar (em alguns casos logo após os 6 meses de idade). Também os candeeiros deverão ser retirados doespaço onde a criança circula, pelo risco de contacto com a ficha-tomada e a queda do mesmo no chão com exposição da componente eléctrica.

Aquecedores/lareiras – os aquecedores constituem um foco de potenciais queimaduras. Existem no mercado alguns com capas protectoras, mas na impossibilidade de adquirir um destes dever-se-á evitar deixar crianças sozinhas no mesmo espaço, principalmente quando já apresentam capacidade locomotora. As lareiras, além do risco de queimaduras pela emissão de faúlhas ou contacto directo, são fonte emissora de monóxido de carbono (CO), potencialmente fatal. Use recuperadores de calor que impedem o contacto com o fogo (mas que podem atingir temperaturas elevadas!) e providenciar uma boa exaustão do monóxido de carbono.

Janelas/porta da rua/varandas – para uma criança a noção de perigo está distorcida, pelo que uma janela aberta, uma varanda desprotegida e uma porta da rua aberta constituem uma oportunidade de explorar algo de novo com o risco de quedas, atropelamento, entre outros acidentes.

Escadas – as escadas são um dos principais focos de perigo numa casa. Uma grande parte dos acidentes por queda ocorrem nas escadas, muitas vezes associadas ao uso de andarilhos. Deverão ser protegidas por dispositivos tipo cancela ou rede.

Parques – os parques constituem uma confortável medida de contenção da criança e podem evitar uma grande quantidade de acidentes. Alguns cuidados deverão ser tidos em conta, no entanto, para evitar que constituam um ambiente propício a outro tipo de acidentes: tenha atenção aos brinquedos a que a criança tem acesso, não deixe o parque perto de mesas, toalhas ou outros focos de risco.

Andarilhos – os andarilhos (também denominados de voadores) são frequentemente utilizados pelos pais por serem uma forma de contenção da criança (em substituição dos parques), com a suposta vantagem de estimular o início da marcha das crianças ao promover o apoio nos dois pés. Cientificamente está provado que não aceleram a aquisição da marcha e aumentam o risco de acidentes domésticos pela mobilidade que conferem à criança, nomeadamente, quedas de altura ou escadas, embate contra móveis/fogões com quedas e/ou derrube sobre a criança das estruturas em cima colocadas.

Quadros – deverão estar bem fixos, evitando a sua colocação por cima dos locais onde a criança passa a maior parte do tempo (como o berço ou o parque).

Esquinas – as esquinas dos móveis deverão ser protegidas com dispositivos próprios, especialmente as que ficam ao nível da criança (subindo de nível à medida que a criança adquire a capacidade de se levantar).

Medicamentos, álcool e produtos de limpeza (tóxicos) – provavelmente a mensagem melhor difundida na prevenção de acidentes mas que persiste em não ser assimilada: não deixar nenhuma destas substâncias ao alcance da criança. Ter em atenção que a aquisição das capacidades motoras leva à necessidade de actualizar a localização segura destes produtos. Nunca utilizar garrafas de bebidas, caixas de bolachas ou outras familiares à criança para guardar produtos tóxicos, pelo risco de a criança as considerar próprias para consumo.

Cadeirinha/transportador – deverá ser sempre colocado numa superfície firme, preferencialmente no chão, para evitar quedas.

Isqueiros, fósforos, objectos de dimensões reduzidas (moedas), pilhas eléctricas – todos estes objectos, entre muitos outros, não devem estar acessíveis às crianças pelo risco de aspiração ou deglutição que comportam.

Banho – relativamente aos riscos relacionados com o banho há que considerar as queimaduras (a temperatura da água deverá ser adequada) e a possibilidade de afogamento (uma pequena quantidade de água pode ser suficiente; as crianças têm a cabeça proporcionalmente maior e mais pesada em relação ao restante corpo, pelo que esta tendencialmente fica debaixo de água). Os produtos de higiene a utilizar deverão ser indicados para a idade pediátrica pela possibilidade de ocorrência de ingestão.

Alimentação – as cadeiras de alimentação deverão ser estáveis e estar bem apoiadas, pois as crianças não apreciam estar em espaço restrito e tenderão a mexer-se, com o risco de queda. Se se utilizarem bancos pendentes do tampo da mesa, aconselha-se a colocação de uma cadeira por baixo da criança por questão de segurança. As crianças, principalmente a partir do ano de idade, demonstram vontade de ‘participar’ na refeição, pegando nos talheres e copos. Devem ser utilizadas colheres e evitar a presença de facas ou garfos na proximidade da criança. Copos e pratos deverão ser preferencialmente de plástico. Os alimentos deverão ser confeccionados de forma adequada à idade da criança e espinhas e outros potenciais elementos agressores deverão ser cuidadosamente retirados.

Hugo Braga Tavares

Workshop de Pintura para crianças com Graça Paz

Julho 22, 2010 às 1:01 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Casadascenas Educação pela Arte vai realizar o Workshop de Pintura para crianças com Graça Paz dias 24/7 às 10:30 – 25/7 às 15:00 em Sintra, Casa das Cenas – Educação pela Arte. “Graça Paz faz da pintura o seu Universo de forma a estimular as crianças para a arte – a base imprescendível da educação para um melhor ser Humano. Sábado 10.30 às 13.00h e Domngo 15.00 às 17.30 h Uma sessão, 35 €, Duas sessões, 50 (Dois irmãos, um não paga se trouxer um amiguinho)… ” Inscrições limitadas Confirmar por telefone: 91 2104959 / 939392193 ou casadascenas@gmail.com Direcção: Sandra Rodriguez http://gracapaz.tumblr.com/

Seminário da pós-graduação “Prevenção da Violência de Género na Escola e na Família”

Julho 22, 2010 às 10:25 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Hoje, dia 22 de Julho de 2010, realiza-se o seminário de apresentação das dissertações da pós-graduação “Prevenção da Violência de Género na Escola e na Família” da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP). A sessão, com início às 9 horas, decorrerá no auditório 2C da FPCEUP. Mais informações Aqui

Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família Intervindo nas causas para prevenir os efeitos

Julho 22, 2010 às 6:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo da Drª Melanie Tavares (Coordenadora do Projecto da Mediação Escolar do SOS Criança do Instituto de Apoio à Criança).  In: Comércio do Seixal e Sesimbra . –  Seixal, 2010, p. 5 . – Ano III, N.º 113 (Julho de 2010).

Sempre conectados ou dependentes?

Julho 21, 2010 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Crónica de Daniel Sampaio no jornal Público de 11 de Julho de 2010.

As crianças e jovens de hoje passam por longos períodos frente ao ecrã de computador. Pais e educadores preocupam-se com esta forma de entretenimento – nalguns casos semelhante a uma dependência – porque os adolescentes aproveitam todo o tempo o tempo possível para jogar na internet e têm muita dificuldade em aceitar interrupções ou acatar restrições de utilização propostas pelos progenitores: reagem então com agressividade e depressa voltam ao mesmo.

Conheço adolescentes que chegam a estar dez horas por dia em jogos online, com prejuízo da frequência das aulas e da preparação dos testes. As refeições são feitas em tabuleiro frente ao computador, em regra com alimentos de alto teor calórico e de facil ingestãp, pois interessa ter pelo menos uma mão livre para continuar a jogar. Uma família queixou-se na consulta das horas em que o filho estava preso ao ecrã, aparecendo de vez em quando para refeições rápidas, ingeridas à pressa sem falar, com os olhos vermelhos a piscar; noutro caso foram os avós que se quixavam da dificuldade em adormecer, porque as noites de verão obrigavam as janelas abertas que deixavam ouvir os gritos e palavrões de dois vizinhos adolescentes, enquanto “matavam” toda a gente com tidos virtuais: “tanto tiro, tanto tiro”, comentava a avó.

São várias as causas deste comportamento juvenil. Nos últimos trinta anos existiu um excesso de preocupação com a segurança das crianças, com receios mantidos de que na rua com a consequência de sua perda de iniciativa e de independência. Os mais novos perderam não sói a liberdade de deambular e de explorar o meio ambiente, como também não adquiriram capacidades de desembaraço perante situações mais dificeis que ocorriam no exterior. Os pais trabalham muitas horas e somam aos seus medos algum descanso, com a ideia de que se os filhos estiverem em casa podem repousar mais e vigiar mais de perto.

As consequências são já conhecidas: sedentarismo e obesidade nas crianças, diminuição da interacção entre gerações (todos em frente a ecrãs), menor responsabilidade por parte dos mais novos, dificuldade de cumprimento regras de convívio social (de que a falta de correcto comportamento á emsa por parte das crianças é apenas um eemplo). Estudos mais recentes levantam a hipótese de que alguns casos de intimidação e provocação nas escolas (o tão falado bullying) possam estar relacionados com a falta de empatia e de competências sociais por parte dos seus actores, habituados a uma permanente vida virtual.

Precisamos de mudar muito. Os pais devem cuidar das raízes da árvore familiar, promovendo mais interacção na família, mas não podem esquecer que também devem treinar os filhjos a utilizar as asas a voarem sozinhos. Assim, devem ganhar tempo para discutir regras de segurança no exterior,, por exemplo através da exploração conjunta dos percursos; necessitam combinar regras de utilização do computador, não permitindo excesso de uso; e ganhariam em promover, desde muito cedo, actividades no exterior, onde o desporto seria sempr uma opção importante.

Ter actividades conjuntas na família, sobretudo com crianças pequenas, vale mais do que dezenas de cursos ou de actividades extra-escolares, em que os pais ficam exaustos e onde os filhos pouco se divertem. claro que é bom que as crianças tenham actividades estruturadas fora da escola (quando o roçamento familiar o permite…) mas isso não deve constituir um substituto para a vida familiar nem impedir a livre exploração da vida no exterior.

Considerar que a internet é o novo diabo do séc. XXI – como já ouço a alguns pais – não é o caminho. Já pensaram se não é mais vantajoso ensinar a alimentação saudável, promover a actividade física e contribuir para a exploração cuidadosa da praceta ao pé de casa?

XI Congresso Nacional de Pediatria

Julho 21, 2010 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Sociedade Portuguesa de Pediatria vai organizar o 11º Congresso Nacional de Pediatria, que irá decorrer no Funchal nos dias 6, 7 e 8 de Outubro de 2010. Mais informações Aqui

Matilde Rosa Araújo – Autobiografia

Julho 21, 2010 às 6:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Matilde Rosa Araújo, sócia fundadora do Instituto de Apoio à Criança e Directora do Boletim do IAC. Nasceu em Lisboa em 1921, licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Foi professora do Ensino Técnico Profissional e do primeiro Curso de Literatura para a Infância, que teve lugar na Escola do Magistério Primário de Lisboa. Autora de livros de contos e poesia adultos e crianças, a sua temática centra-se em torno de três grandes eixos de orientação: a infância dourada, a infância agredida e a infância como projecto.  Dedicou-se, ao longo da sua vida, aos problemas da criança e à defesa dos seus direitos. O Jornal de letras, Artes e Ideias republicou no dia 7 de Julho de 2010 a sua autobiografia saída na edição do JL 928, de 26 de Abril de 2006.

Falar da minha vida, no seu percurso até esta idade octogenária, é difícil. Mais difícil ainda para uma memória sempre abalada, ida, de quem desde criança viveu “fora do contexto”. Este “fora do contexto” não por excepcionalidade (afirmo-o sem falsa modéstia), mas porque sempre me encontrei longe e perto. Este longe e perto não nega o tesouro real, para além da família, que constituíram os amigos. Amigos de presença tão viva, embora tantos já ausentados pela lei de um “fim” que muito dói e não sei entender.

Nasci numa quinta em Benfica, no meio de árvores, flores, fontes, animais natureza viva que me seduzia. Perto de Jardim Zoológico. De noite, ouvia o ressonar ou o gemer dorido dos leões, dos tigres, do elefante e de outros animais que não identifico: eram “vozes” de animais presos. Vozes de grades. E gritos de aves estranhas. Ficava acordada para os ouvir, não sei porquê. E doíam-me. Não seria já o “gosto amargo” de sofrer (que não tenho) mas a inconsciente busca de um mundo próximo e livre que não entendia.

Não frequentei nenhuma escola. Quantas vezes subi para o telhado de casas onde vivia, para olhar os meninos que iam para a escola? Talvez, por isso, a infância encontrou-me quando comecei a ensinar. Encontrou-me e continuou comigo no deslumbrado acontecer das aulas, deslumbrado e receoso de não saber comunicar. E fui aprendendo, tentando aprender o segredo da infância, da juventude, descoberta viva todos os dias. O curso de Letras encaminhara-me para esta profissão. Tive sorte. E o que aconteceu? Foi tanto o acontecido.

Em Lisboa, e por outras terras, fui enraizando o poder de um sonho Os Direitos da Criança.

E, comungando na profissão e à margem dela, encontrei amigos que não posso nem sei esquecer.

Amigos simples e grandes cuja ternura ainda me embala. Desde a Faculdade de Letras da velha Academia das Ciências, professores, colegas que me deram a fortuna do seu ser, do seu contar.

Depois, na vertente das Letras, lembro a felicidade que constituiu para mim fazer parte da Sociedade Portuguesa de Escritores. Felicidade que findou (findou?) numa amarga, injusta destruição da sua sede. Falar de lágrimas nesta altura é pouco: a própria revolta seca-as de imediato.

Vivi décadas do século passado, como se calcula. E, nesse século, pude olhar dois momentos da História que me deslumbraram.

Uma alegria que Beethoven na sua ode nos entregara para sempre, maravilha de sons que aconteceu. Pungente. Viva. Um desses momentos foi o fim da Segunda Guerra Mundial. A paz no Mundo na qual acreditei para sempre. Soava a Alegria como água pura da nascente. Branca luminosa.

Outro momento foi o 25 de Abril. Depois de um tempo de silêncio, de silêncios, com vozes heróicas ou caladas, nós íamos acreditar num país de fraternidade, sem arma de agressão. País sonhado há tanto. De justiça e paz. E hoje? “Pelo sonho é que vamos”, como disse Sebastião da Gama”. Continuamos.

De mim, que mais posso falar? Escrevi. Escrevo ainda. Sei que é bom viver, apesar das dores, das inibições físicas. Mas como é bom amar, ter amado. Em ter a infância no coração. Com a infância no coração e tanta memória com ela encontrada. Às vezes, acontecimentos aparentemente tão simples mas que apontam da infância um historial amargo. Simples como uma boneca de trapos, trapos sujos pelo tempo magoado. Olhos de retrós que olham para mim num doce olhar.

Eu lembro a “história” desta boneca, que não é só minha, como se contasse o segredo escondido de toda a criança mal amada. Fui, um dia, a uma escola. Qual? Já nem me lembro do seu nome, da terra a que pertencia. Mas não esqueci nunca, nunca poderei esquecer, a prenda rara que foi para mim esta boneca. Parece-me, desde que a recebi, que ela tem voz, que me dá um imenso recado. Enfim, como já disse, visitar uma escola. Qual? Onde? Como sempre, rodearam-me os alunos com a sua ternura, as suas interrogações, a graça tão única de quem é jovem em querer descobrir o mundo. Entre esses jovens surpreendeu-me o olhar de uma menina, olhar triste e destroçado de infância perdida. E a menina olhava, eu percebia sem o saber nada do seu mundo para além da mágoa do seu olhar.

No meio daqueles alunos que perguntavam, ficaram muito sérios ou riam, me davam a força da ternura, não me apercebi da ausência daquela menina triste. Estava no momento de me despedir, agradecer a todos, professores e alunos, tanto amor que me fora dado, quando a menina triste que se ausentara chegou junto de mim. Com uma boneca de trapos, envelhecida pelo uso, nos seus braços magrinhos.

Tome. É para si. Eu fui buscá-la.

Não nomeou onde fora. Mas onde chegou até mim.

Não podia aceitar.

A boneca é tua. É a tua boneca! Aceite. Eu quero que fique consigo.

Mas não. Os olhos da menina, determinados, imploravam. Olhos maravilhosos e húmidos de uma fome que não é de pão. Compreendi. Os professores da escola ajudaram-me a compreender aquela dádiva única daquela menina mal amada. Toda a criança também é uma dádiva única. Aquela boneca não lhe pertencia. Não tinha o direito de brincar numa casa sem amor. Menina que não era amada podia guardar a sua boneca de trapos? Boneca tão suja e tão linda! E não me lembro do nome da menina “sua mãe”. Por contraste a boneca seria a “cigarreira breve” de Fernando Pessoa. Outra forma de guerra. Não me lembro do nome da menina mas sei o seu recado. Esta boneca “aconteceu” numa visita a uma escola.

Tenho ainda a felicidade de visitar escolas, bibliotecas generosos convites dos seus responsáveis.

Convites que me trazem o grande prazer da convivência, do afecto dos professores, bibliotecários, auxiliares de ensino, da juventude. Sem esquecer a infância que por vezes me cabe como uma graça plena. E, com estas visitas, lembro o passado do livro infanto-juvenil, o respeito renascido por esta literatura até então quase ignorada, adormecida em silenciosos armários escolares. E lembro, com grato respeito, a importância que tiveram para tal literatura as carrinhas, bibliotecas ambulantes, da Fundação Calouste Gulbenkian. Carrinhas que corriam o país e levavam a boa nova do livro que todos podiam ler. As crianças, os jovens. E os adultos rompendo a morna ileteracia também. Hoje, nessa esteira, temos bibliotecas que são o lar vivo de uma literatura tanto tempo ignorada apesar de lhe caberem cultores, raros embora, de grande mérito literário e pedagógico.

Nas décadas que vivi, pude assistir a esta dignificação das letras tão naturalmente ignoradas.

E como a história, a “estória”, está tão presente no coração dos homens! O reconto oral é um património riquíssimo de entendimento da vida, das suas realidades, da sua poesia. Esta oralidade está viva, acontece nas próprias bibliotecas sem livros adormecidos. Sei, como não saber?, que os meios audiovisuais são fortes competidores da imprensa escrita. Mas sei, também, que tal imprensa não pode morrer: os livros, os jornais (da escola e não só) têm uma força real, o segredo claro de um diálogo silencioso e livre com o leitor. Diálogo que espera, permanece.

Cheguei até aqui com a voz da memória a dizer-me tanto. Há anos (do tal século passado.) pude editar três volumes que contêm a recolha de textos (poesia e prosa) de escritores portugueses. Nesses textos de autores de diferentes épocas, textos “para adultos”, pude encontrar em beleza em verdade a presença da infância. Da própria infância e da infância com eles convivente.

A um desses volumes dei o título de Estrada Fascinante. No seu prefácio acabo por dizer: “Alguma paixão reconheço nestas folhas, reconheço-a mas não a enjeito. Para mim, abriu-se uma “estrada fascinante” e só lamento os pés menos firmes de quem foi, apesar de tudo, deslumbrada caminheira”. Estrada nunca demais percorrida.

Famílias com filhos são mais atingidas pela pobreza. E vai piorar

Julho 20, 2010 às 9:05 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do jornal  i de 16 de Julho de 2010.

Ter filhos faz toda a diferença. As famílias com crianças a cargo são muito mais atingidas pela pobreza do que as que não têm prole, mostra um estudo ontem publicado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) que analisou os rendimentos de 2008.

Por outro lado, a taxa de pobreza geral nacional recuou para 17,9% do total. Vários observadores dizem que tudo isto vai piorar pois o inquérito do INE ainda não conta com a recessão de 2009, nem com as sombras recentes que voltaram a pairar sobre a economia e o mercado de trabalho. A desigualdade extrema também está a aumentar.

Desde 1995, pelo menos, que a disparidade entre a pobreza das famílias com filhos e as outras não era tão elevada, mostra o estudo (ver gráfico). Os agregados com filhos, sobretudo os que têm dois ou mais, estão a ser cada vez mais fustigados pelo fenómeno da pobreza. Ser pobre, diz o INE, é quando um adulto residente no país tem de viver com 4969 euros por ano, cerca de 414 euros por mês.

Já se sabia que com filhos tudo pode ficar mais difícil. Os encargos são maiores. Mas nunca nos últimos 14 anos a penalização foi tão grande como agora. Isso mesmo contamina a taxa de natalidade que está cada vez mais baixa. De acordo com o INE, em 2009 nasceram 99,5 mil bebés, um mínimo de muitos anos e a taxa de natalidade (crianças nascidas por cem habitantes) caiu para 9,4. Por isso, quem tem filhos fá-lo cada vez mais tarde. Também aqui a tendência é para protelar essa decisão.

As estimativas mais detalhadas do INE mostram, por exemplo, que as famílias que decidem ter apenas uma criança até registam um retrocesso no indicador da pobreza. Mas, à medida que a prole aumenta, a situação torna-se mais delicada e o risco de pobreza sobe de forma inequívoca: sobe uma décima (para 20,7% do total no conjunto dos agregados com um casal e duas crianças e aumenta dramaticamente (de 31,9% para 42,8% do total) no caso dos casais com três crianças ou mais.

Ontem, na Assembleia da República, o primeiro-ministro, José Sócrates, congratulou-se pelo facto de, no que respeita à pobreza e às desigualdades, os números serem hoje os menores desde 1995. Mas esse será um facto extraordinário, tendo em conta a quebra prevista do rendimento disponível e o agravamento estrutural do desemprego.

“Pelo que sei e tenho visto, não tenho a mínima dúvida que os números que levarem em conta os rendimentos deste ano e do próximo vão mostrar um sério agravamento da situação, seja na desigualdade, seja na incidência da pobreza”, lamenta o presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), Fernando Nobre. “Em 2009, a resposta global da nossa rede de equipamentos sociais aumentou 20%. No primeiro semestre deste ano, o aumento homólogo já vai em 30%”, concretiza. “Quem tem filhos está mais exposto porque as despesas são maiores. Com uma economia estagnada e com o desemprego em 10% ou mais, tudo isto se agrava”, diz o médico.

“São dados relativos a 2008, estamos com ano e meio de atraso e eu gostava de ver dados que fossem actuais porque a grande incidência do desemprego foi nos últimos meses, no último meio ano”, constata Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar, em declarações à agência Lusa. Eugénio Fonseca, da Cáritas Portugal diz à mesma agência que “estes dados não reflectem os impactos actuais da crise, que se agudizou muito em 2009” e fala de uma tendência de agravamento em 2010.

A desigualdade entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres diminuiu, mas a desigualdade extrema (10% mais ricos versus 10% mais pobres) agravou-se, mostra o INE.

Com uma história conquisto uma vitória

Julho 20, 2010 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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“A Associação de Enfermagem Oncológica Portuguesa, através do grupo específico de trabalho – AEOP Educação –  em parceria com a Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros organizam no ano de 2010, um Concurso Literário Infanto-juvenil destinado a promover a prevenção do cancro através do conto infantil.

São objectivos deste concurso:
a. Consciencializar os enfermeiros para a importância da “educação para a saúde” no âmbito da saúde infanto-juvenil;
b. Proporcionar o desenvolvimento de competências na área da leitura e da escrita através do conto;
c. Promover a prevenção do cancro através de uma história infantil;
d. Valorização da educação para a saúde por parte dos enfermeiros;
e. Valorizar a criatividade dos enfermeiros;

O concurso destina-se a enfermeiros na área hospitalar e nos Cuidados de Saúde Primários. Cada história deverá ter o máximo de 2 autores e os participantes assumirão o compromisso de conhecer e cumprir o regulamento e aceitar as decisões adoptadas pelo júri do concurso.

Os trabalhos a concurso deverão ser enviados até às 24 horas do dia 30 Setembro 2010.

Ver Regulamento aqui.”

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