Um quinto dos adolescentes não escova os dentes

Julho 24, 2010 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia publicada no dia 15 de Julho de 2010 no site da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto . Esta notícia tem como base a tese de Mestrado do Dr. Nélio Jorge Veiga.

VEIGA, Nélio Jorge – Comportamentos de Saúde Oral em Adolescentes Portugueses. Porto: 2009.

20% dos adolescentes admitem não escovar os dentes diariamente e apenas um em cada quatro escova os dentes duas ou mais vezes ao dia, cumprindo as regras para uma boa higiene oral, revela um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e da Escola Superior de Saúde de Viseu.

Este trabalho teve como objectivo caracterizar os comportamentos de saúde oral numa amostra de adolescentes portugueses. Para isso, foram avaliados sete mil jovens com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos de escolas públicas do distrito de Viseu. Os hábitos de higiene oral e as informações sócio-económicas foram avaliados através de um questionário.

Os resultados revelaram que as raparigas são mais cuidadosas do que os rapazes no que toca à higiene oral, escovando mais vezes os dentes, usando mais frequentemente o fio dentário e recorrendo mais vezes ao dentista.

Nélio Veiga e Carlos Pereira, autores deste trabalho, sublinha que a frequência da escovagem se relaciona com as habilitações literárias dos pais, isto é, “quanto mais escolarizados são os pais, maior é a probabilidade de o jovem escovar os dentes duas ou mais vezes por dia, seguindo as recomendações clínicas”.

A área de residência também mostrou influenciar os hábitos de higiene oral, com os adolescentes das zonas urbanas a apresentarem uma prevalência de escovagem significativamente superior à dos jovens das áreas rurais.

Só 4,4% dos adolescentes usam o fio dentário habitualmente. Mais de metade da amostra (55%) referiu ter consultado um dentista no ano anterior ao estudo, mas 13% dos jovens nunca tinham ido ao dentista na vida.

Relativamente aos jovens que foram vistos por um especialista em Medicina Dentária, metade recorreu ao dentista para realizar consultas de rotina, 28% devido a dores nos dentes e 22% por causa de outros problemas orais.

Apenas 1,1% dos adolescentes cumpriram na totalidade os requisitos para uma saúde oral adequada (escovagem duas ou mais vezes por dia, utilização de fio dentário e visita ao dentista duas ou mais vezes por ano).

De acordo com o autor deste estudo, “é preocupante que uma elevada proporção de adolescentes não realize consultas de rotina, visitando o médico apenas quando têm dores de dentes”. O investigador propõe que sejam criados programas comunitários para melhorar os conhecimentos e os comportamentos relacionados com a saúde oral dos adolescentes.

Nos programas de saúde oral as medidas de prevenção devem ser dirigidas, particularmente, aos adolescentes do meio rural e com pior nível social e económico, porque “em Portugal, as desigualdades registadas no acesso aos cuidados de saúde oral das populações são bem evidentes, resultando do facto de, na sua maioria, serem exercidos no sector privado, condicionando o acesso dos mais desfavorecidos por falta de recursos financeiros”, lembra o investigador.

A saúde oral é um elemento fundamental para o bem-estar dos indivíduos. As doenças orais, sobretudo as cáries e as doenças periodontais, estão entre as mais prevalentes a nível mundial.

OM/FMUP; Foto: Google


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