Prevenção de acidentes domésticos (II)

Julho 23, 2010 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Artigo do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga disponível no Portal Educare.pt

Serviço de Pediatria do Hospital de Braga 2010-07-14

A prevenção e antecipação dos focos de risco é essencial para evitar os acidentes na idade pediátrica.

No seguimento de tema já abordado no artigo “Prevenção de acidentes domésticos (I)“, serão avaliados os principais focos de risco de acidentes domésticos em diferentes divisões de uma habitação.

Sala
Toalhas de mesa ou de aparadores pendentes: a criança, que adquire a capacidade de preensão e posteriormente locomoção e elevação, encontra nas toalhas pendentes o apoio ideal. Ao fazê-lo arrastam sobre si tudo o que possa estar colocado em cima. Em alguns países já se encontram disponíveis dispositivos de retenção de objectos para impedir a sua queda quando a criança os puxa ou vai de encontro ao móvel que os sustenta.

Mobília: a mobília comporta em si diferentes riscos, como as esquinas e as componentes de vidro. As portas deverão estar convenientemente fechadas para impedir o acesso ao seu conteúdo (principalmente quando a criança já gatinha). O espaço por baixo dos móveis deverá ser periodicamente inspeccionado para remoção de objectos que aí se possam encontrar e que representam risco de ingestão/aspiração.

Fogão de sala/aquecedores: consultar artigo “Prevenção de acidentes domésticos (I)”.

Bebidas alcoólicas: deverão estar fora do alcance da criança, num armário devidamente fechado.

Quarto
Cama:
a) As quedas da cama são frequentes na idade pediátrica. O recurso a sistemas de protecção, como colocação de grades, previne-as. A altura das grades deverá acompanhar a capacidade da criança se colocar de pé!

b) Evitar os beliches de cima para crianças com menos de 6 anos de idade; colocar uma grade protectora (mínimo 16 cm acima do nível do colchão).

c) Evitar colocar objectos pendentes sobre o bebé, especialmente se forem pesados ou de materiais que o possam magoar numa eventual queda.

d) O bebé deverá dormir em cama própria, pelo risco de esmagamento/asfixia que corre ao dormir no meio dos pais.

Posição de dormir: o bebé deverá ser colocado em decúbito dorsal (de barriga para cima). Esta é a posição mais segura na prevenção do síndroma da morte súbita do lactente.

Móvel para mudança da fralda (fraldário): deverá ter resguardos anti-queda; nunca se deverá deixar uma criança só em cima deste móvel (nem que seja por segundos!), devido ao risco de queda.

Brinquedos: deverão ser adequados à idade. Deve ter-se o cuidado de controlar o acesso aos brinquedos dos irmãos mais velhos.

WC
Banheiras:

a) Os bebés deverão ser cuidadosamente lavados para evitar risco de asfixia/afogamento (especialmente quando de barriga para baixo) – ler mais sobre os cuidados com o banho no primeiro artigo sobre este tema.

b) À medida que a criança toma banho sozinha, deverão ser evitados os banhos de imersão (devido ao risco de afogamento) e colocados dispositivos anti-derrapantes na banheira.

Sanitas: manter a tampa fechada entre utilizações.

Aquecedores: especial atenção aos aquecedores/termoventiladores pelo risco de queimadura.

Electrodomésticos (secadores, máquinas de barbear, aquecedores): objectos ligados à corrente eléctrica numa divisão com água corrente constituem um potencial risco de electrocussão. Desligá-los sempre após utilização e manter vigilância muito apertada durante a sua utilização.

Produtos de limpeza: muitas vezes alguns produtos de limpeza e remédios são guardados nesta divisão da casa. Respeitar os mesmos cuidados de acessibilidade já descritos.

Esquentador: nunca ter o esquentador na casa de banho. O risco de acumulação de gases tóxicos potencialmente letais é grande.

Cozinha
Facas e outros utensílios: deverão estar sempre fora do alcance da criança. Ter o cuidado de não as deixar em cima das bancadas (as crianças sobem facilmente os bancos e acedem a elas). Não esquecer também de fechar a máquina de lavar a loiça, pois se ficar aberta deixa estes utensílios acessíveis às crianças.

Fogão: os discos do fogão são focos de queimaduras frequentes. Por isso:
a) Não deixar bancos/escadotes na proximidade que possibilitem o acesso às bancadas/fogão.

b) Evitar a presença da criança enquanto se cozinha – não transportar líquidos quentes/cozinhados com a criança por perto, para evitar que estas sejam atingidas.

c) Nunca deixar entrar um voador numa cozinha. A velocidade de impacto num fogão/bancada pode ser suficiente para que o seu conteúdo atinja a criança.

c) Utilizar preferencialmente os discos de trás para os cozinhados, pois diminui a acessibilidade das crianças aos tachos/frigideiras (uma criança que corra contra um fogão poderá provocar um desequilíbrio do mesmo com derrame do conteúdo sobre si).

Armários: fechar as portas dos armários e colocar os produtos de limpeza/tóxicos inacessíveis à criança;

Ferro de engomar: não deixar um ferro quente/ligado ao alcance da criança pelo risco de queimadura. Vigilância enquanto este é utilizado.

Lixo: não deixar o lixo acessível à criança.

Escritório
Utensílios de escritório: tesouras, agrafadores e abre envelopes deverão ser cuidadosamente guardados.

Jardim
Utensílios de jardinagem: guardar cuidadosamente estes utensílios.

Piscina: as piscinas deverão ser cobertas e/ou possuir dispositivos que impeçam as crianças de ter acesso à água. Nunca deixar as crianças na piscina desacompanhadas. Mesmo se equipadas com braçadeiras ou bóias, a piscina constitui um grande risco de afogamento.

Esvaziar baldes e alguidares e afastá-los de locais onde possam acumular água, pelo risco de afogamento. Fruto da anatomia própria da idade – a criança apresenta a cabeça proporcionalmente mais pesada que o restante corpo, o que aumenta a probabilidade de imersão da cabeça com afogamento -, profundidades de apenas 2,5 cm podem ser suficientes para se dar um afogamento.

Utilização de adubos, fertilizantes e outros produtos de jardinagem: não permitir que as crianças tenham acesso a áreas onde forem utilizados estes produtos.

A rua: os jardins que façam fronteira com a rua deverão estar devidamente delimitados para prevenir a fuga das crianças para a estrada.

Os animais domésticos: habitualmente restritos a esta área da casa, muitos convivem com a restante família no interior da habitação e, como tal, os mesmos conselhos se aplicam nesse ambiente. Os animais de companhia são um importante complemento no desenvolvimento das crianças – estimulam o seu desenvolvimento neurológico, a sua capacidade de interacção/empatia, a sua responsabilidade, assim como a compreensão de eventos da vida, como doença/morte (ver artigo “Quero um animal de estimação!“).

A diversidade de animais de companhia é muita e deverá ser tido em conta o risco que estes poderão constituir para a criança (ver artigo “Animal de companhia: qual escolher?“: o risco alérgico; a empatia do animal/agressividade perante a criança, principalmente em animais que já pertencem a uma família onde chega uma nova criança – evitar deixar a criança só com o animal, principalmente com algumas raças de cães, como rottweilers, pit bulls, german shepherds, cujo comportamento agressivo é muitas vezes imprevisível. Outros animais como tartarugas, cobras e iguanas, que cada vez mais constituem a escolha de muitos portugueses, representam um risco acrescido de infecções por salmonella. Deve-se, por isso, ensinar as crianças a lavar as mãos depois de brincar com eles. A comida dos animais deverá ser guardada fora do alcance da criança.

Garagem
– Nunca deixar o motor do carro a trabalhar com a porta da garagem fechada ou em qualquer espaço que não seja devidamente arejado.

– Manter ferramentas e objectos perigosos/inflamáveis fora do alcance das crianças.

Lembre-se:
A prevenção e antecipação dos focos de risco é essencial para evitar os acidentes na idade pediátrica.

A educação, explicando os riscos, o funcionamento de dispositivos, é também uma preciosa arma e deverá ser adequada à idade da criança.

Hugo Braga Tavares

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