Prevenção de acidentes domésticos (I)

Julho 22, 2010 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Artigo do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, disponível no Portal Educare.pt

Prevenção de acidentes domésticos (I)

Serviço de Pediatria do Hospital de Braga 2010-06-30

O pior inimigo da prevenção dos acidentes é a presunção de que não ocorrerão connosco. Muitos pais conhecem os riscos mas acreditam que consigo os acidentes não vão ocorrer

Os acidentes domésticos constituem um dos principais motivos de observação urgente e de morbi-mortalidade na idade pediátrica.

As crianças caracterizam-se por apresentar uma saudável curiosidade que potencia o risco de ocorrência de acidentes. Estes comportamentos exploratórios são essenciais ao desenvolvimento harmonioso da criança mas deverão ser contrabalançados pela adopção de estratégias de antecipação que minimizem a ocorrência de acidentes.

O pior inimigo da prevenção dos acidentes é a presunção de que não ocorrerão connosco. Muitos pais conhecem os riscos mas acreditam que consigo os acidentes não vão ocorrer.

Se por um lado deveremos conhecer os principais riscos em ambiente doméstico para poder adoptar as medidas preventivas adequadas, por outro o conhecimento de algumas etapas-chave do desenvolvimento psicomotor da criança permite antecipar determinados comportamentos de risco (Quadro 1):

Principais focos de risco de ocorrências de acidentes domésticos
Tomadas eléctricas e candeeiros – as tomadas eléctricas que não possuam protectores de fábrica deverão ser protegidas com dispositivos próprios, principalmente após a criança iniciar o gatinhar (em alguns casos logo após os 6 meses de idade). Também os candeeiros deverão ser retirados doespaço onde a criança circula, pelo risco de contacto com a ficha-tomada e a queda do mesmo no chão com exposição da componente eléctrica.

Aquecedores/lareiras – os aquecedores constituem um foco de potenciais queimaduras. Existem no mercado alguns com capas protectoras, mas na impossibilidade de adquirir um destes dever-se-á evitar deixar crianças sozinhas no mesmo espaço, principalmente quando já apresentam capacidade locomotora. As lareiras, além do risco de queimaduras pela emissão de faúlhas ou contacto directo, são fonte emissora de monóxido de carbono (CO), potencialmente fatal. Use recuperadores de calor que impedem o contacto com o fogo (mas que podem atingir temperaturas elevadas!) e providenciar uma boa exaustão do monóxido de carbono.

Janelas/porta da rua/varandas – para uma criança a noção de perigo está distorcida, pelo que uma janela aberta, uma varanda desprotegida e uma porta da rua aberta constituem uma oportunidade de explorar algo de novo com o risco de quedas, atropelamento, entre outros acidentes.

Escadas – as escadas são um dos principais focos de perigo numa casa. Uma grande parte dos acidentes por queda ocorrem nas escadas, muitas vezes associadas ao uso de andarilhos. Deverão ser protegidas por dispositivos tipo cancela ou rede.

Parques – os parques constituem uma confortável medida de contenção da criança e podem evitar uma grande quantidade de acidentes. Alguns cuidados deverão ser tidos em conta, no entanto, para evitar que constituam um ambiente propício a outro tipo de acidentes: tenha atenção aos brinquedos a que a criança tem acesso, não deixe o parque perto de mesas, toalhas ou outros focos de risco.

Andarilhos – os andarilhos (também denominados de voadores) são frequentemente utilizados pelos pais por serem uma forma de contenção da criança (em substituição dos parques), com a suposta vantagem de estimular o início da marcha das crianças ao promover o apoio nos dois pés. Cientificamente está provado que não aceleram a aquisição da marcha e aumentam o risco de acidentes domésticos pela mobilidade que conferem à criança, nomeadamente, quedas de altura ou escadas, embate contra móveis/fogões com quedas e/ou derrube sobre a criança das estruturas em cima colocadas.

Quadros – deverão estar bem fixos, evitando a sua colocação por cima dos locais onde a criança passa a maior parte do tempo (como o berço ou o parque).

Esquinas – as esquinas dos móveis deverão ser protegidas com dispositivos próprios, especialmente as que ficam ao nível da criança (subindo de nível à medida que a criança adquire a capacidade de se levantar).

Medicamentos, álcool e produtos de limpeza (tóxicos) – provavelmente a mensagem melhor difundida na prevenção de acidentes mas que persiste em não ser assimilada: não deixar nenhuma destas substâncias ao alcance da criança. Ter em atenção que a aquisição das capacidades motoras leva à necessidade de actualizar a localização segura destes produtos. Nunca utilizar garrafas de bebidas, caixas de bolachas ou outras familiares à criança para guardar produtos tóxicos, pelo risco de a criança as considerar próprias para consumo.

Cadeirinha/transportador – deverá ser sempre colocado numa superfície firme, preferencialmente no chão, para evitar quedas.

Isqueiros, fósforos, objectos de dimensões reduzidas (moedas), pilhas eléctricas – todos estes objectos, entre muitos outros, não devem estar acessíveis às crianças pelo risco de aspiração ou deglutição que comportam.

Banho – relativamente aos riscos relacionados com o banho há que considerar as queimaduras (a temperatura da água deverá ser adequada) e a possibilidade de afogamento (uma pequena quantidade de água pode ser suficiente; as crianças têm a cabeça proporcionalmente maior e mais pesada em relação ao restante corpo, pelo que esta tendencialmente fica debaixo de água). Os produtos de higiene a utilizar deverão ser indicados para a idade pediátrica pela possibilidade de ocorrência de ingestão.

Alimentação – as cadeiras de alimentação deverão ser estáveis e estar bem apoiadas, pois as crianças não apreciam estar em espaço restrito e tenderão a mexer-se, com o risco de queda. Se se utilizarem bancos pendentes do tampo da mesa, aconselha-se a colocação de uma cadeira por baixo da criança por questão de segurança. As crianças, principalmente a partir do ano de idade, demonstram vontade de ‘participar’ na refeição, pegando nos talheres e copos. Devem ser utilizadas colheres e evitar a presença de facas ou garfos na proximidade da criança. Copos e pratos deverão ser preferencialmente de plástico. Os alimentos deverão ser confeccionados de forma adequada à idade da criança e espinhas e outros potenciais elementos agressores deverão ser cuidadosamente retirados.

Hugo Braga Tavares

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